quarta-feira, janeiro 19, 2005

Mais produção nacional, fomentar o consumo

O programa eleitoral do PCP encontra-se aqui e tem ideias muito interessantes.

Para além da defesa do SNS, para além da aposta na educação, para além do desenvolvimento da sociedade da informação, deixa-nos a ideia de aumentar salários para fomentar o consumo, reorganizando o aparelho produtivo.

Eu também me ponho muitas vezes a questão: para quê aumentar tanto as exportações a preços de uva mijona como fazem os nossos empresários naquela cruzada de conquistar o mundo pelo comércio? Se produzirmos para o mercado interno, se nos organizarmos em termos de autosuficiência...

Acho que isto teria sido possível há uns anos.

O pessoal habituou-se a consumos que só uma economia aberta pode satisfazer. Com padrão de consumo dos ricos, aumento de salários é aumento de importações. Como vamos responder a isto?

O maniento

A socrática criatura só participará em dois debates televisivos, recusando outros.
É assim mesmo!
Há que tomar desde já uma atitude de Estado.
Por que razão quererão os outros energúmenos debater os problemas com ele? Ele não faz parte deste filme. É o potencial vencedor.
Eles só se querem promover.
Mas o PS não vai nisso. Façam campanha por eles, não à conta de quem vai ter o ónus da governação. Ainda o punham a prometer trezentos mil empregos novos, taxas de crescimento de 10% e ele precisa é de cortar... e que disso não se fale muito...
Isto não é campanha, meus senhores, falemos a sério

Vamos ter um TGV que custará menos 30% do que estava previsto.
Vamos ter mais duas pontes em Lisboa, uma rodoviária outra ferroviária.
Viva o PPD/PSD!!!
Quem não perdoa ao Ministro Mexia são os especialistas que o criticam por desconhecimento técnico e duvidam da viabilidade da apressada promessa.
Só não percebo a razão que leva os nossos queridos autarcas a não aproveitar a onda.
Eles podiam exigir uma paragem do TGV ali para os lados da Corredoura e garantir assim a visita de muitas pessoas em momento de cheia. Seria a combinação de desenvolvimento das comunicações, Turismo e Comércio. Porque serão sempre os leirienses os beneficiados?
Francisco versus Jerónimo

O debate até nem foi mau.
Mostrou duas pessoas civilizadas que souberam compreender quem era o verdadeiro inimigo dos interesses populares e evidenciaram algums diferenças e convergências.
Não sei quem ganhou nem sei se isso interessa.
Confesso que não tenho a esperança na Europa que por vezes se depreende do discurso do Bloco. Aliás, penso que a mesma ajudou muito à desarticulação total da nossa economia e para inviabilizar alguma coisa mais a sério no nosso cantinho.
Talvez isto tenha a ver com o ideário do mentor do Bloco. Não era Trotsky quem defendia a revolução à escala mundial? Por que não começar à escala europeia, pensará Louçã.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Tudo o que é nacional é bom



Este post é uma homenagem ao nosso caro Bispo do Porto. Ou será o Bispo de Santa Cita?
250 milhões de euros

Foi o montante encomendado em pareceres pela administração pública o ano passado, revelou Freitas do Amaral no Prós e Contras.
É uma vergonha!
Por este andar, nem que despeçam os funcionários públicos todos, têm dinheiro para suportar as clientelas.
Depois atrasam os pagamentos aos desempregados e aos doentes.
Para que serviram esses pareceres? Para continuar a afundar o país?
Eu não acredito, não posso acreditar...
Mas é verdade, é preciso cortar do lado da despesa. No sítio certo!
Grande debate

Logo à noite, na Sic Notícias, pelas 23.15h, podemos assistir a um grande debate entre o Francisco e o Jerónimo.
Força, rapazes!
Exponham-nos as vossas diferenças e as vossas propostas...
... não esquecendo que é muito importante mostrar claramente que as propostas da direita não prestam, que não trazem felicidade para o povo e que há alternativas credíveis ao santanete e à socrática criatura.

O que é que...?

O que é que ninguém tem levado aos oureenses, mas a que Soares deu ontem uma preciosa ajuda no programa Prós e Contras?
Está aqui e pode resumir-se nestas palavras:
- Combater o pântano do atraso.
- Resolver a dívida interna e o défice democrático.
- Abrir a sociedade de informação.
- Democratizar a modernização.
- Virar a Europa para as prioridades sociais.
Podem também ler isto.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Esquecimento imperdoável

Estava quase a largar isto e, de repente, lembrei-me que o nosso querido Benfica tinha cometido o grandioso feito de se colar aos primeiros lugares depois de ter espetado uma cabazada ao Boavista.

Vai ser este ano, agora é que é... se até o Mantorras marca golos.

A ajudar a festa, os lagartões levaram uma lição na Madeira. Que lhes faça bom proveito.

E os horrorosos, presunçosos e arrogantes portistas não foram além de um empate em Coimbra.

Meus amigos, esta magnífica conjugação de resultados, que reflecte a conjugação astronómica, vai estender-se às eleições e indicia que o vermelho vai ver a sua influência reforçada. Mais, lá para o final do ano, os laranjetes serão expulsos da Câmara. Não andam eles já aterrorizados a encomendar sondagens?

Subida na idade de reforma

Depois de ter criado as maiores trapalhadas do ponto de vista social, o Centrão prepara-se para mais uma medida que vai mexer no bolso de quem mais garantias dá de se ter dedicado ao trabalho.

PS e PSD parecem de acordo em subir a idade da reforma, debaixo dos demagógicos argumentos de a esperança de vida ter aumentado e de o sistema não aguentar.

