quarta-feira, julho 11, 2007

Este escapou à voracidade do JOE



Eis uma bela peça de arte contemporânea que não foi parar às mãos do Comendador. Apreciem a sua cor, o tom verde e leitoso das águas. Apreciem a calmaria aparente que a proximidade das casas quase submersas desmente. Reparem em quão difusa é a representação: pode lembrar a região amazónica, mas, se nos disserem que os seus actores tiveram origem na Ásia das monções, acreditamos e poderia até provir de um dia de cheia na ribeira de Seiça no terceiro quartel do século passado. É este carácter global que caracteriza o espírito do artista contemporâneo.
O JOE pode ter muito dinheiro. Pode ter o Centro Cultural de Belém nas mãos. Pode correr com o Mega. Pode ter a vassalagem da classe ministerial. Mas não tem esta obra a qual, neste momento, enriquece a casa dos meus fantasmas. E eu não a largarei por nada tal o respeito que tenho pelo artista.
Por isso, a partir de agora, seguindo o estabelecido por sua Excelência o ministro Sócrates, o roteiro de arte contemporânea não se inicia em Belém, mas em Ourém...

terça-feira, julho 10, 2007

O Contestável

BIMBO me confesso em relação ao que por ali se diz quanto ao centro histórico de Ourém. Não que partilhe esta designação - em Ourém, hoje cidade, houve vários centros que contribuiram para a sua História e, se não pode esquecer-se esse local, não deverão esquecer-se os centros de Castela, dos Álamos, de Santa Teresinha... - mas pelo facto de considerar que este local, bem como os que atrás referi, deveria ser objecto de um plano de recuperação e preservação em vez de estar votado ao triste destino que a Camarilha lhe vai preparando.
Vem isto a propósito de um desafio posto em comentário para ver um novo blog. Vi três posts de contestação e um de apresentação. Quanto ao último, achei-o muito bem elaborado e cheio de boas intenções. Parece-me de alguém que terá passado por experiência não muito diferente da minha em Ourém e que, como tal, padece das mesma apreensões. Quanto aos restantes, eles contestam o calçadão do Central, a ausência de apoios ao Juventude Ouriense e a política de (in)cultura da câmara. Estou de acordo com eles, com excepção da designação sistemática de "BIMBOS" para os incansáveis autarcas. Com efeito, o presidente David não é BIMBO, ele é uma espécie de "Exterminador Implacável" em relação à nossa terra e ao seu património urbano e histórico com uma pequena nuance: sempre que pode aproveitar para beneficiar interesses de Fátima, ele não hesita, daí o abismo quando comparamos a atitude perante o Juventude com a atitude perante o Fátima. Frazão também não é BIMBO: não lhe conheço grandes feitos na autarquia, mas reconheço, em analogia com Rantanplan, o cão mais estúpido que a própria sombra, que ele deve ser o autarca mais fotogénico que a própria sombra, o autarca que conseguiu manobrar engenhosamente para chegar à concelhia do PSD. Moura será tudo menos BIMBO: perdeu relativamente a Frazão, mas não me parece pessoa para ficar parado. Finalmente, Piedade... temos que saber perdoar algumas insuficiências que eles têm... efectivamente, a política cultural da autarquia deve seguir a cultura motoqueira, é isso que lhe dá votos. Bimbo, ele? Não, apenas está a fazer pela vida.
E pronto, caro Constestável, estas são as primeiras impressões sobre o novo blog, a que desejo muita força e muitos anos de vida... e vou já actualizar os apontadores.

segunda-feira, julho 09, 2007

A sesta da Pipoca






Que importa que a cadeira não seja de qualidade?
Que importa estar rota?
Com este calor, neste ambiente ainda não totalmente degradado, só apetece descansar...

terça-feira, julho 03, 2007

Existirá uma política de ambiente na câmara de Ourém?


As palavras constantes sobre o ambiente, a proximidade do LiveEarth têm-me transmitido esta preocupação. Ontem, esperava num centro comercial e deparei com esta declaração:
A (nome da organização)
Reconhece que a sua actividade, tal como todas as actividades humanas, tem impactes no ambiente.
Acredita que, nos dias de hoje, um líder de negócios tem igualmente que ser um líder nas questões relacionadas com o ambiente.
Tem como objectivo constituir exemplo no sector imobiliário conjugando o desenvolvimento económico com o desenvolvimento ambiental, potenciando assim a rendibilidade dos seus negócios.
Reconhece que, no âmbito das suas actividades, tem a responsabilidade de ser proactiva no desenvolvimento do ambiente para as gerações actuais e futuras.

Ao seu mais alto nível, assume publicamente um compromisso ambiental, que se baseia nos seguintes princípios orientadores:

Utilizar progressivamente a Eco-eficiência como um dos referenciais de gestão e de competividade.
Conceber, implementar e operar os Centros Comerciais e de Lazer de forma ambientalmente responsável.
Melhorar de forma contínua o desempenho ambiental dos seus empreendimentos, produtos, processos e actividades.
Assegurar a conformidade com a legislação ambiental e outros regulamentos ambientais aplicáveis, adoptando padrões responsáveis nos casos em que a legislação seja omissa ou inexistente.
Definir um quadro de objectivos e metas ambientais, incluindo:
->Melhoria da Informação Ambiental;
->Valorização dos Recursos Ambientais;
->Prevenção da Poluição e Redução das Emissões;
-> Promoção, Divulgação e Participação dos Agentes Envolvidos.
Assegurar que esta Política de Ambiente se encontra documentada, implementada, mantida e comunicada a todo o pessoal e agentes envolvidos.
Assegurar activamente a Divulgação e Promoção da Política e, em especial, dos seus resultados, ao público em geral, e aos agentes envolvidos.
Aprovado pelo Conselho de Administração em 19 de Maio de 1998
Revisto em 2005
Lembrei-me então da nossa câmara. Do presidente David. Não duvido que o ambiente o preocupe. Mas até que ponto é que isso se manifesta na actividade da autarquia? Até que ponto é que pôs em prática a promessa eleitoral de implementação de uma Agenda XXI Local? Se tal acontece, com certeza isso se reflecte na página da autarquia...
Consultei a página...
... nem uma referência à questão ambiental, nem uma vírgula sobre a localização dos ecopontos, Agenda XXI totalmente esquecida...
Eis como uma organização cujo objectivo essencial é a procura do lucro dá uma lição de sustentabilidade a uma organização cuja missão é servir o munícipe.
E por que não o referendo?

