terça-feira, setembro 26, 2006

Praxes

E com esta treta da praxe que não é mais do que humilhar os que estão em momentânea inferioridade, em vez de constituir uma verdadeira adaptação ao novo ambiente, vai-se perder uma semana de trabalho num semestre que, à partida, contava com treze.
E Ourém?
ou da inutilidade da derrapagem
(extracto do artigo publicado no NO)

...
Perante estes resultados que reflectem a existência de inúmeros atrasos e incoerências ao nível da disponibilização da informação pelas câmaras, é legítimo interrogar-nos: E Ourém? Qual o seu lugar e papel em tudo isto? E dizemos papel porque o que ocorrer em Ourém irá com certeza influenciar os resultados de qualquer estudo que seja feito para apreciar a evolução dos sites.
Se nos reportarmos aos resultados do relatório, podemos concluir o seguinte:
- em termos gerais, Ourém ocupa a 110ª posição com um valor de 0,49 o que significa que tem disponíveis no site sensivelmente metade das funcionalidades procuradas. A sua posição é melhor, por exemplo, do que Leiria e Coimbra;
- em termos de características da Navegação, Ourém parece enfermar de vários problemas: fica-se pela 244ª posição com um valor de 0,33. Pior, apenas sites como a Nazaré (extremamente desorganizado) ou autarquias que não tenham site;
- já no que respeita à informação sobre eleitos, Ourém ocupa a 120ª posição com um valor de 0,58 para o indicador, melhor do que, por exemplo, Sintra, Aveiro e Lagos. Um dos elementos que penaliza ao nível deste critério é a não disponibilização de emails dos eleitos. A exigência desta funcionalidade tem todo o sentido: como podemos estar numa democracia representativa sem forma de contacto com o representante? Quando este se manifesta na Assembleia Municipal que problemas foca? Os dele? Se não, como os percepciona?
- a melhor classificação de Ourém é a que deriva da informação municipal proporcionada. A disponibilização das actas (às vezes, um pouco atrasada!), de informação sobre o UNIVA, as publicações, etc, fizeram com que Ourém se situasse na 64ª posição com uma taxa de cobertura das funcionalidades de 0,65 (para quando o preenchimento do directório de empresas?). Neste critério, é melhor do que Coimbra, Leiria, Aveiro, Albufeira, Braga...;
- já quanto à abertura ao munícipe a posição de Ourém é desastrosa: 173ª com um valor de 0,10 que, apesar de tudo, iguala o dos concelhos sede de distrito Castelo Branco e Vila Real e o da Figueira e é superior ao das Caldas.
- finalmente, Ourém ocupa a 99ª posição com um valor de 0,63 em termos de informação sobre o concelho onde se integram circuitos turísticos, informação histórica, etc. Este resultado melhor que o do Funchal, Braga, etc.;
Perante estes resultados, podemos interrogar-nos: estará Ourém em condições de melhorar de posição e de prestação aos seus munícipes?
Estamos convencidos que Ourém melhorará ligeiramente a sua prestação, mas, relativamente aos outros municípios, sentimos que vai ter tendência para se afundar nestas tabelas já que não acompanhará os desenvolvimentos em termos de Navegação e Abertura. Para compreender isto, basta atender aos sinais provenientes do projecto relativo aos novos Paços de Concelho: o parque de estacionamento, o grande balcão centralizado de atendimento e a ausência de qualquer documento que explicite o que a Câmara espera dos Sistemas de Informação para os próximos anos. Isto é, quando a nova Câmara abrir, compreender-se-á que tanta derrapagem foi inútil.

segunda-feira, setembro 25, 2006

25 canções para os amigos do Poço: guia de audição

1. Oh Lady! – Les chats sauvages
Os nossos cafés: o Avenida, o Central, as sensacionais partidas de bilhar enquanto o Dick Rivers mandava aquele “rieeennnnnn” que parecia o zurrar de um burro. O Duarte a cantar e a dançar agarrado ao taco do bilhar, o Genito a fazer o pino numa cadeira...

2. Lonely, lost and sad – Sheiks
Os amigos Rui e Jó Rodrigues e as monumentais tardes de convívio na quinta que repousa sob a EPO

3. Le ciel est si beau ce soir – Richard Anthony
Os encontros e desencontros ... Os minutos de espera que pareciam horas e que faziam pensar que ela nunca mais viria

4. Chove – Conjunto académico João Paulo
Noites de chuva e espera em Ourém quando nada se passava e hoje até parece que era o mais importante...

5. Perdoname – Duo Dinamico
O gira-discos tipo mala de viagem, a ida ao bailarico de Caxarias na motorizada do Quim Vaz, a descoberta das lindas meninas de lá, as beatladas e aquele pedido “não tens o perdoname...”

6. Derniers Baisers – Les chats Sauvages
Canção do Fernão Lopes com o Vitor e o Zé Augusto a sentirem o bafo do Dr. Armando após o famoso “chupa?!!”.

7. Una lacrima sul viso – Bobby Solo
Sei lá porquê. Tinha piada. Ainda me recordo do ar escandalizado de malta amiga quando o Bobby apareceu de olhos pintados no festival de S. Remo a cantar o “Se piangi, se ridi”

8. Johnny lui dit adieu – Johnny Halliday
Fabuloso canção, mesmo à Halliday...

9. Demain tu te marries – Patricia Carli
Outra vez o Fernão Lopes. Aquele “Arrete, Arrete...” é inesquecível pelo modo como é entoado (aliás muita gente conhece-a por essa designação). No final, o “Non” desesperado é uma espécie de grito que queremos entoar muitas vezes e não temos coragem

10. All my loving – Beatles
Passagem por Fátima, pelo posto de turismo. Pela primeira vez, mexi num gira-discos e fiquei entusismado. Houve música para peregrinos e para as meninas daquelas lojas pequeninas, todas iguais

11. I can’t let Maggy go – HoneyBus
Canção para as namoradinhas oureanas… e também para o TóLiz que se atirou de guarda-chuva aberto, a fazer de pára-quedas, do 1º andar do Fernão Lopes, daquele patamar que dava acesso às aulas do primeiro ciclo, pensando que ia voar. “He flies like a bird...”

