quarta-feira, junho 06, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
É verdade.
Os ares de Ourém têm-me andado tão arredios que manter esta coisa sem o apetecido alimento é cada vez mais difícil.
E será Ourém solução? Hoje?
Talvez, se quisermos entoar o cântico dos deprimidos... ou praticar a fotografia da degradação... ou experimentar o poder mesquinho...
Mas o sentir aquela terra tal como ela era já não é possível.
Contemplo o que não vejo
Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.
Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
(Fernando Pessoa)
segunda-feira, junho 04, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
Vem, hoje, no Público em artigo de Sofia Branco:
Uma cidade amiga das crianças ouve as suas opiniões e deixa-se influenciar por elas. Possibilita-lhes a participação na vida da sociedade. Garante-lhes serviços básicos de saúde e educação. E também água potável e um ambiente não poluído. Respeita-as, protegendo-as da exploração, da violência e do abuso. As ruas oferecem-lhes segurança e há espaços verdes para brincarem e encontrarem amigos. Nessas comunidades, as crianças não são discriminadas consoante o sexo, a raça, a etnia, a religião, o dinheiro ou qualquer deficiência.
O conceito foi definido pela Unicef em 1996 e já existem 867 cidades amigas das crianças num planeta que é cada vez mais urbano. Só Espanha tem 49 dessas comunidades, com uma grande concentração na região da Catalunha. Ao contrário, Portugal não tem nenhum município "child friendly", na designação da Unicef. Ou melhor, não tinha. Hoje, o Governo assina um protocolo com as autarquias de Amadora, Aveiro, Cascais, Guarda, Matosinhos, Palmela, Ponte de Lima, Portimão, Póvoa de Varzim, Trancoso, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Viseu para que estas se tornem amigas das crianças. Durante um ano, estas cidades serão escrutinadas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e pelo Comité Português da Unicef. Se tudo correr bem, receberão o estatuto oficial de child friendly no final desse prazo.
...
E mais uma vez surge a questão: por que é que estas notícias nunca me chegam da nossa terra?
quinta-feira, maio 31, 2007
Ler uma acta das reuniões da câmara é uma espécie de viagem a meados do século passado. Não por causa dos protagonistas que são actuais, estão vivos e, felizmente, de boa saúde. Não por causa dos temas que, reconheço, são dos que mais afectam Ourém nos dias de hoje. Mas pelas referências utilizadas...
Consultem-se as duas últimas actas: 7 e 14 de Maio. Em qualquer delas a expressão "Excelentíssimo Presidente" aparece uma quinze vezes o que equivale a um pouco menos do que 50% das páginas úteis. Isto não é comum a todas as câmaras, nem é sequer um tratamento que o Presidente da República se possa orgulhar de merecer de quem a ele se refere.
Mas o presidente David deve estar muito feliz. É "excelentíssimo presidente" para baixo, "excelentíssimo presidente" para cima, "excelentíssimo presidente" para a esquerda, "excelentíssimo presidente" para a direita...
Porquê este sistema de referência ao presidente da câmara, arcaico, bajulador, respeitoso, ridículo até? Eu sei que não é o único sitio onde isto acontece. Também ridícula é, no mundo académico, a expressão "magnífico reitor". "Magnífico" porquê, se nem grandes resultados do trabalho apresenta? Até parece que se está a gozar com a pessoa.
Assim, seria produtivo que a câmara utilizasse alguns dos minutinhos das suas reuniões para rever o sistema de referências de forma a um indivíduo igual aos outros não estar para ali a ser adulado, a auto promover-se perante os outros, os comuns mortais, a populaça...
terça-feira, maio 29, 2007
Muitas vezes temos afirmado o nosso desacordo relativamente à política do Governo. Amanhã, fá-lo-emos mais uma vez.Não se trata de fazer cair o Governo, substituindo-o por um mais liberal do anedótico Mendes, mas de mostrar total desacordo relativamente a uma política de crueldade social e de empobrecimento generalizado da população portuguesa suportado na subida do desemprego e no crescimento da exploração (subida da produtividade), bem visível na explosão dos lucros da banca e nos elevados rendimentos dos que beneficiam com a situação.
segunda-feira, maio 28, 2007

Ontem, durante a tranmissão do jogo e do que o antecedeu, pareceu-me descortinar a concepção de serviço público que norteia as instâncias dirigentes.