Será que os portugueses estão contentes com a integração europeia? Se estão, não há que ter receio, votarão com toda a naturalidade na continuação do processo. Mas, se não estão, não me parece legítimo que se ignore a sua posição e se obrigue os mesmos a irem por um caminho que não desejam só pelo facto de uns iluminados entenderem que esse é o melhor caminho para o país (lá está, a classe dominante chega ao poder e define o seu interesse como universal...).
Poderá ser desastroso o resultado de um processo eleitoral nesta fase? Mas não será pior provocar o desastre mais tarde?
Confesso que não percebo as dúvidas sobre a legitimidade do referendo. Ou melhor, percebo, há o receio de que não seja vencedor e obrigue a rever tudo. Mas o que é isso para os arautos da liberdade e da democracia?
Não me confesso grande admirador dos resultados que a integração europeia teve para o nosso país. Com excepção da rede de autoestradas e da articulação ao nível do ensino superior (embora me comece a parecer que o processo de Bolonha se vá traduzir num empobrecimento dos licenciados em termos de formação, tão apressado foi no nosso país), essa integração levou a consequências negativas na agricultura e pescas, não teve os efeitos esperados a nível de turismo, catalizou os processo de corrupção, criou uma mentalidade de facilidade e de consumismo, influiu decisivamente no crescimento das desigualdades. Hoje, continua a produzir efeitos, ao trazer conceitos como o da flexigurança, cuja aplicabilidade no país, por incapacidade financeira, é bem duvidosa, havendo todas as razões para suspeitar que se traduzirá em muita flexibilidade e pouca segurança, isto é, em mais desemprego, se tal ainda é possível, e portanto tornando a relação salarial ainda mais selvática.
Apesar da minha desconfiança em relação à integração europeia, não vejo hoje grandes alternativas para o país, tal a abertura ao exterior em que este está envolvido. Portanto, sou uma espécie de europeísta tímido. Mas isto não significa que rejeite a realização de um referendo sobre a continuação do processo, bem pelo contrário, creio que ele seria bem clarificador numa altura em que o país já se apercebeu que não é facilmente que vai ter os salários europeus apesar de ter a moeda europeia e, cada vez mais, consumir produtos importados...

segunda-feira, julho 02, 2007

Mais um candidato a ditadorzinho


Já não nos chegava a cambada de delatores que povoam o partido do Governo e lhe fazem chegar as provas dos crimes no Porto, em Vieira do Minho e, com certeza, por outras partes do país. Já achávamos pouco ao autoritarismo de sua excelência, o primeiro ministro.
Agora, percorro as ruas de Lisboa em direcção ao trabalho e sou mimoseado, 33 anos após a "terra da fraternidade" onde "o povo é quem mais ordena", com uma proposta destas. Não é gaffe com certeza. É Negrão em toda a sua pureza...

sexta-feira, junho 29, 2007

Adeus, ó terra do dragaüm


Desci os Aliados de malas na mão. Pouco depois, o interior da magnífica (e degradada) estação de São Bento estava perante mim. A espera pelo comboio foi fria e desagradável. Por toda a parte o nosso país é assim. Gastador inveterado em obras de fachada, mas incapaz de criar um pouco de comodidade para os que utilizam os serviços públicos, apesar de nos mesmos desperdiçar rios de dinheiro.
O comboio veio por ali abaixo e eu revia os dias passados. Gostei daquela gente. Simpáticos, acolhedores, muito diferentes da imagem que a alienação colectiva do desporto profissional nos transmite. Igualmente explorados, embora conseguindo manter um cunho de tradicionalismo difícil de encontrar noutros locais e, nesse contexto, preservando algumas actividades antigas.
E, agora, voltemos ao trabalho...

quinta-feira, junho 28, 2007

Encontros imediatos de dragaüm

Passeio-me pela cidade.
Tinha um objectivo bem definido com coordenadas estabelecidas a partir de um recorte de uma reportagem do Expresso de há alguns meses. Mas a necessidade de aliviar papelada e bagagem fez com que me esquecesse desse precioso auxiliar. Recordava qualquer coisa como Rua Nova do Almada, banda desenhada, Retro, mas a cansada cabecinha já não ajuda. Um circuito de autocarro despertou mais umja possibilidade: rua da Conceição. Depois, o percurso das livrarias acabou por ajudar.
- Suba esta rua e vá até à praça. Vire à direita, tomando a rua José Falcão e percorra-a até ao fundo. Quando lá chegar, é fácil de encontrar...
Assim fiz. O Porto está transformado em estaleiro ao que me disseram para repor os circuitos de eléctricos. Não foi fácil chegar lá. Mas, a certa altura, estava na rua da Conceição, 32 e frente aos meus olhos surgiram aquelas figuras que me acompanham desde os quatro ou cinco anos: o Timtim, o capitão Rosa, o Professor Pintadinho e a RomRom (podem não ser os nomes por que os conhecem, mas estes foram os primeiros que o regime determinou que lhes atribuissem...).

TimTim por TimTim! Um projecto de um licenciado em Matemática que encontra aqui o "segundo emprego". Horas a fio de espera, avaliação, conversa com clientes. Uma loja única, talvez a única que sobrou de tantas que existiram para receberem a banda desenhada que possuíamos e já não queríamos, permitindo-nos trocá-la por outra para voltarmos à leitura. Um espaço magnífico.

A autorização para fotografar foi imediata. Era o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante, o Condor Popular, o Mosquito, tudo a desfilar frente aos meus olhos como se tivesse recuado no tempo. A conversa decorreu facilmente...
- Cada Cavaleiro Andante vendo por 2 euros e meio. Mas não compre assim. Compre os primeiros oitenta que são talvez os mais difíceis e vá continuando a colecção. Ainda há dias acabei de vender uma ao Pacheco Pereira...
O maroto do Pacheco Pereira que se gabava no blog de a ter completa já há uns dois anos...