Efectivamente, a única vantagem que se pode deduzir de tal medida é a monetária.

Porque desvantagens há muitas. Recordemos, em primeiro lugar, que, como a capacidade para empregar não é elástica, isto significa que haverá muito menos empregos para os jovens que chegam ao mercado de trabalho, não podendo desta maneira ocupar os lugares eventualmente deixados vagos pelos velhotes. Em segundo lugar, é de acreditar que a produtividade, em termos globais, diminua: já imaginaram a diferença de capacidades entre um jovem e uma pessoa com quase setenta anos? Finalmente, com os jovens a descansar e os velhos a trabalhar, é de acreditar que a inovação e a adaptação a novas tecnologias nem com dificuldade se façam.

Assim, atrevo-me a sugerir ao Centrão: pensem um bocadinho para além dos números...

Apelo pelo desenvolvimento sustentável
O Brisa Mínima deixou-nos mais um excelente post:

Basta de guerras absurdas e infames, de conflitos armados prepotentes, que só contribuem para provocar mais poluição e destruir ainda mais o planeta. O que é urgente é cuidar da vida. Se isso for feito, não restará tempo, nem meios materiais para armas e para guerras. O mundo tem, actualmente, meios pacíficos eficientes para resolver as questões e diferendos internacionais. A ecologia começa aí: na democracia, no esclarecimento, na evolução das ideias de quem detém o poder.

Na zona de comentários, o 1bigonbalcao diz-nos que isto só melhorará com o socialismo.
Eu estou de acordo. O problema é: e como vamos chegar a essa sociedade? À tareia? Por eleições? E qual o papel das diversas ideias na construção? Permite-se que quem pense diferente, embora com os mesmos objectivos, abra a boca? E qual o papel da propriedade privada e da iniciativa privada?

Atenção aos direitos!

O fim de semana pouco ou nada trouxe em termos de campanha entre os partidos candidatos à vitória.
Santana atirou-se ao PS, mas pouco ou nada disse sobre o programa laranja.
Coelho respondeu a Santana, adiando o programa por uma semana.
Meneses puxou as orelhas ao "maninho mais novo".

Entretanto, talvez fruto de reacções, o PS revê a posição sobre benefícios fiscais. "Algo" voltará no orçamento para 2006. Não esclarece, no entanto, o quê nem como conseguirá crescimentos de 3% e os novos 150000 empregos.

No "Novas Fronteiras", surgiu nova ameaça aos detentores de períodos contributivos longos, preconizada por Augusto Mateus: subida na idade de reforma. Começa aqui a desenhar-se algum acordo ao Centro que mostra que, mais uma vez, os partidos combatem as consequências do esbanjamento cortando nos direitos dos que trabalham. Ainda se eles dessem o exemplo...

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Feira dos pinhões

O que o skywatcher me veio lembrar...
Recordo imediatamente uma que vivi no Vale Travesso há uns cinquenta anos.
Devo ter subido a encosta mais ou menos a partir daquela casa onde toda a gente, hoje, vai buscar água, ali, perto do cruzamento para Seiça.
Lá em cima, estavam as vendedoras com cestos carregados de pinhões e aquelas medidas de madeira.
Mas eu gostava especialmente das enfiadas. Talvez fossem mais torradinhos, talvez tivessem mais sabor.
Naquela época, dava para estar deitado pelo chão a respirar ar puro e a saborear aquelas maravilhas e os tremoços. Por vezes, também havia música, alguma ao vivo com realejo ou concertina.
Depois, ao fim do dia, era só descer a encosta. Para baixo tudo era mais fácil...
O nosso amigo skywatcher tem toda a razão. Por dois dias, deixemos este azedume que nos move relativamente aos "Pinóquios" e deliciemo-nos com os pinhões de Santo Amaro.
Mas eu tenho de ficar cá pela Parede e agora tudo vai ser muito mais difícil...


O Centrão
O Fred tem toda a razão:

Não percebo nada de política, mas uma coisa sobressairá de imediato nas próximas eleições: se o PS ganhar, só prova que o povo tem memória curta. O problema é que o grande 'centrão' do país, entre PS e PSD, não tem muito por onde escolher.

É verdade, esse centrão não serve o país. Precisa de reciclagem.
Por isso, há que votar bem à esquerda para o centrão rever as suas propostas, a sua prática e procurar, efectivamente, servir os portugueses.


20 milhões de euros

É quanto os partidos vão gastar na próxima campanha eleitoral, utilizando dinheiros públicos.
Honra lhes seja feita. Vê-se logo que estão a dar o exemplo e a apertar o cinto como tanto têm exigido aos portugueses.
Mandasse eu nisto e, se cada um levasse 100000, ainda estavam com sorte. O resto que pagassem os militantes.

90 euros

90 euros para idosos que vivem em pobreza extrema.
90 euros para cada um dos 300000 já determinados.
90 euros que não acabam com a miséria.
90 euros que podem ser a diferença no voto.
90 euros que podem dar a maioria absoluta.
90 euros que para uns trazem a euforia da vitória e para outros uma miséria mais escondida.
Eis porque há Promessas Assimétricas.

Ora, toma!

Pensavas que te devolviam os benefícios fiscais?
Querias incentivos para poupares para a casinha do filhote?
Acreditavas em incentivos para poupares para a reforma?
Nem penses. A estabilidade fiscal não vai permitir. Nós não acreditamos na igualdade poupança / investimento.
Por isso, consome.
Só há incentivos para quem inovar.