12. If you need me – Rolling Stones
Talvez Nazaré, uma das primeiras músicas que gostei dos Stones

13. Mr. Moonlight – Beatles
Aquele órgão ouvido na fabulosa quinta, aquele grito inicial: tardes em que não nos lembrávamos de luar...

14. All my sorrows – Searchers
Traz-nos o som desse tempo como por vezes o sentíamos nos bailes de finalistas e nos casinos. “All my sorrows” só foi descoberta mais tarde. Em Ourém ouvia-se o “Sweets for my sweet”.

15. And I love her – Beatles
Nazaré, passeio pela marginal. Há mãos que se encontram num tímido despertar do encontro com o futuro. Lá ao fundo, havia uma monumental caixa, cheia de discos onde, um braço automático, depois da moeda introduzida, procurava o disco e despoletava a sua audição

16 e 17. Happy together – Turtles e Tell me you are coming back – Rolling Stones
Canções do Jó Rodrigues e da sua capacidade notável para nos fazer ter atenção a passagens especiais.

18 Le Penitencier – Johnny Halliday
O mais famoso hino da nossa geração. Não houve oureense que não passasse pela minha casa para o ouvir. O Zé Domingos por vezes ainda mo recorda. Mas houve um visitante de Ourém, o Raul, que me ficou com o original após troca. Já não o sei localizar...

19. Je suis parti – Christophe
Vocês queriam o Aline, mas eu gosto mais desta. É uma canção de Leiria, da esplanada onde o João Antunes, um dos corsários de Apolo, se entretinha a cantar para o pessoal ouvir...

20. Quand reviens la nuit – Johnny Halliday
Uma versão do Mr. Lonely com aqueles repentes do Johnny

21. La plus belle pour aller dancer – Sylvie Vartan
O Jó Alho, impagável, frente aos Claras, na Avenida, a trautear a canção e a correr de um lado para o outro, saltando, projectando as pernas para trás e batendo com os calcanhares.

22. Never my love – Association
Vir para Lisboa e estudar custou tanto

23. Sounds of Silence – Simon and Garfunkle
Canção das famosas tardes de bailaricos no Castelo. A sensação de ouvir pela primeira vez algo que se sentia ser muito bom

24. Mrs Applebee – David Garrick
E o raio do curso que nunca mais acabava. A polícia a ocupar a Universidade sem lhe podermos dar uma ferroada a valer.

25. El final del verano – Duo Dinamico
E o problema era que o Verão e a Nazaré acabavam mesmo, bem como os passeios, as idas ao casino, as noites na esplanada ou dormidas dentro das barracas. Até que uma vez, acabaram para sempre...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Olha o IGAT

Eles andam por aí.
Fazer trabalhar à borla aos sábados e domingos?
Uma cave sem autorização?
Uma unidade hoteleira sem projecto aprovado?
Falem com o venerado presidente David...
Sob fogo intenso

Telefone e caixa de correio no ISEG estão sob fogo intenso depois deste artigo do DN. Ainda não sei se o NO ajudou à festa...
Compromisso Capital

Não se pode dizer que exagerem: querem ELIMINAR 200000 funcionários públicos.
Eu percebo porque não os eliminariam a todos: ficariam sem ter quem lhes entregasse os subsídios à produção.
Há quem diga que o do bigode curto e braço estendido também não conseguiu ser eficiente: ELIMINOU 6 milhões de judeus.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Prazer de rua

Dias como o de hoje chamam-me a atenção para aquelas entradas nos locais de trabalho directamente para o parque de estacionamento ou, em nossas casas, utilizando o comando que abre imediatamente o portão. A ginástica faz-se no ginásio em recinto fechado e as ruas vão sendo despovoadas dos seres normais.
A verdade é que este dia cinzentão, um pouco escuro, húmido, de temperatura agradável, me dá monumental prazer para desfrutar ao ar livre desde que acompanhado dos devidos acessórios de protecção. Molham-se os pés, as calças, mas parecemos envolvidos na natureza neste ambiente que teima em destruí-la.
Presumo que, em Ourém, ali para os lados do antigo mercado, depois de uma noite tão preenchida por fenómenos naturais, a situação não permitirá estes devaneios...

quarta-feira, setembro 20, 2006

Contagem decrescente para o Poço

Faltam 45 dias...
Num canto de uma estante da residência habitual, 40 CDs recentemente produzidos, ainda parcialmente descapados, já aguardam pelo 21º encontro.
Há dias, em momento de audição e controlo, tive duas decepções. A primeira resultou da descoberta de um pequeno defeito (salto d agulha) no final de uma das canções: 5 daqueles CDs serão raridade para coleccionador! A segunda foi uma frase que me chegou:
- Eles não vão gostar disso. É excessivamente pessoal, autobiográfico...
Será verdade? Será que não vão gostar? Atrevem-se a não ouvir? Será que devo destruir tudo aquilo?

terça-feira, setembro 19, 2006

Ourém cada vez mais longe

Já não chegava o preço dos combustíveis e das portagens que converteram o custo de uma deslocação a Ourém em algo de assustador. Agora, é o alargamento para três vias do troço entre Torres Novas e Santarém. Condutores cuidadosos encostam-se à direita e ali vão respeitando o melhor que podem a limitação dos 80. No entanto, há quem se atreva a tudo desrespeitar, inclusivamente encontram-se camionetas em ultrapassagens quase a roçar o parceiro sem o mínimo respeito ...
Mas, hoje, nem falo nos motoristas... falo noutros condutores...
Como é possível que, passados pouco mais de 10 anos sobre a abertura do nó, surjam obras de alargamento para uma terceira via? Não era previsível a sua necessidade? Foi o desejo de abrir mais uma empreitada? Já repararam que nem o diabo de um viaduto foi projectado para passar sobre mais do que as duas vias (*2)? Como é confrangedor vê-lo ali caído!
E agora? Há a certeza que as três vias aguentam até quando? Será possível alguma vez utililizar a autoestrada sem este tipo de interferências até Ourém?
Progresso é mudança, mas tanta é anarquia e retrocesso.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Diálogos com distintos oureenses: Valerá a pena ter Página?

