sexta-feira, março 28, 2008

A galeria de arte



Junto ao Art Saloon de Golden City existia uma verdadeira galeria de arte. São de lá as ilustrações que reproduzimos nesta obra e que marcam alguns dos momentos mais interessantes que nela são narrados. Estas reproduções ocupam as páginas centrais, frente e verso e posso garantir-vos que o impacto proporcionado é deveras agradável. Materializa-se assim um segundo aspecto do nosso tributo às BDs que nos acompanharam na juventude.
A actividade editorial sobre Ourém fica, portanto, enriquecida em múltiplos aspectos. Já não falamos na qualidade literária e na capacidade de geração de interesse comercial. É a presença permanente da Arte, não de uma arte em abstracto, mas da arte atravessada pelas formidáveis contradições que se manifestam na sociedade oureana e só não se traduzem em desfecho diferente dada a formidável força de um dos lados. Recordem, por outro lado, os momentos de poesia que este blog divulgou, alguns bem decalcados da Ourém actual.
Enfim, tudo isto podem encontrar no sensacional número 5 do projecto "Ourém em estórias e memórias" que, breve, esperará por vós em algumas livrarias e tabacarias da nossa terra...

quinta-feira, março 27, 2008

Um tributo à colecção Condor

Decerto todos se lembram do Condor Popular. Era BD minúscula com os heróis já conhecidos do MA, as vinhetas mais pequeninas ou em menor número por página. Organizava-se em volumes de dez, saía aos fins de semana, e chegou longe. Para além desse Condor, existiu uma colecção Condor com um formato relativamente maior possibilitando uma publicação com melhor qualidade, características semelhantes ao MA da primeira série na fase iniciada no 512 embora sem capa em papel forte e brilhante. Desta, poucos números se encontram actualmente.
A nossa obra integrada no projecto "Ourém em estórias e memórias" surge como um tributo à magnífica colecção Condor que nos acompanhou na juventude em qualquer dessas versões. Para a celebrar e para lembrar este nosso tributo, a capa foi elaborada a partir da que acompanhava uma aventura de Tomahawk Tom publicada no Condor Mensal número 3, lá para 1952, cujo desenho magnífico se deve ao saudoso Vítor Péon. Dado o mau estado do original, pode apresentar algumas mazelas, mas esse é o sabor do antigo. Tivemos de fazer algumas modificações para integrar o título: o anterior era "Colt City, cidade sem lei" e substituir a parte inferior que não se adaptava ao nosso projecto.
Mas que estranho. O nosso teste de mercado começou ontem e ninguém nos liga: não há qualquer reserva na secção de comentários. Um convite decerto à desistência fomentado pelo famigerado governador...

quarta-feira, março 26, 2008

E, depois de três anos a torturar-nos, aí estão as benesses

Ontem, a IC9.
Hoje, a redução do IVA de 21 para 20%. O governo entrou em acelerada campanha eleitoral e esperemos que não estoire agore com todos os resultados dos sacrifícios que nos obrigou a suportar.
A notícia é do Público e já foi saudada pelo PCP (que considerou que deveria ter sido tomada mais cedo) e por um economista prestigiado: João Ferreira do Amaral. O Dr. Menezes também já manifestou o seu confrangedor azedume...
E Sócrates não afasta a possibilidade de nova descida.
O OUREM sente que esta descida tem potencialidades para beneficiar os portugueses, para lhes dar um certo alívio perante tendencias crescentes em preços motivadas pelas dificuldades do capital financeiro. Isto é, funciona como uma espécie de compensação que só peca por ser curta...
E, para já, perguntamos: e qual a próxima benesse, senhor engenheiro? Vamos, chegue-se à frente, não se acanhe...
Actividade editorial do OUREM

Vai ser produzido o elemento número 5 do projecto “Ourém em estórias e memórias”. Contrariamente ao que se indicou anteriormente (ver publicados e a publicar dos Poemas Entrelaçados...), ainda não vamos prosseguir com a tentativa de descoberta de quem matou Branca Flor.
Entretanto, algo de muito importante se passou na nossa terra e suplantou em interesse o desvendar esse mistério que fica para melhor ocasião e inspiração: a política insensata dos nossos autarcas conduziu à destruição da Rua de Castela levando as nossas memórias para o reino da fantasmagoria.
Abordámos a questão visualizando Ourém numa povoação do Oeste selvagem. Que mais selvagem se pode ser do que conduzindo uma política como aquela que se vai sentindo na nossa terra? Assim, a obra “Golden City, cidade sem lei” vai ser produzida em livro.
Mantendo algumas características do projecto, verão a luz do dia 50 exemplares utilizando o conceito que definimos por Literatura de Agrafo. A obra será assim semelhante em formato aos dois elementos anteriores.
Mas vai haver uma modificação muito importante. Desta vez, não haverá borlas. Vamos procurar chegar ao mercado, interessando as livrarias e tabacarias da nossa terra na sua venda por um preço que cubra os custos e integre uma margem que as mesmas julguem satisfatória. A distribuição, essa, será exclusivamente operada em Ourém.
Enfim, já estamos a antever que vamos ficar sózinhos, mas o projecto, o ter isto a andar, este fervilhar, é giro...
Nos próximos posts divulgaremos mais alguns pormenores. Entretanto, se houver interessados em receber a obra, podem desde já reservar o vosso exemplar na secção de comentários.

terça-feira, março 25, 2008

Tomar – Nazaré em auto-estrada com escala em Ourém

Olha que bela ideia!
Os meus parabéns ao senhor Ministro Lino e a sua excelência o Eng. Sócrates.
Como sabem, adoro a Nazaré, terra de mil aventuras em momento de crescimento.
Vêm-me logo à ideia as dormidas na esplanada e no interior das barracas, os bailaricos, o Zé Manel, o Rui e o Jó, o "Get off my Cloud", o casino, os Corsários de Apolo, os convites da malta amiga para pastar sem gastar.
Isto mexe mesmo cá dentro.
Ai se fosse nos meus tempos, naqueles tempos...
Espero, e não julgo estar a ser exigente, que os excelsos governantes e autarcas, que assim mostram quanto valem e ganham o nosso apreço, não se lembrem de partir povoações ao meio para a passagem da dita e dotem a Nazaré de estacionamento decente que responda ao acréscimo de procura que vão gerar e à procura que já não satisfaz. Caso contrário, será melhor ir a pé...

sexta-feira, março 21, 2008

Vejam, a velha vai cair



São revoltantes estas palavras sem dúvida. São indecentes quando proferidas por um jovem em quem estão depositadas todas as esperanças deste país. As palavras e o que lhes está por trás...
Mas, no fundo, não podemos esquecer que não passam do reflexo da humilhação a que uma classe tem vindo a ser sujeita há muitos anos pelo poder independentemente da cor partidária mais alaranjada ou mais rosa de quem o exerce.
Claro que denotam a total ausência de civismo, de valores e perspectivas de uma juventude que vive manietada pela obsessão do consumismo de que o telemóvel e outras bugigangas fáceis são a expressão actual, também essa um produto social. São também a manifestação da brutalidade a que vamos assistindo em muitos aspectos da vida social quer na relação do poder com as pessoas quer entre estas...
E trazem aos que estão a sair da vida activa um grito de alarme por aquilo que poderá estar a preparar-se para eles para daqui a alguns anos...

quarta-feira, março 19, 2008

A quadra incompleta

Esta semana tem sido algo estranha.
Nada me aparece para publicar nesta coisa...
Sei que há factos relatáveis, mas a forma de os dizer não entusiasma.
Por exemplo, o último Prós e Contras com gente de sucesso da economia... gente que parecia toda para o mesmo lado... e ninguém fala daquilo.
Quem os ouvisse diria que o nosso país vivia maravilhosamente bem. O senhor ministro da economia numa pose majestática. A banca. Empresários de sucesso.
Pudera! Tantos a viver à conta do QREN...
Aliás, se há por aí desempregados, é porque não criam o seu próprio emprego. No entanto, apesar de o senhor ministro da administração interna o não reconhecer, há alguns que já criaram: e é ver pessoal decente a ser abatido no centro comercial ou à porta de casa, cafés a serem assaltados com clientes lá dentro que isto está a ficar bom a valer...
Há pouco um post do Sérgio no Anónimo era um regalo e quase me deu nova inspiração. Ora oiçam e vejam lá se completam:

Nós somos a maioria absoluta
Nós somos a maioria impoluta
Nós somos a maioria absoluta
Desavergonhados e ...

domingo, março 16, 2008

Do pré-diagnóstico ao diagnóstico: a quimera da Internet

Os redactores do pré-diagnóstico prometem-nos a análise de mais informação entretanto recolhida nesse processo em documento a elaborar no futuro e que será o diagnóstico.
Para além disso, convidam a população do concelho a responder a um inquérito, através da Internet, onde as pessoas darão a sua opinião sobre os maiores problemas (carências) nas mais diversas áreas.
Como é óbvio, é correcto perguntar às pessoas a sua opinião sobre os problemas que sentem. Mas a importância que será dada a este inquérito pode, mais uma vez, vir a enviesar todos os resultados.
Com efeito, não há garantia de que todos os oureenses respondam...
Também não há garantia de que os que respondem só o façam uma vez...
Finalmente, mesmo que respondessem todos e só o fizessem uma vez, qualquer opinião nesta área é subjectiva e a soma de opiniões não se torna numa coisa objectiva, a realidade é apenas a de que essas opiniões existem, podendo não reflectir fielmente a realidade...
Recorde-se que os que usam Internet se integram entre os mais privilegiados. Assim, este meio de questionário vai procurar as necessidades dos que carecem menos e não dos que precisam realmente de apoio. Pode ser mais barato, mas não vai direito ao problema.
A detecção de problemas devia ser uma actividade de campo do grupo de trabalho associado a esta importante área da autarquia.Todo o trabalho devia pautar-se pela ideia de erradicar a pobreza e a miséria do concelho em todos os seus aspectos.
Infelizmente, parece-nos que vai mais servir como material de propaganda do presidente David em futuro acto eleitoral – que já oiça a peneirar-se: “levámos a cabo o diagnóstico social...” - do que como instrumento de intervenção social no sentido referido...

sábado, março 15, 2008

Pré-diagnóstico social em Ourém?

