quinta-feira, março 12, 2020

Flores que abrem e embriagam

Os guardas chegaram a Peras Ruivas quando o Sol já se escondera atrás do horizonte e as estrelas começavam a pestanejar no céu. A lua ficou só no azul celeste ornado de estrelas e a sua luminosidade cada vez mais dominava a paisagem. Era noite de Lua cheia.
O Estorietas e a sua amiga Mari’mília viram-nos passar a pé e dirigir-se a uma taberna perto da Igreja.
- Que engraçado! Temos vigilância policial. Daqui a uns cinquenta anos vamos ter saudades destes tempos.
Sem entrarem na taberna, ouviram, cá fora, tudo o que se tinha passado. E, quando eles conseguiram uma boleia para Ourém, resolveram ir até ao sítio onde tinha ficado o comandante e o outro guarda.
 Passaram sobre um outeiro. Aqui e além, os «saguaros»(1) abriam os seus braços como enormes e grotescos seres humanos.
- Olha, Estorietas! – exclamou a rapariga. – As flores começam a abrir.
Assim era, com efeito. Como se obedecessem a uma misteriosa ordem, os «saguaros» abriam as suas lindas flores brancas. O silêncio do bosque parecia invadido por um crepitar ténue, produzido por milhares de flores que se abriam sem interrupção. Sob a difusa claridade da Lua, o bosque de «saguaros» parecia cobrir-se com rapidez de grandes e aromáticos flocos de neve. A brisa vinha impregnada de um perfume embriagador que, por vezes, se tornava mais denso e sufocante.
- Oh! Estorietas! – exclamou a rapariga – Que maravilhoso espetáculo.
Ele não respondeu. Os seus olhos luziam como duas brasas, perturbando a rapariga. Esta afastou os seus e deixou-os vaguear sobre o bosque que continuava a cobrir-se de um manto de lindas e níveas flores. O perfume era cada vez mais forte. Uma doce embriaguez invadia a rapariga, provocando-lhe um torpor voluptuoso.
- Ai, Estorietas! – disse ela, a rir. – Tenho a impressão de que me estou a embriagar. Não haverá perigo de morrermos asfixiados?
- Não. Já presenciei muitas vezes o florescimento dos «saguaros» e nunca ouvi dizer que alguém morresse asfixiado.
-Vou ver.
Ela avançou na direção das plantas, mas uma cova no caminho fez com que se estatelasse. Ele ajudou-a a levantar-se. As suas mãos fecharam-se sobre a graciosa cintura da rapariga e, através das roupas, o Estorietas percebeu um estremecimento nervoso do corpo da jovem.
E foi nesse momento crucial que o Estorietas viu os dois guardas sentados a serem ameaçados pela serpente a uma distância de uns vinte metros.
- Olha! Ali!
Ela olhou na direção apontada. Rapidamente puxou a saia, mostrando a sua perna bem torneada e retirou uma faca longa de uma funda que trazia colada à perna. Num instante apontou e atirou a faca. A cabeça da serpente foi pelos ares e puderam ver como os dois guardas respiravam aliviados…


(1)«saguaros» - O saguaro faz parte da família Cactaceae, sendo nativo da região do Deserto de Sonora, que abrange parte do México e Estados Unidos. Trata-se de um cacto colunar, com ramificações em forma de candelabro, espinhos curtos e grandes flores brancas e tubulares, com antese noturna. As flores abrem durante a noite produzindo um perfume inebriante. Foram trazidas para a região de Peras Ruivas pelo Estorietas depois de uma viagem virtual àquele deserto, mas a ação do homem fez que, pouco a pouco, fossem desaparecendo. Os campos de Peras Ruivas já não são inebriantes…

quarta-feira, março 11, 2020

O despiste

Os guardas partiram para Ourém fulos e o comandante ameaçava com os mais tenebrosos projetos de vingança.
- Esse cão vai para o canil municipal e todos os dias vou lá picá-lo com uma vara. Será torturado até à última. Vai arrepender-se de ter nascido.
Mas o azar dos GNR ainda não tinha acabado naquele dia. Ao passarem perto de um campo de «saguaros», junto à povoação de Peras Ruivas, o condutor sentiu que o carro lhe fugia ao mesmo tempo que ouvia o estoiro de um pneu. De um momento para o outro, o jeep enfeixou-se numa árvore, tendo-lhes valido o facto de não irem muito depressa. Mesmo assim, o comandante, que viajava ao lado do condutor, foi cuspido e as suas calças ficaram desfeitas.
Quando saíram do jeep, contemplaram os estragos.
- E agora? Que vamos fazer? – perguntava o guarda Lourenço.
- Temos de ir para Ourém a pé – respondeu o comandante sem se aperceber da figura ridícula em que estava.
- Nesta figura? – perguntou o guarda que tinha os fundilhos das calças rotos. – Não podemos aparecer assim em Ourém. Todos se ririam de nós.
O comandante olhou para o guarda Lourenço e para o outro que não tinha qualquer mazela.
- Vão vocês. Está a fazer-se noite. Por hoje esquecemos a miúda e o cão. Eu e o guarda Ernesto ficamos aqui, enquanto vocês chegam a Peras Ruivas a pé e pedem a alguém que os leve a Ourém. Mobilizam dois guardas para nos trazerem roupas e virem buscar.
Os dois soldados partiram, o comandante e o outro soldado dispuseram-se a esperar e sentaram-se no chão junto do carro à espera de ajuda. O tempo, que parecia infinito, foi passando. A noite caiu…

