quinta-feira, março 03, 2005
Dos amores do Redentor
Não reza a história sagrada
Mas diz uma lenda encantada
Que o bom Jesus sofreu de Amor.
Sofreu consigo e calou
sua paixão divinal
assim como qualquer mortal
um dia de amor palpitou.
Samaritana, Plebeia do Sical
Alguém espreitando te viu Jesus beijar
De tarde quando foste encontrá-lo só
Morto de sede junto à fonte de Jacob.
E tu, risonha, acolheste
O beijo que te encantou
Serena, empalideceste
E Jesus Cristo corou.
Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte
Quando disseste ao bom Jesus
“Que bem que eu fiz, Senhor, em vir à fonte”.
Letra e música: Edmundo Bettencourt
(post gamado ao amigo Santa Cita)
Bom tinha sido preservarem aquela zona pantanosa perto das piscina, umas passagens de madeira assentes sobre estacas e duas ou três plataformas para desfrutar descansadamente do espaço onde as Tiphas dominavam e nao faltavam os cágados e as galinhas de água para completar o quadro.
Tinha sido linear e civilizado!
O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, garante que em Portugal, a poucos meses da época dos fogos florestais, não foram tomadas as medidas necessárias para evitá-los. Não foram contratados meios aéreos e no terreno não se fez prevenção.
Sweets for my sweet, sugar for my honey
Your first sweet kiss thrilled me so
Sweets for my sweet, sugar for my honey
I'll never ever let you go
If you wanted that star that shines so brightly
To match the stardust in your eye
Darling, I would chase that bright star nightly
And try to steal it from the sky
And I would bring
Sweets for my sweet, sugar for my honey
Your first sweet kiss thrilled me so
Sweets for my sweet, sugar for my honey
I'll never ever let you go
If you wanted a king to keep you smilin'
I'd tell the sandman you were blue
And I'd ask him to keep that sand a-pilin'
Until your dreams had all come true
And I would bring
Sweets for my sweet, sugar for my honey
Your first sweet kiss thrilled me so
Sweets for my sweet, sugar for my honey
I'll never ever let you go
And if you wanted a love to last forever
Darlin' I would send my love your way
And my love'd not only last forever
But forever and a day
And I would bring
Sweets for my sweet, sugar for my honey
Your first sweet kiss thrilled me so
Sweets for my sweet, sugar for my honey
I'll never ever let you go
(Pomus / Shuman)
The Searchers: Sweets for my sweet. Merecem a referência porque penso que foram responsáveis pelo primeiro vinil que eu comprei. Houve quem os considerasse quase tão bons como os Beatles, eu julgo que estão muito longe. O som tem alguma piada, na viola, mas a canção que eu gosto mais deles só a descobri já quarentão: needles and pins.
Hoje não tenho aulas.
Dir-se-ia que podia dedicar toda a manhã ao Ourem.
Mas a inspiração não é grande, ainda há testes para ver e quero ver se me livro deles.
Estarei por aqui. A pensar no que seria uma ida ao mercado para apreciar os queijinhos e o o peixinho fresco, só a pensar...
Até podia dar uma saltada ao Parque linear. Será que hoje vai ficar cheio de lixo?
Bom, se quiserem comentar, façam favor. De vez em quando, venho ver... Logo, talvez haja mais matéria, o NO deve começar a aparecer na NET lá para as cinco.
quarta-feira, março 02, 2005

A obra

A edição que eu tenho é de 1971.
Imaginem os saltos que Marcelo Caetano, Silva Pais e Rosa Casaco terão dado ao passar por passagens como esta: "...a integração (europeia, o Mercado Comum) corresponde a um concerto de nações capitalistas em fase de imperialismo".
Terão sido de tal ordem que, algum tempo depois, o Sérgio teve a honra de estar do lado de dentro quando o 25 de Abril abriu as portas das masmorras que aqueles torcionários utilizavam para calar o repúdio popular.

E, de vez em quando, não se esqueçam de espreitar pelo Buraco da Fechadura que nos fala de Eduardo Teixeira Coelho (ainda em actividade com 84 anos!!!)
Te perdí por cualpa de un error,
te perdí y destrocé mi corazón
y ante ti vuelvo al fin
a llorar y a suplicar.