Ali passei um bom bocado e só a limitação do cartão de memória fez com que não captasse para os amigos oureenses outras preciosidades...

quarta-feira, junho 27, 2007

Fascínio de dragaüm

Dizem-me que um senhor do dragão, um apaixonado da grande música, quis construir um espaço onde pudesse desfrutar esse prazer. Para isso, obteve apoios do poder político, mobilizou as parcas posses das empobrecidas massas populares e, após grandes derrapagens de prazos e finanças, a obra viu a luz do dia.
Não foi egoísta. Permitiu a sua frequência pela plebe, embora os grandes acontecimentos fossem moderados pela capacidade de cada um.
Lá dentro, avisaram-me desde logo que as visitas guiadas tinham terminado. Tinha chegado demasiado tarde apesar de me ter parecido três estaçoes de Metro antes que elas se realizariam hora a hora por todo o dia. Mas permitiram-me uma visita em livre circulação. Que também aprecio muito.
Fui por ali dentro portador do fascínio que o lugar em si me trazia. Espreitei. Apreciei. Uma porta entreaberta convidava a entrar e não deixei de o fazer. Cheguei a um enorme auditório. Lá ao fundo, três jovens ensaiavam alguns sons que enchiam o espaço


Deixei-me estar por ali. Tudo parecia que me pertencia pois não tinha concorrência na audição. Sozinho contemplava embevecido e o som descansava-me da caminhada feita até àquele momento. O que gastara para ali chegar, o que o motivara, já não era importante. Desde o primeiro dia, eu tinha querido estar ali e finalmente parecia que aquele espaço me pertencia completamente.

terça-feira, junho 26, 2007

Do sino do dragaüm ao chafariz oureano



Noutros tempos, este sino chamava os fiéis servos do dragão para rituais litúrgicos ou para a resistência ao invasor. As estórias de dedicação e bravura são imensas.
Hoje, a liturgia já não é tão apelativa e os vizinhos são mais pacíficos. Os chamamentos tornaram-se menos intensos e foram substituídos por convites à sardinhada e ao desfrutar de música popular. O sino que se ouvia no Bulhoum, na Trindade, nos Loios, nas Fontainhas, na Ribeira perdeu a sua função. Foi apeado da formidável estrutura que o suportava e repousa no cimo desta escadaria na Sé. Tornou-se documento histórico.
O chafariz da nossa criação, em Ourém, teve um destino bem mais triste. Jaz, abandonado, no estaleiro que rodeia as ruínas da casa do Administrador...

segunda-feira, junho 25, 2007

O OUREM na cidade do dragaüm

Livre das obrigações académicas, esta passagem transformou-se numa agradável surpresa. E não foi durante pouco tempo, acreditem.
A conferência era de âmbito tão amplo que assistir às contribuições de outros era uma espécie de sacrifício insuportável. Ainda tive a sorte de ter umas quinze pessoas a assistir, mas houve casos em que eu era quase o único presente. E houve muitos casos em que quem tinha a obrigação de apresentar nem sequer apareceu. Feio, mito feio...
Assim na sexta-feira, dei por mim a vaguear pelo Poêrto. Uma verdadeira cidade repositório de comércio e profissões de há uns cinquenta anos. Uma maravilha... ao contrário do que nos fazem crer as reportagens sobre a claque do famigerado FCP, as pessoas eram de uma simpatia e suavidade de trato extremas. As informações surgiam com toda a facilidade, às vezes acompanhavam-nos aos sítios.
O sistema de transfortes é bom, embora de informação mal elaborada e deficiente. Entra-se na estação de Metro e, sem se dar por isso, estamos em transgressão e com os carrascos em cima. O maquiavélico Rio adjudicou a uma empresa privada o controlo de utilização pelo que apanhar uma multa e aguentar um processo é um destino muito provável.
A festa de São João foi espectacular. Não pela devoção ao santo já que ninguém se lembra dele, nem de abrir a igreja, nem de ter uma imagem para venda. Mas pela festa em si, quase pagã... no local onde estava, ainda vi parte do concerto do Cid. Está em boa forma, mas é uma pessoa muito estúpida e mal educada como o demonstram referências que faz a outros especialmente à “mulher espanhola”. Esquecido isso, a passagem pela Ribeira nessa noite foi inesquecível e coroada de marteladinhas, suaves marteladinhas na cabeça ofertadas por dragões e lindas dragonas de gema...
Já se ouve cá em casa: “pró ano, quando lá voltarmos...”.

segunda-feira, junho 18, 2007

70000

Isto está difícil.
Parece que os meus amigos não me querem fazer chegar às 70000 visitas (metade das quais, minhas...). Ainda agora deve estar para aí algum contemplar o 69999.
Mas nem sei que vos diga.
A ladaínha da falta de inspiração? Não vale a pena, já a conhecem...
Os redobrados apelos ao comentário? Para quê? Os meus amigos gostam de passar e ver...
As promessas de continuação até à centena de milhar? O blog ficará, o escriba é que não sei...
Formigueiro miudinho

E chegámos à semana da CISTI 2007...
Quarta-feira, faremos a aproximação à cidade do dragão. Quinta, lá para o meio da tarde, diremos da nossa justiça acerca das deformações dos Serviços de Informação do poder local. Ourém será exemplo. Pombal e Tomar também...
A apresentação até está engraçada, mas, como calculam, não a posso divulgar. Se quiserem, vão até lá, paguem o ingresso, pois o pessoal precisa de fundos...

sexta-feira, junho 15, 2007

Ingenuidade




E, para completar a última colheita no baú oureense, apreciem esta gravura de um "diploma" conferido pela Sociedade Protectora dos Animais" lá para os anos 30 do século passado.
Encontrei-o um dia que vadiava, abrindo e fechando gavetas, pela casa dos fantasmas.
Os desenhos - gatos, cães, veados,... - pela simplicidade e perfeição são engraçadíssimos. A motivação também: alguém foi declarado sócio efectivo daquela incontornável associação. As letras préviamente impressas eram como que desenhadas...
Há ternura, ingenuidade em tudo o que repousa naquela página.
Um mundo já tão diferente do nosso!

quinta-feira, junho 14, 2007

Será a esperança verde como a ameixa?



