domingo, novembro 04, 2007
quinta-feira, setembro 27, 2007
Gatos de aldeamento
Este ano, durante as férias, tive o privilégio da companhia de uma série de bichanos que não posso deixar de vos apresentar e cuja memória faço questão de aqui perpetuar.
Ficámos cheios de pena quando os abandonámos, mas não havia outra possibilidade pois não se deixavam apanhar e seria criminoso separar uns dos outros
Mascarilha

Um gatinho preto e branco com uma ligeira distorção do negro sobre o olho direito. Era o mais atrevido e o mais chegado a nós, chegando a entrar em casa, mas fugindo a sete pés mal tentava aproximar-me. Creio que se ficássemos mais dias ele se aproximaria mais
Zorro

Como podem apreciar, neste a máscara é perfeita. O Zorro nunca se aproximou muito, apesar de quase gémeo do MAscarilha com quem passava o dia a brincar.
Blackcat and Litle Blackcat I

Blackcat é mãe de uma série de gatinhos quase tão magra e pequenina como eles. Foi o primeiro com que deparámos e tornou-se especial pois permitia que a nossa mão a afagasse embora esperneasse como uma louca mal a tentávamos apanhar. Quase que se ofereceu para vir connosco, mas nunca a separaríamos dos filhotes.
Tigre de Cabanas e cinzentão dorminhoco

Estes não passavam mesmo cartão ao pessoal. Bom, à hora da comida, o tigre olhava descaradamente para nós com cara de quem não está para brincadeiras e, em pouco tempo, convencia-nos a servi-lo. O cinzentão dorminhoco, mal cheirava a comida, ligava o turbo e ninguém podia concorrer com ele no prato que escolhia.
Não posso deixar de registar no blog mais um gatinho que não consegui fotografar: o "ursinho", imaginam a mescla de cores escuras que o caraterizavam. Também era amistoso e, por isso, nunca será esquecido...
Este ano, durante as férias, tive o privilégio da companhia de uma série de bichanos que não posso deixar de vos apresentar e cuja memória faço questão de aqui perpetuar.
Ficámos cheios de pena quando os abandonámos, mas não havia outra possibilidade pois não se deixavam apanhar e seria criminoso separar uns dos outros
Mascarilha
Um gatinho preto e branco com uma ligeira distorção do negro sobre o olho direito. Era o mais atrevido e o mais chegado a nós, chegando a entrar em casa, mas fugindo a sete pés mal tentava aproximar-me. Creio que se ficássemos mais dias ele se aproximaria mais
Zorro
Como podem apreciar, neste a máscara é perfeita. O Zorro nunca se aproximou muito, apesar de quase gémeo do MAscarilha com quem passava o dia a brincar.
Blackcat and Litle Blackcat I
Blackcat é mãe de uma série de gatinhos quase tão magra e pequenina como eles. Foi o primeiro com que deparámos e tornou-se especial pois permitia que a nossa mão a afagasse embora esperneasse como uma louca mal a tentávamos apanhar. Quase que se ofereceu para vir connosco, mas nunca a separaríamos dos filhotes.
Tigre de Cabanas e cinzentão dorminhoco
Estes não passavam mesmo cartão ao pessoal. Bom, à hora da comida, o tigre olhava descaradamente para nós com cara de quem não está para brincadeiras e, em pouco tempo, convencia-nos a servi-lo. O cinzentão dorminhoco, mal cheirava a comida, ligava o turbo e ninguém podia concorrer com ele no prato que escolhia.
Não posso deixar de registar no blog mais um gatinho que não consegui fotografar: o "ursinho", imaginam a mescla de cores escuras que o caraterizavam. Também era amistoso e, por isso, nunca será esquecido...
quarta-feira, setembro 26, 2007
Uma cesta de pinhões

O humilde pinheiro que temos no quintal, torto de empurrado pelos cedros, já nos brinda com algo saboroso. De quando em quando uma pinha cai e, antes de ser aproveitada para a fogueira, é possível extrair-lhe as cápsulas de pinhões e provar aquela delícia.
A extracção do pinhão faz-se um a um. Imaginem quanto tempo de trabalho havia naquelas cestas que surgiam nas festas do pinhão nos arredores da nossa Ourém
O humilde pinheiro que temos no quintal, torto de empurrado pelos cedros, já nos brinda com algo saboroso. De quando em quando uma pinha cai e, antes de ser aproveitada para a fogueira, é possível extrair-lhe as cápsulas de pinhões e provar aquela delícia.
A extracção do pinhão faz-se um a um. Imaginem quanto tempo de trabalho havia naquelas cestas que surgiam nas festas do pinhão nos arredores da nossa Ourém
terça-feira, setembro 25, 2007
Noites oureanas

Apesar das tempestadas bem documentadas na blogosfera oureense (ver, por exemplo, a formidável reportagem de a 1 clique: 1, 2, 3, 4 e 5), já tenho saudade das poucas noites oureanas onde, no meio da escuridão, ouvindo grilos e outra bicharada, me era possível contemplar a saudação da lua ao castelo.
Agora, o frio já não é convidativo, por isso há que esperar. Talvez para o ano haja mais uns dias...
Apesar das tempestadas bem documentadas na blogosfera oureense (ver, por exemplo, a formidável reportagem de a 1 clique: 1, 2, 3, 4 e 5), já tenho saudade das poucas noites oureanas onde, no meio da escuridão, ouvindo grilos e outra bicharada, me era possível contemplar a saudação da lua ao castelo.
Agora, o frio já não é convidativo, por isso há que esperar. Talvez para o ano haja mais uns dias...
Setenta anos

Estas férias tive, mais uma vez, o privilégio de participar na festa de anos do Abelito, o melhor defesa do hóquei oureense de todos os tempos, que defendeu as cores do glorioso Atlético nos fantásticos anos 50/60 do século passado.
Se são de festa para os humanos, estes dias são de terror para a bicharada comestível de quatro patas. Vejam o estado em que ficou um inocente porquito e que a foto documenta...
Apesar de tudo, já estou desejoso pelas comemorações dos próximos anos. Que sejam muitos!
Estas férias tive, mais uma vez, o privilégio de participar na festa de anos do Abelito, o melhor defesa do hóquei oureense de todos os tempos, que defendeu as cores do glorioso Atlético nos fantásticos anos 50/60 do século passado.
Se são de festa para os humanos, estes dias são de terror para a bicharada comestível de quatro patas. Vejam o estado em que ficou um inocente porquito e que a foto documenta...
Apesar de tudo, já estou desejoso pelas comemorações dos próximos anos. Que sejam muitos!
sexta-feira, setembro 21, 2007
Intervalo aberto

Anne Smith
Foram tantos os dias que estive longe que eu próprio me admirava de não ter vontade de voltar ao OUREM. Isto é, voltava, mas apenas para ver comentários ou números de visitas. E reparei que, durante quase dois meses, apesar de nada postar, havia uns quarenta fiéis que não deixavam de aparecer. Outros encontravam-me e perguntavam: "então não pões nada no blog?"
O que significa “Intervalo Aberto” é que, apesar de agonizante, não vamos trair esses visitantes. Não haverá novidades: os principais inimigos são o presidente David e respectivo séquito e a política arrogante, autoritária e anti-social do eng. Sócrates (que até já cumprimenta o diabólico Bush). A eles dedicaremos alguns posts. Mas nem só de inimigos viverá o blog: nos próximos dias, vamos celebrar o magnífico tempo de férias, invocando os poucos dias em Ourém, a bicharada que nos acompanhou e outros factos relevantes.
Conscientemente, o blog aproxima-se do fim. Não sei quanto tempo demorará, mas sei que não há a chama de outros tempos e essa é que era verdadeiramente importante. O intervalo poderá fechar, reabrir, logo se verá...

Anne Smith
Foram tantos os dias que estive longe que eu próprio me admirava de não ter vontade de voltar ao OUREM. Isto é, voltava, mas apenas para ver comentários ou números de visitas. E reparei que, durante quase dois meses, apesar de nada postar, havia uns quarenta fiéis que não deixavam de aparecer. Outros encontravam-me e perguntavam: "então não pões nada no blog?"
O que significa “Intervalo Aberto” é que, apesar de agonizante, não vamos trair esses visitantes. Não haverá novidades: os principais inimigos são o presidente David e respectivo séquito e a política arrogante, autoritária e anti-social do eng. Sócrates (que até já cumprimenta o diabólico Bush). A eles dedicaremos alguns posts. Mas nem só de inimigos viverá o blog: nos próximos dias, vamos celebrar o magnífico tempo de férias, invocando os poucos dias em Ourém, a bicharada que nos acompanhou e outros factos relevantes.
Conscientemente, o blog aproxima-se do fim. Não sei quanto tempo demorará, mas sei que não há a chama de outros tempos e essa é que era verdadeiramente importante. O intervalo poderá fechar, reabrir, logo se verá...
quinta-feira, setembro 20, 2007
E nem o diabo do sino lhes cai em cima

Têm feito tanto mal à nossa terra que admira que, à falta da revolta dos vivos, os antepassados não se ergam e lhes espetem merecido castigo pela ausência de respeito demonstrada.
Julgo que nunca ouvi qualquer som dali proveniente.
Talvez um dia toque quando os oureenses, conscientes, correrem com quem ocupa cargos de responsabilidade e tão mau uso faz deles.
Têm feito tanto mal à nossa terra que admira que, à falta da revolta dos vivos, os antepassados não se ergam e lhes espetem merecido castigo pela ausência de respeito demonstrada.
Julgo que nunca ouvi qualquer som dali proveniente.
Talvez um dia toque quando os oureenses, conscientes, correrem com quem ocupa cargos de responsabilidade e tão mau uso faz deles.
Espírito de prisioneiro