Perdóname,
he sido ingrato;
perdóname
te quiero tanto
que yo sin ti
no sé vivir mi amor,
que yo sin ti
voy a morir de dolor.
Perdóname,
te necesito;
perdóname,
te lo suplico.
Vuelve otra vez,
recuerda aquel ayer,
vuelve otra vez
a darme tu querer.
Dame otra vez
tu querer.
E quando parecia que a miúda já não nos ligava mais, havia sempre oportunidade para ligar o rádio e pedir algum disco que ajudasse a ultrapassar tão desastroso momento. Perdoname deve ter sido dos que somou maior número de pedidos. Mas vejo que a memória me atraiçoa. É que nunca o associei ao Duo Dinâmico, para mim Perdoname é Marino Marini.
terça-feira, março 01, 2005
Está um dia lindo. Já andei ao sol, já almocei...
Desci a Calçada da Estrela, meti-me pela Poiais de S. Bento quase em rota de colisão com os eléctricos, passei pela Rua da Paz, subi a Calçado do Combro, passei pela Travessa do Alcaide, pela Rua do Século e, cá em cima, entrei pela Luz Soriano. Percurso pedonal aqui e ali ensombrado pelo estacionamento em cima do passeio.
Adega do Tagarro. É aqui mesmo.
Lá dentro um amigo esperava-me para falarmos sobre os resultados das eleições e o que para aí vem. O Sócrates fechado em segredo, o pessoal que se cola ao PS.
Quase hora e meia depois, iniciei os procedimentos de regresso, ainda com magnífico Sol.
Mas esta sensação de frio no corpo não me abandona, apesar do capote, da camisola,...
Será que amanhã continuará?
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
Todos conhecem as opiniões do Dr. Cadilhe sobre a resolução da crise portuguesa: vender ouro, despedir funcionários públicos, enfim, receitas inovadoras.

No próximo sábado, 5 de Março, a Som da Tinta promove o primeiro jantar literário em que Helder Costa apresentará o seu livro Bushlândia.
E que ninguém leve a mal esta associação de David a Bush. A memória da nossa terra está para David como o fantasma das armas de destruição massiva para Bush: é para abater onde sonhar que exista...
Mais informações no sítio da Som da Tinta.
No final do artigo relativo aos resultados eleitorais, a Teresa evocou os acontecimentos de 18 de Janeiro de 1934.
Procurámos na Internet algumas referências a essa data gloriosa do movimento operário e deparámo-nos com três entradas interessantes. Uma relativa ao monumento existente na Marinha Grande de homenagem ao acontecimento (que alguns oureenses diriam de inspiração soviética), outra proveniente de Estudos sobre o Comunismo, sob o título Fotos de revolucionários do 18 de Janeiro de 1935 e outra de José Adelino Maltez que consta na sua página Revoltas contra a ditadura e o Estado Novo.
Aqui fica a sua reprodução.
O monumento 18 de Janeiro

O Monumento à Revolta de 18 de Janeiro de 1934 Destina-se imortalizar a revolução armada de 18 de Janeiro de 1934, feito pelos Vidreiros numa tentativa de acabar com as situações de perseguição, exploração, a falta de trabalho que por várias vezes os haviam atirado para a miséria e fome. O monumento faz relembrar o sofrimento, a fome e a miséria em que o povo trabalhador e ordeiro teria passado para que em nome do trabalhador e na defesa social dos trabalhadores, tivesse participado nessa revolução. Constituída por dois blocos, um pedestal talhado com um operário vidreiro armado com a legenda "Homenagem ao Movimento Operário de 18 de Janeiro", o outro que tem esculpido operários a trabalhar o vidro. Trabalho feito por Joaquim Correia e inaugurado a 18 de Janeiro de 1989.
Situado na Rotunda do Vidreiro.