Da reportagem da SIC, deduziu-se que durante mais de uma hora, milhares de pessoas estiveram esmagando-se umas contra as outras a tentar entrar num estádio para ocupar 35000 lugares. Os seus protestos foram evidentes. Essas pessoas acabaram por ser enquadradas pela polícia de intervenção por vezes com ar bem pouco amigável e cassetete na mão.
Começou o jogo. A transmissão passou para a RTP. Esta mostra o estádio com algumas clareiras e, na tribuna VIP, algumas dezenas de personagens, felizes da vida, que ninguém viu passar por aqueles apertos.
É assim o serviço que o actual governo (e como me custa dizer isto de um governo do partido socialista!), com uma maioria absoluta, vai impondo aos portugueses, nos mais diversos sítios. De um lado, a carneirada, mal servida, enquadrada pela polícia de choque pronta a bater ao menor protesto. Do outro um conjunto de privilegiados, alguns arguidos em processos de corrupção, que mostram uma qualidade de vida infinitamente superior.
Acontece no sistema de segurança social: os mais pobres cada vez mais pobres, as reformas douradas cada vez mais milionárias. Acontece no serviço nacional de saúde com quase total exclusão dos mais necessitados à consulta urgente, ao atendimento e com outros a poderem comprar esse serviço com a melhor qualidade. Acontece cada vez mais por todo o lado, mesmo num simples jogo.
A tendência não é para acabar com os privilegiados, mas para beneficiar cada vez mais um número muito pequeno. A imposição de uma espécie de escravatura e empobrecimento generalizado, com algum direito à palavra (desde que contida, como demonstra o caso Charrua). É preciso acabar com esta política!
sexta-feira, maio 25, 2007
Esta foto documenta o estado calamitoso em que encontrámos o nosso espaço em Ourém na última visita. Mas a verdade é que mesmo no mais indómito espaço uma flor pode esperar por nós.
É preciso voltar mais vezes para a erva não fazer estes estragos. Mas o tempo - económico e ambiental - não está nada convidativo.
quinta-feira, maio 24, 2007
Oração de vaidade
A queda para a arte está presente em múltiplas formas na família.
O Abelito é o mais produtivo com desenhos e desenhos que distribui generosamente por todos nós. Recordo, da juventude, a sua reprodução em papel cavalinho de uma magnífica capa do Mundo de Aventuras em que o Cisco Kid afagava suavemente o queixo da belíssima Lucy. A minha mãe não se cansava de o gabar.A Ana, por vezes, dedica-se à poesia. Temos inúmeras conversas sobre este tema e, há anos, consegui que ela dedicasse um poema ao Poço para abrir o primeiro volume do Ourém em estórias e memórias. E, como têm tido ocasião para apreciar, aqui pelo Ourem também se cultiva a arte.
Há uma característica comum em relação a esta família de artistas. Todos somos como que marginais em relação ao sistema. Ligamos muito a tudo o que fazemos, mas, fora do nosso círculo, ninguém nos liga nenhuma o que (aparentemente) não nos rala absolutamente nada. Isso, longe de nos diminuir, na sociedade actual, onde a arte é tão subserviente dos interesses dominantes, liberta-nos para produzir o que quisermos e permite-nos estar o tempo que nos apetecer sem nada produzir, permitindo simultaneamente profunda reflexão sobre as condicionantes do movimento artístico.
Enfim, desculpem, mas eu tinha que dizer isto...
quarta-feira, maio 23, 2007
Aquele é o único cacho de nêsperas que esta árvore com mais de 10 anos me resolveu presentear nos últimos tempos.
Acho-lhe graça porque nasceu por acidente colada à casa e encostada a um limoeiro (que também é avaro nos limões). Cresce, cresce, cresce sem qualquer químico a ajudar, mas dar um frutinho é raro.
Apesar de tudo, as nêsperas são uma delícia. Por isso, não posso deixar de vos ofertar a imagem de um momento que já não existe – deglutidos que estão os frutos...
terça-feira, maio 22, 2007
O Cavaleiro Andante voltou à estante de origem
- Luís, os Cavaleiros Andantes são teus. Pega neles e leva-os para tua casa.