Olhem-me este Mamarracho!
Reparem como o seu tamanhão contratasta com as suas tristes janelas. Estas tão pequeninas são que denunciam que não houve preocupação em aproveitar a luz solar e que quem lá estiver estará condenado à presença do ar condicionado a incidir impiedosamente sobre as costas de quem trabalha e ao desprezo pelos bons ares que a encosta do moinho pode trazer.
Não admira esta aproximação do ambiente de trabalho ao ambiente de cárcere. A obra, resultante das manobras do presidente David sempre incapaz de um projecto, com revisão em cima de revisão em cima de revisão..., com disfuncionalidades que só se descobrirão após o início de uso, repousa sobre as cinzas da velha prisão de Ourém. E este espírito acompanhará os que lá se encontrarem.
Menos espirituais e mais reais serão os sacrifícios do contribuinte, prisioneiro da má gestão financeira que o condenará a rendas de que nem filhos e netos escaparão.
Olhem-me este Mamarracho!
Reparem como o seu tamanhão contratasta com as suas tristes janelas. Estas tão pequeninas são que denunciam que não houve preocupação em aproveitar a luz solar e que quem lá estiver estará condenado à presença do ar condicionado a incidir impiedosamente sobre as costas de quem trabalha e ao desprezo pelos bons ares que a encosta do moinho pode trazer.
Não admira esta aproximação do ambiente de trabalho ao ambiente de cárcere. A obra, resultante das manobras do presidente David sempre incapaz de um projecto, com revisão em cima de revisão em cima de revisão..., com disfuncionalidades que só se descobrirão após o início de uso, repousa sobre as cinzas da velha prisão de Ourém. E este espírito acompanhará os que lá se encontrarem.
Menos espirituais e mais reais serão os sacrifícios do contribuinte, prisioneiro da má gestão financeira que o condenará a rendas de que nem filhos e netos escaparão.
quarta-feira, setembro 19, 2007
Intervalo Aberto
Rua de Castela

Haverá alguém que se lembra dela?
O ar nevoento recorda o triste destino que a Camarilha lhe preparou.
Mas algo correu mal.
Já lá vai algum tempo, mas... fonte segura garatiu-me que os desígnios de David e séquito foram sujeitos a providência cautelar.
Seria bom que resultasse, que atrasasse até que alguém devolvesse à rua um destino que a respeitasse...
Rua de Castela
Haverá alguém que se lembra dela?
O ar nevoento recorda o triste destino que a Camarilha lhe preparou.
Mas algo correu mal.
Já lá vai algum tempo, mas... fonte segura garatiu-me que os desígnios de David e séquito foram sujeitos a providência cautelar.
Seria bom que resultasse, que atrasasse até que alguém devolvesse à rua um destino que a respeitasse...
quinta-feira, julho 26, 2007
Paragem com intervalos
Vamos descansar por uns tempos, aqui, aí e lá longe.
O blog como que vai adormecer.
Mas há alguém que fica vigilante. Que as malvadas forças de David o contemplem. Já entraram e ocuparam Ourém, mas o blog fica protegido, por isso não se atrevam.
Parece que ele está descontente com o PSD, que vai cumprir até ao fim, mas que sai triste, que vai voltar ao ensino, mas em gestão de autarquias, isto é, os seus estragos vão sentir-se noutro lado, tal a dimensão da sua obra...
Até breve...
Vamos descansar por uns tempos, aqui, aí e lá longe.O blog como que vai adormecer.
Mas há alguém que fica vigilante. Que as malvadas forças de David o contemplem. Já entraram e ocuparam Ourém, mas o blog fica protegido, por isso não se atrevam.
Parece que ele está descontente com o PSD, que vai cumprir até ao fim, mas que sai triste, que vai voltar ao ensino, mas em gestão de autarquias, isto é, os seus estragos vão sentir-se noutro lado, tal a dimensão da sua obra...
Até breve...
quarta-feira, julho 25, 2007
Raridades...


Mas se não se sabe quem possui a pintura de Amadeo, também é difícil determinar quantos oureenses possuirão alguns exemplares da primeira série da Colecção Cowboy.
Trata-se de um conjunto de livros de texto editados pela Agência Portuguesa de Revistas, a mesma que editava os fabulosos Búfalo, Bisonte e Arizona. O que acontecia é que eram histórias mais pequenas, sensivelmente metade das publicadas naqueles livros, embora os autores fossem os mesmos. Na Ibis, a rival era a colecção Oeste.
A primeira série da Colecção Cowboy tinha maiores dimensões e menor número de páginas e originou nove números. Como podem apreciar, o número dez é substancialmente mais pequeno, cerca de metade, embora tenha o dobro de páginas e enriquecido com seis ilustrações intercaladas com o texto e originou um clone na Colecção Seis Balas, muito apreciada pelo presidente David como podem testemunhar em entrevista deste ao Mirante. Esta série de nove números foi suportada por três excelentes autores: Raf. G. Smith, E.L.Retamosa e Cesar Torre. O Raf era o melhor: o que eu e o meu irmão nos rimos, uma noite, ao desfrutar a leitura das primeiras páginas do primeiro número da colecção - "O Vingador"! Mas alguns nomes de autores também eram dignos de registo: não calculam os meus amigos o que o Jó e o Rui gozavam comigo por causa do El Ratamosa, mas imaginarão...
Penso que é mais fácil encontrar as edições de obras de Eça de Queirós efectuadas na primeira metade do século passado do que exemplares desta primeira série de que vos falo que, como podem apreciar, teve algumas excelentes capas, algumas com mulheres belas, bravas e lutadoras que não se intimidavam de espingarda na mão. Reparem, no entanto, na impressão da penúltima, "exploradores de ouro", com sobreposição desfasada de cores: o meu exemplar deve ser único.
Mas, se estes números são uma raridade, há raridade ainda maior: o número nove. Acontece que lhe embirrei com o título, "A tiro e a murro" e, quando há trinta anos tive de decidir que livros trazia comigo e quais iriam para a fogueira, pois era impossível transportar tudo, ele foi seleccionado para este lote.
O OUREM atribuirá prémio inesquecível ao oureense que primeiro lhe apresentar esse número da Colecção Cowboy. Está prometido.


Mas se não se sabe quem possui a pintura de Amadeo, também é difícil determinar quantos oureenses possuirão alguns exemplares da primeira série da Colecção Cowboy.
Trata-se de um conjunto de livros de texto editados pela Agência Portuguesa de Revistas, a mesma que editava os fabulosos Búfalo, Bisonte e Arizona. O que acontecia é que eram histórias mais pequenas, sensivelmente metade das publicadas naqueles livros, embora os autores fossem os mesmos. Na Ibis, a rival era a colecção Oeste.
A primeira série da Colecção Cowboy tinha maiores dimensões e menor número de páginas e originou nove números. Como podem apreciar, o número dez é substancialmente mais pequeno, cerca de metade, embora tenha o dobro de páginas e enriquecido com seis ilustrações intercaladas com o texto e originou um clone na Colecção Seis Balas, muito apreciada pelo presidente David como podem testemunhar em entrevista deste ao Mirante. Esta série de nove números foi suportada por três excelentes autores: Raf. G. Smith, E.L.Retamosa e Cesar Torre. O Raf era o melhor: o que eu e o meu irmão nos rimos, uma noite, ao desfrutar a leitura das primeiras páginas do primeiro número da colecção - "O Vingador"! Mas alguns nomes de autores também eram dignos de registo: não calculam os meus amigos o que o Jó e o Rui gozavam comigo por causa do El Ratamosa, mas imaginarão...
Penso que é mais fácil encontrar as edições de obras de Eça de Queirós efectuadas na primeira metade do século passado do que exemplares desta primeira série de que vos falo que, como podem apreciar, teve algumas excelentes capas, algumas com mulheres belas, bravas e lutadoras que não se intimidavam de espingarda na mão. Reparem, no entanto, na impressão da penúltima, "exploradores de ouro", com sobreposição desfasada de cores: o meu exemplar deve ser único.
Mas, se estes números são uma raridade, há raridade ainda maior: o número nove. Acontece que lhe embirrei com o título, "A tiro e a murro" e, quando há trinta anos tive de decidir que livros trazia comigo e quais iriam para a fogueira, pois era impossível transportar tudo, ele foi seleccionado para este lote.
O OUREM atribuirá prémio inesquecível ao oureense que primeiro lhe apresentar esse número da Colecção Cowboy. Está prometido.
terça-feira, julho 24, 2007
Leituras da juventude...
... e de todos os tempos


Passeando os olhos pela estante, revejo alguns livros que li noutros tempos e cuja influência não acabou.
Penso que o primeiro texto de Marx que li foi o chamado "Salário, Preço e Lucro", lá para os finais da década de sessenta. Não foi difícil compreendê-lo, ao contrário do que vulgarmente se dizia da sua escrita. Efectivamente, pouco tempo depois, ao tentar ler textos da juventude, julgo que a "Ideologia Alemã", a desistência acabou por ser o destino.
Entre os livros que os meus amigos podem apreciar na ilustração existe um que tem um prefácio fabuloso: é o texto de Engels "Do socialismo utópico ao socialismo científico". Aliás, Engels era mais acessível.
Hoje, para muitos, o pensamento de Marx está desactualizado. Não creio que seja bem assim: a contradição principal na nossa sociedade é a mesma, resolvida essa, os fenómenos dela decorrentes que parecem dominantes e desajustadores do seu pensamento, estarão resolvidos.
... e de todos os tempos