José Soares na prisão do Forte de Trafaria

A Greve Geral de 1934
Greve geral contra a criação de sindicatos nacionais, que teve especial incidência na Marinha Grande, mas que se manifestou também em Almada, Barreiro e Silves. No Poço do Bispo em Lisboa, há rebentamento de bombas. Há corte de circulação de comboios em Xabregas. A central eléctrica de Coimbra é ocupada. Conjugada com uma insurreição militar, organizada por um comité revolucionário político, liderado por Sarmento Beires. Instala-se na Marinha Grande um soviete que poucas horas dura. Os líderes da revolta são conduzidos para um campo de concentração criado na foz do Cunene, no sul de Angola, logo no dia 20. A revolta marca o fim da influência dominante do anarco-sindicalismo nas movimentações operárias portuguesas que, a partir de então passa a receber a coordenação revolucionária do PCP. Com efeito, o remanescente aparelho da CGT vai ser desmantelado pela polícia política do Estado Novo, constituindo o movimento o último estertor do ancien régime sindical.
domingo, fevereiro 27, 2005
Abalar Ourém
Ontem à noite, no Gallery, um filme, protagonizado por Warren Beaty, Diane Keaton e Jack Nicholson, revia a vida de alguém que participou naqueles dez dias que trouxeram mais esperança ao mundo.Foi bonito ouvir aqueles cânticos e rever aquelas figuras que nos recordavam Lenin e Trotsky. E é curioso que o próprio filme conseguiu mostrar o triunfo da burocracia, na figura de Zinoviev, e algumas consequências sobre anarquistas e outros revolucionários que isso trouxe.
Olhamos para Ourém e perguntamo-nos: alguma vez aquelas pessoas quererão tentar tomar o destino nas mãos?
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Na noite do dia 20 a euforia não saiu à rua, apesar da “estrondosa vitória” do PS, da “clara derrota” da direita e da “significativa subida” da esquerda.
Os telefonemas dos amigos choveram a uma velocidade impiedosamente superior à chuva que em Fátima se roga diariamente a S. Pedro. “Novo 25 de Abril!” diziam uns. “Já chegou a Nova Aurora”, parafraseavam outros. “Vamos acreditar!” era a voz do entusiasmo. “Vamos ver…” eram os incrédulos que fecharam os olhos para não ver a cor desmaiada e taparam o nariz para não cheirar a rosa e bloquearam os ouvidos para não ouvir a voz da vitória ou da arrogância, ao fim do dia, a clamar “Conseguimos!”, e que assim, puseram a cruzinha no sítio certo.
Quando o Cavaco ganhou foi diferente. “Não fui eu que os lá pus”, ouvia tão insistentemente que quase acreditei que tinham sido os espanhóis.
Agora vejo-me rodeada de amigos desiludidos, conformados e sensatos. Foram eles, todos eles, os que nunca votaram Cavaco, os que até nem votaram Soares, os que acabaram por votar Sampaio, sim! foram eles, mais aqueles que o comentador Carlos Magno diz votarem com a carteira (vazia), a classe média, foram esses todos que os lá puseram e somos nós todos que vamos assistir ao espectáculo do promete e despromete e ao aperta, aperta bem o cinto e ao encolhe a barriga e estica o peito! Teremos mais uma legião orgulhosamente europeia!
Orgulhosamente!
Europeia!
Já ninguém aguentava o play-boy, é verdade!
Também é verdade que os anos de governação da direita fizeram desvanecer a memória.
E é bem claro que ainda existe gente de esquerda, filhos da clandestinidade, netos dos anarquistas ferroviários e dos vidreiros da Marinha Grande.
A propósito, onde está a memória do 18 de Janeiro de 1934?
25 de Fevereiro 2005
Teresa Perdigão
Como jogaram bem os nossos lagartões!
Que grande lição de futebol deram aos jogadores holandeses!
Que demonstração de classe perante bombardeamento, tentativas de agressão e chuva de isqueiros!
Como é possível que se admita que aquela canalha arruaceira a tender para o nazi frequente campos de futebol?
Como é possível que se considere que aquilo faz parte da festa?
Serão a FIFA e a FPF (sim, porque cá também se veem) irresponsáveis a tal ponto?
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Recebi agora a notícia que este programa de Jorge Gabriel e da Sónia estava em Ourém. No mercado...
Vá, mostrem-lhes a Praça dos Carros e as fotografias do que era dantes, mostrem-lhes a casa do Largo de Castela que a Câmara quer destruir, mostrem-lhes as clareiras abertas nos pinhais que nos cercavam...