Mas as que vedes nesta árvore breve estarão vermelhas. Então, terei a liberdade de as saborear. Logo... a liberdade é vermelha.
Apreciai: árvore (cinquentenária) com ameixas e vista de castelo...
Uma prenda de Alforedo Tanta Fita

Há dias, recebi este poema, oferta do grande inspector Alforedo de Tanta Fita. Dizem que a última coisa a morrer é a esperança. Mas eu confesso que já começo a não acreditar muito que lhe conheça a cor.
De qualquer modo, aqui ficam os agradecimentos ao insigne lagartão... tão proactivo foi na tentativa de cura do nosso desânimo

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

(Jorge de Sena)

terça-feira, junho 12, 2007

Sei lá se aquele dia existiu



Na casa dos fantasmas, havia um dispositivo para nos lembrar do dia em que estávamos. Não sei se o ritual de actualização era diário...
Sei que era de uma estrutura interessante, pois nos dava toda a liberdade para a geração de dias. A única limitação expressa era a relativa ao número de dias de cada mês que já nem recordo como funcionava em relação a Fevereiro. Mas também essa podia ser ultrapassada pois todo o processo era manual. Imaginem agora com aquele controlo suportado em computador.
Era curiosa esta liberdade temporal quando comparada com as condicionantes políticas do regime, uma espécie de "deixemo-los brincar com o tempo que eu estou aqui para durar...".

segunda-feira, junho 11, 2007

Aquele abraço



Gosto de o ver assim, bem envolvido nas cores e nos objectivos do Juventude.
A temporada será difícil. O decrépito autarca, mais uma vez, mostrará o seu desprezo em relação aos interesses de OUrém, oferecendo um relvado sintético ao CDF e recusando ajuda para alguma deslocação mais onerosa - como fez em relação a Porto Santo.
Mas este lutador não desiste e o Hóquei da nossa terra continuará a contar com ele e com aquele empenho que o faz pôr quase tudo o mais de lado. É a chamada dedicação total.
Em Julho, estarei em OUrém alguns dias. Quero saudá-lo. Sentir aquele abraço que ele quase esteve a trazer-me nos finais de MAio.

quarta-feira, junho 06, 2007

Rotina

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

(Eugénio de Andrade)

terça-feira, junho 05, 2007

Ares d’Ourém

É verdade.
Os ares de Ourém têm-me andado tão arredios que manter esta coisa sem o apetecido alimento é cada vez mais difícil.
E será Ourém solução? Hoje?
Talvez, se quisermos entoar o cântico dos deprimidos... ou praticar a fotografia da degradação... ou experimentar o poder mesquinho...
Mas o sentir aquela terra tal como ela era já não é possível.
Ao menos aqui, longe...

Contemplo o que não vejo

Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, junho 04, 2007

Quem quer comprar uma dor ciática?

Decididamente, amigos oureenses, hoje não há paciência para blogar. A juntar à desesperante desinspiração, a malvada da dor anda a atasanar-me o juízo. Que mal fiz eu para merecer tal castigo? Terá sido da greve? Mas não dizem que foi um fracasso?
Depois, há trabalho para dar e vender... notas, testes, exames, apresentações, novos textos... e esta dolorosa posição, costas quase direitas para não prejudicar a danada...
Ai!
O melhor é ir dar uma volta.

sexta-feira, junho 01, 2007

O Excelentíssimo Presidente nem se lembra disso

Vem, hoje, no Público em artigo de Sofia Branco:

Uma cidade amiga das crianças ouve as suas opiniões e deixa-se influenciar por elas. Possibilita-lhes a participação na vida da sociedade. Garante-lhes serviços básicos de saúde e educação. E também água potável e um ambiente não poluído. Respeita-as, protegendo-as da exploração, da violência e do abuso. As ruas oferecem-lhes segurança e há espaços verdes para brincarem e encontrarem amigos. Nessas comunidades, as crianças não são discriminadas consoante o sexo, a raça, a etnia, a religião, o dinheiro ou qualquer deficiência.
O conceito foi definido pela Unicef em 1996 e já existem 867 cidades amigas das crianças num planeta que é cada vez mais urbano. Só Espanha tem 49 dessas comunidades, com uma grande concentração na região da Catalunha. Ao contrário, Portugal não tem nenhum município "child friendly", na designação da Unicef. Ou melhor, não tinha. Hoje, o Governo assina um protocolo com as autarquias de Amadora, Aveiro, Cascais, Guarda, Matosinhos, Palmela, Ponte de Lima, Portimão, Póvoa de Varzim, Trancoso, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Viseu para que estas se tornem amigas das crianças. Durante um ano, estas cidades serão escrutinadas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e pelo Comité Português da Unicef. Se tudo correr bem, receberão o estatuto oficial de child friendly no final desse prazo.
...


E mais uma vez surge a questão: por que é que estas notícias nunca me chegam da nossa terra?

quinta-feira, maio 31, 2007

"Excelentíssimo Presidente"

Ler uma acta das reuniões da câmara é uma espécie de viagem a meados do século passado. Não por causa dos protagonistas que são actuais, estão vivos e, felizmente, de boa saúde. Não por causa dos temas que, reconheço, são dos que mais afectam Ourém nos dias de hoje. Mas pelas referências utilizadas...
Consultem-se as duas últimas actas: 7 e 14 de Maio. Em qualquer delas a expressão "Excelentíssimo Presidente" aparece uma quinze vezes o que equivale a um pouco menos do que 50% das páginas úteis. Isto não é comum a todas as câmaras, nem é sequer um tratamento que o Presidente da República se possa orgulhar de merecer de quem a ele se refere.
Mas o presidente David deve estar muito feliz. É "excelentíssimo presidente" para baixo, "excelentíssimo presidente" para cima, "excelentíssimo presidente" para a esquerda, "excelentíssimo presidente" para a direita...
Porquê este sistema de referência ao presidente da câmara, arcaico, bajulador, respeitoso, ridículo até? Eu sei que não é o único sitio onde isto acontece. Também ridícula é, no mundo académico, a expressão "magnífico reitor". "Magnífico" porquê, se nem grandes resultados do trabalho apresenta? Até parece que se está a gozar com a pessoa.
Assim, seria produtivo que a câmara utilizasse alguns dos minutinhos das suas reuniões para rever o sistema de referências de forma a um indivíduo igual aos outros não estar para ali a ser adulado, a auto promover-se perante os outros, os comuns mortais, a populaça...

