quinta-feira, julho 26, 2007

Paragem com intervalos

Vamos descansar por uns tempos, aqui, aí e lá longe.
O blog como que vai adormecer.
Mas há alguém que fica vigilante. Que as malvadas forças de David o contemplem. Já entraram e ocuparam Ourém, mas o blog fica protegido, por isso não se atrevam.
Parece que ele está descontente com o PSD, que vai cumprir até ao fim, mas que sai triste, que vai voltar ao ensino, mas em gestão de autarquias, isto é, os seus estragos vão sentir-se noutro lado, tal a dimensão da sua obra...
Até breve...

quarta-feira, julho 25, 2007

Raridades...




Mas se não se sabe quem possui a pintura de Amadeo, também é difícil determinar quantos oureenses possuirão alguns exemplares da primeira série da Colecção Cowboy.
Trata-se de um conjunto de livros de texto editados pela Agência Portuguesa de Revistas, a mesma que editava os fabulosos Búfalo, Bisonte e Arizona. O que acontecia é que eram histórias mais pequenas, sensivelmente metade das publicadas naqueles livros, embora os autores fossem os mesmos. Na Ibis, a rival era a colecção Oeste.
A primeira série da Colecção Cowboy tinha maiores dimensões e menor número de páginas e originou nove números. Como podem apreciar, o número dez é substancialmente mais pequeno, cerca de metade, embora tenha o dobro de páginas e enriquecido com seis ilustrações intercaladas com o texto e originou um clone na Colecção Seis Balas, muito apreciada pelo presidente David como podem testemunhar em entrevista deste ao Mirante. Esta série de nove números foi suportada por três excelentes autores: Raf. G. Smith, E.L.Retamosa e Cesar Torre. O Raf era o melhor: o que eu e o meu irmão nos rimos, uma noite, ao desfrutar a leitura das primeiras páginas do primeiro número da colecção - "O Vingador"! Mas alguns nomes de autores também eram dignos de registo: não calculam os meus amigos o que o Jó e o Rui gozavam comigo por causa do El Ratamosa, mas imaginarão...
Penso que é mais fácil encontrar as edições de obras de Eça de Queirós efectuadas na primeira metade do século passado do que exemplares desta primeira série de que vos falo que, como podem apreciar, teve algumas excelentes capas, algumas com mulheres belas, bravas e lutadoras que não se intimidavam de espingarda na mão. Reparem, no entanto, na impressão da penúltima, "exploradores de ouro", com sobreposição desfasada de cores: o meu exemplar deve ser único.
Mas, se estes números são uma raridade, há raridade ainda maior: o número nove. Acontece que lhe embirrei com o título, "A tiro e a murro" e, quando há trinta anos tive de decidir que livros trazia comigo e quais iriam para a fogueira, pois era impossível transportar tudo, ele foi seleccionado para este lote.
O OUREM atribuirá prémio inesquecível ao oureense que primeiro lhe apresentar esse número da Colecção Cowboy. Está prometido.

terça-feira, julho 24, 2007

Estará em Ourém?



Esta obra, de Amadeo de Sousa-Cardoso, título desconhecido, data de 1911 e, pasme-se, desconhece-se o seu paradeiro. Será que algum amigo oureense poderá ajudar à sua descoberta?
Leituras da juventude...
... e de todos os tempos