Nem quis ouvir outra coisa. Pouco depois, estavam colocados no suporte por trás do selim da bicicleta e a caminho da casa do Largo de Castelo. Acompanharam-me para todo o lado. Agora, repousavam na cave da casa da Parede sem nunca os ver. Há dias, por causa de obras, foram parar dentro de uma caixa...
As obras entretanto cessaram e veio a ideia: "e se os levasse para Ourém, para a estante de onde os retirei há muitos anos?... será uma forma de reviver aqueles tempos, embora me faltem as pessoas e os locais..."
É verdade. Na minha casa em Ourém ainda está essa estante. Como podem apreciar é um estilo bem retro... foi tratada com "reparador" e ganhou uma tonalidade engraçada. Já ostenta algumas coisas antigas, especialmente livros e o rádio. A águia é bem mais recente, oferta de um amigo que todos os anos me goza com a história da águia depenada (e este uma vez mais...)
Quem sabe? Até gostaria de criar neste sala um espaço dedicado aos tempos de juventude. Pôr lá os inúmeros discos que ainda restam daquele tempo. Os EPs, os vinis...
Bom. MAs estou a desviar-me. O que podem ver é que, como pretendia, o magnífico Cavaleiro Andante voltou à sua estante de origem. Amareleceu, escureceu, ganhou inconfundíveis sinais de velhice, mas continua ostentar o sinal que semanalmente no Café Centrallhe era posto para garantir a reserva, continua a ser possível ver nele muitas das estórias e dos heróis que nos entusiasmavam. Há assim mais um motivo para voltar a Ourém...
segunda-feira, maio 21, 2007
Já nem pergunto “o que é que eles andarão a estragar?”, calcularão porquê, facilmente. Desço aquela inclinada estrada que nos traz da cidade dos arcebispos. E começam as minhas dúvidas: “são estes os autarcas amigos de Fátima. Tanta gente a pé, tanto peregrino quase no meio da estrada e nem lhes passa pela cabeça tratar dos caminhos que eles usam. Possivelmente é para os ajudar no sacrifício”.
Pouco depois, Ourém. Nos bombeiros, dou a costumeira espreitadela: “estará lá o grande chefe?”. Não estava, encontrei-o mais à frente, junto aos antigos Claras, quase em passo de corrida.
Depois, olhei na direcção da Câmara. Sinais de obras, onde se procede à construção do megalómano monstro amarelo, sinais que nos levaram lembranças de outros tempos...
“E o Sérgio? Estará na Som da Tinta? Deve estar para Porto Santo...”.
Continuo pela confusa avenida. Camionetas e carros por todo o lado. Malvado desenvolvimento! Tudo isto me diz cada vez menos.
Pouco depois, chego a casa. Ena! Que sinais de ausência. Ervas por todo o lado... pequenos arbustos pareciam couves... Como vamos conseguir passar? Nunca mais poderemos estar tanto mês sem dar assistência a isto...
Um dia ao ar livre a dar ao braço, depois de uma sardinhada saborosa. Um vizinho, dos bons, ajudou no corte da erva. Ao fim do dia, o corpo pedia descanso. Mas, quando lá voltarmos, já poderemos levar a Pipopca...
sexta-feira, maio 18, 2007

Talvez seja ocasião de rever a paisagem conhecida perto da cidade pequena (como agora vejo dizerem). Há alguma acalmia na pressão dos últimos meses, é possível começar, por um lado, a recordar, por outro a rever o percurso recentemente feito. Uma curta deslocação pode preparar uma maior estadia, embora não haja grande vontade de contemplar as feridas e aceder a viver com elas.
quinta-feira, maio 17, 2007

Aqui ao lado, no Castelo, discute-se porque razão não há o milagre de os empresários investirem em Fátima.
Poderia responder: por que deverão investir se nem o papa o faz, vindo cá?
Mas a minha resposta era demagógica. O papa tinha algo de mais importante a fazer. De acordo com a página online do Expresso, no blogue Humoral da História, "no final da sua visita ao Brasil, Bento XVI negou que a Igreja católica tenha evangelizado à força os povos indígenas na época da colonização da América".
quarta-feira, maio 16, 2007
Turvam-se-me os olhos de emoção sempre que a televisão me traz o caso da pequena Madeleine. Por vezes, sou incapaz de ver outro programa, alienado que fiquei em tentar saber o que se passou com a menina e desejando que ela apareça o mais cedo possível.