Ourém, em 2001, apresentava-se como um Concelho próspero e de forte dinâmica, esta circunstância era traduzida pela sua posição cimeira relativamente à média do país em 51% dos 35 indicadores analisados e da esmagadora maioria comparativamente à média da Sub-Região Médio Tejo (77% dos indicadores). Salienta-se também que nos indicadores em que Ourém apresenta posições inferiores à média nacional, o diferencial existente é no geral sempre substancialmente mais pequeno do que comparativamente com o diferencial existente entre a média da Sub-Região Médio Tejo e a Média Nacional.

É com estas palavras que se inicia a redacção da secção de Conclusões do relatório “Pré-Diagnóstico Social” relativo ao concelho de Ourém.
A verdade é que tal perspectiva parece-nos excessivamente cor de rosa para caracterizar a situação no concelho e particularmente grave quando integrada num documento com as finalidades de apoiar objectivos como

1 - Combater a pobreza e a exclusão social e promover a inclusão e coesão sociais;
2 - Promover o desenvolvimento social integrado;
3 - Promover um planeamento integrado e sistemático, potenciando sinergias, competências e recursos;
4 - Contribuir para a concretização, acompanhamento e avaliação dos objectivos do Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PNAI);
5 - Integrar os objectivos da promoção da igualdade de género, constantes do Plano Nacional para a Igualdade (PNI), nos instrumentos de planeamento;
6 - Garantir uma maior eficácia e uma melhor cobertura e organização do conjunto de respostas e equipamentos sociais ao nível local;
7 - Criar canais regulares de comunicação e informação entre os parceiros e a população em geral.

que podem ser encontrados na página da autarquia quanto a este tópico e na secção de destaques onde anuncia e publica o documento.
Para demonstrar o carácter inócuo do documento relativamente ao problema que visa tratar, basta recordar as conclusões do estudo sobre o poder de compra concelhio, o último dos quais se refere a 2005. Este documento do INE mostra que, quanto ao indicador per capita, Ourém apresenta um valor que não vai além de 70,84% da média nacional, um valor bem inferior ao da região Médio Tejo (83,43%) e que é suplantado por quase todos os concelhos desta região exceptuando Sardoal (70,04%) e Ferreira do Zêzere (56,94%).
Admitimos as boas intenções dos técnicos que elaboraram o estudo. Talvez o leque de indicadores baseado no censo de 2001 não fosse o mais indicado para medir aspectos da situação social, mas fundamentar com base nos mesmos uma política que vai pôr em prática um plano de acção social conduzirá à total ineficácia desta.
Enfim, uma imagem cor de rosa que mais deveria ser um alerta laranja em termos sociais...

sexta-feira, março 14, 2008

Luís Euripo contra Red Dowdy

Conseguem recordar aquelas mesas de cabeceira com uma pequena pedra de mármore em cima frente a um espelho quadrado envolvido em madeira, uma gavetinha e uma porta que dava acesso a um penico?
Imaginem que o penico foi à vida e que a porta foi dotada de cadeado.
O Abelito era assim: à quinta-feira comprava religiosamente o Mundo de Aventuras no Central, lia-o e, depois, guardava-o naquele espaço da mesa de cabeceira, fechando-o a cadeado.
Mas esqueceu-se de um pormenor. Retirando a gaveta, havia acesso por cima ao que lá estava dentro. Imaginem a minha sensação a retirar dezenas de livrinhos como o da imagem e a entreter-me durante dias e dias, passados uns cinco ou seis anos sobre a sua edição.
Todos acabaram destruídos. Pouco a pouco, tenho vindo a encontrar em alfarrabistas livros desses tempos e a refazer essa sensação do encontro com a mesa de cabeceira...
A edição pelo MA transmite o prazer de algo que se vê e lê bem ao contrário de outras revistas de formato mais reduzido.
Hoje, o Fanzin'OUREM tem o prazer de, em rigoroso exclusivo, oferecer a todos os seus amigos e outros, esta formidável aventura de Luís Euripo bebida nos números originais do Mundo de Aventuras entre o 209 e o 219.
Reparem como aqueles páginas sabem e cheiram a velhinhas, tão amarelentas estão, tal o receio que temos de lhe tocar e que se desfaçam todas. A imagem captada retrata bem o seu estado e tem muitas mazelas algumas motivadas pelo facto de a edição pelo MA ser um tanto ou quanto desregrada. Por exemplo, as primeiras três páginas ocupavam as duas centrais do número 209 e tivemos de modificar a sequência das vinhetas para a adaptar ao formato do A4. Mas eu penso que com algum produto tipo PhotoShop poderão fazer maravilhas. Ou então peçam ao Manuel Caldas.
A estória é engraçada:


Luís é amigo de Red, actual campeão mundial, por quem já foi derrotado em combate anterior, mas de quem se tornou amigo. Red aceitou a desforra mas os promotores não estão a gostar da boa convivência entre os dois pugilistas, tratando de minar a sua relação. Um dia, após falsas notícias, Red chegou a agredir Luís.
Este não se conformou com o que se passava e conseguiu captar as boas graças da filha de Red, uma miúda con uns quinze anos que, como podem ver, tinha pelo na venta e esta acabou por se revoltar contra o pai o que o enfureceu ainda mais.
No dia do combate, Red recusou o cumprimento de Luís e afastou-o com um empurrão. O combate foi extremamente viril com os dois pugilistas furiosos um com o outro. Luís esteve perto do Knock Out, mas tudo acabou por ter um final feliz e a reconciliação entre os dois amigos acabou por se sobrepor a mal entendidos criados por gente malvada.


Termina aqui o primeiro número do Fanzin'Ourem. As audiências foram descendo pelo que, possivelmente, fica número único.
Logo se verá...



Capa --> Pg01 --> Pg02 --> Pg03 --> Pg04 --> Pg05 --> Pg06 --> Pg07 --> Pg08 --> Pg09 --> Pg10 --> Pg11 --> Pg12 --> Pg13


quinta-feira, março 13, 2008

Luís Euripo, grande campeão oureense?

Já se sabe por que razão grande parte dos nomes dos nossos heróis dos anos 50 e 60 foram aportuguesados: a salazarenta legislação a isso obrigou. Mas a verdade é que, neste caso, há algo mais: Luís Euripo foi apresentado como o grande campeão português o que indicia que tal transformação não se realizou apenas quanto ao nome.
Sendo Luís Euripo português, é legítimo perguntar se ele não seria oureense? É que, durante anos consecutivos, para entusiasmo do pessoal do meu tempo, ele aparecia sem falha às quintas-feiras pelas 10 da manhã no Café Central levando a monumental aglomeração de admiradores que desejavam imitar os seus golpes bem fortes.
A verdade, é que isto não se passava exclusivamente em Ourém, pelo que ou o Luís tinha o dom da ubiquidade ou vinha travestido noutra forma qualquer... E, efectivamente, vinha em papel formato A4 por vezes colorido.
Para completar a informação sobre esta figura e acabar definitivamente com a confusão, vejamos o que nos diz a Mania dos Quadradinhos sobre este amigo:

Big Ben Bolt, que em português surgiu com o nome de Luís Euripo, devido a uma imposição de as personagens serem publicadas em Portugal com nomes portugueses, coisas do regime político que vigorava em Portugal nesses tempos, foi criado pelo argumentista Elliott Caplin, irmão de um grande desenhador, Al Capp, e pelo desenhador John Cullen Murphy, cuja maior notoriedade seria atingida ao suceder a Hal Foster na série Prince Valiant (Príncipe Valente entre nós), tendo feito a sua estreia a 20 de Fevereiro de 1950, com distribuição da King Features Syndicate, deixando finalmente de publicar-se em 1978.

Muito embora a série sobre boxe com maior sucesso tivesse sido Joe Palooka (o «nosso« Zé Sopapo, a que aqui já nos referimos), Big Ben Bolt conseguiu obter a preferência de muitos leitores, sobretudo os que apreciavam um desenho mais realista e personagens com maior profundidade psicológica. O seu nome dever-se-á, tanto quanto se sabe, a um poema de Thomas Dunn English intitulado Ben Bolt, que terá dado origem a outra personagem dos comics com este nome, muito antes da obra de Caplin e Murphy. Mas o principal personagem desta série não entrou nos estereótipos do que era habitual num lutador de boxe. Possuía um diploma universitário, e o boxe não era apenas uma forma de ganhar dinheiro, praticando-o unica e simplesmente porque gostava. Quando deixou de poder fazê-lo, devido a uma lesão, o que aconteceu por volta de 1955, acabou por enveredar pela carreira de jornalista, que durante muitos anos foi o principal assunto da acção da série.