Passeando os olhos pela estante, revejo alguns livros que li noutros tempos e cuja influência não acabou.
Penso que o primeiro texto de Marx que li foi o chamado "Salário, Preço e Lucro", lá para os finais da década de sessenta. Não foi difícil compreendê-lo, ao contrário do que vulgarmente se dizia da sua escrita. Efectivamente, pouco tempo depois, ao tentar ler textos da juventude, julgo que a "Ideologia Alemã", a desistência acabou por ser o destino.
Entre os livros que os meus amigos podem apreciar na ilustração existe um que tem um prefácio fabuloso: é o texto de Engels "Do socialismo utópico ao socialismo científico". Aliás, Engels era mais acessível.
Hoje, para muitos, o pensamento de Marx está desactualizado. Não creio que seja bem assim: a contradição principal na nossa sociedade é a mesma, resolvida essa, os fenómenos dela decorrentes que parecem dominantes e desajustadores do seu pensamento, estarão resolvidos.
Querem exemplos de que não está assim tão desajustado? Consideremos então Ourém e o novo Modelo a abrir no Vale da Aveleira. Que vai acontecer? Com certeza, um enorme efeito de concentração em que o peixe grande vai comer os pequeninos, isto é, vai contribuir para que o comércio tradicional em Ourém entre ou se mantenha em colapso.
Também, em múltiplas empresas do país é visível a contradição patrão * assalariado. Considerem-se, por exemplo, as últimas recomendações da confederação de patrões ao Governo: despedir mais facilmente, cortar em outros direitos... ao actuarem deste modo eles estão a assumir a contradição que ideologicamente tentam negar.
Mas não haverá desajustamentos, novidades? Com certeza que sim e são bem importantes e talvez ainda não tenham tido a resposta devida: as empresas produtivas têm o seu processo produtivo cada vez mais repartido pelo mundo; com facilidade, fecham uma unidade num país e o deslocalizam para outro. Este problema ainda não tem uma resposta satisfatória... nem a nível sindical, nem a outros níveis. Depois, há o modo como se "cria riqueza" hoje em dia através de mecanismos especulativos. O empresário capitalista (produtor e comerciante) é um santo comparado com os tubarões da especulação que, paralelamente ao processo produtivo, conseguem apoderar-se da riqueza sem terem tido o menor contributo para a mesma e destruindo muitas vezes empresas através dos seus jogos. Efectivamente, Marx não deu por estes agentes que hoje condicionam significativamente a vida das sociedades; se o tivesse feito, talvez tivesse sido mais benevolente com os "capitalistas produtivos" e nos tivesse deixado algo mais consistente para tratar da saúde aos que vivem de negócios especulativos...
Mas não haverá desajustamentos, novidades? Com certeza que sim e são bem importantes e talvez ainda não tenham tido a resposta devida: as empresas produtivas têm o seu processo produtivo cada vez mais repartido pelo mundo; com facilidade, fecham uma unidade num país e o deslocalizam para outro. Este problema ainda não tem uma resposta satisfatória... nem a nível sindical, nem a outros níveis. Depois, há o modo como se "cria riqueza" hoje em dia através de mecanismos especulativos. O empresário capitalista (produtor e comerciante) é um santo comparado com os tubarões da especulação que, paralelamente ao processo produtivo, conseguem apoderar-se da riqueza sem terem tido o menor contributo para a mesma e destruindo muitas vezes empresas através dos seus jogos. Efectivamente, Marx não deu por estes agentes que hoje condicionam significativamente a vida das sociedades; se o tivesse feito, talvez tivesse sido mais benevolente com os "capitalistas produtivos" e nos tivesse deixado algo mais consistente para tratar da saúde aos que vivem de negócios especulativos...
segunda-feira, julho 23, 2007
As diferentes idades de um blog
Reparem na ilustração. Não lhe critiquem o mau estado, ela tem mais de cinquenta anos.
Nela revejo o meu percurso. Recordo o primeiro acordar consciente na casa do largo de Castela, no quarto frente à rua da Olaria, com as unhas a raspar a parede. Depois, o arco parece tirado a papel químico daqueles que nós usávamos; faltam talvez os carros de pau que os prisioneiros junto à câmara nos faziam ou as carretas que inventávamos para descer a rua. Recordo o enamoramento, os dias de nascimento dos filhotes, a alegria que eles me transmitiram. Nunca fui grande caçador embora tivesse cometido algumas malfeitorias de que logo me arrependi e, é verdade, até já tentei o discurso político sem qualquer êxito. Agora, parece que me sinto naquela fase descendente que culmina naquele velhinho que já não dá acordo de si e que tem à sua frente o paraíso. Olho aqueles animais, de certeza a Pipoca não poderá estar lá, tão má que é, tão disponível que está sempre para a mordidela ou para espetar as unhas. A ilustração mostra assim a sequência do nosso percurso na unidade de contrários vida e morte...
Um blog é um pouco diferente. Sem dúvida tem a sua fase infantil, de adolescência, de maturidade, de adormecimento progressivo. Mas a unidade contrários é permanente. Por exemplo, na última semana, tivemos, de novo aqui, a tragédia e a comédia. A tragédia personificada no autoritarismo, na arrogância, na ineficiência e até na falsidade de um governo que se autoapelida de socialista, mas que é um dos mais ferozes adeptos do despedimento e que elege os trabalhadores como o seu inimigo principal. Do outro lado, a comédia, no principal partido da oposição que se degladia em infrutíferas tentativas para mudar a liderança, mas com candidatos de que todos já sabemos o que se pode esperar.
Mas este exemplo não é o único. Vamos, por exemplo, até Ourém onde é bem clara a tragédia dos Paços de Concelho com derrapagens sucessivas, com uma indefinição incompreensível e que, vos garanto, breve mostrará disfunção sobre disfunção. Do outro, a comédia com o presidente a fazer as malas, o partido que ali domina a definir sucessor à altura e o povo que no mesmo vota a assistir impávido e sereno e até a apoiar, fazendo-nos quase acreditar: o povo tem aquilo que merece pois foi avisado em momento próprio...
sexta-feira, julho 20, 2007
Esperança
Pouco passa das dez. À porta da Assembleia houve-se essa música fabulosa: Camaradas cantemos unidos porque é nossa a vitória final...
Uma sindicalista fala, os carros vão acompanhando desencadeando uma espécie de buzinão dirigido à política do governo. Não sei como se sentirão os deputados do PS. Eu, no seu papel, depois das promessas eleitorais sentir-me-ia muito mal ao ver que as pessoas não reconheceriam este meritório serviço que vêm prestando ao país (isto é aos grandes capitalistas). Mas também não estou lá e nem todos usam dos escrúpulos que eu uso...
Os protestos continuam, agora em relação ao desemprego. Poderá haver alguma esperança no meio de tudo isto? Ou o que se escreve não é mais do que uma “crónica do desemprego anunciado” a avaliar pela legislação recente aprovada relativamente à função pública?
Parece-me agora reconhecer a voz do novo doutorado Carvalho da Silva a denunciar tentativas parta alterar a constituição no sentido de maior facilitação de desemprego ainda hoje relatadas pelo Público. “O que é que o patronato quer mais?”, pode perguntar-se perante a selvajaria que caracteriza actualmente as relações laborais.
Lá em baixo o sindicalista promete: “a luta vai continuar, camaradas”. Sócrates parece ter esse mérito de unir todos e conseguir levar as pessoas para a rua, para o protesto.
Pouco passa das dez. À porta da Assembleia houve-se essa música fabulosa: Camaradas cantemos unidos porque é nossa a vitória final...
Uma sindicalista fala, os carros vão acompanhando desencadeando uma espécie de buzinão dirigido à política do governo. Não sei como se sentirão os deputados do PS. Eu, no seu papel, depois das promessas eleitorais sentir-me-ia muito mal ao ver que as pessoas não reconheceriam este meritório serviço que vêm prestando ao país (isto é aos grandes capitalistas). Mas também não estou lá e nem todos usam dos escrúpulos que eu uso...
Os protestos continuam, agora em relação ao desemprego. Poderá haver alguma esperança no meio de tudo isto? Ou o que se escreve não é mais do que uma “crónica do desemprego anunciado” a avaliar pela legislação recente aprovada relativamente à função pública?
Parece-me agora reconhecer a voz do novo doutorado Carvalho da Silva a denunciar tentativas parta alterar a constituição no sentido de maior facilitação de desemprego ainda hoje relatadas pelo Público. “O que é que o patronato quer mais?”, pode perguntar-se perante a selvajaria que caracteriza actualmente as relações laborais.
Lá em baixo o sindicalista promete: “a luta vai continuar, camaradas”. Sócrates parece ter esse mérito de unir todos e conseguir levar as pessoas para a rua, para o protesto.
A canção volta: "Venceremos, venceremos, na batalha da terra e do pão...". Os carros continuam o buzinão. No final, há que dizer que a esperança permanece.
quinta-feira, julho 19, 2007
Preparativos para férias
Os papéis foram-se amontoando e enchendo de pó. Tenho alguma relutância em enviá-los para o lixo. Quem sabe se pelo meio de algum daqueles montes pestilentos existe algo de importante?
Lá em baixo, uma vigília dos sindicatos mimoseia os deputados com “os abutres” do Zeca: eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...
Compreendo a sua apreensão que também é a minha num momento em que a ofensiva do governo contra a estabilidade de emprego se acelera. Este já não tem muito tempo, breve tem de trazer alguma benesse que as eleições já se vêem e os resultados de Lisboa não auguram nada de bom em relação à disposição do pessoal. De maneira que nos próximos meses vai disparar forte e, como já demonstrou, sem piedade.
Sinto sempre preguiça em ir para férias. Aos poucos habituei-me a esta rotina e vou sentir a falta da chegada, do olhar sobre o Tejo, do ritual do dia a dia com o blog pelo meio... Mas ainda sou um sortudo comparado com outros portugueses. Até quando é que já não vos sei dizer.
E o raio dos papéis continuam aqui ao lado. Bom, tenho de tomar uma atitude...
Os papéis foram-se amontoando e enchendo de pó. Tenho alguma relutância em enviá-los para o lixo. Quem sabe se pelo meio de algum daqueles montes pestilentos existe algo de importante?
Lá em baixo, uma vigília dos sindicatos mimoseia os deputados com “os abutres” do Zeca: eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...
Compreendo a sua apreensão que também é a minha num momento em que a ofensiva do governo contra a estabilidade de emprego se acelera. Este já não tem muito tempo, breve tem de trazer alguma benesse que as eleições já se vêem e os resultados de Lisboa não auguram nada de bom em relação à disposição do pessoal. De maneira que nos próximos meses vai disparar forte e, como já demonstrou, sem piedade.
Sinto sempre preguiça em ir para férias. Aos poucos habituei-me a esta rotina e vou sentir a falta da chegada, do olhar sobre o Tejo, do ritual do dia a dia com o blog pelo meio... Mas ainda sou um sortudo comparado com outros portugueses. Até quando é que já não vos sei dizer.
E o raio dos papéis continuam aqui ao lado. Bom, tenho de tomar uma atitude...
quarta-feira, julho 18, 2007
Ourém no Leiria Digital