Alguns jornais já fizeram referência ao estudo sobre os Serviços de Informação das Autarquias.
Tanto bastou para receber toneladas de correspondência alguma da qual tem dado origem a diálogos bem interessantes. Ora oiçam:

- Hoje, uma notícia sobre as páginas da NET das autarquias. ...associei aos posts que publicaste no teu blog sobre este assunto. Será? Se sim, gostava de saber a tua opinião sobre o municipio de Alcobaça. É que, no que diz respeito à divulgação daws actividades culturais nunca vi igual, nem melhor. São eficientes e muito pontuais

- Efectivamente o tal estudo tem a ver com o que publiquei no Ourém e o responsável fui eu (e os alunos...). Quanto a Alcobaça... lamento desiludir-te: o nosso instrumento de análise era a página Web e eles nem a tinham no momento do estudo. Logo, levaram com um zero em cima e ficaram no fim do ranking. Pelo contrário, a terra onde vives, Caldas, já é bem melhorzinha, apesar de ficar lá para o meio da tabela...

- As coisas são como são... Caldas é uma nulidade no que diz respeito a informações por Net. Ninguém as lê. ninguém responde. O Turismo não tem acesso à net nem às informações culturais. Tudo está desactualizado, mas enfim... as coisas são como são!
Depois de ter lido as informações sobre esta cidade no teu blog, pensei que eu teria sido de infelizes coincidências e então, voltei lá!
Sim, voltei! Inscrevi-me na bolsa de emprego, quer dizer, solicitei uma entrevista a uma pessoa que estava inscrita para prestação de serviços de secretariado e .... NADA! Protestei e... NADA!
Outro exemplo - a agenda cultural não existe informatizada.
Então, desloco-me ao turismo mensalmente para a ir buscar. Nunca, mas mesmo nunca estava ndisponivel antes do dia 12/13.
Passei a pedir para ma enviarem por correio. Demorou um ano. Agora mandam-me 3. Quero apenas uma, digo eu com insistência, por telefone, por mail a agora por carta escrita via CTT's.

É o reino da incompetência e do despesismo!
Quanto a Alcobaça, vou enviar já um protesto... e será, de certeza, atendido!

- É mesmo assim...
Caldas criou uma página onde pôs muitas daquelas coisas que é de bom tom lá ver e passou a constar como tendo uma página com determinadas funcionalidades. Aquilo pode não mexer, pode ficar pendurado, pode não estar preenchido mas vais lá e... tem página!
Alcobaça nem a esse trabalho se deu. Podem não ser muito diferentes, pode Alcobaça até ter melhor desempenho, mas não segue um requisito actual importante...
Mas é uma pena não termos por cada concelho cinco ou seis cobaias de teste aos sistemas locais para se poder chegar ao conhecimento e tratamento de opiniões como a tua. É que o tratamento ao longe de 308 concelhos por pessoas que não vivem lá leva de certeza ao resultado que apontas: valorizar aquilo que existe a fingir...

- Obrigada pela tua resposta tão clara e tão oportuna. Ela veio de encontro àquilo que eu penso sobre muitas câmaras com as quais contacto - o que fazem é fogo de vista apenas! Muitas vezes tenho pensado nos estudos que se fazem a partir do que está escrito apenas, nomeadamente sobre a Câmara das Caldas. Daqui por 50 anos, esta Câmara poderá ser considerada exemplar, com base no que existe escrito. Mas, a realidade é outra: o caso da Agenda Cultural, por exemplo. Estamos a 18 de Setembro e ainda não apareceu a de este mês. Mas isso que importa, se ela existe? e se ninguém vai ver em que dia é dada ao público?

- Tens toda a razão
De qualquer modo, quero dizer-te que o relatório conseguiu captar o problema da Caldas da Rainha já que a classificação em termos de Abertura ao Munícipe foi desastrosa. Isto é, Caldas tem algum mérito em termos de informação morta (a inf. municipal foi lá posta uma vez, nunca mais mexeu...), mas em termos de diálogo, resposta a emails, consulta de processos, formulários é muito pobre. Acresce que, se deixarmos de fazer médias simples e ponderarmos mais este aspecto, somos capazes de os colocar quase no fundo da tabela...

- Ah! Estou um pouco mais reconciliada com a investigação! Acabei de enviar um mail para a Câmara de Alcobaça dando-lhes conta da vergonhosa clasificação e insurgindo-me contra isso, dado que é um ponto que podem melhorar, tanto mais que, como te disse, são eficientes no que diz respeito à informação das acitivdades do município.

domingo, setembro 17, 2006

Um Sol com pouco brilho

A manchete, assente no ataque pessoal, é lamentável.
O segundo tema da capa não é informação.
O jornal parece um clone de algum projecto apresentado sobre o rival e recusado.
O menino, zangado, bateu com a porta e veio demonstrar ao papá que era o mais teimoso e também conseguia produzir um jornal.
Vulgarmente gosto da análise do director, na terceira página, mas esta pareceu-me pouco consistente, enviezada.
Muito positivo é a divulgação de emails dos jornalistas em elevada percentagem. Se repararem noutros jornais, há como que o esquecimento de que essa via de comunicação existe...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Vem aí o Sol