John Cullen Murphy desenhou esta série desde o seu início, com a ajuda de vários ajudantes, entre os quais se contam Al Williamson (um dos desenhadores de Flash Gordon), Alex Kotzky (desenhador de Apartment 3-G), Neal Adams (desenhador de Deadman, entre outros), John Celardo (um dos desenhadores de Tarzan), Stan Drake (que desenhou a série The Heart of Juliet Jones, publicada entre nós n'O Primeiro de Janeiro como O Coração de Julieta e também Blondie), mas ao assumir o desenho de Prince Valiant acabou por abandonar Big Ben Bolt, que passou para as mãos de Gray Morrow, o nome que surge na série a partir de Agosto de 1977 até ao seu final um ano depois, já que o interesse por esta temática tinha vindo a esmorecer ao longo dos anos.

Amigo oureense, esteja atento a valiosa oferta relacionada com o percurso de Luís Euripo a campeão mundial na década de 50 que, amanhã, em rigoroso exclusivo, o OUREM lhe trará...

quarta-feira, março 12, 2008

John Cullen Murphy



Queria ser jogador de baseball, mas tinha um raro talento para desenhar, acabando por se tornar famoso ilustrador e cartoonista.
Estudou sob a supervisão de artistas como Norman Rockwell, Franklin Booth, George Bridgman, e Charles Chapman o que o ajudou a evoluir para um profissionalismo assinalável em qualquer media. Tanto o cartoon como o retrato ou a revista de ilustração foram igualmente exploradas com a habilidade e competência que lhe foram transmitidas pelos ilustre mentores.
Com dezassete anos, o seu primeiro trabalho profissional consistiu na produção de cartoons de boxe para o departamento de publicidade da Madison Square Garden. Tinha ainda várias revistas desportivas de Chicago a publicar, em média, dois desenhos relativos a uma semana.
Quando serviu na Segunda Guerra Mundial, ele prosseguiu a sua carreira de desenhador "no local" com ilustrações para o Chicago Tribune.
Após o regresso do Pacífico, Murphy publicou aguarelas de boxe, pinturas em revista o que chamou a atenção do escritor Elliot Caplin que rapidamente contactou o artista, para ver se ele estaria interessado em colaborar numa série de boxe em banda desenhada. Isto originou a série Big Ben Bolt iniciada em tiras diárias em 20 de fevereiro de 1950 e passando a dispor de uma página dominical a partir de 25 de Maio de 1952.
O personagem da série era dotado de uma gentileza, integridade e generosidade notáveis o que tornou o produto altamente assimilável e capaz de entreter os leitores. Bolt iria ganhar o campeonato de mundo de pesos pesados até que uma lesão o fez abandonar e levar a novas histórias de aventura, mistério e perigo não faltando geralmente uma menina escultural a seu lado.
Em 1970, Murphy foi homenageado por Harold Foster que o convidou para assumir as tarefas artísticas de Prince Valiant. Murphy aceitou de bom grado o novo desafio deixando alguns assistentes com a série Big Ben Bolt até esta acabar em 1978 com a morte do personagem.
Murphy e sua família foram trabalhar nas aventuras de Valente durante mais de trinta anos, mantendo sempre a qualidade desta aventura, embora Murphy nunca tenha tentado copiar o estilo muito distinto de Harold Foster.
O talento e o profissionalismo de John Cullen Murphy ajudaram a manter os notáveis índices de popularidade da série Prince Valiant a nível mundial. Ganhou vários prémios, incluindo o National Cartoonist Society's Best Story Strip.
Faleceu em 2 de Julho de 2004, aos 85 anos, de causa natural, deixando-nos um legado maravilhoso de aventuras e ilustrações.

Fonte: comicartville library em http://www.comicartville.com/jcmurphy.htm

terça-feira, março 11, 2008

Lance ou Flecha?


Apreciem este desenho fabuloso...
Os oureenses podem não ter dado por ele ou não se recordar. Era um herói muito discreto que apareceu nas páginas do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras. Nas primeiras, a legislação emanada do regime levou a que o seu nome fosse Flecha. A do Mundo manteve o nome original.
Há reedições, como a que podem constatar através desta engraçadíssima capa do Condor Popular, que nos coloca perante uma Valle que se adivinha formosa, mas a correr sério perigo perante a investida do bisonte.
No entanto, a grande novidade chega agora. Foi publicado agora o primeiro dos quatro tomos da reedição integral das suas pranchas dominicais. Centrado nos primeiros anos da expansão americana, "Lance" reflecte o eterno confronto bem/mal, com brancos e índios divididos pelos dois campos, com um fundo moralista e romântico, assente em personagens complexas e verdadeiramente humanas.
A edição, de grande formato, que recupera as cores originais, provém da "Livros de Papel" e por detrás dela está o trabalho laborioso de Manuel Caldas, um português nascido em Paredes de Coura, em 1959, poveiro há mais de duas décadas que se dedica à edição de clássicos de Banda Desenhada e já editou seis volumes do Príncipe Valente, três dos quais em Espanha, seguindo-se uma edição para o mercado inglês.
Em entrevista ao Voz da Póvoa, afirmou:
– Nesta minha vocação em que edito aquilo que quero, só me meto em coisas difíceis de restaurar. O Lance que será distribuído este mês, tem 71 páginas a cores que foram digitalizadas de jornais grandes. Como nos jornais vê-se muitas vezes o que está por trás e as cores são em tons uniformes, tive que pôr aquilo tudo impecável. Foram umas 15 horas para cada página, foi desgastante, cansativo e muito gratificante.
Admiro o trabalho e a capacidade de dedicação destas pessoas. Como eu gostava de saber fazer isto!
Ainda há dias, estive a desfolhar Lance. A história Raio de Luar, publicada no Cavaleiro Andante, é fabulosA e tive o projecto de a trazer para aqui, mas perante a publicação que se anuncia, incapaz de retirar as feridas ao que disponho, é preferível espera pelo trabalho anunciado.
Deixo aos oureenses, por link directo para o notável trabalho “Internet Comics Database – Portugal”, algumas capas que talvez lhes recordem algo que ainda guardem no baú mais valioso (porque cheio de recordações):

segunda-feira, março 10, 2008

Feira de velharias

Pois é, amigo oureense.
Acabada talvez um pouco aceleradamente a exuberância de Golden City, a crise voltou a instalar-se na área de publicação do nossso blog. Que fazer para manter esta coisa?
As ideias não são muitas e a animação davidiana continua a tardar, embora haja por aí quem ainda consiga mergulhar naquelas horrorosas actas com que a casa amarela nos brinda todas as semanas.
Mas precisamos de aguentar mais uns tempos.
Para isso, o OUREM decidiu abrir um ciclo dedicado à banda desenhada que os jovens oureenses das décadas de cinquenta e sessenta consumiam, elaborando uma espécie de fanzine online que vai ter a duração desta semana. Vamos assim construir o Fanzin’OUREM_1. A coisa repetir-se-á de quando em quando conforme a capacidade de digitalização, já que haverá inúmeras ofertas para os velhos amigos recordarem os velhos tempos.
E, para palavras, chega...

sábado, março 08, 2008

80000?

Eles vão calar-se!
Eles vão calar-se primeiro que eu!
Oiçam o senhor ministro da propaganda tão cioso da liberdade ganha pela luta de Soares, Alegre e Sampaio! A liberdade de manter os outros calados...
Felizmente, ninguém lhe deu ouvidos e a manif foi um êxito. Imagino o que este homem faria se tivesse as polícias às ordens.
Mas para os lados do governo nada melhorou. A senhora ministra já veio afirmar que a política é para continuar tal como foi definida. Não acredito que esteja assim tão segura. Aliás, gostaria de ser uim espião do Contra Informação no seio da equipa de Sócrates. Por lá as coisas devem ferver.
Mas é lamentável!
É lamentável que um partido socialista tenha obtido uma maioria absoluta e não tenha conseguido resolver qualquer problema. Mais, agravou os problemas que existiam pela total incapacidade em dialogar. Pior, tornou-se parte do problema de tal modo que a única saída possível parece a demissão...

sexta-feira, março 07, 2008

Golden City a ferro e fogo



Ao amanhecer, Ó Bössta mandou reunir os seus pistoleiros e cavalgaram direitos à casa de Zeca Marth. Esta já os esperava...
- Então, pensaste na minha oferta? - perguntou o governador.
- Vá para o diabo com as suas migalhas. Ninguém me tira daqui.
Ó Bössta fez um sinal aos seus homens e estes puxaram das armas. Farison puxou da sua faca e tentou visar a mulher com ela. Mas eis que as janelas da casa questionada se abrem, dela surgem dezenas de espingarda e disparam sobre os pistoleiros do governador. Três homens rolaram imediatamente pelo chão. Os cavalos assustaram-se e encabritaram-se. Zeca fechou a porta e correu para uma janela com uma arma na mão. O tiroteio tornou-se ensurdecedor e alguns cavalos rebolaram pelo chão.
Ciente daquilo de que ó Bössta era capaz, nos dias anteriores, ela tinha contratado pessoas para a ajudar na defesa do seu património. Naquele momento, estavam ali todos entrincheirados prontos a vender muito caro a satisfação dos desejos daquele verme.
O governador sentiu que não dominava a situação. Um balázio que lhe roçou a cabeça mostrou-lhe que estava demasiado exposto. Fez os seus homens recuar e pôs-se em fuga.
Dentro de casa, Zeca e os seus apoiantes saudaram aquela primeira vitória...
Mas o governador não se dava por vencido.
Enquanto voltava ao palácio tecia mil planos de vingança. Tinha de destruir aquela casa e aquela mulher que se atrevera a desafiá-lo. Agora, já nada o deteria. Não faria mais ofertas de dinheiro. Ela não tinha aceite, iria ter razões de sobejo para se arrepender... é que, apesar de tudo, a desproporção de forças era enorme.