Este caso, com um ser tão pequenino, teve entretanto a particularidade de trazer ao de cima tantos elementos que caracterizam hoje a nossa sociedade. Senão vejamos:
- a dominante económica: ela veio ao de cima com as preocupações relativas às consequências para o turismo, com a campanha Allgarve; cínicamente, o início foi marcado por palavras neste sentido.
- a bondade tradicional dos portugueses: expressa em toda a solidariedade em torno dos pais, envolvendo-os em acompanhamento espiritual, por vezes procurando-os para lhes entregar objectos de culto.
- a solidariedade de figuras importantes: foi a grande surpresa fechado que estou no padrão de comportamento do sul da península; nunca me passou pela cabeça a possibilidade de alguém oferecer recompensas como aquelas que tenho ouvido falar.
- o oportunismo de pró-mediáticos: como é possível algum pretenso criminalogista vir tecer atoardas alto e bom som sobre a vida sexual de alguém num tom que não deixa dúvida e quase bate nos que o põem em causa?
- a exploração das audiências: dias e dias em que era deixada a ideia de que algo estaria para ocorrer que seria dito mais tarde e afinal, perto da meia-noite, a esperança esvaziava-se...
- a dificuldade de reação: a sociedade portuguesa, como sociedade aberta, tem de arranjar uma forma de responder iumediatamente a casos como estes ou mesmo de fazer mais para os evitar; a tradicional espera para ter a certeza, a mentalidade do “tomar conta da ocorrência” aqui estiveram mais esbatidas mas ainda são dominantes e isso não se pode manter perante a complexização de evolução da composição da população presente ou residente...
- a sobranceria britânica: como sempre, são os melhores, o que os outros fazem não presta; isto são resquícios do império, são ainda vontade de se impor à escala mundial... mesmo à custa de pseudo-verdades...
E fico por aqui, sem a preocupação me abandonar: será que vai aparecer hoje?Viva e cheia de saúde? Seria bom...
terça-feira, maio 15, 2007

Hoje, no Público, um aviso revela que o Banco de Portugal vai colocar em circulação uma moeda de colecção em liga de prata, com o valor facial de 8 euros, alusiva à "Passarola de Bartolomeu de Gusmão". Tal é motivo mais que suficiente para voltarmos ao que já se escreveu no Ourem sobre tão notável instrumento.
O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono! ...
(Álvaro Campos)
segunda-feira, maio 14, 2007
3 dias úteis, 3!Foi quanto me disseram que demoraria a chegar a Tavira uma singela carta em correio normal.
Claro... se pagasse mais 15 cêntimos, estaria lá no dia seguinte.
Não entendo esta gestão, já que de preços artificiais se deve tratar, mas, possivelmente, não é para entender. Há quarenta anos, as minhas cartas constantes para a cidade da moura encantada demoravam um dia apenas. Ninguém pensava em sobretaxá-las por causa disso.
Hoje, em que este tipo de envio perde importância relativamente à correspondência digital, anuncia-se um prazo de 3 dias... úteis! Que andará a carta a fazer entretanto? Estará a ser guardada por algum zeloso funcionário? Mas, assim, até deveria ser mais cara do que a que demora apenas um dia...
Será com estes prazos artificiais que os Correios constroem os seus fabulosos resultados? Utilizando um burrinho especialmente lento para levar a minha carta?
Imaginemos que estrategicamente eles definem a necessidade de subir os resultados. Será caso para dizer: não escreva... vá!
sexta-feira, maio 11, 2007
Estará na Cordoaria Nacional, Galeria Torreão Nascente até 24 de Junho.
Alguns cartazes são impressionantes pela cor e dimensão. Eis alguns exemplares roubados pela NET (fonte: sem-se-ver).
Colecção única em Portugal onde a maioria de exemplares é dada como desaparecida.