De acordo com estudo a publicar brevemente pelo ISEG, integrado no projecto de avaliação de maturidade dos serviços de informação das autarquias, e destinado a avaliar a contribuição dos projectos de desenvolvimento de regiões digitais para as autarquias que os financiam, na vertente informação para o munícipe, a câmara de Ourém apenas teve um acréscimo de 1,16 p.p. na sua avaliação de maturidade num total de 8,9 p.p. possíveis e disponibilizados pelo Leiria Digital através dos apontadores para portais turístico e empresarial o que revela um grau de aproveitamento de 13% bem inferior ao de Leiria (60%) e só superior ao de Pombal, câmara que tradicionalmente tem vindo a ocupar os lugares cimeiros na avaliação de maturidade.
Se não é de admirar o que respeita a Pombal, o que acontece com Ourém, que assim foi ultrapassada por Leiria no ranking de maturidade, põe em causa a maneira como participa a nossa autarquia nas decisões daquele projecto: aparentemente, e, repetimos, na vertente informação ao munícipe, Ourém está a financiar algo de que já tem 87%.
Impor-se-ia, para tranquilidade do munícipe, que o presidente David esclarecesse o que espera Ourém ainda daquele projecto e o que conta beneficiar dele já que, a avaliar pelo andamento, parece que o seu desenvolvimento fica para trás...
Nota: nesta fase, apenas considerámos as autarquias que estiveram na origem do Leiria Digital, o que não altera em nada os resultados
terça-feira, julho 17, 2007
4 anos
Só agora dei por isso.
Há quatro anos, exactamente há quatro anos, nascia numa manjedoura em Ourém um blog que raro passava das trinta visitas diárias, metade das quais com origem no seu alimentador.
O tempo foi passando e o blog ficando. Os assuntos umas vezes são de Ourém outras não. Trata recordações do tempo do dono em termos de música, BD e estórias. Mas não se esquiva a dar uma ferroada à gestão autárquica, a sua excelência a classe ministerial e aos costumes oureenses.
As visitas subiram um pouco, mas agora voltaram à eterna miséria. Claro, o problema não está nos oureenses, mas na frágil inspiração do autor.
E que promete este?...
... que vos vai continuar a atentar, bem como ao terrível presidente David, pelo menos durante mais um ano.
Só agora dei por isso.
Há quatro anos, exactamente há quatro anos, nascia numa manjedoura em Ourém um blog que raro passava das trinta visitas diárias, metade das quais com origem no seu alimentador.
O tempo foi passando e o blog ficando. Os assuntos umas vezes são de Ourém outras não. Trata recordações do tempo do dono em termos de música, BD e estórias. Mas não se esquiva a dar uma ferroada à gestão autárquica, a sua excelência a classe ministerial e aos costumes oureenses.
As visitas subiram um pouco, mas agora voltaram à eterna miséria. Claro, o problema não está nos oureenses, mas na frágil inspiração do autor.
E que promete este?...
... que vos vai continuar a atentar, bem como ao terrível presidente David, pelo menos durante mais um ano.
Menos 17000 hectares de vinha

“Peça para sair da União Europeia” – dirá sua excelência o senhor ministro com ar matreiro e de gozo.
Mais uma vez vamos trocar a nossa produção por subsídios e incentivos à pré-reforma. Diz-se que o objectivo é produzir vinho de qualidade, mas o que aqui vejo é concentração a favor dos mais poderosos.
Cada vez mais a agricultura de subsistência é substituída por incentivos à inactividade. “Larguem as aldeias, concentrem-se nas cidades. Frequentem os centros comunitários. Comam produtos estandardizados, congelados, de frescura bem duvidosa. Isto é que é progresso”.
Pode ser, mas acho-o bem duvidoso...

“Peça para sair da União Europeia” – dirá sua excelência o senhor ministro com ar matreiro e de gozo.
Mais uma vez vamos trocar a nossa produção por subsídios e incentivos à pré-reforma. Diz-se que o objectivo é produzir vinho de qualidade, mas o que aqui vejo é concentração a favor dos mais poderosos.
Cada vez mais a agricultura de subsistência é substituída por incentivos à inactividade. “Larguem as aldeias, concentrem-se nas cidades. Frequentem os centros comunitários. Comam produtos estandardizados, congelados, de frescura bem duvidosa. Isto é que é progresso”.
Pode ser, mas acho-o bem duvidoso...
Igualdade de recursos
Ontem, na SIC Notícias, o Dr. Meneses ainda não esclareceu se vai ou não ser candidato à liderança do PSD. Mas falou numa coisa muito importante: a igualdade de recursos em processo eleitoral no interior do partido. Quer o Dr. Meneses dizer que nenhuma força ou facção deve ser beneficiada ou prejudicada em função de cargos que já exerce ou do número de aderentes à sua causa. Esta é uma concepção verdadeiramente democrática. Por que razão tem um processo eleitoral de estar correlacionado com o anterior?
Pena é que só lhe sirva quando ele é o prejudicado pela situação dominante. Com efeito, tem o Dr. Meneses vindo a beneficiar em processos eleitorais autárquicos do facto de estar anteriormente no poder e dos maiores recursos do seu partido relativamente a outros concorrentes.
Tem o Dr. Meneses beneficiado e tem o presidente David. Ainda recordo a colossal desproporção de recursos na última campanha autárquica em Ourém. Uns nem fundos tinham para um cartaz, outros quase utilizavam os cartazes em papel de embrulho. Uma democracia assim é obviamente viciada e tende a deixar no poder os que já são poderosos.
segunda-feira, julho 16, 2007
A vitória do Dr. Costa
À primeira vista, parece uma vitória da esquerda, incluindo nela os eleitos do PS, CDU, BE e Roseta, mas temos as nossas dúvidas quanto às alianças que o novo presidente vai procurar.
Este já manifestou algum incómodo por não conseguir maioria absoluta: como o Governo tem vindo a demonstrar, esta é facilitadora das coisas, das medidas anti-populares, do exercício da autoridade. Também já deixou a suspeição de práticas a estar atento na frente Ribeirinha e nos terrenos eventualmente libertados pela deslocalização do aeroporto o que faz pensar em negócios chorudos com a sua vitória. Também já anunciou um conjunto de medidas imediatas para Lisboa, medidas de um pragmático que, em princípio, ninguém recusará.
Admitindo que Roseta, Ruben e Fernandes não apoiarão práticas que visem alienar bens públicos em favor de grandes interesses económicos, alguém se começa a colar ao novo poder e a mostrar como viabilizador das suas medidas: a lista de arguidos, suspeita de deter razoável experiência no assunto. Costa já percebeu e já falou em que fará acordos pontuais o que deixa entender que, possivelmente, até às eleições de 2009, não se passará muito para além das medidas de saneamento financeiro, de restabelecimento do funcionamento de serviços e de recuperação de velocidade de cruzeiro em termos de projectos em curso.
Se a vitória do Dr. Costa não foi assim uma grande vitória da esquerda, ela foi, no entanto, uma grande derrota da direita. A cabeça de Telmo Correia rolou por não ter convencido o eleitorado, um rude golpe para Portas, pouco tempo depois de ter regressado ao poder no partido. Por seu lado, Mendes, perante o desastre das suas hostes, já convocou directas no partido e prepara-se para resistir às facadas. Vem aí mais um show à PSD.
Mas um sinal interessante destas eleições foi a afirmação das listas de independentes. Carmona e Roseta conseguiram eleger cinco vereadores e ambos atingiram votações superiores a 10%. Sem querer diminuir o papel que os partidos devem ter na nossa sociedade, penso que este facto é muito prometedor. Imaginemo-lo em Ourém. Suponhamos que Moura, ainda ferido pelo vitória do Garanhão, em 2009, cria a sua lista e se apresenta a votos competindo com o seu próprio partido. Tenho a firme convicção que ganhará ao adversário da sua área política: não houve alguém que afirmou que para as concelhias do PSD deveria votar todo o povo de Ourém? Mas, ao mesmo tempo, poderia abrir caminho a que outras listas de independentes se apresentassem em Ourém, desafiando o monolitismo conservador das forças estabelecidas e ajudar a que as tradicionais favas contadas para o partido dominante, com uns subsídios para o complemento do centrão, fossem um pouco mais partilhadas...
À primeira vista, parece uma vitória da esquerda, incluindo nela os eleitos do PS, CDU, BE e Roseta, mas temos as nossas dúvidas quanto às alianças que o novo presidente vai procurar.
Este já manifestou algum incómodo por não conseguir maioria absoluta: como o Governo tem vindo a demonstrar, esta é facilitadora das coisas, das medidas anti-populares, do exercício da autoridade. Também já deixou a suspeição de práticas a estar atento na frente Ribeirinha e nos terrenos eventualmente libertados pela deslocalização do aeroporto o que faz pensar em negócios chorudos com a sua vitória. Também já anunciou um conjunto de medidas imediatas para Lisboa, medidas de um pragmático que, em princípio, ninguém recusará.
Admitindo que Roseta, Ruben e Fernandes não apoiarão práticas que visem alienar bens públicos em favor de grandes interesses económicos, alguém se começa a colar ao novo poder e a mostrar como viabilizador das suas medidas: a lista de arguidos, suspeita de deter razoável experiência no assunto. Costa já percebeu e já falou em que fará acordos pontuais o que deixa entender que, possivelmente, até às eleições de 2009, não se passará muito para além das medidas de saneamento financeiro, de restabelecimento do funcionamento de serviços e de recuperação de velocidade de cruzeiro em termos de projectos em curso.
Se a vitória do Dr. Costa não foi assim uma grande vitória da esquerda, ela foi, no entanto, uma grande derrota da direita. A cabeça de Telmo Correia rolou por não ter convencido o eleitorado, um rude golpe para Portas, pouco tempo depois de ter regressado ao poder no partido. Por seu lado, Mendes, perante o desastre das suas hostes, já convocou directas no partido e prepara-se para resistir às facadas. Vem aí mais um show à PSD.
Mas um sinal interessante destas eleições foi a afirmação das listas de independentes. Carmona e Roseta conseguiram eleger cinco vereadores e ambos atingiram votações superiores a 10%. Sem querer diminuir o papel que os partidos devem ter na nossa sociedade, penso que este facto é muito prometedor. Imaginemo-lo em Ourém. Suponhamos que Moura, ainda ferido pelo vitória do Garanhão, em 2009, cria a sua lista e se apresenta a votos competindo com o seu próprio partido. Tenho a firme convicção que ganhará ao adversário da sua área política: não houve alguém que afirmou que para as concelhias do PSD deveria votar todo o povo de Ourém? Mas, ao mesmo tempo, poderia abrir caminho a que outras listas de independentes se apresentassem em Ourém, desafiando o monolitismo conservador das forças estabelecidas e ajudar a que as tradicionais favas contadas para o partido dominante, com uns subsídios para o complemento do centrão, fossem um pouco mais partilhadas...
sexta-feira, julho 13, 2007
Guerra de acrónimos para um contestável contestador