Epílogo: O imperador que mandou incendiar a Castle Street

Termina aqui o manuscrito encontrado por acaso no sótão da casa vermelha onde se inicia a Rua de Castela e que nos conta algo sobre o que se terá passado numa geminada povoação do Oeste selvagem. Uma estória em que quase não há heróis, mas apenas vilões.

Small River andava demasiado assoberbado com a criação de uma célula marxiana de acordo com manifesto recentemente editado e com a preparação do próximo rodeo da cidade.

Serge Would Do, talvez desiludido com tudo o que se lá passava, anunciou que iria abandonar a escrita de notas sobre os factos relevantes ali vividos e que tanto gostava de publicar numa folha pessoal quase diária. Videra raro aparecia e era por demais individualista.

O que se passou em seguida não nos é revelado. Talvez haja um segundo manuscrito entre o volumoso espólio que aquela casa nos legou... De qualquer forma, isso não nos impede de fazer um breve juízo sobre o que aqui foi relatado.

Enganam-se os que dizem que Ó Bössta agiu no interesse do desenvolvimento de Golden City. O governador cometeu pelo menos três erros imperdoáveis.

Primeiro, sendo uma figura a quem tinha sido transmitido algum poder político, usou e abusou da arrogância e do físico em vez de utilizar o poder de que dispunha para servir o povo. Ele era uma besta que não dialoga, que olha todos os outros como um inimigo, que se mune de todos os meios para impor a sua lei mesmo que esta contrarie a legalidade estabelecida e reafirmada em tribunal.

Segundo, Ó Bössta não tinha necessidade de destruir a Castle Street e correr com os seus habitantes. Ele podia ter contribuído para a requalificação da rua e ali ter mantido as características que esta sempre tinha tido embora com novas ou reconstruídas habitações.

Terceiro, ele não actuou para o desenvolvimento da cidade mas para o desenvolvimento da minoria que detinha ali o poder económico: alguns dos membros da associação de criadores de cabeças de gado. Na verdade, o governador não era mais do que um boneco nas mãos dos que dominavam esta associação, embora convencido de ter algum papel e alguma capacidade de decisão. Ele detinha aquele lugar porque interpretava e punha em prática fielmente os seus interesses.
Golden City, sob a capa de desenvolvimento, continuou assim a definhar e não nos admira que notícias posteriores nos informem que o seu papel foi completamente apagado passando algum tempo depois a ser assumido por alguma cidade rival...






FIM

quinta-feira, março 06, 2008

O repasto do abutre



Nessa noite, ao jantar, Ó Bössta não pôde deixar de pensar no que se tinha passado nas horas anteriores. Finalmente, estava quase livre dos que constituiam a raia miúda que se lhe opunha e tinha terminado com qualquer veleidade de alguém se estabelecer no mesmo local aproveitando as antigas habitações. Agora, tudo era seu. Podia construir ali novas habitações. Devidamente actualizadas. Com todos os requisitos como a sua educada alma de governador exigia.
Contemplou o quadro de parede que tinha conseguido salvar daquela destruição. Gostava de ver aquela figura óssea totalmente descarnada. Que bom gosto tinha tido e que sorte ter entrado naquela casa antes de a destruir. Possivelmente os ossos dos miseráveis que lá viviam e o tinham vaiado já estariam expostos como aqueles.
Suspirou profundamente. Como estava enriquecido o seu património com as acções desencadeadas no dia.
Mas aquela mulher... aquela mulher enervava-o. Tinha-lhe oferecido 100 dólares para sair e ela tinha recusado. Finalmente, havia uma pessoa que recusava as suas ofertas em dinheiro.
Deu monumental garfada no pedaço de carne que tinha à frente...
Amanhã, ela veria como teria sido preferível aceitar a sua oferta...

Aproxima-se o desenlace desta estória. Quem vencerá? Ó Bössta? Zeca Marth? Manterão os restantes habitantes de Golden City total indiferença em relação ao que se passa na Castle Street?

quarta-feira, março 05, 2008

Fumo negro sobre Golden City


Passados três dias, Ó Bössta voltou à Castle Street. Mais uma vez, convocou os habitantes utilizando disparos para o ar e rodeou-se dos seus pistoleiros. Acompanhavam-no ainda trabalhadores munidos de instrumentos para a destruição das habitações e resíduos.
Um a um, os moradores da Castle Street entregaram as chaves de sua casa ao governador, receberam uns miseráveis dez dólares, entraram num wagon já com cavalos atrelados onde tinham depositado os seus bens e ao qual tinham preso os seus animais, partindo sem destino, muitos com lágrimas nos olhos...
Ó Bössta não esboçou qualquer sinal de piedade por aquela gente. Mal recebia uma chave, os homens às suas ordens, deitavam as casas abaixo, faziam um monte com as mesmas e pegavam-lhes fogo.
Já longe, alguns dos antigos moradores, a partir da caravana em que seguiam, podiam contemplar a extensa nuvem de fumo que se formava. A Castle Street ardia e soçobrava debaixo do poder de Ó Bössta.
Mas eis que este encontra inesperado obstáculo. Zeca Marth surge à porta da sua casa e afirma alto e bom som:
- Governador, esta casa é minha. Ninguém nos tira daqui.
Ó Bössta olhou-a com um sorriso sarcástico e ao mesmo tempo preocupado. Apesar dos seus poucos escrúpulos, repugnava-lhe disparar sobre uma mulher.
- Sai da minha frente, Zeca. Eu quero limpar tudo isto. Foi uma decisão da nossa assembleia.
- Nenhuma assembleia tem poder sobre o que me pertence. Suma-se daqui...
Alguns pistoleiros de Ó Bössta esboçaram puxar pelas armas, mas o governador fez-lhes sinal para permanecerem quietos.
- Ouve, se queres mais dinheiro, posso subir a minha oferta até aos 100 dólares.
- Nem por um milhão venderia a minha casa.
- Então, vais arrepender-te. Dou-te um dia para pensares. Quando voltar, tu e a tua casa serão passados a ferro e fogo...

Aproxima-se um desfecho trágico para alguns moradores da Castle Street. Conseguirá o governador concretizar o seu plano sinistro? E Zeca MArth? Que providências terá tomado?

terça-feira, março 04, 2008

O avanço de Ó Bössta



Não foram precisos muitos dias para o governador, acompanhado dos seus pistoleiros, aparecer na Castle Street e mostrar as verdadeiras intenções.
Ali chegados, dispararam vários tiros para o ar e, quando reuniram um número significativo de habitantes do local, Ó Bössta berrou:
- Vaiaram-me à saída da assembleia de criadores de gado. Vão ver quanto isso vos vai custar, miseráveis. Anda por aí um anedota que diz que na nossa terra quem se trama é a classe média. Vocês, gente miserável de Golden City, vão verdadeiramente sentir na vossa pele "quem se trama". Têm três dias para fazer as malas e abandonar as vossas casas. Pagarei a cada um 10 dólares pela habitação...
Um dos visados experimentou esboçar uma leva resistência:
- Isso não pode ser. Isso é um roubo...
Ouviu-se um tiro e o chapéu de quem contestava a ordem do governador voou pelos ares com um buraco no topo.
- À próxima, atiro mais para baixo... – afirmou o governador soprando o cano do revólver.
Os habitantes de Castle Street ficaram chocados com a visita do governador e não conseguiram dizer mais palavra. Ó Bössta prosseguiu:
- Vou deixar em cada uma das casas uma intimação para a abandonarem. Voltarei daqui a três dias. Nessa altura, pagarei aos que colaborarem e podem partir imediatamente. Trarei os meus homens para reduzir a cinzas este espaço miserável. À noite quero todo este espaço limpo...
E partiu, perante o ar aterrorizado daquela gente.
Era assim este miserável. Uso e abuso da força sempre que fosse necessário. Compensações mínimas para as pessoas. Total ausência de respeito pelo passado, pelos direitos que a história e a tradição poderiam trazer.