*

Junto a um cato, os dois guardas esperavam pacientemente que chegasse ajuda. Custava-lhes saber o modo como estavam vestidos, pois iam ser, com certeza, o objeto da risota dos seus camaradas. Porém, estava em causa o prestígio dos homens daquela corporação e dar uma lição à menina e ao cão era o objetivo mais importante. Desta maneira se esqueceria aquele incidente.
De repente, os dois guardas ouviram um assobio pouco familiar, acompanhado de um estranho rastejar. Assustados, olharam em volta, descobrindo uma enorme serpente cascavel que se aproximava. Os dois homens olharam-se receosos. Encontravam-se indefesos, sem armas, sentados no chão quase sem se mexerem. A serpente ia avançando, lentamente…. De repente, parou, ergueu-se e repetiu o assobio, pronta a atacar. A língua agitava-se ameaçadora.
Os dois homens continuavam imóveis. A serpente abanava a cabeça, contemplando-os e repetindo os seus ameaçadores assobios. Ia atacar. Os dois guardas morreriam ali, entre horríveis dores, sem que ninguém soubesse jamais o que fora feito deles.
De repente um silvo feriu os ares, ouviu-se um pequeno ruído e o réptil caiu, torcendo-se, com a cabeça cortada. À frente deles, apareceram o Estorietas e a sua amiga Mari’mília. Ela apressou-se a recolher a faca com que abatera a serpente. Terrível aquela mulher…
- Creio que chegámos a tempo.
O comandante e o guarda concordaram reconhecidos…


Mas o que se passara para estes nossos amigos se passearem por ali?

terça-feira, março 10, 2020

O cão que parecia um leão

A Gracelinda e o Pepe chegaram a casa já passava das cinco da tarde. Ela estava felícissima com o seu cãozinho por este a ter ajudado a libertar o João e a Teresinha.
- Hoje, vais ter ração melhorada, Pepinho. A ação que fizeste foi maravilhosa.
E o Pepe teve uma das melhores refeições da sua vida. Comeu e enfiou-se numa casota que tinha lá dentro um pequeno colchão para se deitar. Daí a pouco estava a dormir.
Por sua vez, a Gracelinda entrou em casa, foi guardar o traje de freira que tinha usado no posto da Guarda, os elementos de estudo que tinha levado para o CFL e foi ver a mãe.
- Então, minha filha, correu bem o teu dia de aulas?
- Sim, mãezinha. Até fomos assistir à saída da prisão da Teresinha e do João…
- Então, já libertaram esses miúdos… espero que eles não façam mais disparates. Olha, menina, vai lanchar, estive a fazer-te uma torta de chocolate.
- Que delícia, mãezinha.
E a Gracelinda foi para a sua salinha de refeições e iniciou o lanche. A sua face estava iluminada num sorriso devido à recordação da ação do Pepe.
«É incrível este cãozinho. Corre tanto que ninguém o vê. E como percebeu que aquelas eram as chaves das celas… Amanhã quero ouvir o que se vai dizer no CFL».
Comia vagarosamente, saboreando os alimentos ao mesmo tempo que se deixava levar pelos pensamentos.
«Se ele participasse numa corrida de cachorros, com certeza ganhava. Podemos vir a ser famosos».
De repente, os seus pensamentos foram interrompidos por uma travagem brusca e por passos rápidos no exterior. Levantou-se assustada e foi espreitar à janela…
E lançou uma exclamação de terror…
Lá fora, com cara de poucos amigos estava o comandante do posto acompanhado de três guardas. A mãe dela veio ver o que se passava.
- O que é isto, Gracelinda? O que faz aqui a GNR?
- Depois explico-lhe, mãe. Agora veja o que eles querem…
A senhora abriu a porta e a Gracelinda ouviu o comandante dizer:
- Minha senhora, vimos à procura da sua filha e do cão para os prender.
- Mas o que fez a minha pobrezinha?
- Ela e o cão ajudaram dois presos a evadir-se da prisão. É um crime muito grave.
- Não posso acreditar nisso. Gracelinda, diz-me que é mentira…
Mas a miúda já estava na rua perto da casota do cão.
- Os senhores não me levam daqui nem ao meu cão. Era injusto o que estavam a fazer ao João e à Teresinha.
Mas o comandante não lhe deu ouvidos.
- Guardas, prendam-na e enfiem-na no jeep. Depois, procuraremos o cão.
De um momento para o outro, a Gracelinda viu-se no jeep, enquanto a mãe contemplava tudo com terror. E foi nesse instante que a grande amizade do Pepe por ela se manifestou.
O cãozinho tinha acordado assustado, mas num instante apercebeu-se da situação. Saltou da casota e mordeu a mão do comandante, depois agarrou-se aos fundilhos das calças de um dos guardas e deixou-lhe o rabo à mostra. Não contente com isso, atirou-se ao outro, bastante barrigudo, e puxou-lhe as calças deixando-o numa figura ridícula em trajes menores. O Pepe mais parecia um leão e o soldado um vulgar vagabundo sem formação.
A Gracelinda estava entusiasmada.
- Força, Pepe, não tenhas pena deles…
O guarda que estava ileso apercebeu-se da situação e gritou:
- Vamos, voltemos ao posto para procurar reforços. Este cão é uma fera.
Saltaram todos para dentro do jeep. O comandante, de braço ao peito, proferia ameaças enquanto arrancavam:
- Hão de pagá-las…
E partiram em direção a Ourém.
A Gracelinda explicou rapidamente à mãe o que se tinha passado e este tomou uma decisão.
- Vamos chamar o teu pai. Tu e o cão não podem ficar nesta casa, senão esses guardas não vos deixam em paz.
Pouco depois, o senhor Marques chegou a casa no seu carro. A Gracelinda e o Pepe entraram no mesmo e, daí a pouco, partiam para casa duma sua tia numa terreola a uns dez quilómetros de distância.
A verdade é que os pais estavam preocupadíssimos. E, à noite, o senhor Marques comunicou a sua decisão à esposa.
- Este caso não tem solução se ela não sair daqui. Ela tem andado a dizer que queria voltar ao convento. É a hora. Vou tratar de tudo para a enviar para Abrantes e espero que, desta vez, se aguente por lá mais tempo.