Desde que trabalho com blogs, tenho progressivamente perdido qualquer constrangimento em relação a falar com quem apenas conhecemos por uma sigla. Pouco a pouco, fui conhecendo as pessoas e ganhando-lhes inclusivamente amizade. Agora, até tenho receio de as conhecer fisicamente e o aspecto destruir a imagem que fiz delas. O expoente máximo desta atitude foi a Maria do Cumplicidades logo seguida do terrível Santa Cita que mais conheço por Alforedo de Tanta Fita.
Mas há outros participantes na blogosfera a quem só conheço de nome e cuja participação me mostra serem pessoas dignas de toda a estima: os responsáveis pelo Malibu Cola, pelo Favacal, pelo Jornal da Camarata para só citar alguns...
Agora, aparece-me o Constestável...
Logo na primeira abordagem tive a sensação de ser alguém perto da minha geração. A referência ao calçadão e às antigas festas de Ourém fez-me lembrar de alguém com ligações ao Central e de que algum familiar tivesse estado perto do poder autárquico, concretamente do JMAE. Claro que havia outras hipóteses como o grande chefe JH, também conhecido por Machinho, como o Al Simon que poderia identificar por AVSS, mas que me diz não gostar de escrever, ou o próprio contestário RL, há tantos anos estabelecido naquela praça. Pus ainda a hipótese do que caracterizei como enviado do além, JDFB, embora me digam que ele não é disponível para estas coisas.
Mas o Contestável voltou à carga. Os motivos são legítimos: eu contestei a designação sistemática de BIMBOS e assumi-a para mim relativamente ao "centro histórico" do Calçadão. Ele foi ao dicionário, procurou significado para "BIMBO" e manteve a sua. Mas esqueceu um pequeno pormenor: é que designou por BIMBOS os que se referem à zona do Calçadão como centro histórico. Eu parti do seguinte: se os centros históricos devem ser mantidos, preservados, requalificados e se os BIMBOS dizem isso, então eu assumo essa designação e quero esse estatuto para o Calçadão, para Castela, os Álamos e Santa Teresinha... que, ao contrário deste "deixa cair" do poder actual devem ser revitalizados.
Entretanto, o Contestável trouxe mais uma pista: Chamou-me "Amigo Robalo". É então com certeza alguém que não está na lista inicial, não eram muitos os que me chamavam assim. Quem me dera que fosse o JMMR ou o LNSOR, mas infelizmente qualquer destes já nos deixou. Poderia também ser o MSF, mas penso que ele não anda nas lides dos blogs, ou o RMSBT que abandonou Ourém para não ver a sua contínua degradação.
Assim, só me resta uma hipótese: o JJPS. E, se acertei, fico muito contente por ele regressar deste modo às lides da nossa terra e espero que já nos acompanhe no próximo Poço.
Desde que trabalho com blogs, tenho progressivamente perdido qualquer constrangimento em relação a falar com quem apenas conhecemos por uma sigla. Pouco a pouco, fui conhecendo as pessoas e ganhando-lhes inclusivamente amizade. Agora, até tenho receio de as conhecer fisicamente e o aspecto destruir a imagem que fiz delas. O expoente máximo desta atitude foi a Maria do Cumplicidades logo seguida do terrível Santa Cita que mais conheço por Alforedo de Tanta Fita.
Mas há outros participantes na blogosfera a quem só conheço de nome e cuja participação me mostra serem pessoas dignas de toda a estima: os responsáveis pelo Malibu Cola, pelo Favacal, pelo Jornal da Camarata para só citar alguns...
Agora, aparece-me o Constestável...
Logo na primeira abordagem tive a sensação de ser alguém perto da minha geração. A referência ao calçadão e às antigas festas de Ourém fez-me lembrar de alguém com ligações ao Central e de que algum familiar tivesse estado perto do poder autárquico, concretamente do JMAE. Claro que havia outras hipóteses como o grande chefe JH, também conhecido por Machinho, como o Al Simon que poderia identificar por AVSS, mas que me diz não gostar de escrever, ou o próprio contestário RL, há tantos anos estabelecido naquela praça. Pus ainda a hipótese do que caracterizei como enviado do além, JDFB, embora me digam que ele não é disponível para estas coisas.
Mas o Contestável voltou à carga. Os motivos são legítimos: eu contestei a designação sistemática de BIMBOS e assumi-a para mim relativamente ao "centro histórico" do Calçadão. Ele foi ao dicionário, procurou significado para "BIMBO" e manteve a sua. Mas esqueceu um pequeno pormenor: é que designou por BIMBOS os que se referem à zona do Calçadão como centro histórico. Eu parti do seguinte: se os centros históricos devem ser mantidos, preservados, requalificados e se os BIMBOS dizem isso, então eu assumo essa designação e quero esse estatuto para o Calçadão, para Castela, os Álamos e Santa Teresinha... que, ao contrário deste "deixa cair" do poder actual devem ser revitalizados.
Entretanto, o Contestável trouxe mais uma pista: Chamou-me "Amigo Robalo". É então com certeza alguém que não está na lista inicial, não eram muitos os que me chamavam assim. Quem me dera que fosse o JMMR ou o LNSOR, mas infelizmente qualquer destes já nos deixou. Poderia também ser o MSF, mas penso que ele não anda nas lides dos blogs, ou o RMSBT que abandonou Ourém para não ver a sua contínua degradação.
Assim, só me resta uma hipótese: o JJPS. E, se acertei, fico muito contente por ele regressar deste modo às lides da nossa terra e espero que já nos acompanhe no próximo Poço.
quinta-feira, julho 12, 2007
Espírito guerreiro

Voltemos à terra do dragaüm. Ao passear por uma daquelas ruas já perto dos Aliados, deparei com uma casa destinada à venda de objectos esotéricos. Bruxas, bruxinhas e bruxões. Sacos de pó com cheiros vários. CDs de música espiritual. E uma penumbra quebrada por uma luz difusa azulada. O ambiente perfeito...
Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua montra onde se destacava um busto do grande chefe sioux Touro Sentado, um formidável resistente à invasão dos caras pálidas que queriam destruir-lhe a cultura, os costumes e as obras, responsável por infligir pesada e mortífera derrota às tropas do General Custer na legendária batalha de Little Big Horn. Sitting Bull, ali, à minha frente, com um lobo cinzento a seu lado e na parede uma espécie de pergaminho onde se destacavam os seus feitos. Mais ao lado, três imagens de índios complementavam a encenação. Compreendi, então, que elas simbolizavam o espírito guerreiro do grande chefe e resolvi trazer uma comigo.
Ela, neste momento, guarda a casa dos meus fantasmas onde vou recolhendo os objectos daquele tempo, protengendo-a de visitantes indesejáveis.
Fica também aqui no blog. Virada para o invasor David e para todos os seus fieis seguidores que nos vão reduzindo a nossa Ourém a cinzas com o objectivo de a sua lança lhes trespassar o espírito sempre que se lembrarem de malfeitorias... que as fazem constantemente. O espírito guerreiro é o símbolo da resistência na nossa terra, embora isolado e quase condenado a sossobrar tal a força avassaladora do invasor.