Aproxima-se um momento decisivo para a Castle Street. Haverá algum meio para preservar a história daquela rua e os interesses das pessoas que lá habitam? E Zeca Marth? Ninguém a viu neste confronto com Ó Bössta. Que providências iria tomar?

segunda-feira, março 03, 2008

Fazer as malas



O regresso de Zeca MArth à sua casa na Castle Street foi particularmente doloroso. Como era aquilo possível?
- Nasci aqui há cinquenta anos. Construí a minha casa. Expandi o meu espaço sempre honestamente e vem aquele abutre dizer que vai correr connosco.
Nas horas seguintes, desdobrou-se em contactos com os outros residentes. Mas ficou incrédula com a sua predisposição para aceitarem o destino que Ó Bössta lhes preparava.
- Que podemos nós fazer? O melhor é prepararmos tudo para partir.
- Nunca! -gritou Zeca - Nasci aqui. Quero ficar no espaço onde sempre vivi.
- Nós compreendemos-te... mas a vida não nos tem sido nada fácil neste local. Se o homem nos tomou de ponta, vai transformar-nos o dia a dia num inferno ainda pior.
Zeca ficou sozinha e não deixou de pensar no assunto.
- Não posso acreditar que isto me esteja a acontecer. Deve ser um sonho.
Quando se deitou nessa noite, não conseguiu dormir. Os seus pensamentos eram dominados pela ideia de resistir.
- Aquele malvado não há-de levar a melhor.
No dia seguinte, quando se levantou, disse para o marido:
- Prepara-te para uma viagem. Vamos tomar providências para resistir e lutar pela memória dos nossos...

Que iriam fazer? Haveria alguma forma de resistência possível a Ó Bössta? A narração aproxima-se de um ponto fulcral...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Um hino para Golden City



A voz quente, pausada, dominadora, por vezes trémula, propositadamente comovedora, de Läss Carina apoderou-se num instante do espaço da assembleia:
Hino das conferências da cidade dos pioneiros

Golden City, terra forte
Onde cheguei, onde vim
Gado ao sol , vento norte
Quero-te comigo ou sem mim

Terra de estórias dos sem lei
Rainha de luz e esplendores
Golden City, aqui passei
Por tantas lutas e amores

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

Houveram guerras, sonhos, morte
Batalhas e ilusões
Golden City bela e forte
Tens palácio e aldrabões

Tens desfiladeiros rasgados por cavalgada suprema
São sinais de tantas estórias
Onde o povo que já não ordena
Increveu as suas memórias

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

Tens mulheres lindas e belas
Princesas do nosso futuro
O povo cria as suas novelas
Com beijos inscritos no muro

Um muro de amor e vontade
Onde em sangue e tempo novo
Será inscrita a verdade:
Abaixo os que licham o povo!

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

No final, uma lágrima furtiva, traiçoeira apareceu na face de Läss Carina. Alguém esboçou um tímido aplauso. Mas uma voz não deixou as coisas avançarem:
- Quem é que escreveu esta porcaria? - perguntou furibundo Ó Bössta.
Farison não sabia o que havia de dizer.
- Bom, foi um papel que eu encontrei e pensei que se adaptava...
- Pensaste? Mas tu pensas, alimária? Já viste o que está ali escrito? Tu nem sabes ler, certamente. Aliás, eu não acredito que o tenhas encontrado. Diz-me lá quem to deu...
- Foi o Serge Small River...
- Small River... Big Mind - murmurou Would Do.
Mas Ó Bössta não estava contente.
- O agitador. Já estava à espera dessa. Não veio à assembleia, mas esteve presente através da tua pessoa. Por que não me disseste logo? Esse Small River faz-se nosso amigo mas, na primeira oportunidade, tira-nos o tapete. Ele quer correr connosco. Não viste a actuação dele no festival de country no Art Saloon? Aquilo mais parecia uma sessão de propaganda de comunas com mensagens contra a corrupção...
Farison engoliu em seco. Pouco a pouco, a assembleia foi desmobilizando. O final não tinha sido muito feliz para Ó Bössta, mas duas propostas fundamentais tinham sido aprovadas e poderia dar uma lição aos habitantes de Castle Street.

A paz parece estar definitivamente quebrada em Golden City. Ó Bössta prepara-se para correr da cidade pacatos cidadãos cujo único crime foi o de manifestarem-se contra ele. Haverá resistência? E os rancheiros? Nunca tomarão consciência de como foram conduzidos àquela decisão pelo governador?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Planos sinistros


Recuperado do mau bocado, Ó Bössta reuniu-se com Linda e decidiram realizar uma assembleia extraordinária dos criadores de cabeça de gado já que a ordinária não tinha concluído normalmente e o governador pretendia influenciar nova decisão da mesma.
A assembleia foi convocada com três pontos na ordem de trabalhos:
1. Os acessos ao palácio do governador
2. As feiras de gado de Golden City e
3. O ciclo de conferências da cidade do pioneiro.
No dia da assembleia, para além dos rancheiros, muitos populares resolveram comparecer para assistir.
Linda abriu a sessão e Ó Bössta tomou de imediato a palavra:
- Como sabem, o palácio do governador está concluído. Nele, para me servir, trabalham muitos dos vossos familiares nas mais diversas actividades. Acontece que os acessos ao palácio são francamente maus e um conjunto de barracas que existe nas proximidades retira ao mesmo toda a dignidade que ele merece. A minha proposta é que corramos com os indivíduos que vivem nessas barracas e construamos um acesso decente ao palácio do governador.
Esta entrada de Ó Bössta tinha a sua razão de ser. Ele tinha identificado alguns dos indivíduos que tinham participado na vaia de que fora alvo e sabia que grande parte deles vivia na Castle Street, sendo esta um dos seus principais focos de oposição.
Alguns populares não puderam conter alguns murmúrios de reprovação, mas a assembleia aceitou com agrado e sem oposição significativa a proposta do governador. Videra não estava presente por não ter sido convocado e alguns oposicionistas conhecidos não levantaram qualquer entrave a Ó Bössta. Assim a proposta foi aprovada.
Zeca Marth, que assistia à reunião, e sendo um dos afectados pela decisão, saiu da mesma, extremamente intranquila. E mais ficaria se conhecesse o segundo ponto da ordem de trabalhos introduzido por Linda Simon...
- Meus amigos, penso que tenho a solução para a nossa feira mensal de gado. Como sabem, tradicionalmente temos grandes dificuldades para realizar a feira e ter apoio logístico em termos de bebidas e refeições. Tudo mudaria se passássemos a realizá-la frente ao Central Saloon, naquele local ocupado por um jardim inútil...
Mais uma vez, esta proposta trazia água no bico. Sabia-se que os principais admiradores do jardim eram exactamente os habitantes da Castle Street que tinham brindado Ó Bössta com a vaia. Linda tinha pensado no assunto e resolvera estragar-lhes o foco de admiração.
A proposta foi aprovada por aclamação. Estranhos à vida em Golden City, a grande maioria dos rancheiros não via necessidade em manter aquele jardim, privilegiando a utilização daquele espaço em algo com utilidade para eles.
Finalmente, Farison tomou a palavra a pedido de Ó Bössta:
- Como sabem, o governador atribuiu-me recentemente a gestão dos assuntos culturais. Temos em marcha a realização das conferências da cidade dos pioneiros. Inicialmente, pensava-se realizar todas as sessões em Peaceful City, mas resolvemos concretizar alguns módulos nesta terra devido a um conjunto de calúnias que nos levantaram e diziam que só beneficiávamos os interesses dos outros... Conseguimos a colaboração de alguns vultos de prestígio: a professora Blacksmith, a solicitadora Near Water e o próprio Small River mostrou boa vontade. Vamos ocupar aquele edifício junto ao Central Saloon onde funcionou o Golden City General Bank e posso garantir-vos que tudo será um êxito.
Alguns rancheiros não percebiam bem a utilidade das conferências, mas o grande aplauso que se seguiu à intervenção de Farison convenceu-os da inutilidade de qualquer intervenção.
Ouviu-se então uma voz proveniente da assistência:
- Devíamos ter um hino para a conferência. Um hino!
A face de Farison abriu-se num largo sorriso.
- Com certeza! Tem toda a razão. E já tenho esse hino comigo. Um hino não da conferência mas da nossa cidade. Um hino à altura de ser lido pela nossa Läss Carina...
A assembleia ficou abafada sob o forte aplauso que se fez ouvir. Farison tinha um hino para a cidade. Onde é que tal coisa se tinha visto no velho Oeste? Que alegria para toda aquela gente. Os chapéus foram pelos ares...
Todos queriam ouvir o hino e desataram a gritar:
- Läss Carina! Läss Carina! Vem dizer o hino...

E agora, amigos oureenses? Como vamos sair desta? Há planos sinistros para a Castle Street e a frente do Central Saloon, mas toda aquela gente está entusiasmada com a promessa de Farison. E Zeca Marth? E os outros habitantes da Castle Street? Acham que vão deixar-se tramar pelo governador Ó Bössta e seus comparsas? E o Hino? Onde vamos arranjar um hino para Golden City?