segunda-feira, março 09, 2020

Um vulto estranho

Quando o graduado viu a Gracelinda passar à frente do posto com o Pepe, ficou intrigado.
«Dir-se-ia que já vi aquele vulto em qualquer sítio».
De repente, percebeu. Levantou-se de um salto e exclamou:
- Guarda Lourenço, prepare o jeep. Temos de ir fazer nova detenção.
O guarda apareceu um pouco estremunhado. Notava-se que tinha estado a dormitar.
- Que se passa, meu comandante?
- Fomos enganados pela Gracelinda, a filha do sr. Marques. Ensinou o cão para nos roubar as chaves das diversas celas. Não podemos permitir que ande por aí impunemente. Vamos partir imediatamente para casa dela para os deter. Já viu a insegurança em que ficamos relativamente aos outros presos.
- É incrível. Esta juventude está perdida. Vou já tratar de mobilizar mais dois soldados. Nunca sabemos do que é capaz um cão ensinado.
Rapidamente, foram chamados mais dois guardas e, dez minutos depois, saltaram para dentro do jeep e puseram-se a caminho.


E agora?
O que vai acontecer à Gracelinda e ao Pepe?
A situação é muito grave pois o comandante pensa que o Pepe está treinado para cometer outras partidas na prisão.
Como podemos salvar os nossos amigos?

sexta-feira, março 06, 2020

Coelhinho guisado com batata frita

A Mari’mília e os seus dois amigos chegaram a casa dela em Peras Ruivas e encontraram uma ti’Núncia um bocado preocupada.
- Chegas tão tarde para almoçar.
Ela contou-lhe rapidamente a situação e o rosto da senhora abriu-se num sorriso.
- Então, almoçam os três aqui em casa. Tenho um coelhinho guisado que está uma maravilha. Frita mais umas batatas.
E, naquele dia, o Luís e o Amândio provaram os maravilhosos coelhinhos criados pela Nicha e cozinhados pela mãe.
- Tenho aqui um bom tintol – disse a Nicha. – Querem provar?
Claro que não se fizeram rogar. Daí a pouco comiam e bebiam à grande e à francesa. Mas o vinho, tão clarinho, era bastante forte. O Estorietas começou a sentir os efeitos do álcool e, passado um bocadinho, já cantarolava.
- Vou passar a vida a sonhar com os coelhinhos que tu cozinhas, Nicha…
- Olha, toma juízo, não bebas mais, porque daqui a pouco passa a camioneta e temos de voltar a Ourém.
Mas o vinho de Ourém, o maravilhoso vinho de Ourém, não perdoava a ninguém. Daí a pouco, o Luís e o Amândio regressavam com a Mari’mília a Ourém e foram todo o caminho a cantarolar.
Chegados à estação dos Claras, saíram e dirigiram-se a pé ao quartel dos bombeiros. O Dr. Armando ficou fulo quando os viu:
- O que é isto? Andaram nos copos durante uma visita de estudo?
- Isto passa, isto passa – dizia o Estorietas.
O comandante dos bombeiros apressou-se a acalmar a situação.
- Dr. Armando, eles não têm culpa da situação em que se viram metidos. A responsabilidade foi toda do corpo de bombeiros e da estúpida brincadeira do meu filho. Temos de ser mais cuidadosos em futuras visitas.
- Não haverá futuras visitas – respondeu o diretor do colégio. – Aliás, não sei se esta não é mais uma coisa que faz parte do imaginário mundo do Estorietas…