Voltemos à terra do dragaüm. Ao passear por uma daquelas ruas já perto dos Aliados, deparei com uma casa destinada à venda de objectos esotéricos. Bruxas, bruxinhas e bruxões. Sacos de pó com cheiros vários. CDs de música espiritual. E uma penumbra quebrada por uma luz difusa azulada. O ambiente perfeito...
Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua montra onde se destacava um busto do grande chefe sioux Touro Sentado, um formidável resistente à invasão dos caras pálidas que queriam destruir-lhe a cultura, os costumes e as obras, responsável por infligir pesada e mortífera derrota às tropas do General Custer na legendária batalha de Little Big Horn. Sitting Bull, ali, à minha frente, com um lobo cinzento a seu lado e na parede uma espécie de pergaminho onde se destacavam os seus feitos. Mais ao lado, três imagens de índios complementavam a encenação. Compreendi, então, que elas simbolizavam o espírito guerreiro do grande chefe e resolvi trazer uma comigo.
Ela, neste momento, guarda a casa dos meus fantasmas onde vou recolhendo os objectos daquele tempo, protengendo-a de visitantes indesejáveis.
Fica também aqui no blog. Virada para o invasor David e para todos os seus fieis seguidores que nos vão reduzindo a nossa Ourém a cinzas com o objectivo de a sua lança lhes trespassar o espírito sempre que se lembrarem de malfeitorias... que as fazem constantemente. O espírito guerreiro é o símbolo da resistência na nossa terra, embora isolado e quase condenado a sossobrar tal a força avassaladora do invasor.
quarta-feira, julho 11, 2007
Este escapou à voracidade do JOE

Eis uma bela peça de arte contemporânea que não foi parar às mãos do Comendador. Apreciem a sua cor, o tom verde e leitoso das águas. Apreciem a calmaria aparente que a proximidade das casas quase submersas desmente. Reparem em quão difusa é a representação: pode lembrar a região amazónica, mas, se nos disserem que os seus actores tiveram origem na Ásia das monções, acreditamos e poderia até provir de um dia de cheia na ribeira de Seiça no terceiro quartel do século passado. É este carácter global que caracteriza o espírito do artista contemporâneo.
O JOE pode ter muito dinheiro. Pode ter o Centro Cultural de Belém nas mãos. Pode correr com o Mega. Pode ter a vassalagem da classe ministerial. Mas não tem esta obra a qual, neste momento, enriquece a casa dos meus fantasmas. E eu não a largarei por nada tal o respeito que tenho pelo artista.
Por isso, a partir de agora, seguindo o estabelecido por sua Excelência o ministro Sócrates, o roteiro de arte contemporânea não se inicia em Belém, mas em Ourém...
Eis uma bela peça de arte contemporânea que não foi parar às mãos do Comendador. Apreciem a sua cor, o tom verde e leitoso das águas. Apreciem a calmaria aparente que a proximidade das casas quase submersas desmente. Reparem em quão difusa é a representação: pode lembrar a região amazónica, mas, se nos disserem que os seus actores tiveram origem na Ásia das monções, acreditamos e poderia até provir de um dia de cheia na ribeira de Seiça no terceiro quartel do século passado. É este carácter global que caracteriza o espírito do artista contemporâneo.
O JOE pode ter muito dinheiro. Pode ter o Centro Cultural de Belém nas mãos. Pode correr com o Mega. Pode ter a vassalagem da classe ministerial. Mas não tem esta obra a qual, neste momento, enriquece a casa dos meus fantasmas. E eu não a largarei por nada tal o respeito que tenho pelo artista.
Por isso, a partir de agora, seguindo o estabelecido por sua Excelência o ministro Sócrates, o roteiro de arte contemporânea não se inicia em Belém, mas em Ourém...
terça-feira, julho 10, 2007
O Contestável
BIMBO me confesso em relação ao que por ali se diz quanto ao centro histórico de Ourém. Não que partilhe esta designação - em Ourém, hoje cidade, houve vários centros que contribuiram para a sua História e, se não pode esquecer-se esse local, não deverão esquecer-se os centros de Castela, dos Álamos, de Santa Teresinha... - mas pelo facto de considerar que este local, bem como os que atrás referi, deveria ser objecto de um plano de recuperação e preservação em vez de estar votado ao triste destino que a Camarilha lhe vai preparando.
Vem isto a propósito de um desafio posto em comentário para ver um novo blog. Vi três posts de contestação e um de apresentação. Quanto ao último, achei-o muito bem elaborado e cheio de boas intenções. Parece-me de alguém que terá passado por experiência não muito diferente da minha em Ourém e que, como tal, padece das mesma apreensões. Quanto aos restantes, eles contestam o calçadão do Central, a ausência de apoios ao Juventude Ouriense e a política de (in)cultura da câmara. Estou de acordo com eles, com excepção da designação sistemática de "BIMBOS" para os incansáveis autarcas. Com efeito, o presidente David não é BIMBO, ele é uma espécie de "Exterminador Implacável" em relação à nossa terra e ao seu património urbano e histórico com uma pequena nuance: sempre que pode aproveitar para beneficiar interesses de Fátima, ele não hesita, daí o abismo quando comparamos a atitude perante o Juventude com a atitude perante o Fátima. Frazão também não é BIMBO: não lhe conheço grandes feitos na autarquia, mas reconheço, em analogia com Rantanplan, o cão mais estúpido que a própria sombra, que ele deve ser o autarca mais fotogénico que a própria sombra, o autarca que conseguiu manobrar engenhosamente para chegar à concelhia do PSD. Moura será tudo menos BIMBO: perdeu relativamente a Frazão, mas não me parece pessoa para ficar parado. Finalmente, Piedade... temos que saber perdoar algumas insuficiências que eles têm... efectivamente, a política cultural da autarquia deve seguir a cultura motoqueira, é isso que lhe dá votos. Bimbo, ele? Não, apenas está a fazer pela vida.
E pronto, caro Constestável, estas são as primeiras impressões sobre o novo blog, a que desejo muita força e muitos anos de vida... e vou já actualizar os apontadores.
BIMBO me confesso em relação ao que por ali se diz quanto ao centro histórico de Ourém. Não que partilhe esta designação - em Ourém, hoje cidade, houve vários centros que contribuiram para a sua História e, se não pode esquecer-se esse local, não deverão esquecer-se os centros de Castela, dos Álamos, de Santa Teresinha... - mas pelo facto de considerar que este local, bem como os que atrás referi, deveria ser objecto de um plano de recuperação e preservação em vez de estar votado ao triste destino que a Camarilha lhe vai preparando.
Vem isto a propósito de um desafio posto em comentário para ver um novo blog. Vi três posts de contestação e um de apresentação. Quanto ao último, achei-o muito bem elaborado e cheio de boas intenções. Parece-me de alguém que terá passado por experiência não muito diferente da minha em Ourém e que, como tal, padece das mesma apreensões. Quanto aos restantes, eles contestam o calçadão do Central, a ausência de apoios ao Juventude Ouriense e a política de (in)cultura da câmara. Estou de acordo com eles, com excepção da designação sistemática de "BIMBOS" para os incansáveis autarcas. Com efeito, o presidente David não é BIMBO, ele é uma espécie de "Exterminador Implacável" em relação à nossa terra e ao seu património urbano e histórico com uma pequena nuance: sempre que pode aproveitar para beneficiar interesses de Fátima, ele não hesita, daí o abismo quando comparamos a atitude perante o Juventude com a atitude perante o Fátima. Frazão também não é BIMBO: não lhe conheço grandes feitos na autarquia, mas reconheço, em analogia com Rantanplan, o cão mais estúpido que a própria sombra, que ele deve ser o autarca mais fotogénico que a própria sombra, o autarca que conseguiu manobrar engenhosamente para chegar à concelhia do PSD. Moura será tudo menos BIMBO: perdeu relativamente a Frazão, mas não me parece pessoa para ficar parado. Finalmente, Piedade... temos que saber perdoar algumas insuficiências que eles têm... efectivamente, a política cultural da autarquia deve seguir a cultura motoqueira, é isso que lhe dá votos. Bimbo, ele? Não, apenas está a fazer pela vida.
E pronto, caro Constestável, estas são as primeiras impressões sobre o novo blog, a que desejo muita força e muitos anos de vida... e vou já actualizar os apontadores.
terça-feira, julho 03, 2007
Existirá uma política de ambiente na câmara de Ourém?
As palavras constantes sobre o ambiente, a proximidade do LiveEarth têm-me transmitido esta preocupação. Ontem, esperava num centro comercial e deparei com esta declaração:
A (nome da organização)
Reconhece que a sua actividade, tal como todas as actividades humanas, tem impactes no ambiente.
Acredita que, nos dias de hoje, um líder de negócios tem igualmente que ser um líder nas questões relacionadas com o ambiente.
Tem como objectivo constituir exemplo no sector imobiliário conjugando o desenvolvimento económico com o desenvolvimento ambiental, potenciando assim a rendibilidade dos seus negócios.
Reconhece que, no âmbito das suas actividades, tem a responsabilidade de ser proactiva no desenvolvimento do ambiente para as gerações actuais e futuras.
Ao seu mais alto nível, assume publicamente um compromisso ambiental, que se baseia nos seguintes princípios orientadores:
Utilizar progressivamente a Eco-eficiência como um dos referenciais de gestão e de competividade.
Conceber, implementar e operar os Centros Comerciais e de Lazer de forma ambientalmente responsável.
Melhorar de forma contínua o desempenho ambiental dos seus empreendimentos, produtos, processos e actividades.
Assegurar a conformidade com a legislação ambiental e outros regulamentos ambientais aplicáveis, adoptando padrões responsáveis nos casos em que a legislação seja omissa ou inexistente.
Definir um quadro de objectivos e metas ambientais, incluindo:
->Melhoria da Informação Ambiental;
->Valorização dos Recursos Ambientais;->Prevenção da Poluição e Redução das Emissões;
-> Promoção, Divulgação e Participação dos Agentes Envolvidos.
Assegurar que esta Política de Ambiente se encontra documentada, implementada, mantida e comunicada a todo o pessoal e agentes envolvidos.
Assegurar activamente a Divulgação e Promoção da Política e, em especial, dos seus resultados, ao público em geral, e aos agentes envolvidos.Aprovado pelo Conselho de Administração em 19 de Maio de 1998
Revisto em 2005
Lembrei-me então da nossa câmara. Do presidente David. Não duvido que o ambiente o preocupe. Mas até que ponto é que isso se manifesta na actividade da autarquia? Até que ponto é que pôs em prática a promessa eleitoral de implementação de uma Agenda XXI Local? Se tal acontece, com certeza isso se reflecte na página da autarquia...
Consultei a página...
... nem uma referência à questão ambiental, nem uma vírgula sobre a localização dos ecopontos, Agenda XXI totalmente esquecida...
Eis como uma organização cujo objectivo essencial é a procura do lucro dá uma lição de sustentabilidade a uma organização cuja missão é servir o munícipe.
Consultei a página...
... nem uma referência à questão ambiental, nem uma vírgula sobre a localização dos ecopontos, Agenda XXI totalmente esquecida...
Eis como uma organização cujo objectivo essencial é a procura do lucro dá uma lição de sustentabilidade a uma organização cuja missão é servir o munícipe.
E por que não o referendo?
Será que os portugueses estão contentes com a integração europeia? Se estão, não há que ter receio, votarão com toda a naturalidade na continuação do processo. Mas, se não estão, não me parece legítimo que se ignore a sua posição e se obrigue os mesmos a irem por um caminho que não desejam só pelo facto de uns iluminados entenderem que esse é o melhor caminho para o país (lá está, a classe dominante chega ao poder e define o seu interesse como universal...).
Poderá ser desastroso o resultado de um processo eleitoral nesta fase? Mas não será pior provocar o desastre mais tarde?
Confesso que não percebo as dúvidas sobre a legitimidade do referendo. Ou melhor, percebo, há o receio de que não seja vencedor e obrigue a rever tudo. Mas o que é isso para os arautos da liberdade e da democracia?
Não me confesso grande admirador dos resultados que a integração europeia teve para o nosso país. Com excepção da rede de autoestradas e da articulação ao nível do ensino superior (embora me comece a parecer que o processo de Bolonha se vá traduzir num empobrecimento dos licenciados em termos de formação, tão apressado foi no nosso país), essa integração levou a consequências negativas na agricultura e pescas, não teve os efeitos esperados a nível de turismo, catalizou os processo de corrupção, criou uma mentalidade de facilidade e de consumismo, influiu decisivamente no crescimento das desigualdades. Hoje, continua a produzir efeitos, ao trazer conceitos como o da flexigurança, cuja aplicabilidade no país, por incapacidade financeira, é bem duvidosa, havendo todas as razões para suspeitar que se traduzirá em muita flexibilidade e pouca segurança, isto é, em mais desemprego, se tal ainda é possível, e portanto tornando a relação salarial ainda mais selvática.
Apesar da minha desconfiança em relação à integração europeia, não vejo hoje grandes alternativas para o país, tal a abertura ao exterior em que este está envolvido. Portanto, sou uma espécie de europeísta tímido. Mas isto não significa que rejeite a realização de um referendo sobre a continuação do processo, bem pelo contrário, creio que ele seria bem clarificador numa altura em que o país já se apercebeu que não é facilmente que vai ter os salários europeus apesar de ter a moeda europeia e, cada vez mais, consumir produtos importados...
Será que os portugueses estão contentes com a integração europeia? Se estão, não há que ter receio, votarão com toda a naturalidade na continuação do processo. Mas, se não estão, não me parece legítimo que se ignore a sua posição e se obrigue os mesmos a irem por um caminho que não desejam só pelo facto de uns iluminados entenderem que esse é o melhor caminho para o país (lá está, a classe dominante chega ao poder e define o seu interesse como universal...).
Poderá ser desastroso o resultado de um processo eleitoral nesta fase? Mas não será pior provocar o desastre mais tarde?
Confesso que não percebo as dúvidas sobre a legitimidade do referendo. Ou melhor, percebo, há o receio de que não seja vencedor e obrigue a rever tudo. Mas o que é isso para os arautos da liberdade e da democracia?
Não me confesso grande admirador dos resultados que a integração europeia teve para o nosso país. Com excepção da rede de autoestradas e da articulação ao nível do ensino superior (embora me comece a parecer que o processo de Bolonha se vá traduzir num empobrecimento dos licenciados em termos de formação, tão apressado foi no nosso país), essa integração levou a consequências negativas na agricultura e pescas, não teve os efeitos esperados a nível de turismo, catalizou os processo de corrupção, criou uma mentalidade de facilidade e de consumismo, influiu decisivamente no crescimento das desigualdades. Hoje, continua a produzir efeitos, ao trazer conceitos como o da flexigurança, cuja aplicabilidade no país, por incapacidade financeira, é bem duvidosa, havendo todas as razões para suspeitar que se traduzirá em muita flexibilidade e pouca segurança, isto é, em mais desemprego, se tal ainda é possível, e portanto tornando a relação salarial ainda mais selvática.
Apesar da minha desconfiança em relação à integração europeia, não vejo hoje grandes alternativas para o país, tal a abertura ao exterior em que este está envolvido. Portanto, sou uma espécie de europeísta tímido. Mas isto não significa que rejeite a realização de um referendo sobre a continuação do processo, bem pelo contrário, creio que ele seria bem clarificador numa altura em que o país já se apercebeu que não é facilmente que vai ter os salários europeus apesar de ter a moeda europeia e, cada vez mais, consumir produtos importados...
segunda-feira, julho 02, 2007
Mais um candidato a ditadorzinho