Aliás, imagino as infindáveis manobras de bastidores que por aí há para que, na devida altura, milhares de inovadores floresçam.


O Príncipe Sarmento

Resolveu acusar os seus críticos de falta de sentido de Estado.
Deve estar muito equivocado.
Deve estar a ver-se ao espelho.
Efectivamente, o que falta cada vez mais ao pessoal é o sentido de resort.


quinta-feira, janeiro 13, 2005

O hino de David

Vou destruindo Ourém
Sou homem de muita raça
Há um ano, vejam bem,
Foi o jardim da Praça

Pela Rua de Castela,
Indemnizações vou largar,
Chegam para uma morcela
Quero é pô-los a andar

Nossa Senhora nos trouxe
Em Fátima a revelação
Com autoestrada nos brindou
Para nos unir à Nação

Sou David Exterminador
Comigo trago Seis Balas
O betão é o meu amor
Não cultivo boas falas

(continua em melhor dia)
Arrefecimento

Mal chego a este blog e falo em algo relacionado com a CDU, nota-se uma diminuição de comentários e leituras, como se os meus amigos receassem contaminação.

Porque reagem assim?

O Ourem não faz campanha por qualquer partido ou coligação. É um blog aberto à esquerda, cabendo aqui todas as ideias que se possam traduzir numa sociedade mais justa. Isso não é um exclusivo da CDU, nem eu concordo com tudo o que esta organização possa defender, mas as minhas discordâncias não são razão para a banir das minhas influências numa altura em que, do ponto de vista político e social, as minhas certezas são quase nulas.

Antes, ainda apareciam o Joca, a Noémia ou o Trovoada para animar a luta contra os perigosos comunas, mas, agora, é um gelo total...

E o BE? Será que não há Bloco em Ourém? Se há, porque não aproveitam um bocadinho deste espaço?

Mais compreensível é o desprezo dos socialistas cuja luta pela liberdade eu tanto prezo, mas cujas concessões à direita tanto me desgostam e me fazem, por vezes, dizer algo que não lhes agrade.

Mas é meu destino sentir esta desconfiança da parte de organizações que reunem tantos princípios em que me revejo, pois estou sempre pronto a denunciar práticas não conciliáveis com o que defendem.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

O dedo na ferida

É preciso pôr fim a políticas que em 28 anos levaram ao aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres. É inaceitável que uns especulem enriquecendo e outros trabalhem empobrecendo.

Efectivamente, tal como diz Jerónimo, é uma questão de políticas.
Pobreza

O secretário-geral do PS, José Sócrates, garantiu hoje, em Santarém, que os "idosos mais pobres", aqueles que se encontram abaixo do limiar da pobreza, serão a prioridade das políticas sociais de um eventual Governo socialista.

Prometeu apresentar, "em breve", um programa de apoio aos idosos que são "efectivamente pobres" para colocar as suas pensões "ao nível do limiar de pobreza" nos próximos quatro anos.

Claro que é de apoiar todas as medidas consequentes para tirar as pessoas da miséria.

Mas, no fundo, PS e PSD são muito semelhantes na fé que têm na capacidade de discriminação com rigor. O PSD queria lançar portagens diferenciadas entre os portugueses baseadas nos seus rendimentos. O PS quer distribuir tendo por base algo de semelhante. Um arrecada, outro dá. Mas ambos acreditam cegamente num sistema de detecção que não presta, o que significa que, muito possivelmente, nunca acertarão no alvo.


Escola da Amieira vira tasca do petisco!

Parece que a desactivada escola Primária da Amieira vai mesmo parar às mãos dos caçadores contra a vontade da população, e entregue pelo autismo político local sob uma forma de contornos ainda não definidos (possivelmente ad eternum, ou seja até eles deixarem de funcionar).

Mais, é entregue um espaço público a uma associação sem fins lucrativos, mas que pretende explorar lucrativamente o espaço sem qualquer retorno para a sociedade civil, de qualquer género de actividade (salvo a famigerada caça).

Podemos ler este e outros artigos importantes em Brisa Mínima de 1bigonobalcao.

(Continuar a ler "Escola da Amieira vira tasca...")
Pessimismo

Um jornalista da Reuters traçou um quadro negro de Portugal considerando o pessimismo como o sentimento mais marcante da actualidade.

Estou um pouco de acordo.

A acção dos últimos governos traduziu-se numa monumental manifestação de incapacidade, levando o país para uma crise profunda da qual vai ser muito difícil recuperar.

A agravar o que se passou, constata-se a inexistência de algo que nos possa galvanizar nos próximos tempos. O PS ganha as eleições... e depois? Que vai acontecer? Há promessas de investimentos na inovação, na tecnologia, mas que garantia temos que isso não vai ser outra vez aquilo a que o PS nos habituou: gastar sem grande aproveito...? gastar por gastar...?

Mas, se o PS não ganhar as eleições, que nos prepara a direita? Mais despedimentos? Elevação da idade de reforma depois de lá terem os descontinhos todos...? Vejam as propostas da dupla Cadilhe-Medina Carreira que mostra que andam a afiar bem os dentes...

Pela ausência de projecto galvanizador, pelas ameaças que a direita já prepara, pela incapacidade para garantir uma unidade à esquerda cuja preocupação não seja meramente o crescimento, mas o desenvolvimento, que não se centre na Europa, mas no país, que não procure gastar mais, mas melhor, que não esteja sistematicamente a atacar os direitos de quem trabalha, mas a defendê-los, que não se esqueça das mordomias de certos políticos, mas que acabe com elas, creio que existem condições para justificar bem este pessimismo.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Continuidade

O código de trabalho elaborado pelo governo do PSD e do CDS-PP e que tanto mal faz a quem trabalha, transformando-os em descartáveis nas mãos de um patronato feroz e sem escrúpulos, não vai ser revogado pelo possível governo de Sócrates.

