sexta-feira, março 16, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Mais uma vez, do grande Dicionário Castelaico-Oureense retirámos a definição seguinte:
Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.
Durante anos, foi fácil encontrar em OUrém o Zé Quim. Agora, é bem mais difícil. Não, não é só a questão de, quase aos sessenta, estar desterrado em busca da subsistência. Acontece com ele o que tem vindo a acontecer com alguns que conheço: são vítimas do desencanto de assistir, impotentes, à destruição da terra que conheciam. Para não o verem, recusam-se a aparecer...
sexta-feira, abril 22, 2005

...inspirado obviamente na Mega-Fauna.
"Vejo uma zebra ao longe,
Que recusa vir ao Ourem
Pirou-se para Almodovar
Não passa cartão a ninguém"
Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...
Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de Estado...
Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...
Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela1 vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...
Curiosamente, aquele que preparou tudo isto ao pormenor (e que o fez com o sentido de gerar o que gerou), acabou por ser preso e perseguido. Tantas vezes as revoluções devoram os seus heróis!
1-Referência à política de Manuela Ferreira Leite no governo de Durão
domingo, novembro 07, 2004
Almoço na Botica
Que estranho!
Vim parar àquele lugar onde era a magnífica vinha do padrinho do Rui Temido.
O lugar desperta-me a saudade, mas foi substituída por uma boa causa: ali é a Escola Profissional de Ourém.
Passamos junto aos restos da fonte de Santa Teresinha, do lado esquerdo da rua contemplo o que substituiu a casa onde habitei e espreito na direcção da casa do Zé Quim. Por que é aquele malvado não apareceu?
Esperava-nos magnífico polvo à lagareiro. A primeira prova já ia longe pelo que a refeição assentou perfeitamente bem.
terça-feira, agosto 03, 2004
quarta-feira, junho 30, 2004
O Zéquim comove-me.
Desaparecidos o Luís Nuno e o Jó Rodrigues, parece o único distinto da minha geração disponível para sair em minha defesa.
Mas, nestes casos, o desprezo é a melhor arma. Aos JAs e companhia eu mando a Sybylla.
quinta-feira, junho 10, 2004
Curiosamente, a adaptação à nova casa não foi difícil. Há com certeza explicação lógica para isso. Conhecia-a desde que tinha nascido, pois antes habitavam lá uns tios e ela, a tia, foi a minha segunda mãe. Pessoas boas, muito amigas, que me trataram sempre o melhor possível. Lembro-me que até tinha um quarto especial onde podia pernoitar quando não me apetecia regressar a Castela.
Os tios tinham vários atractivos: um bastante importante foi a colecção do Cavaleiro Andante que me ofereceram quase desde o início e que eu suspendi a uns trinta números do final. Outros eram os brinquedos. Recordo com especial carinho uma corneta que me foi oferecida pela Feira Nova e que eu usava mal acordava a imaginar que estava nos exércitos do General Custer em momento de ataque ao Sitting Bull. O toque era tão elevado, lancinante e apelativo que toda a gente acordava e tinha que formar. Não sei porquê, um dia a corneta desapareceu e, apesar da bondade deles, nunca consegui a substituição em termos realmente satisfatórios.
Mas não foi esse o único motivo de adaptação fácil. É que, em férias, tinha a boa companhia do Rui e ainda me lembro do Jó Rodrigues quando morava na casa onde hoje habita o Sr. Paisana. Para completar a quadrilha, havia ainda o Zé Quim à frente. Nisto tudo pode ter havido algum desfasamento temporal que terá feito que nunca estivéssemos os quatro.
Chegar dali ao Central e ao Avenida era relativamente fácil. Visitar a casa do Largo de Castela também era possível pois foi habitada pela Aurorita e pelo João Honório bons amigos que mais tarde vim a reencontrar em Leiria.
E foi a nova casa que um dia demonstrou que a minha fé num ser humano é imensa.
Como consta da lenda, as portas estavam sempre abertas ou nos trincos. Nesse dia, a minha mãe estava para o quintal. Eu lia qualquer coisa quando ouvi um certo ruído, um ruído baixo que não cessava, mas que também se não definia. Vim até à porta da rua e apareceu-me uma mulher que eu nunca tinha visto, mas que já tinha aberto a porta por completo e iniciado o processo de entrada.
- A senhora precisa de alguma coisa?
Ela ficou embasbacada, mas ripostou:
- Não é aqui que mora a Maria?
- Ah! Eu vou chamar…
E deixei-a em paz, fui chamar a minha mãe a quem contei o sucedido.
- Mãe, está uma senhora à procura da Maria…
Viemos até à entrada. Claro que já lá não estava ninguém. Em vão a procurámos até à zona do hospital.
Não sei se o prejuízo foi grande ou pequeno - como não era materialista, isso não me preocupava muito. Sei que ouvi das boas por acreditar tão facilmente nas nobres intenções do ser humano.
quinta-feira, junho 03, 2004
Alcunhas oureenses
Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.
Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.
Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.
Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.
Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.
Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.
Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.
domingo, maio 23, 2004
ou... é preciso repor a verdade histórica
Amigo Robalo (Luís é bonito, mas este peixe, por menos informal, transporta-me a outros mares, atlântidas desaparecidas, mas persistentes nas memórias)
Bem, li a história e… quem conta um conto acrescenta um ponto, não é assim?
Vamos lá então.