FIM

quinta-feira, março 05, 2020

O poder é quem vence

No regresso para Ourém, o Avião lembrou-se de um pormenor:
- Esperem, há pouco passei pelo João que parecia ir a pé para Ourém. E ele mentiu-me dizendo que os miúdos foram na direção do Vilar. Será que tinha alguma coisa a ver com o desaparecimento do jeep e me quis despistar?
- Mas, se isso é verdade, e ele ia a pé, só podia vir da estrada do Carregal.
- O melhor é irmos por lá antes de regressar ao quartel.
Não tardou estavam junto ao jeep abandonado.
- Foi isso mesmo. Ele não quis assumir. É maluco de todo…
Pararam junto do carro abandonado e tentaram ligá-lo, mas o motor não dava sinal.
- Avariou ou não tem gasolina.
Entretanto, o João, num rebate de consciência, tinha avisado o quartel do local onde estava o jeep e um reboque chegou ali naquele preciso momento.
O Avião ia-se atirando ao filho do comandante, mas este tinha uns anitos a mais e obrigou-o a ter juízo.
- Por que é me mentiste quando passei por ti? Ia sendo agredido por um velhote estúpido à entrada do Vilar.
- Não leves a mal. Fiz confusão com as duas estradas. Quanto ao resto, já informei o comandante do que tinha a informar. Não armes em investigador.
As coisas estiveram um pouco tensas. Os próprios bombeiros não gostarem do que estavam a assistir, mas… quem tem o poder é quem o pode exercer e todos se vergaram ao peso da estratificação social.
- E os miúdos?
- Já devem estar em Peras Ruivas. A rapariga estava com pressa de chegar a casa para almoçar e regressar a Ourém na camioneta.
- Então, podemos voltar ao quartel.
E todos regressaram a Ourém nos carros dos bombeiros acompanhando o reboque que levava consigo o jeep abandonado…

quarta-feira, março 04, 2020

Um avião em apuros

O condutor do jeep chegou a pé ao quartel e o comandante foi logo ter com ele.
- Que se passa? Onde está o carro? E os miúdos?
- Desapareceram – respondeu ele em pânico. – Fui comprar cigarros ao Central e abandonei-os por uns instantes. Quando voltei, já não os encontrei. Alguém os levou mais ao jeep pela estrada do regato.
O comandante ficou fulo.
- Incompetente! Não se abandonam três miúdos quando os conduzimos.
Entretanto, chegou o Dr. Armando que deitou logo as mãos ao pescoço do bombeiro.
- Malvado! Sabes o que fizeste? Vou dar-te uma sova…
Os miúdos estavam em pânico pela falta dos colegas. Que lhes teria acontecido? O comandante dirigiu-se ao diretor do colégio.
- Por favor, doutor, tenha calma. Esse homem depende de mim, terei de ser eu a aplicar-lhe o castigo merecido. Agora, temos de encontrar o jeep e os miúdos.
O Zé Rito (Avião) ouviu aquilo e disse logo:
- Vou já iniciar as buscas pela estrada do regato.
Ligou a mota, acelerou e partiu por ali abaixo.
- Trrrrrroooooooo…to…to…to….to
O comandante virou-se para os outros e disse:
- Os meninos e as meninas vão para o refeitório onde temos uma refeição preparada. Esperem lá por nós enquanto procuramos os vossos colegas. – virou-se para o doutor Armando. – Por favor, doutor, pegue no seu carro e procure-os na direção do Castelo. Eu e outros bombeiros vamos dividir-nos por outras estradas de Ourém.
Num instante, a busca foi organizada e os alunos do CFL do segundo ano sentaram-se apreensivos no refeitório à espera dos colegas.
Entretanto, o Avião ia a toda a velocidade pela estrada do Regato na sua mota virtual.
«Vou ficar famoso. Hei de ser eu a encontrá-los».
- Zzzzzzzzz
Ao chegar à cruz do Regato parou.
«E agora? Para onde terão ido? Castelos ou Vilar?».
Foi na direção do Vilar. Pouco depois, cruzou-se com o João que ia a pé para Ourém e perguntou-lhe:
- Viste um jeep com três miúdos?
O João resolveu gozar:
- Vi, sim. Iam na direção do Vilar.
E o pobre do Avião lá se enfiou pela estrada do Vilar dos Prazeres numa busca infrutífera. Depois de correr mais de dois quilómetros encontrou uma loja de móveis. À frente dela, estava um velhote sentado num banco com um pau na mão e resolveu perguntar-lhe:
- O senhor viu passar aqui o jeep dos bombeiros com três miúdos lá dentro?
O velhote olhou-o irritado e respondeu:
- Meu amigo, não vi ninguém, garanto que não vi ninguém. E nunca lhe ensinaram que antes de dirigir-se a uma pessoa mais velha deve dizer bom-dia ou boa-tarde?
- Custa-me a crer que não os tivesse visto. O João, filho do comandante, disse que os viu nesta direção.
- Está a duvidar de mim? Vou ensiná-lo a ser um rapaz mais educado.
Levantou o pau e desfechou em cima do Zé Rito. O que lhe valeu foi que o Zé saltou de lado e evitou o golpe que podia ser fatal. Mas estava em maus lençóis. O velhote parecia doido. Espumava de raiva, não compreendendo que a sua chegada apressada não lhe tinha permitido ser absolutamente correto.
Mas o nosso Avião era muito rápido, muito mais do que uma pessoa de idade. Com um salto afastou-se enquanto ouvia um carro a fazer uma travagem. Lá dentro, vinham dois bombeiros:
- É o Zé Rito. Que fará aqui?
Num instante correram e detiveram o homem de idade.
- Tenha calma, ti’Alberto. Andamos à procura de três miúdos e um jeep roubado em Ourém.
Num instante, o velhote acalmou e voltou a garantir:
- Estive aqui toda a tarde. Eles não passaram por aqui. Só vi esse arruaceiro que duvidou de mim.
E o carro dos bombeiros, onde agora seguia o nosso querido Avião ainda surpreso com o desfecho da sua aventura, regressou a Ourém depois de uma busca falhada.