"Não devemos deitar fora tudo aquilo que foi feito apenas por objecções ideológicas. O que vamos fazer é melhorar o pacote laboral com base nas propostas que o PS apresentou", afirmou.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Credibilidade

Sócrates abre o rol: 150000 novos empregos.

Será que o presidente do PS se esqueceu que é mais fácil destruir que construir?

Custa-me a crer que tenha lançado esta promessa só por lançar. Aliás com as sondagens existentes, não precisa de recorrer à mentira.

Mas, sinceramente, duvido muito...

Vendam o ouro
... e despeçam os funcionários públicos: estas as propostas de Cadilhe.

Felizmente está em rota de colisão com qualquer dos partidos candidatos à vitória nas próximas legislativas.

Qualquer das medidas propostas é solução ilusória.

Vender ouro é o que se tem feito na forma de edifícios, fundos de pensões, etc. É venda de anéis que um dia nem terão dedos para os sustentar.

Tocar nos funcionários públicos sem uma profunda reforma da Administração Pública, que deve ser cuidadosamente planeada e executada, só levará a mais despesas.

Assim, não acredito muito nas virtudes do aumento de receita ou da diminuição da despesa para diminuir o défice.

A minha proposta é aumentem o PIB. Isto é, aumentem o diminuidor daquela fracção onde estão as receitas e despesas na parte de cima, mas onde está o PIB em baixo, porque o défice de que estamos a falar mede-se em percentagem.

E como aumentar o PIB? Simplesmente, integrando o que respeita à economia informal: ligeira baixa no IRC e multas pesadíssimas na não facturação ou na falsa facturação.

Desterrados

Eis uma questão a que sou particularmente sensível.

Excesso de regulamentação e centralismo, excesso de recursos gerados sem qualquer planeamento, incapacidade de reforma do modo de funcionamento foram as causas fundamentais para uma profunda crise profissional onde qualquer modificação levará sempre a que alguém seja prejudicado e tenha razões de queixa se não houver medidas externas.

Estou convencido que essas medidas externas poderiam relacionar-se com as imensas críticas à qualidade do ensino no secundário. Se ele é tão mau como se apregoa, há com certeza mercado para ensino de excelência.

Então...
... então, as autarquias poderiam disponibilizar instalações para grupos de desterrados que não o conseguiram ser organizarem ofertas de serviços de ensino com capacidade de autofinanciamento e disponibilizadas em condições de excelência.

Vivemos na sociedade capitalista, há que aproveitar e incentivar a liberdade de estabelecimento.

domingo, janeiro 09, 2005

Jardim da estupidez
Desta vez, a afirmação é que a baixa produtividade do país tem a ver com o facto de os trabalhadores do continente não trabalharem.
É admirável como um partido responsável como o PSD admite no seu seio uma besta destas que progressivamente cava um fosso cada vez mais profundo entre portugueses mercê de afirmações desprovidas de qualquer sentido de rigor.
Este indivíduo é um demagogo porco, estúpido e perigoso.
Nomeações terminadas, podem começar com as promessas

Os sistemas fechados são assim. Impedem que os interesses gerais da população se possam exprimir. Perseguem os que têm veleidades individuais e procuram distinguir-se. Servem para proteger castas e monopólios. Recusam a competição.

O sistema eleitoral português é exactamente isso. Os independentes não podem concorrer. Cerca de oito milhões de portugueses não têm o direito de se candidatarem e de serem eleitos. O nome, a experiência e a responsabilidade dos candidatos são absolutamente indiferentes, apenas interessam a lista colectiva e o chefe do partido.

As bases dos partidos não escolhem nada, nem ninguém, sendo os futuros deputados seleccionados pelos chefes, seus acólitos e alguns senhores do aparelho. O eleitorado não escolhe entre candidatos, escolhe um partido. Os nomeados e os eleitos podem ser substituídos em qualquer altura, naquela que é uma das maiores perversões do sistema político português.
(extracto da crónica de Barreto de hoje no Público)

sábado, janeiro 08, 2005

Mandatário da CDU
Às vezes surpreendo-me... pela atenção que me dão!
Tenho andado viajando e sem tempo para este convívio de que tanto gosto. Só vou respondendo ao inadiável.
Em Fevereiro não serei candidato. Entrei numa fase de ser decano e/ou mandatário. Serei mandatário da lista CDU por Santarém. E farei campanha como se candidato fosse.
E este espaço, meu caro Sérgio, sentir-se-á muito honrado se aqui divulgares algumas das propostas que vais defender.
Rebentar pelas costuras

É o estado em que está actualmente a minha humilde casa na Parede.

Há que tomar decisões. Uma é mandar para o lixo dezenas e dezenas de papéis, revistas, livros...

Mas dói-me o coração. Isso faz-me lembrar práticas que não tiveram nada de bom para a humanidade.

Tenho consciência que não volto a olhar para aquilo, que já não tem utilidade para mim, mas não o consigo destruir.

Será que tem utilidade para outros?

Por exemplo, tenho dezenas de exemplares da revista Exame. Pode ser útil a estudantes de gestão...

Será que alguém se quer candidatar à sua posse? Se houver interessado, um dia levá-los-ei para Ourém e é só combinar um ponto de encontro.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Perdido na multidão - 2

Continuo a errar por Ourém sem ninguém me conhecer. Há pouco vi e denunciei as manobras de propaganda de PSL e da clique social-democrata da Câmara.