Já não nos chegava a cambada de delatores que povoam o partido do Governo e lhe fazem chegar as provas dos crimes no Porto, em Vieira do Minho e, com certeza, por outras partes do país. Já achávamos pouco ao autoritarismo de sua excelência, o primeiro ministro.
Agora, percorro as ruas de Lisboa em direcção ao trabalho e sou mimoseado, 33 anos após a "terra da fraternidade" onde "o povo é quem mais ordena", com uma proposta destas. Não é gaffe com certeza. É Negrão em toda a sua pureza...

Já não nos chegava a cambada de delatores que povoam o partido do Governo e lhe fazem chegar as provas dos crimes no Porto, em Vieira do Minho e, com certeza, por outras partes do país. Já achávamos pouco ao autoritarismo de sua excelência, o primeiro ministro.
Agora, percorro as ruas de Lisboa em direcção ao trabalho e sou mimoseado, 33 anos após a "terra da fraternidade" onde "o povo é quem mais ordena", com uma proposta destas. Não é gaffe com certeza. É Negrão em toda a sua pureza...
sexta-feira, junho 29, 2007
Adeus, ó terra do dragaüm

Desci os Aliados de malas na mão. Pouco depois, o interior da magnífica (e degradada) estação de São Bento estava perante mim. A espera pelo comboio foi fria e desagradável. Por toda a parte o nosso país é assim. Gastador inveterado em obras de fachada, mas incapaz de criar um pouco de comodidade para os que utilizam os serviços públicos, apesar de nos mesmos desperdiçar rios de dinheiro.
O comboio veio por ali abaixo e eu revia os dias passados. Gostei daquela gente. Simpáticos, acolhedores, muito diferentes da imagem que a alienação colectiva do desporto profissional nos transmite. Igualmente explorados, embora conseguindo manter um cunho de tradicionalismo difícil de encontrar noutros locais e, nesse contexto, preservando algumas actividades antigas.
E, agora, voltemos ao trabalho...
Desci os Aliados de malas na mão. Pouco depois, o interior da magnífica (e degradada) estação de São Bento estava perante mim. A espera pelo comboio foi fria e desagradável. Por toda a parte o nosso país é assim. Gastador inveterado em obras de fachada, mas incapaz de criar um pouco de comodidade para os que utilizam os serviços públicos, apesar de nos mesmos desperdiçar rios de dinheiro.
O comboio veio por ali abaixo e eu revia os dias passados. Gostei daquela gente. Simpáticos, acolhedores, muito diferentes da imagem que a alienação colectiva do desporto profissional nos transmite. Igualmente explorados, embora conseguindo manter um cunho de tradicionalismo difícil de encontrar noutros locais e, nesse contexto, preservando algumas actividades antigas.
E, agora, voltemos ao trabalho...
quinta-feira, junho 28, 2007
Encontros imediatos de dragaüm
Passeio-me pela cidade.
Tinha um objectivo bem definido com coordenadas estabelecidas a partir de um recorte de uma reportagem do Expresso de há alguns meses. Mas a necessidade de aliviar papelada e bagagem fez com que me esquecesse desse precioso auxiliar. Recordava qualquer coisa como Rua Nova do Almada, banda desenhada, Retro, mas a cansada cabecinha já não ajuda. Um circuito de autocarro despertou mais umja possibilidade: rua da Conceição. Depois, o percurso das livrarias acabou por ajudar.
- Suba esta rua e vá até à praça. Vire à direita, tomando a rua José Falcão e percorra-a até ao fundo. Quando lá chegar, é fácil de encontrar...
Assim fiz. O Porto está transformado em estaleiro ao que me disseram para repor os circuitos de eléctricos. Não foi fácil chegar lá. Mas, a certa altura, estava na rua da Conceição, 32 e frente aos meus olhos surgiram aquelas figuras que me acompanham desde os quatro ou cinco anos: o Timtim, o capitão Rosa, o Professor Pintadinho e a RomRom (podem não ser os nomes por que os conhecem, mas estes foram os primeiros que o regime determinou que lhes atribuissem...).

TimTim por TimTim! Um projecto de um licenciado em Matemática que encontra aqui o "segundo emprego". Horas a fio de espera, avaliação, conversa com clientes. Uma loja única, talvez a única que sobrou de tantas que existiram para receberem a banda desenhada que possuíamos e já não queríamos, permitindo-nos trocá-la por outra para voltarmos à leitura. Um espaço magnífico.

A autorização para fotografar foi imediata. Era o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante, o Condor Popular, o Mosquito, tudo a desfilar frente aos meus olhos como se tivesse recuado no tempo. A conversa decorreu facilmente...
- Cada Cavaleiro Andante vendo por 2 euros e meio. Mas não compre assim. Compre os primeiros oitenta que são talvez os mais difíceis e vá continuando a colecção. Ainda há dias acabei de vender uma ao Pacheco Pereira...
O maroto do Pacheco Pereira que se gabava no blog de a ter completa já há uns dois anos...