Um bom programa para o fim de semana...
quinta-feira, maio 10, 2007
Hoje, todos me recordam que é o dia da rosa. É talvez boa ocasião para voltar àquele tempo, ouvindo o incrível MAx em Rosinha dos Limões. Apreciem esta poesia de Artur Ribeiro:
Quando ela passa, franzina cheia de graça
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro
Lá vai catita, cada dia mais bonita
E o seu vestido de chita, tem sempre um ar domingueiro
Passa ligeira, alegre e namoradeira
A sorrir p’ra rua inteira, vai semeando ilusões
Quando ela passa, vai vender limões à praça
E até lhe chamam por graça, a Rosinha dos limões
Quando ela passa, junto da minha janela
Meus olhos vão atrás dela até ver da rua o fim
Com ar gaiato, ela caminha apressada
Rindo por tudo e por nada e às vezes sorri p’ra mim
Refrão
Quando ela passa, apregoando os limões
A sós com os meus botões, do vão da minha janela
Fico pensando que qualquer dia por graça
Vou comprar limões à praça........e depois caso com elaaaa!
Oiça Rosinha dos limões por Max
quarta-feira, maio 09, 2007

Em tudo isto, parece que a margem Sul do Tejo está a sofrer com o atraso na definição de interesses económicos agora já bem estabelecidos na alternativa dominante. Isto é, o que está em causa não é a melhor alternativa dp ponto de vista técnico para o projecto, mas aquela que melhor se ajusta aos interesses económicos em presença ou que gostariam de se afirmar ainda.
Mais uma vez, uma visão técnica é completamente ultrapassada pela económica, podendo esta convertê-la em boa ou má. Já nem sei se é mesmo uma questão de boa fé...
Deixa-te disso! - oiço-os gritar...
Têm razão. Eu vou-me, é preferível dar atenção a alguém que, com a sua pintura, em cada traço, simples mas preciso, nos traz poesia, sonho, erotismo... como o contemporâneo Alain Bonnefoit.
terça-feira, maio 08, 2007
Perante o êxito do Juventude, que saudamos, não podemos deixar de recordar um amigo, hoje estabelecido mesmo em frente ao seu histórico campo, ao lado da alfaitaria do Zé Penso, que tem monumental desejoso de ser recordado como um dos grandes guarda-redes da saudosa equipa do Atlético - embora o Manel não esteja pelos ajustes, mas eu confirmo que um defesa de prestígio o escolhia sempre para aquela posição.
Relembrar o Vitor, é voltar aos tempos do Fernão Lopes, às corridas pela enconta dos moinhos e à que apelidei equipa maravilha (ainda sem conhecer os feitos actuais). É também voltar ao mata-borrão, peça indispensável do nosso património estórico.
O Vítor é outro dos tais que faz com que valha a pena voltar a Ourém...
My God! Há quanto tempo não vou àquela terra... que se está a passar comigo? Será só culpa do senhor dos Prantos?
segunda-feira, maio 07, 2007
Olha que lindo porquinho
Ganhou ontem eleições
Língua grossa, mui toucinho
E satisfaz laranjões
E à noite na TV
Vai poder ver debate
Estarão lá todos bem se vê
Menos vermelho escarlate
Dona Fátima quer pensadores
Mas lá fez censurinha
O que eles têm é maus amores
a PC com gravatinha
Se tudo fosse em Ourém
Terra de Orelhas Moucas
Não admira final!...
Mas em Lisboa também
Mentes abertas tão poucas
Democracia vai mal...
sexta-feira, maio 04, 2007
É assim mesmo...
Então não queriam ficar, com todo o despudor, com o quadro que, por carolice e com todo o carinho, o homem tinha concebido e implementado? Sem um agradecimento sequer? É que já não se encontram pessoas destas...
Há alguns anos, quando trabalhava num centro de informática, passei por episódio semelhante. Viveram-se horas de terror na Shell portuguesa. O João Miguel, um operador de toda a confiança, tinha fugido com a banda dos salários...

Falta uma aulita para o fim de semana.
Corra bem ou corra mal, vou largar isto tudo: as autarquias, o ganda noia, o carmona, o eng., o david, a ota, o tgv, o ourem...
... vou entrar em contemplação... como aqueles que podem fazer o seu estágio de pintura no Moulin de Perrot.