Aproveitem para mostrar essa lixarada toda.
Não os deixem sair sem Portugal ver...
Pode ser encontrado aqui.
E merece ser lido com atenção...
... apesar de confessar que não é de esquerda embora cite Saramago.
Se calhar, o que as pessoas confessam nem é o mais importante.
Desejamos-lhe muitos golpes bem corrosivos sobre os disparates que povoam Ourém.
Oportunamente, será junto aos nossos apontadores.
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Superioridade moral da esquerda
Que nos leva a dizer que a virtude está deste lado.
Que nos faz considerar que muitos dos que votam na direita o fazem enganados.
Que nos faz olhar para a Economia como algo que tem de servir as pessoas e não como um local onde o crescimento e as leis de mercado, independentemente dos desgraçados que os suportam e sentem os seus efeitos, tudo legitimam.
É mesmo isso, meu caro Nelson, é a esquerda quem tem a mensagem da liberdade, da justiça social, da diminuição das desigualdades. E que será capaz de a construir...
Por isso, nos admira tanto que pessoas exploradas, vivendo em condições que qualquer de nós rejeitaria, vão fielmente, pôr o seu voto na direita. E que o façam sistematicamente. E que o façam quase todos.
Aquela superioridade moral não significa que não existam crápulas infiltrados, que não se façam erros e que não existam pessoas honestas na direita e com as quais se possa contar para uma sociedade mais justa.
Por esta e outras razões, não é também correcto ver neste posicionamente qualquer manifestação de vaidade intelectual ou de moda. Pelo menos isso não tem qualquer razão de ser com pessoas que atravessaram um longo período e muitas modas, mantendo a sua coerência, embora admitindo que, em termos de progresso, se está a aprender sempre e, essencialmente, com os erros.
"Acabou a palhaçada", deve ter dito algum emproado ruivo ligado ao MIT.
E os barões lá foram convencendo PSL a sair. Demorou dia e meio. Que lhe sirva de lição.
Já há candidatos a seguidores: o pequenino Mendes, o horroroso Meneses, e o nome da Manuela já foi sugerido. Aqui é mesmo caso para dizer: que venha o diabo e escolha!
De repente, tudo parece que se calou e isso não deixa de se sentir em cada um de nós. Foi o Sérgio quem me chamou a atenção.
Na minha humilde perspectiva, o significado deste comportamento dos portugueses é muito simples: “não gostámos daquela política, tirámo-los de lá, ganharam, agora governem, nós apoiamos no que pudermos”.
Penso que a própria direita não acreditava na possibilidade de um dia a esquerda ultrapassar os 60% num contexto de abstenção não muito elevada. Por isso, a sua reacção é ténue. Por agora...
Talvez isto possa ir a bem.
Por isso, compreendo palavras como as de Silva Lopes quando fala em moderação salarial. Mas é preciso dar um sentido a esta expressão. Moderação não é diminuição neste caso. Moderação tem associado o sentido de velocidade e, quando falamos em salários, velocidade significa crescimento. Então aquela expressão só pode significar “crescimento moderado dos salários”. Isto é, descontada a inflação realmente sentida pelos portugueses, os salários ainda poderão ter um acréscimo que é o que advém do crescimento da produtividade também deduzido de algo que seja para investimento.
Os três anos de governo de direita deixaram o país num estado catastrófico. Que já vinha de trás, diga-se em abono da verdade. A louca política de integração europeia serviu para destruir a agricultura, as pescas e, mais recentemente, a pequema indústria, sem que as contrapartidas em turismo, serviços e sociedade da informação se façam sentir. Mas os governos de Durão e Santana acabaram por acelerar a degradação pela instauração de um clima de desconfiança.
Há que dar sinais positivos para os que participam na actividade económica.
Se os trabalhadores colaboraram quando o governo de Durão Barroso tomou posse, aguentando descidas reais de salários, suportando o desemprego que ele lhes ofereceu, por maioria de razão vão colaborar. Se virem justiça, diminuição de desigualdades, correcção de disparates...