Com certeza para vender jornais... contrariamente ao outro:
- Eles vendem o DVD, não o jornal.
Redacção politicamente (in)suspeita na qual destaca o Príncipe (lembram-se do Maquiavel?): Marcelo...
Saraiva parecia um pouco ressabiado.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Anda por aí Acácio Paiva



Não sei de onde terá saído: se de Leiria ou Tomar, se do Olival ou das Serras...
Também não é importante. O que vale é o que diz sobre Ourém, mais propriamente sobre Vila NOva de Ourém. E há dias referiu mais pincel e tinta para melhorar os espaços que são recordação para muitos oureenses.
Tinta que este marco (verdadeiramente histórico!) também mereceria antes de o deixarem ingloriamente abater sobre o pedacinho de calçada que resta...
A ultrapassagem



O diabo da derrapagem nos novos Paços do Concelho não pára de me trazer à cabeça a memória do filme “a ultrapassagem” de Dino Risi, de 1962. Não tem nada de especial: é a história de dois homens, um fanfarrão (Gassman), outro tímido (Trintignant), que vão à aventura de automóvel. Há passagens cómicas e um final trágico.
A verdade é que, na época, magotes de distintos oureenses iam ao “Pulgas Preto” de Leiria ver o filme e vinham deliciados com ele e com a música de Modugno e de Pepino (!) di Capri, povoando de conversas o Avenida e o Central. Seria pela delicadeza do final?
Ficarão provavelmente igualmente deliciados quando esta câmara cair de podre ostentando incapacidade de cumprimento ou de endividamento, diria o venenoso...

quarta-feira, setembro 13, 2006

Chove



Com a intensificação do trabalho, sente-se que o Verão já vai longe. A Pipoca, essa, só para o ano poderá reeditar esta atitude desleixada.
Por Ourém, ovelhas mansas cantam a espera da nova estação...

terça-feira, setembro 12, 2006

Ganda Caneira!

Tenho de dar a mão à palmatória.
Os lagartões estiveram sublimes e o Marco foi um verdadeiro mestre na arte de marcar e defender.
O lagartão de Santa Cita abandona

Isto está a dar a todos de modo fulminante.
O nosso amigo Santa Cita bateu com a porta e foi-se embora. Que posso dizer? Que o compreendo muito bem, já que a desinspiração para aqui é uma constante. Que tenho muita pena, pois foi quem me ensinou a introduzir os primeiros comentários no blog. Vejam bem! Claro que em tempos em que estas coisas eram difíceis.
Será que este amigo virtual quer ficar na tal lista de distribuição? Será que vem ver o pessoal de quando em quando?
E agora com quem poderemos gozar quando os lagartões perderem? Logo, por exemplo...
Tempo de crise

Mais uma vez, sem assunto para preencher esta coisa.
O Ourem arrasta-se numa triste agonia que ainda é mais triste quando percepcionada do lado de cá.
Há dias, no Central, o Quim dizia-me:
- Tens de manter o Ourem, tens de continuar a escrever.
- É pá, Quim, mas não tenho assunto. Antes, parecia que as coisas fervilhavam para sair e tinha de filtrá-las e estancá-las para não jorrarem todas de uma vez. Agora, é um martírio para produzir qualquer post.
Mas o Quim não estava receptivo...
- Já disseste tudo o que estava mal. Agora, tens de apontar o que deve ser feito...
- Ó Quim, mas já fiz isso na campanha e ninguém me ligou nenhuma...
É verdade. Mais ou menos há um ano, começava aquela campanha com a CDU a tentar transformar Ourém. Tempos giros de produção e divulgação de ideias.
Depois, foi a ressaca, felizmente curada em pouco tempo. Houve mais posts baseados nas canções para o Poço. Agora é isto... Para me justificar, afirmo em muito sítio: "o exorcismo está consumado. Estou curado relativamente a Ourém...", mas isso são tudo tretas. A questão agora é: será que nem chegamos aos 50000 acessos?

segunda-feira, setembro 11, 2006

Serviços de informação das autarquias

Como podem verificar aqui, carregando no botão Working Papers, o estudo que, há uns meses, nos permitiu disponibilizar mais de 60 posts sobre o tema relativos a Ourém, é documento de trabalho no ISEG, podendo ser descarregado a partir daqui.
O nosso venerado presidente não vai ficar famoso porque Ourém perde-se pelo meio daqueles rankings como se não tivesse qualquer especificidade.
Agora, o trabalho pode prosseguir. A ideia é identificar deformações tipo e gerar recomendações. Para já, vão ser notificadas as câmaras e a imprensa...
Se estiverem interessados, os meus amigos podem encomendar o documento impresso para
ISEG
Gabinete Editorial
Gabinete 113
Rua Miguel Lupi, nº20
1249-078 LISBOA PORTUGAL
Tel: +351 213 925 929

É baratinho. Cada exemplar custa apenas 2.74 euros.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Gil Vicente

Pode ser patética, provinciana, condenada ao fracasso, mas tenho de manifestar a minha simpatia pela luta do pessoal de Barcelos nestas questões sujas do futebol. Geralmente, estou pelos mais fracos e esta vez é uma delas independentemente dos milhões que os gigantes perderem (geralmente não aplicados num desenvolvimento equilibrado do desporto) e do próprio suicídio do clube que será o desfecho mais provável. Onde é que se viu uma pessoa singular ou colectiva sentir-se injustiçada e não poder recorrer aos tribunais? Já basta aqueles que não têm meios para se defender como os mandados para o desemprego ou aqueles a quem a camarilha destrói o passado...
Já repararam? São três formas de arrogância tão parecidas.
Tenho dito!