Agora, vagueio.

Ontem, o famoso vigilante dos céus ainda teve oportunidade para me corrigir. Afinal, aqui em Ourém, nesta piedosa freguesia, as coisas não estão tão mal como eu dizia: a alternativa socialista está quase a ser maioritária.

Mas, caro skywatcher, essa ainda é uma situação pior. Já não os querem em Ourém, mas eles são-nos impostos através da dominância das outras freguesias, designadamente, daquela em que a religião é um negócio, a dos apostólicos romanos. E lá vão continuar a destruir a nossa Ourém.

Será possível maior humilhação?



Afinal, era verdade. Os vereadores do PSD de Ourém e o nosso venerado presidente estão solidários com PSL. Posted by Hello
Atenção, oureenses
Consta que PSL entrou há minutos no edifício da Cãmara e lá está reunido com o nosso venerado presidente.
Que estarão a preparar?
Dentro de trinta minutos teremos este mistério desvendado e logo daremos conta no Ourem.
12 badaladas

E já passava um bom bocado sobre o momento em que se ouviram as doze badaladas deste dia 7 de Janeiro quando, finalmente, chegámos à visita 7000. Quem seria a ditosa criatura? Será por vergonha que não se anuncia?

Esperemos que o Sérgio não demore tanto tempo a esclarecer se é ou não candidato em Fevereiro. Ourém precisa de saber...

Cara de mau - 1

Repararam, ontem, no ar de Constâncio?

Enquanto PSL se divertia a pensar no gozo que a campanha eleitoral lhe vai trazer, Bagão ria-se a avaliar futuras mordomias da previsível passagem pela privada e Sampaio dava palmadinhas nas costas das criancinhas que lhe foram cantar as Janeiras, o governador, visivelmente mal disposto, ostentava aquele ar de quem conhece a verdade absoluta e ninguém lhe liga.

Preparem-se, vêm aí mais vacas magras, quem o diz é insuspeito. Por isso, não acreditem no rol de promessas que outros estão a preparar para os próximos dias.

Cara de mau - 2

Constâncio falou em aumento de impostos.

Julgo que se referia à tributação indirecta.

Estou de acordo, pretendo ajudá-lo, aliás, pensando bem, acho que pode haver subida e descida. Mais, acho que pode criar um novo imposto indirecto, mas não dedutível, em substituição do IVA e que poderia ter taxas como as seguintes:

Produtos de primeira necessidade: 0%
Produtos de consumo corrente: 19%
BMWs, jeeps, Mercedes, e outros automóveis de cilindrada elevada adquiridos localmente ou importados, outros consumos de luxo, mais valias decorrentes da especulação: 60%.

Cara de mau -3

Voltando a coisas sérias...

À noite, assisti a parte de um debate na SIC Notícias entre Frasquilho e Hasse Ferreira, debate entre um tecnocrata do PSD e um político do PS.

O socialista entendia que há que discriminar na tributação, criando benefícios para as empresas que trouxerem inovação.

O social-democrata argumentava que o que precisávamos era de um sistema fiscal simples, sem a complexidade do actual onde os benefícios são uma fonte de fuga fiscal e acrescentava que seria preferível baixar o IRC de modo a integrar os empresários que militam na economia informal com um produto avaliado em mais de 20% do PIB e que assim não é contabilizado.

Curiosamente, embora com reservas, estou de acordo com Frasquilho. Aliás, já imagino os milhares de subtefúrgios que se vão inventar para provar que a empresa mais rafeira está a fazer inovação e assim gozar de benefícios fiscais.

As reservas que antes referi têm a ver com o facto de não achar muito fácil a saída da economia paralela com uma simples diminuição de taxas, sendo talvez conveniente o seu acompanhamento com uma pesada multa para os prevaricadores.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

7000

7000 facadas lhe deram
contemplando-o, depois, com desdém
7000 farpas lhe cravaram
já não é menino de Belém.

Exausto, quase por terra,
debatendo-se em palavras e princípios,
arfante, teimosamente resiste,
enquanto outro poder avança.

Novas fronteiras aí vêm,
perfilando novos interesses,
a exploração essa continua
olhem os princípios burgueses.

7000 facadas lhe deram,
7000 farpas lhe cravaram,
7000 flores celebram
7000 visitas ao Ourém.
Há coisas...

... que não conseguimos deixar de olhar.
Desta vez, o oureense Bin-Tex, responsável do Grande Fauna, surpreendeu-nos com Imagens de Marrocos. Visita diária obrigatória.
Perdido na multidão
É engraçadíssimo andar por Ourém sem que saibam quem eu sou.
Antes, não podia dar um passo, a casa do largo de Castela era logo ponto de confluência de vizinhas que iam contar à minha mãe todas as tropelias (que nunca foram muitas) que me viram fazer.
Agora, divirto-me a falar com pessoas nos estabelecimentos comerciais e apercebo-me que nem conhecem o blog nem sabem que existe este terrível oposicionista aos políticos de direita. Por vezes, abrem-se como aconteceu há dias num estabelecimento na Praça dos Carros: “o pessoal de Ourém está todo colado ao poder. Pode bramar contra, mas no momento decisivo vai lá pôr o voto”.
Vantagens da alternância

Aqui, tiveram de fazer alguma coisa, lixando obviamente o chico-esperto, para mostrarem isenção, dignidade.

Aqui, não é necessário. Têm a certeza que ganham. São ostensivamente laranja mesmo no exercício de cargos públicos.

Nem que seja apenas para combater a arrogância, vale a pena a alternância.