Observem este Sauzet. Não é bem melhor que as reuniões da Câmara? Imaginem o Garanhão da Serra neste ambiente...
Afinal, o passo de gigante converteu-se em escorregadela inesperada. Se Carmona entende que está inocente porque deverá demitir-se? E, se se demitir, por que não arrastará a Assembleia? E se Mendes é tão escrupuloso com o que se passa com estes dirigentes locais por que continua a patrocinar atentados à liberdade e ao decoro político como o que se vê diariamente protagonizado pelo troglodita da Madeira?A jogada de Mendes foi perdida poucas horas depois de ter sido executada. Mas este filme mais ou menos divertido - enquanto os lisboetas não lhe sofrerem as consequências – vai prosseguir. O eng. Sócrates respira aliviado. Finalmente, deixaram de olhar na sua direcção. Pode continuar a enviar para o quadro de excedentes pessoas com sessenta anos ou quase. Pode preparar despedimentos na função pública até equilibrar o que falta do défice. Neste momento, Mendes e Carmona são aliados objectivos da política reaccionária do Governo (embora nem outra coisa fosse de esperar...) pela desfocagem que provocam nas pessoas relativamente à questão principal.
Entretanto, por Ourém, o lobby da Ota ganha posição...
quinta-feira, maio 03, 2007
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
(Fernando Pessoa)
quarta-feira, maio 02, 2007

Já está confirmado. Em Junho do ano corrente, estaremos na CISTI 2007 à qual submetemos um paper sobre “deformações tipo dos serviços de informação autárquicos” o qual será apresentado na conferência e publicado nos seus proceedings.
A CISTI é uma conferência ibérica sobre sistemas e tecnologias de informação e, este ano, realizar-se-á no Porto, na Universidade Fernando Pessoa.
No paper que apresentaremos defendemos a ideia de que os serviços de informação autárquicos, quando se desenvolvem de uma forma casuística, o fazem através da auto-geração de deformações tipo. Uma deformação tipo é algo parecido com o seguinte: imaginem uma pessoa com um braço económico muito longo e um braço cultural muito curto e imaginem o seu simétrico. Os portadores de deformação nesse eixo podem ser colocados ao longo do mesmo, situando-se ao centro os sem braço económico e sem braço cultural, curiosamente mais parecidos com qualquer dos extremos do que estes entre si. No documento, estaremos fundamentalmente interessados nos que estão perto dos extremos.
E agora a questão: terá Ourém condições para ser considerada caso digno de nota ou perder-se-á no centrão? A resposta será dada entre 21 e 23 de Junho...
terça-feira, maio 01, 2007
Hoje, celebra-se mais uma vez o 1º de Maio.
Em Ourém, não existe uma grande tradição de luta por melhores condições de vida ou por uma sociedade diferente. Mas, desde há muitos anos, existe um acto em que os bombeiros homenageiam com uma romagem ao cemitério os seus companheiros desaparecidos.
Este enquadramento lembra-me o Julito que, certamente, hoje esteve nessa romagem. É um amigo com raras qualidades de comando e um trato extremamente afável. Também com ele, anualmente, em Novembro, temos feito uma romagem de homenagem aos nossos amigos desaparecidos.
O seu trato, o seu carisma, a sua capacidade organizativa têm mantido vivo o encontro anual conhecido por “o Poço” onde recordamos a nossa maltratada terra e o que lá vivemos, fazendo-nos sentir tão mal perante o seu aspecto actual.
É assim a Ourém actual: um espaço cada vez mais descaracterizado, mas onde se encontram algumas pessoas que nos dizem muito...
segunda-feira, abril 30, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007

Deixo-vos com a arte de George Briata.
quinta-feira, abril 26, 2007
Parecia um Presidente incomodado.
Compreenda-se...
Não está em causa a sua aceitação dos valores democráticos, mas...
Antes do 25 de Abril já era um técnico prestigiado. Chegaria, com facilidade, a governador do Banco de Portugal. Ou subiria com toda a justiça na hierarquia do Ministério das Finanças...
Mesmo sem o 25 de Abril, poderia ser Ministro das Finanças.
Ascenderia, sem dúvida, a Primeiro Ministro.
Poderia governar mais quarenta anos. Fazer o que quisesse. Sem oposição, sem buzinão, sem contestação...