terça-feira, maio 29, 2007

O OUREM apoia a Greve Geral

Muitas vezes temos afirmado o nosso desacordo relativamente à política do Governo. Amanhã, fá-lo-emos mais uma vez.
Não se trata de fazer cair o Governo, substituindo-o por um mais liberal do anedótico Mendes, mas de mostrar total desacordo relativamente a uma política de crueldade social e de empobrecimento generalizado da população portuguesa suportado na subida do desemprego e no crescimento da exploração (subida da produtividade), bem visível na explosão dos lucros da banca e nos elevados rendimentos dos que beneficiam com a situação.
É preciso mudar de políticas. Ser transparente, verdadeiro. Proporcionar melhor saúde e melhor educação. Reformar os mais velhos. Reduzir o desemprego e apoiar os desempregados. Reduzir a precariedade. Reduzir os privilégios da elite dominante. Ir buscar o dinheiro a quem o tem...

segunda-feira, maio 28, 2007

Num simples jogo, toda a concepção



Ontem, durante a tranmissão do jogo e do que o antecedeu, pareceu-me descortinar a concepção de serviço público que norteia as instâncias dirigentes.
Da reportagem da SIC, deduziu-se que durante mais de uma hora, milhares de pessoas estiveram esmagando-se umas contra as outras a tentar entrar num estádio para ocupar 35000 lugares. Os seus protestos foram evidentes. Essas pessoas acabaram por ser enquadradas pela polícia de intervenção por vezes com ar bem pouco amigável e cassetete na mão.
Começou o jogo. A transmissão passou para a RTP. Esta mostra o estádio com algumas clareiras e, na tribuna VIP, algumas dezenas de personagens, felizes da vida, que ninguém viu passar por aqueles apertos.
É assim o serviço que o actual governo (e como me custa dizer isto de um governo do partido socialista!), com uma maioria absoluta, vai impondo aos portugueses, nos mais diversos sítios. De um lado, a carneirada, mal servida, enquadrada pela polícia de choque pronta a bater ao menor protesto. Do outro um conjunto de privilegiados, alguns arguidos em processos de corrupção, que mostram uma qualidade de vida infinitamente superior.
Acontece no sistema de segurança social: os mais pobres cada vez mais pobres, as reformas douradas cada vez mais milionárias. Acontece no serviço nacional de saúde com quase total exclusão dos mais necessitados à consulta urgente, ao atendimento e com outros a poderem comprar esse serviço com a melhor qualidade. Acontece cada vez mais por todo o lado, mesmo num simples jogo.
A tendência não é para acabar com os privilegiados, mas para beneficiar cada vez mais um número muito pequeno. A imposição de uma espécie de escravatura e empobrecimento generalizado, com algum direito à palavra (desde que contida, como demonstra o caso Charrua). É preciso acabar com esta política!

sexta-feira, maio 25, 2007

Flores da pedra



Esta foto documenta o estado calamitoso em que encontrámos o nosso espaço em Ourém na última visita. Mas a verdade é que mesmo no mais indómito espaço uma flor pode esperar por nós.
É preciso voltar mais vezes para a erva não fazer estes estragos. Mas o tempo - económico e ambiental - não está nada convidativo.

quinta-feira, maio 24, 2007

Oração de vaidade




Este desenho representa o meu pai. Alguns dos mais velhos lembrar-se-ão dele. Teve um taxi na Praça dos Carros, depois montou uma oficina frente à latoaria do Ferraz e à ourivesaria do João Dias, finalmente deslocalizou para Fátima. Era uma pessoa dura, mas bondosa. Já vos contei o episódio da casa do Largo de Castela em que mão enorme caiu sobre mim. Acho que nunca se arrependeu, mas eu dei-lhe toda a razão. Agora reparem nesta outra característica: lá para 1970, descobrimos um livro onde ele registara todas as dívidas de clientes que não tinha tido coragem para cobrar. Eram contos e contos. Olhando um pouco para trás, não sei se isto era bondade, mas, pelo menos, não era ganância. O desenho foi executado pela Li. Que também fez a minha caricatura de fim de curso.
A queda para a arte está presente em múltiplas formas na família.
O Abelito é o mais produtivo com desenhos e desenhos que distribui generosamente por todos nós. Recordo, da juventude, a sua reprodução em papel cavalinho de uma magnífica capa do Mundo de Aventuras em que o Cisco Kid afagava suavemente o queixo da belíssima Lucy. A minha mãe não se cansava de o gabar.
A Ana, por vezes, dedica-se à poesia. Temos inúmeras conversas sobre este tema e, há anos, consegui que ela dedicasse um poema ao Poço para abrir o primeiro volume do Ourém em estórias e memórias. E, como têm tido ocasião para apreciar, aqui pelo Ourem também se cultiva a arte.
Há uma característica comum em relação a esta família de artistas. Todos somos como que marginais em relação ao sistema. Ligamos muito a tudo o que fazemos, mas, fora do nosso círculo, ninguém nos liga nenhuma o que (aparentemente) não nos rala absolutamente nada. Isso, longe de nos diminuir, na sociedade actual, onde a arte é tão subserviente dos interesses dominantes, liberta-nos para produzir o que quisermos e permite-nos estar o tempo que nos apetecer sem nada produzir, permitindo simultaneamente profunda reflexão sobre as condicionantes do movimento artístico.
Enfim, desculpem, mas eu tinha que dizer isto...

quarta-feira, maio 23, 2007

Nespereira biológica


Aquele é o único cacho de nêsperas que esta árvore com mais de 10 anos me resolveu presentear nos últimos tempos.
Acho-lhe graça porque nasceu por acidente colada à casa e encostada a um limoeiro (que também é avaro nos limões). Cresce, cresce, cresce sem qualquer químico a ajudar, mas dar um frutinho é raro.
Apesar de tudo, as nêsperas são uma delícia. Por isso, não posso deixar de vos ofertar a imagem de um momento que já não existe – deglutidos que estão os frutos...

terça-feira, maio 22, 2007

O Cavaleiro Andante voltou à estante de origem

Há muitos, muitos anos, a tia Elvira teve sábias palavras:
- Luís, os Cavaleiros Andantes são teus. Pega neles e leva-os para tua casa.
Nem quis ouvir outra coisa. Pouco depois, estavam colocados no suporte por trás do selim da bicicleta e a caminho da casa do Largo de Castelo. Acompanharam-me para todo o lado. Agora, repousavam na cave da casa da Parede sem nunca os ver. Há dias, por causa de obras, foram parar dentro de uma caixa...

