Ler uma acta das reuniões da câmara é uma espécie de viagem a meados do século passado. Não por causa dos protagonistas que são actuais, estão vivos e, felizmente, de boa saúde. Não por causa dos temas que, reconheço, são dos que mais afectam Ourém nos dias de hoje. Mas pelas referências utilizadas...
Consultem-se as duas últimas actas: 7 e 14 de Maio. Em qualquer delas a expressão "Excelentíssimo Presidente" aparece uma quinze vezes o que equivale a um pouco menos do que 50% das páginas úteis. Isto não é comum a todas as câmaras, nem é sequer um tratamento que o Presidente da República se possa orgulhar de merecer de quem a ele se refere.
Mas o presidente David deve estar muito feliz. É "excelentíssimo presidente" para baixo, "excelentíssimo presidente" para cima, "excelentíssimo presidente" para a esquerda, "excelentíssimo presidente" para a direita...
Porquê este sistema de referência ao presidente da câmara, arcaico, bajulador, respeitoso, ridículo até? Eu sei que não é o único sitio onde isto acontece. Também ridícula é, no mundo académico, a expressão "magnífico reitor". "Magnífico" porquê, se nem grandes resultados do trabalho apresenta? Até parece que se está a gozar com a pessoa.
Assim, seria produtivo que a câmara utilizasse alguns dos minutinhos das suas reuniões para rever o sistema de referências de forma a um indivíduo igual aos outros não estar para ali a ser adulado, a auto promover-se perante os outros, os comuns mortais, a populaça...











Afinal, o passo de gigante converteu-se em escorregadela inesperada. Se Carmona entende que está inocente porque deverá demitir-se? E, se se demitir, por que não arrastará a Assembleia? E se Mendes é tão escrupuloso com o que se passa com estes dirigentes locais por que continua a patrocinar atentados à liberdade e ao decoro político como o que se vê diariamente protagonizado pelo troglodita da Madeira?