Isto anima

Esta semana, quase não tenho tido hipótese de introduzir um artigo tal a colaboração dos amigos do OUrém.

O Sérgio enviou-nos informação sobre a saída do PE que, julgo, vai beneficiar OUrém. O 1big dissertou sobre a saúde na sociedade capitalista e o Zé Rito terminou a sua história dos Estúdios Trini.

Entretanto, ao lado, no Castelo, foi anunciado um novo blog denominado Política Oureense, destinado a os políticos da nossa terra falarem na política nacional e local. Creio que é uma excelente iniciativa. Os senhores do Castelo habituaram-nos a grande competência técnica no tratamento de blogs, fazendo os comentários ganhar um relevo que eu não encontro em qualquer outro. Por outro lado, o seu espírito de abertura verdadeiramente consequente vai permitir que ali se degladiem ideias de todos os quadrantes num clima sadio, sem insulto. É que, no fundo, sendo todos nós diferentes, politica e partidariamente, temos uma preocupação comum: o que havemos de fazer para melhorar isto? Esta constatação faz com que eu tenha grande confiança no Fred e no Pedro e, por isso, conforme as forças o permitirem, de quando em quando, vou postar no Política Oureense e abandono um projecto que já tinha falado com o Bin-Tex de criar algo com o mesmo objectivo. Manterei o Ourem naquela perspectiva para muitos saudosista, melancólica de respeito pelo passado, embora por lá possam passar outros temas (isto é uma coisa que aparece...)

Continuam entretanto as hilariantes trapalhadas de PSL. É o Pôncio que é convidado e não pode ser convidado. É o Cavaco e os amigos que não querem aparecer na fotografia. É a Margarida que recusa fazer parte das listas. É o Antunes, branqueador do Le Pen, que vai representar o PSD no Porto. Já tenho receio do tempo cinzento que virá depois das eleições. Quem nos poderá divertir tanto como este PSL que eu, apesar de tudo, penso que até não é má pessoa?


quarta-feira, janeiro 05, 2005

UMA INFORMAÇÃO/EXPLICAÇÃO
Por Sérgio Ribeiro


Gostaria de ter sido eu a ter dado a “novidade”. A quem ela pudesse interessar.

Na quinta-feira, 16 de Dezembro, depois da votação do meu relatório sobre a protecção dos recifes de coral nalgumas zonas do Atlântico (Açores, Canárias e Madeira), entreguei ao Presidente do Parlamento Europeu uma carta em que lhe dizia da minha intenção de renunciar ao mandato, e lhe pedia para desencadear o processo necessário para a substituição.

Quando no meu Partido – que sou eu… – me foi proposto que fosse o nº 2 da lista para as “eleições europeias”, comecei por recusar, e com veemência, por não ter condições pessoais para sair de Ourém, do Zambujal, e fazer com a disponibilidade exigida o que compete a um eleito para esse cargo.

Face a insistência e à argumentação da importância de ser eu o candidato, na sequência de dois mandatos anteriores, e de estar no lugar desde Fevereiro por efeito de uma substituição esporádica, só acabei por aceitar com a condição de, a ser eleito, tomar posse e cumprir o mandato mas apenas até ter a consciência de que não fora candidato para ganhar o lugar e não para fazer o trabalho para que poderia ter criado expectativas.

Desde que fui eleito, trabalhei no PE com toda a vontade e dedicação, e consegui, logo no início do mandato, um relatório significativo. Essa circunstância de certo modo abreviou o espaço de tempo que a minha consciência julgava necessário para justificar a minha eleição. Não fiz nada de espectacular mas trabalhei muito e consegui alguns resultados. Assim o possam afirmar todos os que lá estiverem até 2008…

E como a vida em Ourém, familiar e ligada a todas as actividades a que me fui dedicando desde 2000, cada vez me pressiona mais para em Ourém viver e trabalhar, senti que estavam reunidas as condições para sair do PE de cabeça erguida e sem de nada me acusar a consciência, Que é o meu primeiro e maior juiz!

Não foi fácil a tomada de decisão! Mas também o Partido – que sou eu… – não faltou ao compromisso que tomáramos e aceitou a minha decisão. E quem me vai substituir, uns 30 anos mais novo, tem todas as condições para completar o mandato sem que ele perca em quantidade e em qualidade de trabalho!

Aos oureenses, aos eventuais leitores do que venho escrevendo em blogs (em particular no Ourém.blog) e nos nossos jornais, gostaria de ter informado desta decisão em primeiro lugar. Mas a comunicação social é como se sabe e antecipou-se, o que também obrigou o CC do Partido a vir dar a informação nos termos correctos e impedindo especulações.

E, pronto. A concelhia do PCP, a livraria Som da Tinta (que não tem nada a ver com a primeira referida), o Centro de Contabilidade, os projectos de teatro, os papéis velhos por arrumar, os livros por escrever, uma ou outra aula ou conferência, as visitas ao Lar de Vilar dos Prazeres, os convívios com amigos de que tanto gosto, e sei lá que mais, tudo poderá contar com maior disponibilidade da minha parte. Tudo e todos!

Além de que os meus camaradas da frente de luta do Parlamento Europeu sabem que continuam a contar comigo para o que possa ser útil… desde que não tenha de fazer 2 a 4 viagens de avião por semana, de dormir mais em camas de hotéis vários (por Bruxelas, Estrasburgo e onde calha) que na minha, desde que não me afaste nada – ou nem para muito longe, nem por muito tempo – do Zambujal!