As obras entretanto cessaram e veio a ideia: "e se os levasse para Ourém, para a estante de onde os retirei há muitos anos?... será uma forma de reviver aqueles tempos, embora me faltem as pessoas e os locais..."
É verdade. Na minha casa em Ourém ainda está essa estante. Como podem apreciar é um estilo bem retro... foi tratada com "reparador" e ganhou uma tonalidade engraçada. Já ostenta algumas coisas antigas, especialmente livros e o rádio. A águia é bem mais recente, oferta de um amigo que todos os anos me goza com a história da águia depenada (e este uma vez mais...)


Quem sabe? Até gostaria de criar neste sala um espaço dedicado aos tempos de juventude. Pôr lá os inúmeros discos que ainda restam daquele tempo. Os EPs, os vinis...
Bom. MAs estou a desviar-me. O que podem ver é que, como pretendia, o magnífico Cavaleiro Andante voltou à sua estante de origem. Amareleceu, escureceu, ganhou inconfundíveis sinais de velhice, mas continua ostentar o sinal que semanalmente no Café Centrallhe era posto para garantir a reserva, continua a ser possível ver nele muitas das estórias e dos heróis que nos entusiasmavam. Há assim mais um motivo para voltar a Ourém...

segunda-feira, maio 21, 2007

Passagem pela Cidade (cada vez mais) Pequena

Já nem pergunto “o que é que eles andarão a estragar?”, calcularão porquê, facilmente. Desço aquela inclinada estrada que nos traz da cidade dos arcebispos. E começam as minhas dúvidas: “são estes os autarcas amigos de Fátima. Tanta gente a pé, tanto peregrino quase no meio da estrada e nem lhes passa pela cabeça tratar dos caminhos que eles usam. Possivelmente é para os ajudar no sacrifício”.
Pouco depois, Ourém. Nos bombeiros, dou a costumeira espreitadela: “estará lá o grande chefe?”. Não estava, encontrei-o mais à frente, junto aos antigos Claras, quase em passo de corrida.
Depois, olhei na direcção da Câmara. Sinais de obras, onde se procede à construção do megalómano monstro amarelo, sinais que nos levaram lembranças de outros tempos...
“E o Sérgio? Estará na Som da Tinta? Deve estar para Porto Santo...”.
Continuo pela confusa avenida. Camionetas e carros por todo o lado. Malvado desenvolvimento! Tudo isto me diz cada vez menos.
Pouco depois, chego a casa. Ena! Que sinais de ausência. Ervas por todo o lado... pequenos arbustos pareciam couves... Como vamos conseguir passar? Nunca mais poderemos estar tanto mês sem dar assistência a isto...
Um dia ao ar livre a dar ao braço, depois de uma sardinhada saborosa. Um vizinho, dos bons, ajudou no corte da erva. Ao fim do dia, o corpo pedia descanso. Mas, quando lá voltarmos, já poderemos levar a Pipopca...

sexta-feira, maio 18, 2007

A paisagem



Talvez seja ocasião de rever a paisagem conhecida perto da cidade pequena (como agora vejo dizerem). Há alguma acalmia na pressão dos últimos meses, é possível começar, por um lado, a recordar, por outro a rever o percurso recentemente feito. Uma curta deslocação pode preparar uma maior estadia, embora não haja grande vontade de contemplar as feridas e aceder a viver com elas.

quinta-feira, maio 17, 2007

Ele tinha uma razão para não vir ainda a Fátima



Aqui ao lado, no Castelo, discute-se porque razão não há o milagre de os empresários investirem em Fátima.
Poderia responder: por que deverão investir se nem o papa o faz, vindo cá?
Mas a minha resposta era demagógica. O papa tinha algo de mais importante a fazer. De acordo com a página online do Expresso, no blogue Humoral da História, "no final da sua visita ao Brasil, Bento XVI negou que a Igreja católica tenha evangelizado à força os povos indígenas na época da colonização da América".

quarta-feira, maio 16, 2007

Num simples e terrível facto, todo o mundo...

Turvam-se-me os olhos de emoção sempre que a televisão me traz o caso da pequena Madeleine. Por vezes, sou incapaz de ver outro programa, alienado que fiquei em tentar saber o que se passou com a menina e desejando que ela apareça o mais cedo possível.
Este caso, com um ser tão pequenino, teve entretanto a particularidade de trazer ao de cima tantos elementos que caracterizam hoje a nossa sociedade. Senão vejamos:
- a dominante económica: ela veio ao de cima com as preocupações relativas às consequências para o turismo, com a campanha Allgarve; cínicamente, o início foi marcado por palavras neste sentido.
- a bondade tradicional dos portugueses: expressa em toda a solidariedade em torno dos pais, envolvendo-os em acompanhamento espiritual, por vezes procurando-os para lhes entregar objectos de culto.
- a solidariedade de figuras importantes: foi a grande surpresa fechado que estou no padrão de comportamento do sul da península; nunca me passou pela cabeça a possibilidade de alguém oferecer recompensas como aquelas que tenho ouvido falar.
- a desconfiança: viriam todas do coração?; estariam isentas de manobras de autopromoção?
- o oportunismo de pró-mediáticos: como é possível algum pretenso criminalogista vir tecer atoardas alto e bom som sobre a vida sexual de alguém num tom que não deixa dúvida e quase bate nos que o põem em causa?
- a exploração das audiências: dias e dias em que era deixada a ideia de que algo estaria para ocorrer que seria dito mais tarde e afinal, perto da meia-noite, a esperança esvaziava-se...
- a dificuldade de reação: a sociedade portuguesa, como sociedade aberta, tem de arranjar uma forma de responder iumediatamente a casos como estes ou mesmo de fazer mais para os evitar; a tradicional espera para ter a certeza, a mentalidade do “tomar conta da ocorrência” aqui estiveram mais esbatidas mas ainda são dominantes e isso não se pode manter perante a complexização de evolução da composição da população presente ou residente...
- a sobranceria britânica: como sempre, são os melhores, o que os outros fazem não presta; isto são resquícios do império, são ainda vontade de se impor à escala mundial... mesmo à custa de pseudo-verdades...
E fico por aqui, sem a preocupação me abandonar: será que vai aparecer hoje?Viva e cheia de saúde? Seria bom...