Lembro-me que éramos para aí uns catorze, entre os quais o ZD que
desenhou uma caveira com a pólvora, do modo a que, quando esta se incendiasse,projectasse a imagem desenhada. Assim, perto do cemitério, estás a ver o efeito!!!
A ideia era assustar a mulherzinha que vinha com o alguidar de roupa à cabeça, mas o homem da bicicleta dos pneus grossos (à francesa) adiantou-se e, a precipitação originou, como muito bem disseste, uma monumental chamuscadela na tromba do K.
Fomos direitos ao chafariz que havia à porta da casa do Abel Faria (pai do Aguinaldo e do Vitó que têm uma bomba de gasolina perto da taberna do Frazão) e, armados em ferreiros, metemos a cabeça do K debaixo da água que corria da torneira, qual ferradura incandescente. O cheiro a grelhado era intenso e o cagaço também andava por aí.
Resolvemos então ir até à farmácia que estava de serviço que era a do Dr. Verdasca. Entrámos, o K, o meu primo Q (irmão de J) e a minha pessoa.
Estavam o dr. Verdasca e o dr. Oliveira em amena cavaqueira quando entrámos por ali adentro.
Diz logo o dr. Oliveira(padrinho do K): -Ó Arquimedes (era assim que ele o tratava) o que é que se passou?
O K, nada, não piava.
Respondi eu:
-Foi com uma bicha!
-Dr. Verdasca: Bicha?! Nã, isso foi com água a ferver
-Dr. Oliveira- Não me parece, pelo aspecto deve ter sido ácido.
Bem entre o ácido e a água a ferver, lá nos aconselharam a ir ao hospital para fazer o curativo.
Quem estava de serviço era uma enfermeira, tipo peso pesado que, sem hesitar, besuntou o trombil do K com uma pomada que o rapaz até fosforescia.
Era preciso ir pôr o K a casa. Saímos do hospital e lá fomos os três: eu, K e Q. Assim que saímos a porta de ferro do velho hospital, ouvimos uma voz de aflição a gritar no meio da rua: ó R, Ó R! Deixámos que a mãe do K passasse e escondemo-nos na antiga garagem do Zé Leal que, como te deves lembrar, ficava encostada à casa do K. Entrámos e por pouco íamos caindo no alçapão utilizado para a reparação e lavagem das camionetas.
Não sei que por artes, a mãe do K descobriu que estávamos ali escondidos e, junto ao portão grande da garagem pôs-se a gritar: Sai daí, eu sei que aí estás! Depois de repetir a dose não sei quantas vezes e, talvez comandado pelo desespero ouve-se a voz do Q (que era –ainda é- gago: Nãããã tátátá cácá ninninguém!
E foi assim que a história terminou, que não pró K que parece ainda teve espaço para levantar uma monumental carga de porrada.
Peço que não repares na forma como a história está escrita, porque ela saiu de rajada e foi assim que ficou.
Fala com o Q. Talvez ele possa acrescentar ou tirar alguns exageros que, como sabes, de tão contados dão em lenda.
Grande abraço
Zéquim
domingo, abril 25, 2004
E, naquele tempo,
, por onde andavam e que faziam distintos oureenses?Sérgio: preso em Caxias (prestes a ser libertado).
Luís Nuno: exilado em França (prestes a regressar).
Zé Quim: sob detenção nas Caldas (prestes a ser libertado).
Luís: vigilante na EPAM.
Luís Filipe: apoiando em alguma unidade do Continente.
Zé Rito: em voo para Seia.
Jó Rodrigues: coleccionador competente e avisado de plantas, xaropes e químicos naturais para aliviar o mal-estar dos oureenses de então.
Alfredo: a preparar o abandono organizado do Quelhas e a grande marcha relativa ao regresso vitorioso à futura urbe.
Rui Themido: Ourém já não é o que era, a Medicina vai chamá-lo para outras paragens.
Rui Leitão: novas fórmulas, novos fármacos, há que revitalizar Ourém.
Zé Domingos: Engenharia é para terminar, mas em Ourém continuará caçadas e patuscadas.
Jó Alho: quase martirizado nas colónias.
Humberto: em busca dos tesouros dos Aztecas, dos Maias e dos Incas.
Vítor: guarda-redes da equipa maravilha a quem alguém não reconhece o Direito de, de Facto, o ter sido (mas ele já tem hábil seguidora para defender tão intangível activo).
Tóino: a assistir ao nascimento dos primeiros vitelinhos.
Ferraz: à procura do verso, à procura do trinado, a ensaiar o maior, o menor, o corrido…
Barrosos, Quim Manel, Quim Zé, João da Quinta, Aires, Kansas, Zé-Tó, Tó-Liz, Licínio, Luís e Alberto (manos Facas), Maximino, Nicolau, Natureza, Queimado, Augusto, Jóia: nada sei sobre o que faziam neste momento, mas podem enviar-me relatório para o Quartel.
Quim, Julito, Genito, Duarte, Félix, Vitor Guerra, Pintassilgo, Cúrdia, Zé Alberto, Manuel: ou a iniciar as suas vidas ou aos tiros nas colónias ou no Poço (então bem real) a comentar tão gratificantes acontecimentos.
E o Zé Manel, lá de cima, contemplava tudo isto com um sorriso e pensava: “se estivesse lá com a minha viola, também podia dar uma ajuda”.