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

É assim...
Não aprenderam nada, não esqueceram nada



Era com este pensamento a martelar-lhe sistematicamente a consciência que Ó Bössta, deitado sobre o altar do sacrifício, contemplava o sacerdote que iniciava a cerimónia perante o ar ávido de centenas de guerreiros que, ali encerrados nas novas fronteiras que a presença do homem branco obrigava, assistiam, mais uma vez, à concretização dos seus costumes ancestrais.
Sábios pensamentos os seus que não testemunhavam qualquer forma de arrependimento. São assim os convencidos da razão. Vão até ao fim, teimando nas suas malvadezas mesmo que o bom senso os procure avisar que algo estão a fazer errado. Mas o seu instinto é compulsivo, obriga-os a agir daquele modo desejosos de deixar marca histórica.
O sacerdote ergueu lentamente o cajado sagrado e preparou-se para invocar o grande Manitu...
- Aceita esta humilde cerimónia...
Claro! Tinha de ser. Lá estragaram a festa aos índios. De repente, ouviu-se um toque de clarim e, imediatamente, uma coluna militar abateu-se sobre os índios, sabres em punho, fazendo-os fugir.
Videra saltou do cavalo e correu para o local do sacrifício. Deu uma coronhada no sacerdote e libertou Ó Bössta.
- Você aqui?
- É verdade. Vi o que lhe aconteceu e não podia deixá-lo morrer...
Pouco depois, após ter libertado os outros rancheiros que partiram para suas casas, entregou-lhe um cavalo.
- Tome. Pode regressar a Golden City...
E, assim, o governador voltou à cidade. Em cima de um cavalo, mas em cuecas. Pelo caminho ainda encontrou Farison que rastejava e sangrava abundantemente do ombro...
- Anda, sobe para o cavalo.
E lá voltou aquele par de jarras a Golden City perante o olhar divertido dos cidadãos.
- Olha, o governador vai nu...
Mas nenhum deles estava contente.
- Alguém vai pagar isto - pensava Ó Bössta.
Não se referia a Videra que o tinha salvo, chamando o exército. Mas a vaia continuava a incomodá-lo.
Os dias seguintes foram de recuperação física e psíquica para as três notáveis personagens de Golden City. Depois, alguém foi arquitectando um plano de vingança

Que fará Ó Bössta para se vingar dos que o vaiaram? Aperceber-se-á da traição de Farison? E Linda? De quem é o braço que aponta na direcção do altar do sacrifício? (a resposta está no número 169...)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Candidato a governador



E Farison?
Escondido na floresta, assistiu a todo o combate, à refrega com Ó Bössta e ao seu aprisionamento. Resolveu esperar...
- De certeza que ele não vai escapar...
Esfregou as mãos de contente. Aquela era a sua oportunidade. Ele era o ajudante de governador que queria ser governador. Com Ó Bössta morto, seria o principal candidato.
- Basta esperar que tudo aconteça. Vou regressar como um dos poucos que escapou...
Continuou entrincheirado na floresta enquanto os guerreiros índios se afastavam com o governador e mais três prisioneiros. O seu coração batia apressado pelo receio, mas também com as novas perspectivas que se lhe abriam.
Quando o sossego voltou, resolveu regressar à cidade, mas decidiu ir pelo meio da floresta para não dar nas vistas. Puxou da sua faca para cortar algum mato que lhe barrava o caminho e deu vários passos.
Nisto, os seus olhos quedaram-se aterrorizados.
À sua frente, com ar de poucos amigos, um cão enorme, nariz franzido, fitava-o e parecia que estava pronto para atacar. Rápido, tentou atirar-lhe a faca, mas o cão não lhe permitiu. Num instante, estava em cima dele e sua faca rolou poelo chão.
Farison sentiu-se perdido enquanto os dentes do cão dilaceravam o seu ombro esquerdo.
- Que hei-de fazer?
Não queria morrer daquela forma. Logo naquela ocasião em que podia assumir o cargo do governador...
Tentou recuperar as forças e num derradeiro esforço pegou numa pedra e deu com ela na cabeça do cão. Este recuou, ganindo. Farison aproveitou aquele momento para apanhar a faca e desferir um golpe definitivo na fera que lhe acertou sobre o coração. O cão rolou pelo chão e Farison sacudiu-se enquanto estancava algum sangue que lhe corria do ombro.
Era o momento para voltar a Golden City. Ia chegar rastejante, ferido, mas seria visto como um herói. Depois, seria esperar pela nomeação...
Com alguma dificuldade iniciou a caminhada de retorno.
Lá ao fundo, os tambores índios indicavam-lhe que Ó Bössta estaria a passar um momento nada agradável.

Farison regressa a Golden City abandonando o homem que lhe pagava o salário. Conseguirá chegar? Conseguirá assumir o cargo do governador? Os habitantes da cidade serão ainda mais masoquistas para o aceitar? E Ó Bössta? Por que torturas estará a passar?

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Igualdade de oportunidades à portuguesa

De acordo com um estudo hoje divulgado na imprensa, "um quinto das crianças portuguesas está exposta à pobreza" o que coloca o país num vergonhoso penúltimo lugar entre os que foram estudados.
Ó Bössta em apuros


Num instante, a confusão tornou-se indiscritível. Dois rancheiros cairam trespassados pelas setas dos índios. O cavalo de Farison tropeçou e este foi projectado sobre a sua cabeça, ficando inanimado. Foi talvez a sua sorte. Os índios passaram por ele sem lhe ligar mais. Ao recobrar a consciência, rastejou na direcção da floresta e ali se quedou silencioso enquanto o combate prosseguia.
Um grupo de sete cavaleiros conseguiu romper o cerco índio e fugir na direcção da cidade. Ó Bössta não teve essa sorte. Disparou contra os índios enquanto era perseguido em terreno com uma inclinação relativamente acentuada. Fez cair um, dois, mas breve foi alcançado. Um índio saltou sobre ele e atirou-o ao chão. Pouco depois, estava imobilizado completamente cercado.
- É ele mesmo, o malvado governador - ouviu dizer a um índio com monumental toucado de penas - Vamos levá-lo ao sumo sacerdote.
Ataram-lhe as mãos e atiraram-no de bruços para cima de um cavalo.
O governador teve a sensação que não sairia dali com vida. Por um instante, ocorreram-lhe todas as malvadezas que fizera ao povo de Golden City. Mas não sentiu arrependimento. Graças a elas conseguira uma vida boa para si e para os seus amigos...
- Vamos sacrificá-lo ao grande Manitu... - ouviu ainda dizer.

E agora? Será o governador martirizado? Ficará Golden City definitivamente livre dele? Os próximos posts trarão uma resposta...

domingo, fevereiro 24, 2008

Lencinhos brancos para a tia Milu

Mas que injustiça!
Que teria levado aquela gente a fixar-se em tão adorável senhora, tão preocupada que ela está em pôr estudantes a avaliar professores, numa semana recheada de acontecimentos negativos?
Então e os outros?
Aquele senhor do ambiente que culpa a autarquia pelas cheias?
Aquele outro que asfixia as universidades negando-lhes financiamento para os salários?
Aqueles dois jornalistas que facilitaram a autopromoção de sua Excelência, o engenheiro?
O autarca Morgado que troca ditadores e aprendizes?
O oposicionista Meneses sem ideias e sem palavra?
Todos, todos mereciam ver o lencinho. Por isso aquela gente lá em cima no Porto pecou por defeito...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

David Ó Bössta, oil on canvas

Este é Ó Bössta, governador de Golden City há quase três anos, cidade que de um ambiente bucólico, amistoso e cooperativo se transformou em monumental coutada para ele e rancheiros amigos. A imagem reflexo de Ó Bössta significa a sua multiplicação por muitos lugares no espaço e no tempo.
Vangloriava-se da sua política, mas o seu próprio autoconvencimento não o deixava ver quanto era negativa para os mais necessitados sobre os quais fizera cair grandes cargas tributárias, aos quais retirara múltiplos direitos em matéria de educação e prestações sociais e a quem contribuiu para o lançamento no desemprego nunca antes visto na região. Paradoxalmente, apesar de constestação esporádica, proveniente de camadas populares mais ou menos bem determinadas, a sua renomeação para governador era bem vista por muitos devido ao sistema de compadrio e clientelismo instalado.
Apesar de tudo, enquanto perseguia Videra, a vaia a que fora sujeito incomodava-o sobremaneira.
- Mal apanhe esse sacana, não posso deixar de dar uma lição aos outros - pensava - Sei bem quem são, onde moram. E vai ser por decisão colectiva que os vou tramar...
O grupo de quinze cavaleiros armados aproximava-se do território de uma seita um tanto exótica aparentada com índios, mas com rituais religiosos estranhos. Nunca até então tinha havido problemas na passagem por aquela zona apesar de o relacionamento com aqueles "selvagens" ser quase nulo, sabendo Ó Bössta que eles eram bastante perigosos perante a profanação de alguns lugares sagrados.
Talves por esse conhecimento, a passagem do território indio estava a provocar-lhe alguns nervos. Sentia-se vigiado, sentia um ruído estranho...
E tinha razão para os seus temores. De repente, um grito agudo encheu todo o espaço envolvente e, provenientes de locais escondidos na floresta envolvente, dezenas de índios vieram na direcção dos quinze cavaleiros, alvejando-os com flechas e fazendo-os dirigir na direcção de uma zona rochosa.
O chapéu de Farison voou levado por uma das flechas. A gritaria, entretanto, continuava, tornando-se ensurdecedora. Ó Bössta pensou que já não se safaria daquela...

Amigo oureense, continue a ler na próxima semana o desenvolvimento de Golden City, cidade sem lei. Conseguirá Ó Bössta escapar e consolidar os três anos da sua miserável governação? Ou acabará ali de uma vez por todas o seu poder?