Talvez por isso só se lembrou dos jovens de sucesso, deixando de lado os que, por menor capacidade a algum nível, alimentam o exército de desempregados ou as empresas de mão de obra barata com contratos sem qualquer tipo de vínculo ou garantia e são uma permanente chaga social à vista que gostaria de ter.
É o que resulta quando o conceito se reduz à inclusão dos excelentes.
quarta-feira, abril 25, 2007
Aqui posto de comando...O 25 de Abril foi um dos dias mais felizes da vida deste permanente descontente. Pelo que foi desejado e pela humilde participação a partir da EPAM.
Hoje, 33 anos depois, deixamos aqui uma marca que testemunha essa inapagável ligação, permitindo ainda o acesso a vinte posts que, sobre o tema, trouxemos em anos anteriores.
terça-feira, abril 24, 2007
A árvore onde a ave tem o seu ninho é uma palmeira com alguns anos cuja altura já atinge o de um segundo andar e está a escassos metros da habitação de onde a foto foi tomada.
Sendo em plena rua, o comportamento da câmara não tem sido impecável, pois sistematicamente os ramos da palmeira agridem janelas e telhados da habitação e a atitude dos serviços da autarquia é de enorme inércia e não resposta. Apesar de tudo, a árvore é limpa quase todos os anos e o seu aspecto é imponente.
A ave já é nossa velha conhecida. Neste momento, choca dois ovinhos que poderíamos observar se fosse divertir-se a esticar as asas, mas ela é uma notável protectora. Já viu a Pipoca e não quer abrir guarda...
Seria esta cena possível em Ourém? Do que conheço, penso que a ávore já estaria cortada, a ave estufada e os ovos escalfados para prazer de presidente...
segunda-feira, abril 23, 2007
O desempenho de Marques Mendes nos últimos tempos está muito longe de brilhante: o seu aproveitamento oportunista do caso de engenharia académica da Independente deixou muito a desejar; o seu comentário à eventual aproximação de Pina Moura da TVI é disparate completo; ontem, em Espinho prometeu, num contexto de vitória eleitoral em 2009, uma aproximação ao rendimento médio da UE, a partir do racio actual de 70%, mais ou menos nos moldes seguintes:
Há que encontrar uma nova forma de governar para Portugal, temos que ser ambiciosos e colocar como meta do nosso futuro governo pôr o país a crescer pelo menos a três por cento ao ano e comprometermo-nos a que em 2013, no final da nossa legislatura, o nosso país tenha um rendimento de 80 por cento da média europeia.A verdade é que umas simples contas demonstram que isto é impossível. Vejamos:
- se a UE crescer a 2% ao ano, seria preciso Portugal crescer à taxa de 5,47% para cumprir a promessa;
- se a UE crescer a 1% ao ano, essa taxa desceria para 4,43%;
- se a UE não crescesse, Portugal teria de atingir 3,4% ao ano bem superior à baliza de 3%.
Portanto, só num cenário de crescimento negativo da Europa, a promessa seria exequível.
O homem está tonto de todo.

Olá.
Decidi reaparecer para vos falar da conjuntura. Não que esteja muito preocupada com o destino da Ségolène ou com o cartão que acompanhava a prova do engenheiro ou mesmo com a necessidade de mais flexibilidade no mercado de trabalho preconizada pelo barão do BP que, roto de mordomias, não acerta uma previsão...
Andam para aqui obras de deitar a casa abaixo com todos a viver cá dentro.
Eles não se queixam. Saem quando querem, vão dar uma volta e eu que fique aqui a controlar as operações.
Tiveram o desplante de colocar esta horrorosa manta de trapos (ainda por cima azul) debaixo das minhas delicadas patas.
Mas eu vou-lhes dizer...
sexta-feira, abril 20, 2007
Desterrado

"O desterrado", uma escultura de Soares dos Reis
É um pouco como me sinto aqui tão perto, mas há tanto tempo. Ourém, a Ourém que vivi, a ser paulatinamente destruída e desfigurada num falso e inenarrável processo de desenvolvimento. Olhos que não querem ver de tão solidários que são com os interesses dominantes.