Por exemplo, no último domingo, o Correio da Manhã denunciava a existência de salários milionários na televisão pública. Que me desculpem, mas não os aceito, o que aqueles senhores fazem pode muito bem ser feito, talvez não tão perfeito, por pessoas menos experientes e com menor vedetismo. O orçamento, suportado pelos nossos descontos, não tem que pagar aquilo. A televisão pública, não tem que concorrer com a privada para captação dos melhores profissionais, esta sim, operando com as regras de mercado deve utilizar os mecanismos salariais para atrair as vedetas. Portanto, aí está um caso em que se pode aplicar a moderação, diria mesmo, redução salarial.
O mesmo se passa com os vencimentos e mordomias de gestores públicos. E com o próprio direito à reforma de deputados ao fim de dois mandatos o que é vergonhoso quando milhares de trabalhadores são atirados para o desemprego sem subsídio e sem possibilidade de reforma.
Vamos esperar que o novo governo dê efectivamente sinais positivos.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Pobre vitória e pobres vencedores se a considerarem como sua e esquecerem que também foi, ou sobretudo foi, uma vitória arrasadora de todos os que denunciaram e acusaram as políticas. De todos!, e não só dos que fizeram desse ataque uma forma de derrotar uns políticos, a via para os substituir sem mudar – a sério – as políticas.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Por Sérgio Ribeiro
Se há “categoria sociológica” a que vou estando cada vez mais alérgico – rabujentamente – é a dos chamados comentadores. Põem-se “de fora” e “do alto”, e peroram sobranceiros. Alguns, e são, para mim, os mais insuportáveis, com a fina ironia de que honrados carroceiros não seriam capazes.
E pedes-me, tu Luís, para fazer de conta que comentador sou. E eu aqui estou, mal dormido e pior acordado, a comentar… à maneira de comentador. Do que é capaz a amizade, e o amor comum a Ourém. Mas aviso que é uma vez sem exemplo (o que não quer dizer que não repita), e telegraficamente, ou melhor: blogamente.
Os resultados eleitorais traduzem uma reacção do povo português a umas políticas que sofreu e a uns políticos que teve de aturar. Estes políticos foram derrotados. E as políticas?
Bem, as políticas… depende, a curto prazo, dos políticos que não foram derrotados, que ganharam folgadamente estas eleições e do que vierem a fazer da sua vitória. Pobre vitória e pobres vencedores se a considerarem como sua e esquecerem que também foi, ou sobretudo foi, uma vitória arrasadora de todos os que denunciaram e acusaram as políticas. De todos!, e não só dos que fizeram desse ataque uma forma de derrotar uns políticos, a via para os substituir sem mudar – a sério – as políticas.
Muito preocupa que os políticos que ganharam absolutamente possam prosseguir, em efémero “estado de graça”, as políticas que também foram derrotadas nas urnas e podem não o ser na Assembleia da República e no governo.
É esta preocupação que me traz a maioria absoluta do PS e o que se conhece do vencedor Sócrates. E não me digam que estou a ser mal intencionado por não dar o benefício da dúvida. Os precedentes conhecidos – ah!, o papel histórico da social-democracia… – não consentem nem benefícios nem dúvidas, e muito “meigo” estarei a ser ao só dizer que preocupado estou.
De qualquer modo, honra aos vencedores, que com “poder absoluto” ficaram, e alguma esperança que tenham a lucidez de bem usar a vitória que tiveram.
Como não quero comentar os números, ainda mal conhecidos ou digeridos, acrescento que. regionalmente, no distrito de Santarém (porque os distritais conheço melhor e algo trabalhei), os números dão um tom mais acentuado aos resultados nacionais, para estes tendo contribuído significativamente. A mesma ordem nos partidos e coligações, o PS ganha dois deputados, uma ao PSD e outro ao PP, o PCP, em 3º partido, mantém o seu deputado/deputada, agora eleito/a com maior margem de segurança (não resisto a sublinhar que, afinal, o PCP não morreu!... isto digo eu que já tantas certidões de óbito lhe vi, passadas e certificadas), o BE subiu significativamente com votos que não tirou ao PCP mas não passou do 14º lugar quando, para eleger, teria de estar entre os 10 primeiros, segundo Hondt.