quarta-feira, setembro 06, 2006

A questão das 25 canções para os amigos do Poço

Apesar do de Novembro, 25 é um número gratificante para nós. Há o de Abril que é sem dúvida a data mais importante para a nossa geração, porque nos tornou mais conscientes, mais determinados. Por isso, justifica-se que, no nosso CD, estejam 25 canções. Sem terem nada a ver com Abril, elas acompanharam muitas conversas que desejaram Abril e que contestaram a situação que antes se vivia.
Mais uma vez, os meus amigos me deixaram sozinho com a difícil tarefa da escolha. Fiz o melhor que pude, mas tudo está atravessado pelo gosto e vivência pessoais. Garanto uma coisa: quase todas essas canções têm um nome de um amigo (que até pode ter já desaparecido) ou um recanto de Ourém associados. Recordar essas canções é também recordar esses amigos, embora reconheça que alguns nunca tenham estado no Poço, apesar de terem sido muito importantes para nós.
Algumas das canções estão em muito mau estado porque foram recuperadas do vinil, mas têm a vantagem de o ter sido a partir dos discos originais, aqueles que ouvíamos e gostávamos. Ora aqui vai a lista que seleccionei e agora é inabalável (e repare-se como, na altura, o som dos franceses rivalizava com o que se tornou dominante):
Oh Lady! – Les chats sauvages
Lonely, lost and sad – Sheiks
Le ciel est si beau ce soir – Richard Anthony
Chove – Conjunto académico João Paulo
Perdoname – Duo Dinamico
Derniers Baisers – Les chats Sauvages
Una lacrima sul viso – Bobby Solo
Johnny lui dit adieu – Johnny Holliday
Demain tu te marries – Patricia Carli
All my loving – Beatles
I can’t let Maggy go – HoneyBus
If you need me – Rolling Stones
Mr. Moonlight – Beatles
All my sorrows – Searchers
And I love her – Beatles
Happy together – Turtles
Tell me you are coming back – Rolling Stones
Le Penitencier – Jonnhy Holliday
Je suis parti – Christophe
Quand reviens la nuit – Johnny Holliday
La plus belle pour aller dancer (+ la la la) – Sylvie Vartan
Never my love – Association
Sounds of Silence – Simon and Garfunkle
Mrs Applebee – David Garrick
El final del verano – Duo Dinamico

terça-feira, setembro 05, 2006

A Guilhotina


Faltam uns 60 dias para o 21º Poço. Isto significa que temos de pôr mãos à obra, com estímulo e capacidade de mobilização semelhantes às que caracterizaram a festa que este domingo terminou, para presentear os nossos amigos com algo para além do dia bem passado.
Pensei num CD com algumas canções com que torturava o pessoal daquele tempo tocadas num giradiscos que parecia uma mala de viagem. É uma boa ideia, não é?
A verdade é que já está feita alguma coisa. Acabo de obter em guilhotina os papelinhos que idealizei para capa da nossa obra caracterizadora.
Não se admirem por ter recorrido a uma guilhotina. Não tem nada a ver com intenções relativamente aos membros da camarilha, apesar de entender que eles deviam ser julgados em praça pública pelo que nos têm destruído e planeiam destruir. Somos gente pacífica...
O recurso deveu-se ao facto de me ir evitar muitas horas de corte. Agora falta repetir a operação para a parte de trás onde estarão os nomes das canções. Bom, deem-me mais uns dias...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Regressos

São cada vez mais estranhos estes regressos quando apreciamos estar em determinado local e a nossa capacidade de adaptação diminui. Parece que fica aquela sensação questionada de vazio: “mas quando poderei para lá voltar nas mesmas condições?”.
Agora, há que preparar o terreno para o reinício de actividade que começa com exames e preparação das primeiras aulas. Não é fácil. Há uma catadupa de coisas e algumas parecem exigir mais esforço mental do que aquele a que vimos habituados...
Começa, agora, também, uma espécie de contagem decrescente para o 21º Poço. Eu prometi um segundo volume escrito, mas não estou com disposição para o organizar e produzir. O CD com canções esse é provável que avance, só falta fazer o índice e, depois, carregar no botão para gravar exemplar a exemplar. Mas não me posso deixar desviar para estas coisas (tão cativantes)...

sábado, setembro 02, 2006

Fraude no Expresso do Central

O Expressso que hoje adquiri no Central não trazia o UNICA em saco de plástico e dele tinha sido retirado o cartão de descontos (vinhos, restauração, etc...).
Feita a reclamação junto do Nuno, o mesmo informou que nenhum suplemento tinha chegado em saco de plástico o que sugere que, em alguma área de centralização, alguém poderá ter desensacado o dito.
A ser verdade, podemos estar perante uma fraude envolvendo grande parte dos leitores oureenses deste semanário... Imaginem o que vai acontecer quando for a oferta dos DVDs.
A derrapagem

Esta estória da derrapagem que o Castelo nos traz, faz-me lembrar aquela a que vamos assistir, daqui a uns tempos, quando se constatar que a obra prima em construção não corresponde minimamente à funcionalidade exigida de uma autarquia concebida em moldes modernos e numa perspectiva de servir o povo...

quinta-feira, agosto 31, 2006

A grande festa vai começar



E o PedroL já estacionou lá ao pé. Foi uma grande surpresa, mas não vos desvendo as razões...

segunda-feira, agosto 28, 2006

Mas onde pára a Rita?