Sérgio Ribeiro
Buenos Aires, 18 de Dezembro de 2004

E só hoje, 4 de Janeiro de 2005, assinei, perante o Secretário-Geral do Parlamento Europeu, o pedido de renúncia ao mandato com efeito a partir de 12 de Janeiro.
Bruxelas, 4 de Janeiro de 2005

terça-feira, janeiro 04, 2005

A saúde não é um negócio!
Por 1bigonbalcao

A saúde no meu entender não é um negócio nem pode estar sujeita a modelos que a empurrem para tal. O S.N.S. que existe está classificado entre os dez melhores do mundo.

O cheque saúde como normalizador de um sistema público e privado funcionaria sempre como uma forma de estrangulamento do primeiro. Porquê?

- Os grupos bancários que controlam o sistema privado estão apenas interessados em sectores lucrativos que são aqueles a que normalmente acorrem maior número de "clientes", como por exemplo as ortopedias, oftalmologias, cirurgias, deixando para os públicos as oncologias, as medicinas, certos tipos de cirurgias cardíacas e outros serviços mais dispendiosos, nomeadamente os cuidados primários de saúde que ficariam sempre para o estado e onde o investimento está muito aquém do desejável. Tendo isto em conta a distribuição das unidades de saúde e das suas especialidades (caso se aprofunde a existência de dois sistemas) assentaria em análises económicas do seu "mercado" e não atenderia às necessidades e prioridades dos seus utentes. Posto isto chamava a atenção para o facto de Portugal, sendo um dos países mais pobres da Europa as necessidades da larga maioria da população serem bastante dispares das minorias mais abastadas (exemplo disso é o tipo de patologias de maior incidência quando comparado com os países ricos do norte da Europa).

O acesso aos privados estaria sempre dependente da capacidade financeira do indivíduo (a dívida da saúde é actualmente superior a dois mil e sessenta milhões de euros - há clientes à espera desde 2003!), não me pareçe portanto que houvesse assim condições para rápidas indeminizações dos gastos do utente.

No controlo dos bancos sobre os grupos de saúde privados deve ter-se em conta até onde vai este domínio, por exemplo o grupo Mello controla a A.N.F.(associação nacional de farmácias)com tudo o que daqui se pode depreender!

Durante a implantação do novo modelo de gestão hospitalar de tudo se viu um pouco, desde a decadência das condições de trabalho que resultam obviamente na diminuição da qualidade dos serviços, porque para gerar lucro os privados imediatamente apostaram numa lógica de exploração dos trabalhadores, que pretende destruir a contratação colectiva instalando uma enorme precaridade nos Hospitais S.A..

Acabo com uma história que se passou em Ourém. Em meados do ano passado, uma jovem sofreu no local de trabalho um amputação de um membro superior, passou pelo nosso (rídiculo) Centro de Saúde (um local onde se não for para receitar aspirinas não vale a pena ir, porque não possui os mínimos meio complementares de dignóstico), deste centro foi para Leiria, de Leiria foi para Coimbra (não tenho a certeza se voltou para Leiria, uma coisa é certa o braço é que não foi reimplantado no local).

A saúde é um direito inalienável. Veja-se como são as coisa nos E.U.A., ou veja-se as mazelas provocadas pelo plano Margaret Thatcher no Reino Unido, que de resto é em tudo idêntico ao modelo forçado no nosso país.

Para se corroborar convenientemente as afirmações aqui desenvolvidas pode sempre consultar-se o relatório do Observatório Nacional da Saúde.


segunda-feira, janeiro 03, 2005

Ingratos!

Recebi há pouco o Notícias de Ourém e achei muito interessante a sua revista do ano de 2004. De lá, destaquei a seguinte passagem relativa a 20 de Fevereiro:

Os "putos do hóquei" voltaram a repetir a proeza e a sagrar-se campeões tendo ganho o Campeonato Distrital de Hóquei em Patins de iniciados.

Há dias, ao passar por uma acta da Assembleia Municipal ou da Câmara, não sei precisar, reparei que um certo número de treinadores das nossas equipas foi homenageado, mas o nome do treinador dos putos, que os conduz há quatro anos com os resultados conhecidos, nem referido foi.

Eis um verdadeiro exemplo de ingratidão que penso será muito útil a todos os pequenos oureenses que encontram no desporto uma dimensão importante da sua formação para a vida.


AS MINHAS MEMÓRIAS - 5
Por Zé Rito

Os "Estúdios Trine" deixaram de existir pelo facto de ter saido de Ourém, por motivos profissionais, aliado ao facto de, uma vez em Coimbra, ter vendido o aparelho. Quando me apercebi, anos depois, do que foi feito tentei outro aparelho que reproduzisse aquelas bobinas. Não só não consegui como se perdeu o rasto às bobinas. Uma catástrofe.

Sei que chegaram a estar na Assembleia da República para, através do material lá existente, conseguir-se a sua recuperação. Estou convencido que alguém se aproveitou da situação e ficou com o material aproveitando-o para fins comerciais. Mas é só uma ideia.

Não queria fechar "As minhas memórias" sem deixar de falar, ainda que superficialmente, em quatro pessoas que, algures em Ourém, marcaram, para mim, a década de 60.

1- O Néné, do qual já falei anteriormente, o qual foi mimoseado por crónicas que fazia no "Notícias de Ourém", sob o pseudónio de "Ego Cauny".
Uma das vezes, apelidei-o de "pintor privativo" da Câmara já que andava a pintar com fundo preto e a branco os números das portas das Ruas da Vila. Teve o azar de em determinada Rua colocar do lado direito e esquerdo o mesmo número. Levou, brincando, "castanhada".