Eu, afastando-me, sem vontade nenhuma de continuar a assistir... mas sem conseguir largar o passado...
quinta-feira, abril 19, 2007
Eis mais uma deliciosa serigrafia de Pablo Picasso, datada de 1952, que nos faz reflectir na extrema semelhança externa entre inocentes animais e alguns humanos que, por vezes, de couchon nada têm de petit.
Aqui fica um post para os amigos oureenses tentarem identificar semelhanças que se encontram por tão perto...
quarta-feira, abril 18, 2007
Ontem deu-me uma de contemplar serigrafias. Perto do local de trabalho, existe o Centro Português de Serigrafia e uma exposição de 15 trabalhos de Picasso chamou-me a atenção.
Os preços assustaram-me um pouco pelo que a abordagem prosseguiu na Internet na infrutífera tentativa de descarregar algo para o computador. As gravuras disponibilizadas são excessivamente pequenas e, por vezes, com imagem distorcida para evitar estes pequenos roubos.
Virei-me então para terras gaulesas e, pouco depois, contemplava embevecido esta “A mulher do Jarro”:
A abordagem continuou, agora sem preocupações de preços e por um mundo que me fascinava. Eis algum espólio resultante da recolha que demonstra ter sido uma tarde mais produtiva do que as manobras de engenharia académica oriundas da Independente.

terça-feira, abril 17, 2007
Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
(Álvaro Campos)
segunda-feira, abril 16, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
quinta-feira, abril 12, 2007
Parece que vão destruir toda a rua de Castela para fazer prédios mais altos e garantirem estacionamento a um Centro de Saúde de funcionamento cada vez mais restrito e problemático. Até pagam indemnizações. Os actuais habitantes vêem-se por ali sufocados por construções recentes que acabaram por abafar, escurecer e matar a rua.
Prevêem-se novas negociatas...
Há trinta e tal anos, a Melanie sentiu-se tramada por o que alguém lhe fez à sua canção. Eu ainda estudava e, nas instalações da cantina e da associação de “económicas”, tantas vezes se ouviram estas palavras (e aquela voz):
Look what they done to my song ma
Look what they done to my song ma
It was the only thing that I could do half right
And it's turning out all wrong ma
Look what they done to my song
Look what they done to my brain ma
Look at what they done to my brain
Well they picked it like a chicken bone
And I think I'm half insane ma
Look what they done to my song
Oh I wish I could find a good book
To live in
Oh I wish I could find a good book
Well if I could find a real good book
I'd never have to come out and look at
What they done to my song
Ils ont change ma chanson, ma
Ils ont change ma chanson, ma
C'est la seule chose que je peux faire
Et ce n'est pas bon, ma.
Ils ont change ma chanson.
Maybe it'll all be all right ma
Maybe it'll all be OK
Well if the people are buying tears
Then I'm gonna be rich someday ma
Look what they done to my song
Look what they done to my song, ma
Ma Ma look look what they done to my song
You know they tied it up in a plastic bag
And they turned it upside down ma
Ma Ma look at what they done
Won't you look at what they done
Look what they done to my song.
Oiça "Look what they have done to my song" por Melanie Safka
quarta-feira, abril 11, 2007
sexta-feira, março 30, 2007
Não queria ir para fim de semana sem deixar algo para os amigos oureenses. Os últimos tempos têm sido de relativo abandono, o trabalho aperta muito, mas aqui fica algo que dizia muito ao pessoal da Ourém do meu tempo:
To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven
A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep
To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven
A time to build up,a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones, a time to gather stones together
To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven
A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace, a time to refrain from embracing
To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven
A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time to love, a time to hate
A time for peace, I swear its not too late
Oiça "Turn, Turn, Turn" pelos Byrds
terça-feira, março 27, 2007
As respostas não forma muitas como podem ver no gráfico e atenderem à mancha azul. Cerca de 50% das câmara do distrito de Évora responderam e mais de 5% negaram o desenvolvimento de competências por essas via.
Alternativamente, cerca de 12% das câmaras do distrito de Leiria garantiram ter procedido a tais acções à totalidade dos funcionários referidos envolvidos. Algumas câmaras de Aveiro (10%), Faro e Santarém parecem seguir este procedimento.
domingo, março 25, 2007
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(Alberto Caeiro)