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O resgate da presidenta



Mal sairam de Golden City, Ó Bössta e seguidores, tomaram a direcção que, na sua mente, Videra teria seguido. Iam apressados tentando apanhá-lo antes da hora do almoço, mas o tempo perdido na vaia e na recuperação de cavalos, parecia-lhes fatal.
- Ele não vai com certeza por Red Apple Town - dizia Farison - A Linda vive lá e não vai querer que os vejam.
- Cavalga e não digas disparates - respondeu-lhe Ó Bössta.
Farison calou-se, sentindo alguma raiva fervilhar dentro de si. Manhoso, convencia-se, apesar de tudo, que o outro o considerava estúpido. Como gostaria de lhe dar uma facada nas costas e assumir o seu lugar. Ser governador era o seu grande desejo...
Continuaram a cavalgar, mas, ao fim de algumas horas, o certo é que não viam rasto dos fugitivos.
Um pouco mais atrás, Would Do seguia-os, mas, em determinado momento, algo lhe chamou a atenção. Parou, deixou afastar os perseguidores de Videra e olhou pensativo para uma zona de penhascos.
- Que estranho! Andam ali uns abutres...
Resolveu conduzir a montada naquela direcção, afastando-se ainda mais dos perseguidores de Videra. Ao chegar junto aos penhascos viu um chacal, aproximando-se de uma mulher que estava inconsciente, deitada no chão. Deu um tiro para o ar e o animal afastou-se imediatamente, enquanto os abutres continuavam a esvoaçar. Saltou do cavalo e aproximou-se do corpo caído.
- É o monstro da mulher! E está viva...
Que haveria de fazer? Por uns breves momentos, pensou abandoná-la. Na sua perspectiva, aquela mulher, aliada incondicional de Ó Bössta, era um monstro que apoiava todos os seus actos mais vis e que prejudicavam a população de Golden City. Mas a sua consciência falou mais alto.
- Não posso abandoná-la nesta situação...
Com todo o cuidado colocou-a no seu cavalo, montou e conduziu-a de regresso a Golden City, amparando-a.
Não deixava de pensar nesta partida do destino. Ele, terrível crítico de Linda e do seu comportamento na associação, era quem naquela momento a salvava e a conduzia a um local seguro.
Lá longe, os outros cavaleiros continuavam a perseguição a Videra.
O doce retorno de Would Do e Linda Simon a Golden City ficou registado no quadro que acompanha esta descrição.

E quanto aos perseguidores? Apanhariam Videra? E Linda? Que faria? Qual a sua atitude relativamente ao perseguido?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Linda Simon, oil on canvas


Esta é Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bösta, presidente da associação de criadores de cabeças de gado de Golden City, neste momento, presa pelo arruaceiro Videra que foge da cidade perseguido pelo governador e seus lacaios.
Videra leva também dois cavalos consigo. Mudou várias vezes de direcção, escolhendo terreno empedrado e, quando viu que não havia sinal dos perseguidores, suavizou o envolvimento da presa.
- É melhor soltares-me - gritou ela.
- Não tenhas receio que não vou fazer-te qualquer mal.
Saltou do cavalo e ajudou-a a descer, entregando-lhe uma montada.
- Podes ir. Desculpa o mau bocado que te fiz passar.
Linda montou, olhou-o com alguma estranheza e afastou-se na direcção de Golden City. Videra imitou-a e tomou a direcção do seu rancho em grande velocidade desaparecendo rapidamente no horizonte.
A presidente voltava a Golden City, absorta em mil pensamentos. Estaria errada? Teria aquele homen razão ao criticar de tal modo a política local? Mas como poderia afastar-se de Ó Bössta se este tinha tanto poder?
Ia tão distraída que não viu uma cobra passar perto da montada. Esta assustou-se, encabritou-se e atirou-a por terra. Linda bateu com a cabeça no chão e ficou imóvel. O cavalo, esse, permaneceu a seu lado contemplando-a numa doce tristeza.
Ainda ensonado, um chacal sentiu presa fácil bem perto e ergueu-se para a procurar. Pé ante pé, aproximou-se daquele corpo inerte, temporariamente fragilizado...

Linda foi libertada, mas está em perigo. Irá ser comida pelo chacal? Quem a poderá salvar? Videra parece estar em segurança no seu rancho. Que fará Ó Bössta?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Caçada ao arruaceiro



Desesperado, Ó Bössta viu o cavaleiro afastar-se levando consigo a fiel presidente da associação de criadores de cabeça de gado e mais duas montadas presas pela rédea. Desvairado, gritou às pessoas que tinham assistido à assembleia para apanharem os cavalos. Mas elas não colaboraram.
O governador insistiu:
- Corram, suas azémulas! A razão é toda nossa. Não veem que ele nos escapa?
Mas as pessoas, em vez de fazerem o que queria, dedicaram-lhe monumental vaia.
Pela primeira vez, frente ao local de realização da assembleia, David Ó Bössta era vaiado por populares que assim manifestavam o seu desagrado pela sua acção desastrosa para Golden City. Olhou-os irado:
- Isto não se admite. Isto não pode ser tolerado. Breve me ocuparei de vocês...
Entretanto, chegou Farison com a sua belissima montada com malhas brancas e quinze homens armados. Ó Bössta montou, puxou da pistola e deu uns tiros para o ar enquanto ao fundo, no inicio da encosta, o gado pastava docemente.
- Vamos. Temos de apanhar aquele arruaceiro e libertar a presidente - e dirigindo-se aos populares - hão-de ver como elas vos mordem!
Via-se que estava fulo, mais fulo com a vaia do que com o que acontecera na assembleia.
Picou a montada e partiu na direcção de Red Apple Town. Alguns rancheiros imitaram-no. Mais atrás, sempre a tomar notas, e mantendo razoável distância, Would Do seguiu-os.
Que irá acontecer? Libertarão a presidente da assembleia? Conseguirão apanhar Videra? E os populares? Estarão seguros a partir do momento em que vaiaram Ó Bössta desafiando a sua ira?

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A grande assembleia


Era o grande dia da assembleia anual dos criadores de cabeças de gado.
Nela tinham lugar os rancheiros da região quotizados para a associação, o governador Ó Bössta (na qualidade de rancheiro e governador) e respectivos ajudantes. A assembleia era aberta aos populares que quisessem assitir e à imprensa local. Como se sabe, era presidida por Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bössta.
Não era muito diferenciado o perfil dos rancheiros da associação. A grande maioria, sedenta dos seus favores, apoiava Ó Bössta. Nela havia pessoas com valor, é certo, mas a sua fidelidade ao governador deitava tudo a perder. Os restantes, mais fracos em poder de decisão e em poder económico, não conseguiam que as decisões da asssembleia os beneficiassem. A sua fragilidade organizativa era enorme e potenciada pela incapacidade de impor decisões contrárias à vontade de Ó Bössta.
A Assembleia que estamos a relatar estava relativamente bem frequentada. Na mesa da presidência, Linda Simon deu a palavra a uma rancheira proveniente das proximidades de Peaceful City e esta resolveu ler uma passagem da “Antologia poética do cowboy solitário”:
Gosto de ouvir os tiros
Dos cowboys enquanto partem
Arrancando mil suspiros
Aos corações que ardem

Trouxeram manadas de gado
Beijaram meninas que adoram
Vão para o solitário fado
Enquanto elas, tristes, choram
Quase todos apaludiram com gosto aquele momento de poesia protagonizado por Lass Carina, mas a voz de um rancheiro recentemente instalado na reunião fez-se ouvir:
- Estão aqui os maiores rancheiros da região, os maiores produtores de gado, vejo-os com estas tretas, ou envolvendo-se em negócios que só os beneficiam. Lá fora, o povo não tem trabalho, morre de fome e não fazem nada para o tirar dessa situação.
Ó Bössta ficou logo em guarda com estas palavras.
- Seu arruaceiro! Não venha para aqui com essa conversa...
Mas Lex Videra continuou alto e bom som a denunciar o comportamento daquela assembleia. Do outro lado, Mickel Sleeves levantou-se e afirmou:
- As suas palavras não valem nada, são completamente inúteis e não servem a nossa cidade. Ainda há dias, matámos uma vitela e distribuímos os bifes pelos quinhentos pobres da região. Você é mouco e deve estar louco...
Mas Videra continuou, não dando qualquer importância às palavras de Sleeves entendendo que elas eram um convite a que os pobres permanecessem sempre pobre. No fundo da sala, junto da imprensa local, Serge Would Do tomava notas sobre tudo o que se passava.
Nisto, Ó Bössta perdeu a paciência. Virou-se para os seus lacaios e gritou:
- Abatam-no!
Foi o pânico na assembleia. Farison e companhia tentaram sacar das armas, mas Videra foi mais rápido e desarmou-os com vários tiros. Depois, saltou do seu lugar, agarrou Linda Simon e apontou a arma aos restantes.
- Vamos. Atrevam-se...
Recuou, mantendo-a envolvida com o braço direito sob o busto enquanto sentia o seu arfar, conduziu-a até ao cavalo, deu três tiros para o ar e espantou os cavalos dos outros rancheiros, montou, pegou em Linda e arrastou-a consigo, cavalgando para a saída da cidade.
- Apanhem-no! – gritou Ó Bössta – O malvado espantou as nossas montadas.
E enquanto tentavam apanhar as montadas, Videra, fugiu para longe da saída, levando Linda consigo como refém.
Que iria passar-se? Seria Videra apanhado? Libertaria Linda? E que faria Would Do? Não deixe de seguir mais esta formidável estória de Golden City...