2- O Tóná, o qual se hoje fosse vivo andava triste com o seu Ourém. Dedicou uma vida aos jardins e parques, conservando uns e criando outros. Tudo desapareceu ou está a desaparecer.
Veja-se a Praça Agostinho Albano de Almeida, vulgo "Praça dos Carros" em frente ao Central. Nada de nada.
Foi justamente homenageado. No Café Avenida, foi colocada, a propósito, uma fotografia de corpo inteiro com a medida exacta dos seus 2 metros de altura.

3- O Zico Pereira, Comandante dos Bombeiros. Faleceu abruptamente vítima de uma injecção de penincilina. Tinha ido arrancar três ou quatro dentes, numa manhã, a Tomar. O dentista deu-lhe penincilina para utilizar no caso de ter dores. A meio da tarde saiu do armazém, com o filho João, direito ao consultório do Dr. Nini. Teve morte imediata. A prova da sua grande reputação foi transmitida no seu funeral com a presença de um mar de gente. Bombeiros de Norte a Sul do País fizeram-se representar.
Os Bombeiros da então Vila Nova de Ourém ficaram a perder com o seu desaparecimento.

4- Por último, o Ezequiel, no seu "habitat" ou seja o Café Avenida.

a) - Num belo fim de tarde/noite no alpendre do quintal do "Zé Mineiro" apanhei a que foi a minha primeira bebedeira comendo frango de churrasco regado com o bom vinho da casa.
Levaram-me para o Avenida e enfiaram-me não sei quantos cafés sem açúcar entre outras coisas. A finalidade era ser entregue em casa no melhor estado possível. O resultado foi que inundei a mesa e o chão de tudo o que tinha enfiado. Não esquecendo o vinho e o frango. O desgraçado do Ezequiel é que teve que limpar e eu, naturalmente, no dia seguinte pedir-lhe desculpa.

b) - Na altura eram administrados diversos cursos de cristandade. Todos os homens que o desejassem poderiam frequentar estes cursos. E quando saiam tratavam-se com um "tu cá, tu lá", mesmo que antes o tratamento fosse por você ou mesmo por Sr. Doutor ou Sr. Engenheiro. Ficaram conhecidos pelo "Curso dos Tus". Em determinada altura estes cursos tornaram-se extensivos às Senhoras. Foi quando, numa tarde em que estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde exibia-se ao bilhar, que fazendo rodar a porta giratória da entrada do Café entrou esbaforido o Paisana. Deu com o Ezequiel e entusiasticamente afirmou alto e bom som: Ezequiel, meu amigo, a partir de agora a minha mulher também é "tua".

c) - Eventualmente nós, em outra altura, estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde a jogar ao bilhar. Uma senhora, que estava em Ourém de passagem, levantou-se, dirigiu-se ao Ezequiel e perguntou: "Tem urinol?" . O Ezequiel no seu alto profissionalismo, conhecendo o local solicitado por "casa de banho" ou, eventualmente, "retrete" respondeu não se intimidando "Minha Senhora, neste momento está esgotado. Muito provávelmente para a semana já temos."

Por mim, vou-me despedir não até para a semana mas ATÉ SEMPRE!

Rio Torto, 2005-01-02
José Manuel Rito


domingo, janeiro 02, 2005

O cheque-saúde

A produção de serviços de saúde pode ser operada por unidades públicas (hospitais, centros de saúde, clínicas) ou privadas (hospitais, clínicas, consultórios) e será tendencialmente gratuita.

Os diferentes serviços deverão ser catalogados e sujeitos a uma análise em termos de processo de produção. A partir desta análise será determinado o seu custo com base no qual o Estado poderá estabelecer um preço de referência.

Os mesmos serviços deverão ser sujeitos a um processo de planeamento que deverá estimar as necessidades a satisfazer pelos estabelecimentos numa unidade territorial determinada.

É livre a concorrência entre unidades públicas e privadas. É livre a escolha pelo utente do estabelecimento que entende lhe poderá prestar os melhores cuidados de saúde. A fim de evitar abusos, não serão permitidas acumulações a nível profissional entre unidades públicas e privadas.

Nas unidades públicas, o utente paga o preço de referência e recebe-o do Estado descontado da taxa moderadora. Com o desenvolvimento dos sistemas de informação e comunicação, este procedimento pode ser praticamente instantâneo. A unidade pública terá assim este preço de referência como a base para o seu financiamento, devendo rever a sua alocação de recursos em função da evidência empírica.

Nas unidades privadas, o utente paga a totalidade do serviço e recebe do Estado o preço de referência descontado da taxa moderadora. Caso o Estado não consiga assegurar a prestação do mesmo serviço nas unidades públicas, receberá a totalidade do que pagou deduzido da taxa moderadora.

Mais uma vez deixamos as questões: onde é que falha este sistema? onde poderão surgir os abusos? será pior que o SNS que não funciona?

sábado, janeiro 01, 2005

Regresso do Cumplicidades?
E, de repente, nos comentários surge a grande notícia. Pela mão de Maria, leio um "Voltei".
O endereço aponta para uma plataforma diferente, mas ainda não tive sucesso no acesso pelo que não sei se hei-de acreditar.
Voltará mesmo ela?
O meu primeiro artigo de 2005 faz força para que o regresso aconteça.
Eu sei que quem cai nesta coisa dos blogs, só muito dificlmente consegue sair. Também já tentei e ao fim de uma hora estava cheio de problemas de consciência. Mas a despedida da Maria pareceu-me tão a sério... acreditei nela a tal ponto que salvei os arquivos da sua página antiga para os ter sempre comigo.

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