Toca o telefone.
- É de casa da Rita?
- Não, não é…
- Queira desculpar.
Venho para o blog. Antes, contemplei a lua a descer em crescente sobre os castelos.
Volta a tocar o telefone.
- É de casa da Rita?
- Não, não é. Já há pouco lhe disse…
- Queira desculpar, não voltará a acontecer.
Que chatos!
Venho para o meu retiro e não consigo um mínimo de isolamento.
Depois, desconfio destes telefonemas. Acho-os maliciosos. Parece que querem se saber se está alguém em casa…

quinta-feira, agosto 24, 2006

Postais do Cavalo de Ferro

Pouco a pouco, o PedroL vai mostrando postais, fotografias, vai fazendo descrições da viagem.
O seu relato é calmo contrariando os nervos que nos acompanharam ao longo destes dias. Fala-nos das pousadas que organizam visitas e caminhadas para os seus utentes, fala-nos na conservação do património das cidades por onde passou.
E nós vamos comparando, querendo fazer a analogia...
É impressionante! O que uns fazem para conservar as suas coisas (às vezes mais humildes que o nosso depósito) e o que, em Ourém, a camarilha faz para as destruir...
O regresso do Cavalo de Ferro



Finalmente, após 4 semanas de separação, numa manhã sem nevoeiro, o PedroL regressou ao seio da família. Apareceu, mal as portas do comboio abriram. Emoções contidas, sentimentos presentes, foi contando as peripécias da viagem, designadamente, aqueles casos de pessoas organizadas para sacar dinheiro a viajantes incautos.
Quem não pára de olhar para ele é a Pipoca. Cheirou-o, cheirou a bagagem, mas manteve sempre uma distância reservada para não pensarem que dava muita confiança a seres tão inferiores.
Quanto ao PedroL, o desejo é o de repetir no próximo ano com novos destinos. Mas, para lá chegar, há agora uma caminhada difícil a cumprir.

terça-feira, agosto 22, 2006

À espera do Cavalo de Ferro

Ourém está de novo longe.
Há coisas por fazer por aqui. Preparar testes, por exemplo... mas como vou conseguir voltar àquelas matérias? Que horror!
A nossa última referência ao Cavalo de Ferro foi em Florença. Daí ele seguiu até Roma, onde parou dois dias e tentou a passagem para Madrid ou Barcelona. Mas os astros não quiseram arranjar bilhetes e virou para Paris de onde garantiu o acesso a Madrid.
Entretanto, recordo Ourém. Aquela avenida está um caos. Estacionamento, camionetas a circular de um lado e do outro, carros parados atravessados a atranvacar o trânsito, choques em cima das passadeiras. Isto contrasta um pouco com a zona do Central, um pouco mais devotada ao aquecimento em forno de pedra e desertificação. Mas deixou saudade...

sábado, agosto 19, 2006

3 semanas 3

Foi este o espaço de tempo passado em Ourém, desta vez. Terminado, há que dizer que quase não dei por ele.
Foi uma espécie de retiro.
Fechado em casa, procedi a pequenos trabalhos de manutenção e pintalgação. A tarde era destinada à sesta e a noite à contemplação das estrelas, do castelo e do caminho para o mesmo já que, iluminados, ao longe, criavam um ambiente majestoso (?).
O dia começava pelas 6.30 com a Pipoca a dar os primeiros sinais de acordar e querer companhia activa. Raspava as portas até os seus amigos se levantarem. Nos dias de maior calor, o trabalho ia pela noite fora para compensar a tarde perdida.
Três semanas em que não senti o tempo passar e, no fim das quais, sinto, curiosamente, o esqueleto mais direito e o braço mais musculado. Uma maravilha…
Agora, vamos esperar o cavalo de ferro.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Um susto no Cavalo de Ferro

Eu não vos tinha dito? Que isto do dinheiro trazia água no bico?
Claro, foi hoje.
Toca o telefone e surge a voz do PedroL.
- Pai, a máquina diz "out of credit". Não consigo levantar dinheiro...
Ninguém se lembrou da explicação mais simples. A conta tinha saldo, que poderia ser? O destino foi obviamente a CGD de Ourém onde se deparou com uma bicha de quinhentos.
- O melhor é ter paciência e esperar...
Mas o processo era lento e exasperante. No seu canto, o Skywatcher despachava como podia, mas o nosso destino era outro...
Quase duas horas depois, lá fomos atendidos. Em vão. O funcionário não estava dentro da matéria e remeteu-nos para a colega dos cartões...
Aqui, antes de se passar à acção, foi a inevitável defesa do cartão de crédito...
- Se vão para o estrangeiro, por que levam cartão multibanco?
- Ó senhora, na descrição do cartão, a CGD é peremptória quanto à funcionalidade. Ele pode fazer o que se pretende. Queremos perceber porque não a cumpre...
- Mas não paga nada pelo cartão...
- Não há cartões grátis. Ao fazerem isto aos miúdos estão a tentar fidelizar clientes...
Lá apelámos ao seu coração de mãe e actuou. Actuou e bem...
- O Pedro está a tentar levantar mais do que é possível por dia...
O malandro!
Se pudéssemos davamos-lhe uma sova frente a toda a CGD!
Mas ficámos tranquilos, respirámos. O PedroL já tem dinheiro para comer e iniciar o regresso...

quarta-feira, agosto 16, 2006

Borreguinho com batatas



Hoje, o Abelito fez anos: 68A, como é costume dizer-se para não haver dúvidas acerca da virilidade dos machos da família.
Por esta altura, nas festas das festas das terras do nosso concelho, aparece sempre o célebre carneiro com batatas. Mas há variações...
O Abelito é um ás em termo de culinária, por isso, brindou este seu devotado irmão com magnífico almoço de que a foto (desculpem a inclinação, o espaço era apertado) só documenta uma parte. O sabor estava divinal...
Sinais do cavalo de ferro

Mas que se passa com o PedroL de quem já não falamos há uns dias?
Como é natural, passou algum tempo no seu reino, na Croácia. Zagreb e, depois, Pula (?) serviram para abrandar um pouco o seu ritmo de deslocação. De Pula (?) disse-nos estar numa estância paradisiaca embora a praia fosse assim um bocadinho para o calhau duro e o frio se fizesse sentir.
Depois, passou à Eslovénia e daí já saltou para Munique.
Telefonou há pouco a falar de dinheiro. Imagino o que se avizinha...