Localmente, na “nossa” (embora, às vezes, apeteça desistir de assim a considerar) Ourém, o habitual, os reflexos de um clientelismo enraizado até às entranhas, merecedor de estudo pelos encartados analistas “da política”. Olhando os números, eles são de um outro mundo – em que, faça-se justiça, Ourém não estará sozinho mas mal acompanhado está… –, de um mundo ao contrário, como cantam os Xutos. Parece um mundo imóvel, em que o eleitorado apenas dá ténues sinais de vitalidade pois repete gestos e cruzes. Veja-se, só, que enquanto o PSD teve a nível nacional menos de 30%, em Ourém conseguiu manter-se acima dos 55%, o PS ultrapassa os 45% a nível nacional e em Ourém anda pelos 25%, o PP baixou para 7,2% em Portugal e está acima de 13,5% em Ourém e, do outro lado da(s) política(s), a CDU confronta os seus mais de 7,5% nacionais (com cerca de 9% no distrito) com os 1,4% de Ourém.
Para acabar o comentário, que já vai excessivamente longo para blog, apenas acrescentaria que o que já estou a observar, com o maior interesse, como “comentador” oureense, é o que vai ser feito para as autárquicas face a estes resultados. A começar por mim, retirada a máscara de comentador.
Eng. José Sócrates, nem por um minuto pense que o pessoal se vai esquecer do que andou para aí a prometer:
150000 novos empregos
1000 estágios para jovens licenciados
o choque tecnológico (se fosse bem gerido, era bem mais interessante...)
300000 idosos retirados do limiar da pobreza
não subida da idade da reforma
referendo sobre o aborto
É melhor não se esquecer. Olhe que o Louçã não vai permitir que isso aconteça e ainda se poderá aproveitar da sua inércia.
Santana vai à luta
As grandes figuras do seu partido não o apoiaram e ele prepara-se para lhes fazer a vida negra nos próximos tempos.
As facas longas não vão funcionar só num sentido. O homem sentiu-se desapoiado e vamos ver em directo ele proceder a essa denúncia.
Talvez até o PSD nunca mais seja o mesmo. Talvez se anuncie para breve um PSL.
Foi aquele, através da TVI, em que Portas anunciou a sua decisão de abandonar a liderança.
Do outro lado, o Miguel assistia com tristeza à queda do irmão e penso que se comoveu.
Não é de admirar aquela decisão. Os 10% representavam uma fasquia muito alta para uma organização corroída pelo mau exercício do poder. O Paulo poderia ter sido mais ponderado. Ainda tinha as autárquicas para voltar a medir forças.
Mas ele é extremamente ambicioso. Ele investiu tudo no exercício do poder. E saiu com dignidade. Aplaudamos a sua decisão.
Pois é, meus amigos, foi quase tão bonito como no 25 de Abril.
Temos uma maioria de esquerda, apoiada na maioria absoluta de uma organização que tem na liberdade uma mensagem essencial. Claro que podia ser melhor com mais uns votos na CDU e no BE em detrimento do PS, mas...
Pela primeira vez, acredito que podemos construir uma sociedade mais justa pela via eleitoral.
Os políticos de direita reconheceram a derrota e aceitaram-na.
Será que os políticos de esquerda vão estar à altura de quem os elegeu?
domingo, fevereiro 20, 2005
Em Soito, as eleições foram boicotadas como forma de expressão do repúdio da população relativamente a não existir um médico de família.
Por mais anti-democrático que me possam acusar, compreendo, aceito e apoio estas formas de expressão no que de mais genuíno são em termos populares, embora sempre considere a alternativa da anulação do voto no acto de votação.
Efectivamente, chegar a um acto eleitoral sem um médico de família para a população de uma freguesia é o espelho do extremo desleixo da classe política. E, se não fossem as eleições, não sabíamos de nada.
Fazendo jus ao estatuto de velhote, às 8.30 já estava a bater à porta da minha secção de voto.
O dia, ainda frio, mostrava já uma belíssima manhã. O passeio a pé, de quase 45 minutos, foi excelente.
Pelo caminho, concluí que desta vez não havia grandes dúvidas. Iria ser o partido dos reformados, da classe operária que quase já não existe, dos desempregados, de alguns professores, do pessoal que não quer ir nesta onda...
Agora, vou esperar e aguardar pela festa dos resultados.