terça-feira, maio 15, 2007

Passarola do Padre em moeda




Hoje, no Público, um aviso revela que o Banco de Portugal vai colocar em circulação uma moeda de colecção em liga de prata, com o valor facial de 8 euros, alusiva à "Passarola de Bartolomeu de Gusmão". Tal é motivo mais que suficiente para voltarmos ao que já se escreveu no Ourem sobre tão notável instrumento.
O sono

O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono! ...

(Álvaro Campos)

segunda-feira, maio 14, 2007

Um país de cavalo para burro

3 dias úteis, 3!
Foi quanto me disseram que demoraria a chegar a Tavira uma singela carta em correio normal.
Claro... se pagasse mais 15 cêntimos, estaria lá no dia seguinte.
Não entendo esta gestão, já que de preços artificiais se deve tratar, mas, possivelmente, não é para entender. Há quarenta anos, as minhas cartas constantes para a cidade da moura encantada demoravam um dia apenas. Ninguém pensava em sobretaxá-las por causa disso.
Hoje, em que este tipo de envio perde importância relativamente à correspondência digital, anuncia-se um prazo de 3 dias... úteis! Que andará a carta a fazer entretanto? Estará a ser guardada por algum zeloso funcionário? Mas, assim, até deveria ser mais cara do que a que demora apenas um dia...
Será com estes prazos artificiais que os Correios constroem os seus fabulosos resultados? Utilizando um burrinho especialmente lento para levar a minha carta?
Imaginemos que estrategicamente eles definem a necessidade de subir os resultados. Será caso para dizer: não escreva... vá!

sexta-feira, maio 11, 2007

Cinema mudo em cartaz

Estará na Cordoaria Nacional, Galeria Torreão Nascente até 24 de Junho.
Alguns cartazes são impressionantes pela cor e dimensão. Eis alguns exemplares roubados pela NET (fonte: sem-se-ver).
Colecção única em Portugal onde a maioria de exemplares é dada como desaparecida.
Um bom programa para o fim de semana...











quinta-feira, maio 10, 2007

Dia da Rosa

Hoje, todos me recordam que é o dia da rosa. É talvez boa ocasião para voltar àquele tempo, ouvindo o incrível MAx em Rosinha dos Limões. Apreciem esta poesia de Artur Ribeiro:

Quando ela passa, franzina cheia de graça
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro
Lá vai catita, cada dia mais bonita
E o seu vestido de chita, tem sempre um ar domingueiro

Passa ligeira, alegre e namoradeira
A sorrir p’ra rua inteira, vai semeando ilusões
Quando ela passa, vai vender limões à praça
E até lhe chamam por graça, a Rosinha dos limões

Quando ela passa, junto da minha janela
Meus olhos vão atrás dela até ver da rua o fim
Com ar gaiato, ela caminha apressada
Rindo por tudo e por nada e às vezes sorri p’ra mim

Refrão
Quando ela passa, apregoando os limões
A sós com os meus botões, do vão da minha janela
Fico pensando que qualquer dia por graça
Vou comprar limões à praça........e depois caso com elaaaa!

Oiça Rosinha dos limões por Max

quarta-feira, maio 09, 2007

Boa Fé


Recentemente, vou achando graça ao facto de se dizer que não existem estudos para legitimar Ota ou outra alternativa, mas ao mesmo tempo vou assistindo à movimentação das forças económicas para proteger os seus interesses. Ontem, num programa de televisão, em zapping, passei por notícia acerca de monumental investimento em resorts, na zona de Óbidos, e a que portanto o investimento no aeroporto não é alheio, podendo dizer-se o mesmo em relação a notícias que têm vindo a lume sobre a região Oeste e a nossa própria terra.
Em tudo isto, parece que a margem Sul do Tejo está a sofrer com o atraso na definição de interesses económicos agora já bem estabelecidos na alternativa dominante. Isto é, o que está em causa não é a melhor alternativa dp ponto de vista técnico para o projecto, mas aquela que melhor se ajusta aos interesses económicos em presença ou que gostariam de se afirmar ainda.
Mais uma vez, uma visão técnica é completamente ultrapassada pela económica, podendo esta convertê-la em boa ou má. Já nem sei se é mesmo uma questão de boa fé...
Portanto, o que está em causa não é o desenvolvimento em abstracto do país, não é desenvolvimento por desenvolvimento, mas o crescimento da riqueza de uma facção da classe dominante.
Deixa-te disso! - oiço-os gritar...
Têm razão. Eu vou-me, é preferível dar atenção a alguém que, com a sua pintura, em cada traço, simples mas preciso, nos traz poesia, sonho, erotismo... como o contemporâneo Alain Bonnefoit.

terça-feira, maio 08, 2007

Marca #18: Vitor Castanheira

Perante o êxito do Juventude, que saudamos, não podemos deixar de recordar um amigo, hoje estabelecido mesmo em frente ao seu histórico campo, ao lado da alfaitaria do Zé Penso, que tem monumental desejoso de ser recordado como um dos grandes guarda-redes da saudosa equipa do Atlético - embora o Manel não esteja pelos ajustes, mas eu confirmo que um defesa de prestígio o escolhia sempre para aquela posição.
Relembrar o Vitor, é voltar aos tempos do Fernão Lopes, às corridas pela enconta dos moinhos e à que apelidei equipa maravilha (ainda sem conhecer os feitos actuais). É também voltar ao mata-borrão, peça indispensável do nosso património estórico.
O Vítor é outro dos tais que faz com que valha a pena voltar a Ourém...
My God! Há quanto tempo não vou àquela terra... que se está a passar comigo? Será só culpa do senhor dos Prantos?