domingo, fevereiro 17, 2008

Lamentável ausência de perspectiva

O Eng. Sócrates tem toda a razão se disser que o desemprego diminuiu ao analisar o que se passou nos quatro trimestres de 2007.
De igual modo, a oposição tem razão se disser que o desemprego aumentou se medir o seu comportamento pela evolução de desempregados, ou pela taxa de desmprego, entre 2006 e 2007.
Os dois indicadores parecem contradizer-se e a fixação num ou noutro prova quanto sofrem de demagogia os agentes da política no nosso país.
Dos valores em causa, só por si, nada pode concluir-se, e também não é muito justo assacar-se ao governo a responsabilidade pela não criação de emprego uma vez que, conscientemmente, os portugueses parece terem optado por uma economia assente na livre iniciativa. Se o patronato não investe como pode haver mais emprego?
É de acreditar que, em 2008, a situação vai piorar já que há indícios de recessão económica.
Mas tudo isto não chega para deixar de produzir aqui uma nota de reprovação pelo esquecimento do que vai acontecendo no nosso país e que a ser avaliado tiraria todas as dúvidas sobre o que está a passar-se.
A verdade é que grande parte dos nossos jovens, descrentes com o sistema, já nem se inscreve no Instituto de Emprego e Formação Profissional, fazendo com que o seu caso não conte para a estatística de desemprego. Eles deixaram de acreditar no sistema depois de tanto tempo esperarem, depois de receberem postais em casa, comparecerem e tudo mais parecer que o dito instituto andava a brincar com eles. Este comportamento demostra que estes jovens não sentem qualquer confiança no desenvolvimento país. Mas esquecer tal facto demonstra uma lamentável ausência de perspectiva por parte dos nossos políticos...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Farison, oil on canvas




Este é Vic Farison, conhecido lacaio de Ó Bössta, aqui disfarçado de vaqueiro, mas alma valente e traiçoeira para levar as maiores malfeitorias a Golden City. Usa bigode e o chapéu tapa-lhe preocupante calvície que os anos teimam acentuar.
Vem apressado com fogo no cu para cumprir ordens do governador.
Ó Bössta quer novo palácio e exige que seja construído sobre as cinzas do velho depósito de água que serve a população da cidade. Está-se nas tintas para o prejuízo. Borrifa-se no projecto. O dinheiro a aplicar é do povo.
Farison puxa do seu laço que é um ás a manejá-lo. Atira-o.
Pouco depois, o depósito range num lamento semelhante ao dos corações dos habitantes de Golden City e cai por terra...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Um inquérito relevante?


Diz-se que a informação é relevante quando apoia a tomada de decisão ou a actividade de quem a recebe...
Hoje, por todo o lado se procede a inquéritos sobre os mais variados assuntos, constituindo-se interessante material de investigação. Em momento de publicação, somos surpreendidos com dezenas de quadros, belíssimos gráficos (de barras, em formato queijo, de tipo radar e até de dispersão). Tudo isso é possível através de programas de tratamento estatístico com relativa facilidade de uso. Por vezes, no entanto, fica a sensação que não se utilizaram os dados em todas as direcções que era possível.
Vem isto a propósito de um inquérito aos hábitos alimentares promovido pela gestão de autarquia "em parceria com o Centro de Saúde de Ourém e o extinto Agrupamento de Escolas Oureana" e cujos resultados podem ser consultados aqui.
Olhando para o que se diz como conclusão, olhando para os diversos quadros, tudo parece normal e o trabalho conclui cândidamente que a proporção de crianças com peso a mais ou com obesidade está dentro da média nacional (+ ou - 30%).
Interrogo-me se tudo terá sido analisado. E, reparem, o que digo é interrogo-me, pois tenho todo o respeito pelos autores do trabalho. A verdade é que, fazendo algumas contas, a situação quanto aos alunos que responderam ao inquérito, na escola dos Coroados e na escola de Alburitel, parece preocupante já que mostra proporções superiores aos 50% no primeiro caso e perto deste valor no segundo. Não será isto relevante para a autarquia ser mais proactiva nesta matéria?
O descanso do guerreiro


O mistério permanece.
O que teria dado ao blogger enquanto jovem para, após um período de profícua produção, com um plano para 60 obras 60, pousar a pena?
Não tenho qualquer resposta neste momento, julgando que alguma revolução se terá operado na sua vida. Não que cessasse o interesse por estes temas. Na realidade, a problemática de Golden City, uma cidade de passado maravilhoso, com um presente espezinhado por Ó Bössta e seus lacaios, justificava que se continuasse a falar sobre a mesma. Temas não deixam de existir... vejam só:
- por que é que em 42 estados da união o nível de tributação seria inferior, estando os habitantes de Golden City sujeitos a carga agravada? com certeza para continuar a alimentar os desvarios do governador como o que concretizou com o palácio...
- por que é que, estando na vizinhança de um local de passagem de múltiplas caravanas, não existiria nem se faria por existir uma cuidada urgência médica? consta que o governador estaria empenhado no apoio à viabilização de uma unidade de saúde privada...
Mas esta foto parece desmentir o interesse por essas questões. O blogger foi encontrado deitado a ler, borrifando-se para tudo à sua volta. Talvez estivesse a carregar baterias. Na realidade, uma das suas características sempre foi nunca desistir, embora dando a entender o contrário. Por isso, acreditemos que, em futuro próximo, algo mais surja por aqui...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Colecção Caravana making of - #3



Este documento foi encontrado dentro do Vol IV da Colecção Caravana. Nele, manifestava-se a intenção de produzir 60 obras. Fiquem descansados os amigos oureenses porque não vamos insistir em sinopses já que as produzidas chegam para caracterizar a situação em Golden City. Neste momento, não fazemos a menor ideia de que alucinações padecia naquela altura o blogger enquanto jovem.
Alguns títulos ainda são interessantes. Reparem:
- "A casa maldita" provavelmente para referir aquele local (o palácio do governador) a partir do qual era decidido aplicar a maioria dos danos a Golden City;
- "A revolta dos mortos", retratando o que sentiriam os anteriores habitantes da cidade, entretanto desaparecidos, perante a obra de destruição a que a mesma ia sendo sujeita pelo poder de Ó Bössta, já que aos vivos parecia faltar qualquer coisa para o contrariar ou afastar;
- "Caminhos sem horizonte", uma referência indubitável à tímida acção de alguns que anunciavam opôr-se a Ó Bössta, mas com ele pareciam conluiar-se dada a confragedora ausência de propostas e acções que deles emanavam;
- "O amigo dos índios" para referir a atitude de alguém que, triste com o comportamento oportunista e subjugado à materialidade do benefício imediato dos seus semelhantes, tantas vezes intolerantes à liberdade e à diferença, se afastou e isolou tentando acreditar na força da razão, embora sem força para a impor...
Estranhas ideias estas que nos parecem tão actuais!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Colecção Caravana making of - #2



Esta é a máquina com que naquele tempo era possível registar alguns dos formidáveis acontecimentos agora desvendados na famosa Colecção Caravana. Se a máquina resistiu, o mesmo não se pode dizer dos produtos que ajudava a fabricar e que são, hoje, raros.
Há, lembro-me, um registo interessante em que Ó Bössta agarra no ar a facada que Farison lhe enviara e aproveita para lha cravar com toda a força, afastando-o do poder por algum tempo. Acção vã, diga-se, apesar de muito saudada no Golden City News e no seu rival Golden City and its State, já que os que substituiram Farison em tudo lhe eram iguais em termos de (in)competência, pelo que Golden City continuou a estiolar.
Hoje, a máquina repousa, incapaz de funcionar, na casa dos meus fantasmas, mas ainda ajuda a lembrar muitos factos interessante antes vividos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ai! Do que é que eles se terão lembrado?



Segundo o NO, a autarquia, a troco da cedência de algumas facilidades na construção de moradias unifamiliares, é neste momento detentora do edifício do estórico Colégio Fernão Lopes e projecta requalificá-lo bem como a sua envolvente com o objectivo de ali instalar um local de formação.
De longa data temos vindo a denunciar a incúria relativamente às referências da história recente de Ourém, designadamente das que acompanharam as gerações de cinquenta, sessenta e setenta... Este foi um desses locais.
Terão estes senhores ganho algum juízo? E será mesmo para USO Oureense?
Duvido muito...
...mais, a avaliar pelo que realizaram noutros pontos de Ourém é de acreditar que vão fazer qualquer coisa que descaracterizará totalmente o espaço pelo que breve diremos: "antes morto que assim torto!".
Colecção Caravana making of



Afinal ainda há mais algumas coisas para dizer acerca da já famosa Colecção Caravana. E uma delas é que a máquina em que algumas das suas páginas foram escritas é a que este post mostra a qual foi limpa e cuidadosamente guardada na última passagem por Ourém.
Imaginem o blogger frente àquela máquina a dar com toda a força nas teclas. Sim, os tempos não eram fáceis como agora em que a mais pequena gralha pode ser imediatamente corrigida. Antes, ou ficava ou gerava nova folha perdendo-se o restante texto já que o próprio corrector era um luxo que as pobres bolsas de adolescente não comportavam.
Ainda a propósito: o papel para os textos provinha de sebentas adquiridas na mercearia do senhor Moreira, no local onde agora existe uma livraria frente à lateral da igreja. Era papel muito bom, suave, já dobrado e, pelo que se vê, resistente...
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