terça-feira, março 03, 2020

O desvio do jeep

Quando chegaram junto dos carros dos bombeiros, os miúdos ficaram encantados.
- Olha que carro tão giro – dizia a Ciete apontando o autotanque.
- E aquela é a ambulância conduzida pelo ti’ Júlio – respondeu o Julito, apontando outro carro – Tem ajudado a salvar centenas de vidas.
O comandante decidiu então uma coisa que alegrou muito toda a miudagem.
- Vamos dar uma volta com vocês pela vila. Tomem lugar nos carros.
Havia um jeep e um carro maior com muitos lugares disponíveis para o passeio ambos já com os respetivos motoristas a postos. A ideia era dar uma volta à vila indo na direção de Tomar e, junto à bomba de gasolina, virar para a rua de Santa Teresinha e regressar pela parte debaixo da vila. Claro que as famílias estariam a ver o que seria uma grande alegria para todos.
O Estorietas, o Amândio e a Mari’mília tomaram lugar no jeep, os outros estudantes foram para o carro maior. E o cortejo da turma do segundo ano do CFL em carro de bombeiros iniciou-se pelas ruas de Ourém.
- Olhem, – dizia a Ciete para os amigos – está ali o meu pai.
Efetivamente, com cara de poucos amigos, o sr. Bragança contemplava aquela cena pensando como era possível tal desvario, tanta insegurança entre a miudagem. Mas os carros lá seguiam pela Avenida indiferentes a tudo. O carro maior à frente, atrás o jeep com o Estorietas ao lado do motorista em pé como via fazer aos bombeiros, mas bem agarrado ao painel frontal. E assim foram percorrendo Ourém.
Mais à frente, o pai da Leninha mostrava as suas habilidades em cima da bicicleta, conduzindo com as pernas viradas para a faixa central da estrada, enquanto lá atrás se ouvia o ruído das sirenes dos carros. Um equilíbrio notável.
Frente à tipografia do Melo, o bombeiro que conduzia o jeep e, quando o outro carro já não se via, parou e disse:
- Vou ali ao Central comprar tabaco. Esperem por mim, é um instantinho.
E abandonou o jeep, deixando as chaves no interior do mesmo.
- Estou farta disto – dizia a Nicha – precisava de ir a casa a Peras Ruivas almoçar e nunca mais nos despacham. Vou perder a camioneta da uma.
Como o Amândio tinha mais uns anitos, o Estorietas perguntou-lhe:
- Não eras capaz de conduzir isto? Podíamos ir pôr a Nicha a casa e voltar…
O Amândio, que já tinha feito a partida do dia, retraiu-se:
- É melhor não. O dr. Armando ainda nos dá uma sova.
Nesse momento, chegou um rapaz um pouco mais velho, louro, com bom aspeto junto deles.
- Olá. O que estão a fazer aqui?
O Estorietas já o conhecia. Era o João, filho do comandante dos bombeiros, e passava muitas vezes na rua de Castela a conduzir um automóvel em alta velocidade.
- Estamos à espera do bombeiro. Mas demora-se tanto e aqui a nossa colega precisava de chegar a Peras Ruivas para almoçar.
- Ah! Eu levo-os lá.
Saltou para dentro do carro, ligou-o e logo acelerou fortemente fazendo o carro saltar e arrancar com tal velocidade, depois de as rodas chiarem como umas loucas, que o Estorietas ficou logo sentado a seu lado.
- Aiiiôôô, Silver!!! – gritava o João.
Pouco depois, desciam na direção do regato.
Numa passadeira, uma senhora de mais idade ia a atravessar.
- Ah! Ah! Vou passar-lhe por cima.
Mas era só a gozar. Travou com força um metro antes da passadeira e o Estorietas ia sendo cuspido. O indivíduo era meio louco e fazia seguir o carro com elevada velocidade pelo que começavam a ter algum receio. Pelo caminho, ia rosnando:
- Eu sou o melhor condutor de Ourém. Vão ver como eu conduzo.
- Vai com mais calma, senão ficamos aqui…
Viraram na direção do Vilar, mas, uns cem metros à frente, tomaram a direção do Carregal. Aí ele virou-se para trás e olhou o Amândio, enquanto o carro continuava em frente:
- E tu, donde és? Não te conheço.
- Sou da Urqueira…
- Da Urqueira? E como vens para o colégio?
- Venho todos os dias de bicicleta…
Continuou a olhar para trás enquanto o Estorietas ao seu lado de vez em quando fazia o gesto de travar.
- E tu? És bem bonita. Também andas no colégio?
- Sim, sou colega do Luís e do Amândio…
- Tenho a impressão que vou passar a visitar o colégio mais vezes.
- Tem cuidado – disse o Estorietas. – Olha que o sr. Nunes não é para brincadeiras está sempre de atalaia.
- Pensas… aquele pinhal esconde muitos segredos que ele nunca desvendou.
O carro seguia agora mais devagar. O João parecia bem mais calmo, mas de repente sentiu-se que algo não estava bem. O jeep começou a soluçar e pouco depois parou junto à quinta de Santa Bárbara.
- Bolas! Há qualquer coisa que não está bem. Não deve ter gasolina.
Saltou do carro e disse para os miúdos:
- Têm de seguir a pé. Peras Ruivas já não é longe. Eu regresso a Ourém para pedir um reboque.
Entretanto, em Ourém, quando o legítimo condutor do jeep chegou ao local onde tinha deixado o carro notou que o mesmo já ali não estava e lançou as mãos à cabeça.
- Ai! Agora é que estou tramado…