Ali passei um bom bocado e só a limitação do cartão de memória fez com que não captasse para os amigos oureenses outras preciosidades...
Tinha um objectivo bem definido com coordenadas estabelecidas a partir de um recorte de uma reportagem do Expresso de há alguns meses. Mas a necessidade de aliviar papelada e bagagem fez com que me esquecesse desse precioso auxiliar. Recordava qualquer coisa como Rua Nova do Almada, banda desenhada, Retro, mas a cansada cabecinha já não ajuda. Um circuito de autocarro despertou mais umja possibilidade: rua da Conceição. Depois, o percurso das livrarias acabou por ajudar.
- Suba esta rua e vá até à praça. Vire à direita, tomando a rua José Falcão e percorra-a até ao fundo. Quando lá chegar, é fácil de encontrar...
Assim fiz. O Porto está transformado em estaleiro ao que me disseram para repor os circuitos de eléctricos. Não foi fácil chegar lá. Mas, a certa altura, estava na rua da Conceição, 32 e frente aos meus olhos surgiram aquelas figuras que me acompanham desde os quatro ou cinco anos: o Timtim, o capitão Rosa, o Professor Pintadinho e a RomRom (podem não ser os nomes por que os conhecem, mas estes foram os primeiros que o regime determinou que lhes atribuissem...).
TimTim por TimTim! Um projecto de um licenciado em Matemática que encontra aqui o "segundo emprego". Horas a fio de espera, avaliação, conversa com clientes. Uma loja única, talvez a única que sobrou de tantas que existiram para receberem a banda desenhada que possuíamos e já não queríamos, permitindo-nos trocá-la por outra para voltarmos à leitura. Um espaço magnífico.
A autorização para fotografar foi imediata. Era o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante, o Condor Popular, o Mosquito, tudo a desfilar frente aos meus olhos como se tivesse recuado no tempo. A conversa decorreu facilmente...
- Cada Cavaleiro Andante vendo por 2 euros e meio. Mas não compre assim. Compre os primeiros oitenta que são talvez os mais difíceis e vá continuando a colecção. Ainda há dias acabei de vender uma ao Pacheco Pereira...
O maroto do Pacheco Pereira que se gabava no blog de a ter completa já há uns dois anos...
Ali passei um bom bocado e só a limitação do cartão de memória fez com que não captasse para os amigos oureenses outras preciosidades...
quarta-feira, junho 27, 2007
Fascínio de dragaüm
Dizem-me que um senhor do dragão, um apaixonado da grande música, quis construir um espaço onde pudesse desfrutar esse prazer. Para isso, obteve apoios do poder político, mobilizou as parcas posses das empobrecidas massas populares e, após grandes derrapagens de prazos e finanças, a obra viu a luz do dia.
Não foi egoísta. Permitiu a sua frequência pela plebe, embora os grandes acontecimentos fossem moderados pela capacidade de cada um.
Lá dentro, avisaram-me desde logo que as visitas guiadas tinham terminado. Tinha chegado demasiado tarde apesar de me ter parecido três estaçoes de Metro antes que elas se realizariam hora a hora por todo o dia. Mas permitiram-me uma visita em livre circulação. Que também aprecio muito.
Fui por ali dentro portador do fascínio que o lugar em si me trazia. Espreitei. Apreciei. Uma porta entreaberta convidava a entrar e não deixei de o fazer. Cheguei a um enorme auditório. Lá ao fundo, três jovens ensaiavam alguns sons que enchiam o espaço

Deixei-me estar por ali. Tudo parecia que me pertencia pois não tinha concorrência na audição. Sozinho contemplava embevecido e o som descansava-me da caminhada feita até àquele momento. O que gastara para ali chegar, o que o motivara, já não era importante. Desde o primeiro dia, eu tinha querido estar ali e finalmente parecia que aquele espaço me pertencia completamente.

Dizem-me que um senhor do dragão, um apaixonado da grande música, quis construir um espaço onde pudesse desfrutar esse prazer. Para isso, obteve apoios do poder político, mobilizou as parcas posses das empobrecidas massas populares e, após grandes derrapagens de prazos e finanças, a obra viu a luz do dia.
Não foi egoísta. Permitiu a sua frequência pela plebe, embora os grandes acontecimentos fossem moderados pela capacidade de cada um.
Lá dentro, avisaram-me desde logo que as visitas guiadas tinham terminado. Tinha chegado demasiado tarde apesar de me ter parecido três estaçoes de Metro antes que elas se realizariam hora a hora por todo o dia. Mas permitiram-me uma visita em livre circulação. Que também aprecio muito.
Fui por ali dentro portador do fascínio que o lugar em si me trazia. Espreitei. Apreciei. Uma porta entreaberta convidava a entrar e não deixei de o fazer. Cheguei a um enorme auditório. Lá ao fundo, três jovens ensaiavam alguns sons que enchiam o espaço

Deixei-me estar por ali. Tudo parecia que me pertencia pois não tinha concorrência na audição. Sozinho contemplava embevecido e o som descansava-me da caminhada feita até àquele momento. O que gastara para ali chegar, o que o motivara, já não era importante. Desde o primeiro dia, eu tinha querido estar ali e finalmente parecia que aquele espaço me pertencia completamente.

terça-feira, junho 26, 2007
Do sino do dragaüm ao chafariz oureano

Noutros tempos, este sino chamava os fiéis servos do dragão para rituais litúrgicos ou para a resistência ao invasor. As estórias de dedicação e bravura são imensas.
Hoje, a liturgia já não é tão apelativa e os vizinhos são mais pacíficos. Os chamamentos tornaram-se menos intensos e foram substituídos por convites à sardinhada e ao desfrutar de música popular. O sino que se ouvia no Bulhoum, na Trindade, nos Loios, nas Fontainhas, na Ribeira perdeu a sua função. Foi apeado da formidável estrutura que o suportava e repousa no cimo desta escadaria na Sé. Tornou-se documento histórico.
O chafariz da nossa criação, em Ourém, teve um destino bem mais triste. Jaz, abandonado, no estaleiro que rodeia as ruínas da casa do Administrador...
Noutros tempos, este sino chamava os fiéis servos do dragão para rituais litúrgicos ou para a resistência ao invasor. As estórias de dedicação e bravura são imensas.
Hoje, a liturgia já não é tão apelativa e os vizinhos são mais pacíficos. Os chamamentos tornaram-se menos intensos e foram substituídos por convites à sardinhada e ao desfrutar de música popular. O sino que se ouvia no Bulhoum, na Trindade, nos Loios, nas Fontainhas, na Ribeira perdeu a sua função. Foi apeado da formidável estrutura que o suportava e repousa no cimo desta escadaria na Sé. Tornou-se documento histórico.
O chafariz da nossa criação, em Ourém, teve um destino bem mais triste. Jaz, abandonado, no estaleiro que rodeia as ruínas da casa do Administrador...
segunda-feira, junho 25, 2007
O OUREM na cidade do dragaüm
Livre das obrigações académicas, esta passagem transformou-se numa agradável surpresa. E não foi durante pouco tempo, acreditem.
A conferência era de âmbito tão amplo que assistir às contribuições de outros era uma espécie de sacrifício insuportável. Ainda tive a sorte de ter umas quinze pessoas a assistir, mas houve casos em que eu era quase o único presente. E houve muitos casos em que quem tinha a obrigação de apresentar nem sequer apareceu. Feio, mito feio...
Assim na sexta-feira, dei por mim a vaguear pelo Poêrto. Uma verdadeira cidade repositório de comércio e profissões de há uns cinquenta anos. Uma maravilha... ao contrário do que nos fazem crer as reportagens sobre a claque do famigerado FCP, as pessoas eram de uma simpatia e suavidade de trato extremas. As informações surgiam com toda a facilidade, às vezes acompanhavam-nos aos sítios.
O sistema de transfortes é bom, embora de informação mal elaborada e deficiente. Entra-se na estação de Metro e, sem se dar por isso, estamos em transgressão e com os carrascos em cima. O maquiavélico Rio adjudicou a uma empresa privada o controlo de utilização pelo que apanhar uma multa e aguentar um processo é um destino muito provável.
A festa de São João foi espectacular. Não pela devoção ao santo já que ninguém se lembra dele, nem de abrir a igreja, nem de ter uma imagem para venda. Mas pela festa em si, quase pagã... no local onde estava, ainda vi parte do concerto do Cid. Está em boa forma, mas é uma pessoa muito estúpida e mal educada como o demonstram referências que faz a outros especialmente à “mulher espanhola”. Esquecido isso, a passagem pela Ribeira nessa noite foi inesquecível e coroada de marteladinhas, suaves marteladinhas na cabeça ofertadas por dragões e lindas dragonas de gema...
Já se ouve cá em casa: “pró ano, quando lá voltarmos...”.
Livre das obrigações académicas, esta passagem transformou-se numa agradável surpresa. E não foi durante pouco tempo, acreditem.
A conferência era de âmbito tão amplo que assistir às contribuições de outros era uma espécie de sacrifício insuportável. Ainda tive a sorte de ter umas quinze pessoas a assistir, mas houve casos em que eu era quase o único presente. E houve muitos casos em que quem tinha a obrigação de apresentar nem sequer apareceu. Feio, mito feio...
Assim na sexta-feira, dei por mim a vaguear pelo Poêrto. Uma verdadeira cidade repositório de comércio e profissões de há uns cinquenta anos. Uma maravilha... ao contrário do que nos fazem crer as reportagens sobre a claque do famigerado FCP, as pessoas eram de uma simpatia e suavidade de trato extremas. As informações surgiam com toda a facilidade, às vezes acompanhavam-nos aos sítios.
O sistema de transfortes é bom, embora de informação mal elaborada e deficiente. Entra-se na estação de Metro e, sem se dar por isso, estamos em transgressão e com os carrascos em cima. O maquiavélico Rio adjudicou a uma empresa privada o controlo de utilização pelo que apanhar uma multa e aguentar um processo é um destino muito provável.
A festa de São João foi espectacular. Não pela devoção ao santo já que ninguém se lembra dele, nem de abrir a igreja, nem de ter uma imagem para venda. Mas pela festa em si, quase pagã... no local onde estava, ainda vi parte do concerto do Cid. Está em boa forma, mas é uma pessoa muito estúpida e mal educada como o demonstram referências que faz a outros especialmente à “mulher espanhola”. Esquecido isso, a passagem pela Ribeira nessa noite foi inesquecível e coroada de marteladinhas, suaves marteladinhas na cabeça ofertadas por dragões e lindas dragonas de gema...
Já se ouve cá em casa: “pró ano, quando lá voltarmos...”.
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