terça-feira, agosto 15, 2006

A menina da pescadinha congelada

Sábado, vinha do Central para o local onde habitualmente estaciono. De repente, um velhote pára diante de uma montra, tira um papel do bolso, levanta a bengala que trazia na outra mão apontando-a para o ar e começa a ler em voz alta. O texto era mais ou menos assim:
Isto é uma confissão, não creiam que vou mentir, sinto uma nova paixão que não para de florir. Há uma loja em Ourém, com uma menina graciosa, é tão linda e, vejam bem, um bocadinho opiniosa. Tem uma carinha de anjo e uma voz bem pausada, fala em tudo e no arranjo da pescada congelada. Não paro de a ir ouvir, só pelo prazer de a olhar, ela olha-me intensamente, será que estou a corar? As noites são sofrimento e, imaginando-a noutros braços, aqui fica o meu lamento por não seguir os meus passos…
Depois, rasgou a folha e seguiu o seu caminho na direcção da igreja. Fiquei boquiaberto, mas ainda consegui apanhar alguns pedaços. Decididamente, Ourém está cada vez mais romântica e de um romantismo que não tem idade.

segunda-feira, agosto 14, 2006

The Rising Sun

O dia vai longo, distraí-me e o OUREM ficou para trás. São os percalços das férias.
Rising Sun tem muito a ver connosco por causa da House e pela tal casa virada ao Sol poente do Luís Nuno e do Avião.
Voltamos, assim, a uma canção do George que faz parte do álbum póstumo Brainwashed.
 

domingo, agosto 13, 2006

A banda do barracão

Alguns dias têm sido tão calmos, a quietude é tanta, apesar do calor, que temos sentido a tentação de estabelecer paralelos com a habitação na Parede.
- Com este sossego, só nos falta que a casa dos vizinhos de baixo seja habitada pelo Flautas e pela Cantora de ópera. Já imaginaste estar aqui meio adormecido e, do meio das árvores, sair a voz dela ou ouvirmos os acordes dele?
Este é um dos nossos privilégios na residência habitual: gozar das horas de treino de duas excelentes pessoas ligadas ao canto e à cultura. Algo bem desejável para aqui onde os diálogos dos tais vizinhos de baixo, em português vernáculo, não são passíveis de reprodução em blog.
Mas está estabelecido que, sempre que uso esta forma de chalaça, algo me cai em cima de um modo que me obriga a recordar dever ter mais cuidado.
A Dona Maria costumava dizer à sua netinha: “Quando eu morrer , esta casa será tua”. Na vida, as coisas quase nunca se passam como esperamos e a dita casa que tem enorme barracão acabou por ser vendida e já não é propriedade da netinha.
Na tarde de sábado, entretinha-me a pintar o gradeamento. Admirava aquele verde garrafa adquirido na loja de utilidades da Teófilo Braga, quando comecei a ouvir o som de uma bateria e uma voz:
- Um, dois…
Juntou-se-lhes um baixo e o som pareceu mais composto. Pouco depois, veio a voz em tom algo dilacerante. Não reconheci o tema. Qualquer coisa desses grupos novos que tocam mal, cantam mal e fazem a cabeça doida aos miúdos.
O ensaio durou horas. Sempre a mesma música. Comecei a lembrar-me que, um dia, também dei uma seca aos vizinhos com o Trans European Express, dos Kraftwork, desdenhosamente apelidado de Comboio lá em casa.
- Estamos tramados. Lá se foi o nosso descanso…
- Ontem, estávamos a gozar com os vizinhos e, agora, vamos ter de suportar este ruído. Qualquer dia, ainda trazem para aqui o 22…
E aqui fica a dúvida sobre como serão futuras estadias por aqui. A banda do barracão actuará à noite? Teremos sossego? São terríveis estes tempos onde a libertinagem tanto se confunde com a liberdade…

sábado, agosto 12, 2006

O creme de barbear

"Não há oureense que se preze
Que não use para a barba Gilette"
Esta máxima, em centenas de versões, é conhecida há mais de trinta anos. Fiel à mesma, utilizo sempre, como creme de barbear, o de marca Gilette. Gostava da sua espuma que me fazia lembrar o ritual de passagem pelas barbearias noutros tempos e o escanhoar era fácil.
Há tempos, notei a sua falta no hiper habitual. "Mas que é isto? Só há espuma, lá estão eles a querer comandar os nossos consumos". Isto aconteceu várias semanas, pelo que em idas a supermercados, andava sempre de olho alerta à procura do desejado creme de barbear. E eis que, no Intermarché de Ourém, deparei com algumas embalagens que logo tratei de açambarcar...
Comprei novas máquinas, daquelas branquinhas e amarelas que dão para mais de trinta vezes sempre com a mesma suavidade e vêm todas num saco.
“Agora é que vai ser…”.
Mas o primeiro barbear deixou-me desiludido.
“Raios. Parece que a máquina não consegue tirar o creme…”.
Experimentei várias máquinas e dava tudo o mesmo. Barbear imperfeito, o creme ficava na cara.
“Estas máquinas não prestam para nada. Como me vou agora livrar disto tudo se ainda tenho tantas? O melhor é levar duas para Ourém…”.
Assim foi. Duas das novas máquinas vieram para a santa terrinha e aqui foram utilizadas com o resto de um creme que já nem sabia a idade embora de embalagem semelhante aos adquiridos. Curiosamente, o escanhoar foi suave e perfeito.
“E esta, hem? Lá fui, de novo, embarrilado
O creme de barbear Gilette anda falsificado…”

sexta-feira, agosto 11, 2006

O terror das lagartixas



Eis a Pipoca apanhada em actividade de desinfestação do espaço vital. Reparem no seu ar feroz.
De qualquer forma, é capaz dos melhores sentimentos. Por vezes, pensa no seu amigo Mounty a quem quer desejar o melhor deste mundo e um rápido repovoamento do espaço anónimo na blogosfera.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Imagem do dia: um castelo quase lunar