segunda-feira, março 02, 2020

O toque da sirene

Já passava das 11 horas quando a porta do salão se abriu e o Julito convidou os outros miúdos a seguirem-no ao piso inferior.
Depois de um lanço de escadas pararam junto de um botão vermelho.
- O que estão a ver é o comando da nossa sirene. Sempre que necessitamos de bombeiros para algum problema é com ela que os avisamos.
- E os toques têm algum significado? – perguntou o Estorietas.
- Neste momento, está mais ou menos convencionado para todo o país o seguinte:
1 Toque: Necessidade de Bombeiros para Intervenção em Acidente de Viação
2 Toques: Necessidade de Bombeiros para Intervenção em Acidente de Viação com Encarcerados
3 Toques: Necessidade de Bombeiros para Intervenção em Incêndio Florestal ou Inculto (rural)
4 Toques: Necessidade de Bombeiros para Intervenção em Incêndio Urbano
- Não podemos ouvir um toque? – perguntou o Amândio
- Não convém. Isso iria chamar escusadamente outros bombeiros ao quartel. Agora vamos ver o nosso pátio onde por vezes se desenrolam alguns dos nossos exercícios.
E avançaram todos, atrás do Julito, para o pátio do quartel.
Sem ninguém dar por isso, o Amândio deixou-se ficar para trás e, quando ninguém o via, pressionou o botão da sirene.
- Uma… duas… três… quatro – murmurou. – Toque para incêndio urbano. Vamos ver o que acontece.
E escapuliu-se.
No pátio, os miúdos ouviram a sirene e ficaram excitados.
- Olha a sirene a tocar. Vamos ver...
- Tenham cuidado – disse o Julito. – Não se metam à frente dos carros.
Pouco depois, começaram a ver chegar esbaforidos algumas pessoas que começavam logo a fardar-se e a saltar para dentro dos carros.
- Então, onde é o fogo? – perguntou o Joia.
Nesse momento, apareceram o comandante, o Dr. Albano e o Dr. Armando.
- Quem é que tocou a sirene de incêndio?
Foi um silêncio abissal. O Amândio já se tinha juntado ao resto do grupo sem ninguém ter dado pela sua ausência e permaneceu calado como se não fosse nada com ele.
Os voluntários que tinham comparecido perceberam logo.
- Deve ter havido um engraçadinho. – disse o Joia – Mas deviam calcular que estávamos no trabalho.
O malandro do Amândio, esse, ria-se à socapa e deu um toque ao Estorietas.
- Pensavam que passavam a manhã a torturarem-nos e a gozar connosco. Foi bem feita…
Do outro lado, o Dr. Armando prometia-as:
- Se sei que foi algum de vocês, vai ficar com o traseiro bem quente…
Mas o comandante acalmou-o:
- Tenha calma, doutor, não há problema. Foi qualquer distração que não se repetirá. E ainda bem que não houve nada, pois assim os miúdos podem ver e experimentar os nossos carros.

sábado, fevereiro 29, 2020

Como fazer amigos fora do FB em estilo Facebook

Actualmente, estou a tentar fazer amigos fora do Facebook, mas usando os mesmos princípios.
Todos os dias saio à rua e durante alguns metros acompanho as pessoas que passam por mim e explico-lhes o que comi, como me sinto, o que fiz ontem, o que vou fazer mais tarde, o que vou comer esta noite e mais coisas.
Entrego-lhes fotos dos meus filhos, dos meus netos, do meu cão, fotografias minhas no jardim, na piscina, e fotos do que fizemos no fim de semana e nas férias.
Também caminho atrás das pessoas, a curta distância, ouço as suas conversas e depois aproximo-me delas e digo-lhes que “gosto” ou que "adoro" o que ouvi. Peço-lhes para sermos amigos a partir desse momento e faço todo o tipo de comentários sobre tudo o que li e ouvi nesse dia, quer em notícias, revistas ou internet, bem como tudo o que falam as outras pessoas.
Mais tarde, partilho tudo quando falo com outras pessoas.

E funciona : já tenho 3 pessoas que me seguem…

São dois polícias e um psiquiatra.