Passeando os olhos pela estante, revejo alguns livros que li noutros tempos e cuja influência não acabou.
Penso que o primeiro texto de Marx que li foi o chamado "Salário, Preço e Lucro", lá para os finais da década de sessenta. Não foi difícil compreendê-lo, ao contrário do que vulgarmente se dizia da sua escrita. Efectivamente, pouco tempo depois, ao tentar ler textos da juventude, julgo que a "Ideologia Alemã", a desistência acabou por ser o destino.
Entre os livros que os meus amigos podem apreciar na ilustração existe um que tem um prefácio fabuloso: é o texto de Engels "Do socialismo utópico ao socialismo científico". Aliás, Engels era mais acessível.
Hoje, para muitos, o pensamento de Marx está desactualizado. Não creio que seja bem assim: a contradição principal na nossa sociedade é a mesma, resolvida essa, os fenómenos dela decorrentes que parecem dominantes e desajustadores do seu pensamento, estarão resolvidos.
Querem exemplos de que não está assim tão desajustado? Consideremos então Ourém e o novo Modelo a abrir no Vale da Aveleira. Que vai acontecer? Com certeza, um enorme efeito de concentração em que o peixe grande vai comer os pequeninos, isto é, vai contribuir para que o comércio tradicional em Ourém entre ou se mantenha em colapso.
Também, em múltiplas empresas do país é visível a contradição patrão * assalariado. Considerem-se, por exemplo, as últimas recomendações da confederação de patrões ao Governo: despedir mais facilmente, cortar em outros direitos... ao actuarem deste modo eles estão a assumir a contradição que ideologicamente tentam negar.
Mas não haverá desajustamentos, novidades? Com certeza que sim e são bem importantes e talvez ainda não tenham tido a resposta devida: as empresas produtivas têm o seu processo produtivo cada vez mais repartido pelo mundo; com facilidade, fecham uma unidade num país e o deslocalizam para outro. Este problema ainda não tem uma resposta satisfatória... nem a nível sindical, nem a outros níveis. Depois, há o modo como se "cria riqueza" hoje em dia através de mecanismos especulativos. O empresário capitalista (produtor e comerciante) é um santo comparado com os tubarões da especulação que, paralelamente ao processo produtivo, conseguem apoderar-se da riqueza sem terem tido o menor contributo para a mesma e destruindo muitas vezes empresas através dos seus jogos. Efectivamente, Marx não deu por estes agentes que hoje condicionam significativamente a vida das sociedades; se o tivesse feito, talvez tivesse sido mais benevolente com os "capitalistas produtivos" e nos tivesse deixado algo mais consistente para tratar da saúde aos que vivem de negócios especulativos...

segunda-feira, julho 23, 2007

As diferentes idades de um blog



Reparem na ilustração. Não lhe critiquem o mau estado, ela tem mais de cinquenta anos.
Nela revejo o meu percurso. Recordo o primeiro acordar consciente na casa do largo de Castela, no quarto frente à rua da Olaria, com as unhas a raspar a parede. Depois, o arco parece tirado a papel químico daqueles que nós usávamos; faltam talvez os carros de pau que os prisioneiros junto à câmara nos faziam ou as carretas que inventávamos para descer a rua. Recordo o enamoramento, os dias de nascimento dos filhotes, a alegria que eles me transmitiram. Nunca fui grande caçador embora tivesse cometido algumas malfeitorias de que logo me arrependi e, é verdade, até já tentei o discurso político sem qualquer êxito. Agora, parece que me sinto naquela fase descendente que culmina naquele velhinho que já não dá acordo de si e que tem à sua frente o paraíso. Olho aqueles animais, de certeza a Pipoca não poderá estar lá, tão má que é, tão disponível que está sempre para a mordidela ou para espetar as unhas. A ilustração mostra assim a sequência do nosso percurso na unidade de contrários vida e morte...
Um blog é um pouco diferente. Sem dúvida tem a sua fase infantil, de adolescência, de maturidade, de adormecimento progressivo. Mas a unidade contrários é permanente. Por exemplo, na última semana, tivemos, de novo aqui, a tragédia e a comédia. A tragédia personificada no autoritarismo, na arrogância, na ineficiência e até na falsidade de um governo que se autoapelida de socialista, mas que é um dos mais ferozes adeptos do despedimento e que elege os trabalhadores como o seu inimigo principal. Do outro lado, a comédia, no principal partido da oposição que se degladia em infrutíferas tentativas para mudar a liderança, mas com candidatos de que todos já sabemos o que se pode esperar.
Mas este exemplo não é o único. Vamos, por exemplo, até Ourém onde é bem clara a tragédia dos Paços de Concelho com derrapagens sucessivas, com uma indefinição incompreensível e que, vos garanto, breve mostrará disfunção sobre disfunção. Do outro, a comédia com o presidente a fazer as malas, o partido que ali domina a definir sucessor à altura e o povo que no mesmo vota a assistir impávido e sereno e até a apoiar, fazendo-nos quase acreditar: o povo tem aquilo que merece pois foi avisado em momento próprio...
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