Ourém, umas sete da manhã.
O cavalo de ferro continua estacionado em Zagreb, consta que em breve dará a volta.
Por aqui, a calmaria do costume. Agora fresquinho, mais logo a exigir cautelas...

quarta-feira, agosto 09, 2006

O rei da Croácia

PedroL, o rei da Croácia, acaba de chegar a Zagreb no cavalo de ferro.
Cumpre, assim, um dos grandes sonhos que o perseguia há uma série de anos, mais concretamente desde a guerra que se seguiu à desintegração da Jugoslávia. O PedroL está feliz e com algumas saudades de casa. Nós é que não deixamos de pensar nele e todos os dias fazemos por o seguir nesta aventura. E até a Pipoca olha para os confins, no horizonte...
Mas ainda faltam uns quinze dias.

terça-feira, agosto 08, 2006

Calor infernal



É impossível estar em casa. Os quarenta e tal da tarde encarregaram-se de aquecer as paredes e agora não há fresquinho que nos chegue. Apetece-me encharcar em água e permanecer na rua.
Não me lembrava desta Ourém. Os calores nocturnos terão ocorrido em tempo de praia, mais propriamente na Nazaré.
Olho lá para cima. Agora até o Castelo parece diferente com todas aquelas luzes como que a indicar o caminho. O que haverá por lá? Estará o calor daqui? Quantas aventuras por ali terão ocorrido em toda a nossa história? E romances? Existirá oureana que não tenha sonhado com o seu amado a partir daquelas muralhas?

segunda-feira, agosto 07, 2006

Dormir ao luar

Nestas noites cálidas, apetece-me transportar a cama para o exterior e tentar adormecer olhando estrelas no firmamento e sentindo à volta o cantar dos grilos, caladas que estão as cigarras com o anoitecer, o coaxar (?) das rãs que parece dizer “Arrã… Arrã.." e os ruídos mais ou menos indefinidos da bicharada que nos rodeia.
Não há coragem para tanto e os desejos ficam-se por uma daquelas cadeiras de estirar, mas onde as pernas estão caídas não nos dando aquela sensação plena da contemplação na horizontal e fazendo-nos recordar qualquer visita ao Planetário, mas aqui sem instrumentos de observação. As conversas são invariavelmente as mesmas, levam-nos ao mistério da criação, aos prazeres da juventude, à saudade de outros tempos… mas, apesar de tudo, sentimo-nos reviver.
Woman walking the line

O Jealous Guy calou-se naturalmente e vamos voltar à Emmylou. Ora oiçam...

Oiça "Woman walking the line" por Emmylou HArris

domingo, agosto 06, 2006

O cavalo de ferro chegou a Cracóvia



O PedroL anunciou a viagem e, hoje, já telefonou a dizer-se de visita ao castelo. Cá por mim, ele já tem é saudades da Pipoca e da comidinha da mãe. Mas o tipo não dá sinal de fraqueza. E continua. E ainda faltam quase três semanas...

sábado, agosto 05, 2006

E ao décimo quinto dia...



... veio, a cair das trémulas patitas, fazer o primeiro reconhecimento do terreno.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Cairá? Não cairá?



Não, meus amigos, não se trata do resultado de qualquer raide sionista sobre libaneses. A imagem veio da Melroeira e dura há bem mais tempo...

quinta-feira, agosto 03, 2006

Notícias do cavalo de ferro

Rumou de Londres a Amesterdão onde passou dois dias. Depois, o destino foi Berlim. Ligou há pouco, a fazer inveja, a partir duma cidade das redondezas a dizer que almoçava num restaurante tailandês (ez?).
Mas de que vale isso para este oureano incapaz de estar longe do castelo mais de uma semana?
Mas hoje tive receio. A contar com tudo a correr bem, eis que os artolas que monopolizam a distribuição da água se resolveram a cortá-la sem avisar ninguém. Isto não faz parte do código de comportamento deles, é demasiado esquisito, é dar excessiva confiança ao povo. Por sorte, foi pouco mais de uma hora, depois tudo retomou o ritmo normal.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Uma árvore de outro mundo

Mas andar a pé, em Ourém, pode também levar a descobertas sublimes. Como é o caso daquela árvore, frente aos bombeiros, do outro lado da avenida, cuja sombra, a determinadas horas, nos traz reconforto e frescura e contrasta com a feroz atitude da camarilha relativamente a estes seres, especialmente aos mais velhos.
Sim, velhos, se não estou em erro, esta terá aparecido por ali, lá para a década de cinquenta ou sessenta, lembro-me ainda...
Como escapou não sei, mas é importante registar a sua presença.
Hábitos

Na vida quotidiana, existem algumas coisas cuja falta só sentimos e avaliamos no momento em que se manifesta: exemplos, água e electricidade.
Começo agora a notar outras. Imaginem o automóvel. Imaginem que o põem na revisão ali no caminho para a Caridade e que regressam a Ourém a pé ou que vão ao Leitão (Veneza) tomar um café.
Já é desconfortável andar a pé sob este calor. Mas com aqueles passeios ou a ausência deles é quase aventura radical e a tender para o porcalhão. São as valas junto à estrada, é a erva que não é cortada, é a poeirada a emporcalhar tudo, é a própria velocidade dos carros que não atendem a que já estão dentro de uma povoação. Exitem pessoas que, na nossa terra, estão verdadeiramente desterradas.
Ourém nada tem melhorado em termos de condições de vida para a sua população. A camarilha passeia-se de automóvel e ar condicionado e não avalia as condições de deslocação de quem não usufrui desses meios. Talvez por isso digam que em Ourém se vive melhor que no resto do país. Claro, ignoram a existência dos outros...
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