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

Uma visita aos bombeiros

Uma manhã, no final de uma aula de Ginástica, o dr. Albano anunciou a realização de uma visita de estudo dos alunos do segundo ano do CFL ao quartel dos bombeiros.
- E posso tocar a sirene? – perguntou a Leninha.
- Têm que comportar-se com civismo. Não se esqueçam que estão num local muito importante para todos os que vivem na nossa terra que importa ter a funcionar com o toda a eficácia. Não pode haver manobras de diversão.
- Um dia, tentei deitar fogo às carumas que tinha lá em casa na Rua de Castela para ouvir a sirene e os ver chegar a apitar – disse o Estorietas.
- Espero que os teus pais te tenham dado a devida lição. Se não o fizeram, fá-lo-ei eu.
E o professor de Ginástica continuou a dar algumas instruções a toda a turma. Era uma pessoa muito rigorosa.
- Amanhã, apresentamo-nos todos aqui em frente ao Colégio pelas 10 horas, vamos formar a três e ir em passo comandado por mim até ao quartel.
Imaginem o gozo que foi, no dia seguinte, numa manhã primaveril, ver os miúdos do segundo ano do CFL irem em formação até ao quartel dos bombeiros com o Dr. Albano muito perfilado ao seu lado a dar a voz de comando:
- Em frente. Muarche…
O grupo arrancou bem alinhado, não fosse a mão pesada do diretor cair-lhes em cima, e foi caminhando, braços direitos para a frente e para trás, sempre ao som de:
- Esquerdo… Esquerdo…
Os miúdos já bufavam em frente à tasca do Frazão, mas a voz do médico continuava sem hesitações:
- Esquerdo… esquerdo… esquerdo…
Na rua, todos paravam para ver aquele singular espetáculo e muitos desatavam a rir. Atrás dos miúdos, começou a formar-se uma pequena fila de automóveis que, sem apitar, respeitava o seu andamento. Outros miúdos apontavam para eles e riam-se. Um deles, o Julito, resolveu seguir aquele estranho grupo.
«Que irão fazer? Parece que vão na direção dos bombeiros…».
Pouco depois, paravam em frente aos bombeiros e o Dr. Albano deu mais uma ordem:
- Marcaaaaar passo…
E aqueles pesitos a bater no chão, todos ao mesmo tempo, produziram o caraterístico ruído. Encantado, junto ao comandante dos bombeiros, o Dr. Armando comprazia-se com a lição de civismo que estava a propiciar a tantos meninos.
«Ainda um dia, vamos ter aqui a Mocidade Portuguesa. Dessa maneira, é que ficariam bem educados.».
O Dr. Albano trocou umas palavras com o comandante e, depois, virou-se para os miúdos que continuavam a marcar passo.
- Podem parar. O sr. Comandante dos bombeiros vai dar início à visita de estudo.
Quando começaram a dispersar da formatura, o Julito aproximou-se do Estorietas:
- O que é que estão aqui a fazer?
- É uma visita de estudo da nossa turma organizada pelo Dr. Albano.
- Engraçado. Ainda um dia hei de ser comandante disto…
- Brincas…
Nesse momento, o comandante viu o Julito e disse para ele:
- Dá-nos aqui uma ajuda para mostrar as instalações aos alunos do CFL.
E, naquele dia, o Julito, uns anitos mais novo que os alunos da turma, foi o nosso guia numa visita às instalações dos bombeiros. É que ele já conhecia muito melhor o quartel do que a gente crescida pois, desde pequenino, era voluntário e acompanhava aquela maravilhosa equipa.


terça-feira, fevereiro 25, 2020

Pensamentos profundos


Quando Galileu demonstrou que a Terra girava… já os bêbados sabiam disso há séculos! ”

“As nuvens são como os chefes… quando desaparecem fica um dia lindo…”
  “ 97% da população não acredita nos políticos, os outros 3% são os políticos.”
 “ A hierarquia é como uma prateleira: quanto mais no alto, mais inútil.” 

 “ Alguns homens gostam tanto das suas mulheres que, para não as gastarem, preferem usar as dos outros.”

“ Por maior que seja o buraco em que te encontras, sorri, porque por enquanto ainda não há terra por cima.”

“ Se te estás a sentir sozinho, abandonado, a achar que ninguém te liga… atrasa um pagamento.”

 “ Se não puderes ajudar, então atrapalha, afinal o importante é participar.”

" Errar é humano... colocar a culpa em alguém é estratégico.”

“ Antes, eu tinha amnésia, hoje não me lembro.”

“ Não bebas enquanto conduzes! Porque podes entornar a cerveja.”

“ Bebo porque sou egocêntrico… gosto quando o mundo gira à minha volta.”
 “ Vivemos tempos em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim do mês.”

“ Eu não sou contra nem a favor, muito pelo contrário!”

 “ O pára-quedas é o único meio de transporte que, quando avaria, chegas mais depressa ao destino.

Texto enviado por mão amiga ao Estorietas com expresso pedido de publicação

Uma cena antológica


Mas voltemos à nossa Ourém de 1966. Na casa do Dr. Pera, ninguém se preocupava com as funestas consequências do corona vírus 54 anos depois. Pelo contrário, brincava-se, ria-se, ouvia-se música e dançava-se com sofreguidão.
Dois jovens oureenses decidiram protagonizar uma cena antológica. Eu até julgo que eles não conheciam aquelas figuras que me fazem lembrar. Mas, num momento mágico, parece que o Rui e o Jó nos trazem o Goucho e o Harpo. Atrás deles, o Estorietas e o All Simon vigiam o decorrer da cena. Ao lado, a Lili, a Teresinha e a Isabel, mais alguém que não reconheço, também mostram estar presentes.
E há aquele miúdo. Muito mais novo que nós todos. Lembro-me da cara dele como se fosse ontem, associo-o ao sr. David e à Fafá, mas não me lembro do nome dele.
Por que é que em todas estas fotos aparece um miúdo a rir, a apontar…?