segunda-feira, maio 07, 2007

Seu Mendes se apressou a cantar vitória

Olha que lindo porquinho
Ganhou ontem eleições
Língua grossa, mui toucinho
E satisfaz laranjões

E à noite na TV
Vai poder ver debate
Estarão lá todos bem se vê
Menos vermelho escarlate

Dona Fátima quer pensadores
Mas lá fez censurinha
O que eles têm é maus amores
a PC com gravatinha

Se tudo fosse em Ourém
Terra de Orelhas Moucas
Não admira final!...
Mas em Lisboa também
Mentes abertas tão poucas
Democracia vai mal...

sexta-feira, maio 04, 2007

Desapareceu o quadro electrónico

É assim mesmo...
Então não queriam ficar, com todo o despudor, com o quadro que, por carolice e com todo o carinho, o homem tinha concebido e implementado? Sem um agradecimento sequer? É que já não se encontram pessoas destas...
Há alguns anos, quando trabalhava num centro de informática, passei por episódio semelhante. Viveram-se horas de terror na Shell portuguesa. O João Miguel, um operador de toda a confiança, tinha fugido com a banda dos salários...
Quase fim de semana



Falta uma aulita para o fim de semana.
Corra bem ou corra mal, vou largar isto tudo: as autarquias, o ganda noia, o carmona, o eng., o david, a ota, o tgv, o ourem...
... vou entrar em contemplação... como aqueles que podem fazer o seu estágio de pintura no Moulin de Perrot.
Observem este Sauzet. Não é bem melhor que as reuniões da Câmara? Imaginem o Garanhão da Serra neste ambiente...
Retirada de cordeiro

Afinal, o passo de gigante converteu-se em escorregadela inesperada. Se Carmona entende que está inocente porque deverá demitir-se? E, se se demitir, por que não arrastará a Assembleia? E se Mendes é tão escrupuloso com o que se passa com estes dirigentes locais por que continua a patrocinar atentados à liberdade e ao decoro político como o que se vê diariamente protagonizado pelo troglodita da Madeira?
A jogada de Mendes foi perdida poucas horas depois de ter sido executada. Mas este filme mais ou menos divertido - enquanto os lisboetas não lhe sofrerem as consequências – vai prosseguir. O eng. Sócrates respira aliviado. Finalmente, deixaram de olhar na sua direcção. Pode continuar a enviar para o quadro de excedentes pessoas com sessenta anos ou quase. Pode preparar despedimentos na função pública até equilibrar o que falta do défice. Neste momento, Mendes e Carmona são aliados objectivos da política reaccionária do Governo (embora nem outra coisa fosse de esperar...) pela desfocagem que provocam nas pessoas relativamente à questão principal.
Entretanto, por Ourém, o lobby da Ota ganha posição...

quinta-feira, maio 03, 2007

Passo de gigante

Ao arriscar perder a câmara de Lisboa para a oposição, o homem deu um passo de gigante não para vencer eleições locais intercalares, mas para ganhar credibilidade - tão afectada com os anteriores disparates - no partido e como alternativa a um primeiro ministro que já nem consegue convencer os da sua área política, tão insensível se tem mostrado à questão social e aos problemas dos que dependem da venda da sua força de trabalho, tão indiferente se tem mostrado ao esforço que outros fizeram para alcançar graus académicos.
Começa aqui a alternância, aquela que muda as moscas, mas deixa tudo na mesma.
É caso para exclamar: Ganda noia!
Poeta Fingidor

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, maio 02, 2007

Autarquias na NET # 7: Ourém na CISTI 2007



Já está confirmado. Em Junho do ano corrente, estaremos na CISTI 2007 à qual submetemos um paper sobre “deformações tipo dos serviços de informação autárquicos” o qual será apresentado na conferência e publicado nos seus proceedings.
A CISTI é uma conferência ibérica sobre sistemas e tecnologias de informação e, este ano, realizar-se-á no Porto, na Universidade Fernando Pessoa.
No paper que apresentaremos defendemos a ideia de que os serviços de informação autárquicos, quando se desenvolvem de uma forma casuística, o fazem através da auto-geração de deformações tipo. Uma deformação tipo é algo parecido com o seguinte: imaginem uma pessoa com um braço económico muito longo e um braço cultural muito curto e imaginem o seu simétrico. Os portadores de deformação nesse eixo podem ser colocados ao longo do mesmo, situando-se ao centro os sem braço económico e sem braço cultural, curiosamente mais parecidos com qualquer dos extremos do que estes entre si. No documento, estaremos fundamentalmente interessados nos que estão perto dos extremos.
E agora a questão: terá Ourém condições para ser considerada caso digno de nota ou perder-se-á no centrão? A resposta será dada entre 21 e 23 de Junho...

terça-feira, maio 01, 2007

Marca #17: Julito

Hoje, celebra-se mais uma vez o 1º de Maio.
Em Ourém, não existe uma grande tradição de luta por melhores condições de vida ou por uma sociedade diferente. Mas, desde há muitos anos, existe um acto em que os bombeiros homenageiam com uma romagem ao cemitério os seus companheiros desaparecidos.
Este enquadramento lembra-me o Julito que, certamente, hoje esteve nessa romagem. É um amigo com raras qualidades de comando e um trato extremamente afável. Também com ele, anualmente, em Novembro, temos feito uma romagem de homenagem aos nossos amigos desaparecidos.
O seu trato, o seu carisma, a sua capacidade organizativa têm mantido vivo o encontro anual conhecido por “o Poço” onde recordamos a nossa maltratada terra e o que lá vivemos, fazendo-nos sentir tão mal perante o seu aspecto actual.
É assim a Ourém actual: um espaço cada vez mais descaracterizado, mas onde se encontram algumas pessoas que nos dizem muito...

segunda-feira, abril 30, 2007

Imagens que contribuem para o descrédito

... perto de dez polícias por causa de um carro mal estacionado numa rua onde, incompreensivelmente, parte do passeio destinado aos peões foi cedido para parque de uma embaixada, em total cavaqueira, à espera do reboque que deveria retirar o infractor.
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