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

As citações de um marxiano

Estas são um exclusivo do Groucho: 
„Não entro para clubes que me aceitam como sócio.“
“Um gato preto a atravessar o meu caminho significa que o animal está a ir para algum lado.“
“Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte! Acho que acredito na morte durante a vida“
“Eu nunca esqueço uma cara, mas no teu caso ficarei satisfeito em abrir uma excepção.“
“Eu bebo para fazer as outras pessoas interessantes.“
“A sinceridade e a honestidade são as chaves do sucesso. Se puderes falsificá-las, estás garantido.“
“Eu tenho princípios. Se você não gosta desses, eu tenho outros.“
“Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto…“
“Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.“
“A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorretamente e aplicar as piores soluções.“
“Se já ouviste esta história antes, não me pares, porque eu gostaria de a ouvir outra vez.“
“Eu não sou vegetariano, mas como animais que são.“
“Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher. E, atrás desta, existe a mulher dele.“
“O matrimônio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver numa instituição.“
Só há uma forma de saber se um homem é honesto… pergunte-o. Se ele disser 'sim', então você sabe que ele é corrupto.“

Recordando os irmãos Marx

Os Irmãos Marx foram um grupo de irmãos comediantes que fizeram teatro, cinema e televisão.
Eram eles: Chico (Leonard Marx, 22 de março de 1887 - 11 de outubro de 1961), Harpo (Adolph Arthur Marx, 23 de novembro de 1888 - 28 de setembro de 1964), Groucho (Julius Henry Marx, 2 de outubro de 1890 - 19 de agosto de 1977), Gummo (Milton Marx, 23 de outubro de 1893[1] - 21 de abril de 1977), e Zeppo, (Herbert Marx, 25 de fevereiro de 1901 - 30 de novembro de 1979). Outro irmão, Manfred, nasceu em janeiro de 1886 mas morreu na infância em 17 de julho de 1886.
Nascidos em Nova Iorque, os Irmãos Marx eram filhos de imigrantes judeus. A mãe, Minnie Schoenberg, da cidade Dornum na Alemanha, e o pai, Samuel "Frenchie" Marx (nascido Simon Marrix), vindo da Alsácia, região da França.
Mostraram talento musical desde a infância. Harpo, especialmente, podia tocar vários instrumentos, inclusive a harpa, o que fez com frequência em filmes. Chico foi um excelente e histriônico pianista, e Groucho tocava o violão.
Começaram no vaudeville, quando seu tio Al Shean já atuava, como parte da dupla Gallagher and Shean. A estreia de Groucho foi em 1905, como cantor. Em 1907 ele e Gummo cantavam juntos com Mabel O'Donnell no trio The Three Nightingales. No ano seguinte Harpo se tornou o quarto Nightingale (rouxinol em português). Em 1910 o grupo incluiu a mãe dos Marx e uma tia, Hannah, e mudou para The Six Mascots.
Certa noite, em um teatro de Nacogdoches, Texas a apresentação foi interrompida pelos gritos vindos de fora por causa de uma mula descontrolada. A plateia correu para fora a fim de ver o que estava acontecendo e, quando retornou, Groucho, enfurecido com a interrupção, disse que "Nacogdoches está cheia de baratas" e outras coisas. Em vez de se enfurecer, a plateia gargalhou e depois a família considerou a possibilidade de investir no potencial cômico da trupe.
Progressivamente, as ações desenvolveram-se do canto com comédia incidental ao esquete passado em uma sala de aula, com Groucho como professor e os outros como alunos. Gummo lutaria na Primeira Guerra Mundial ("Qualquer coisa é melhor que ser ator!"), Zeppo substitui-lo-ia nos anos finais do vaudeville, até a Broadway e depois nos filmes na Paramount.
Nesta época, os irmãos, agora The Four Marx Brothers, começaram a desenvolver o seu peculiar tipo de comédia e a desenvolver seus personagens. Groucho começou a usar seu bigode pintado; Harpo, a usar buzinas de bicicleta e nunca falar (Harpo não era mudo), Chico, a falar com um falso sotaque italiano, desenvolvido em campo com os desordeiros da vizinhança.

Fonte: Wikipedia

domingo, fevereiro 23, 2020

O assalto à mansão

Mas houve um ano, se não estou em erro 1966, que o marasmo foi completamente quebrado. Pelo fim da tarde, no Avenida alguém se lembrou:
- Tenho umas roupas lá em casa. Podemos disfarçar-nos e fazer um Carnaval a sério.
- E fazemos um assalto à casa do Zé Augusto.
Apesar de não me lembrar muito bem, a foto documenta que também lá estava.
Enquanto se vestia, o Jó ia recordando:
- Fora o Toná e o Chico César, ninguém se veste para celebrar o Carnaval. Houve um ano que uma cana de foguete atravessou uma perna do César. No fundo, até teve sorte.
E, pela noite, um enorme grupo, bem disfarçado, aproximou-se das bombas de gasolina da Galp no extremo da Avenida do lado de Tomar e tocou à porta de uma das pessoas mais influentes de Ourém.
- Quem são? O que pretendem?
Não foi preciso muito para o Zé Augusto nos reconhecer e, pouco depois, todos estavam a confraternizar no interior da habitação. O próprio anfitrião, embora um pouco tenso, participou na foto de grupo. E agora, o grande desafio:
Quem conhece os participantes no assalto? Reconheço a Lili, a Mena Porto, a Guida, a Isabel Simões, a Teresinha… mas a rapariga de barbas e chapéu negro escapa-se-me, bem como as restantes. Quanto aos foliões, reconhece-se facilmente o Jó Alho e o Rui Themido à frente e, lá atrás, o Alfredo, o Jó Rodrigues, o Estorietas, e o Zé Quim com um ar cândido que nunca julguei possível nele.

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