Desilusão
Envergonhado, retiro a bandeira que a Ana tinha colocado à janela. Afinal, eu tinha acabado por alinhar.
A equipa foi uma miséria. Ineficaz no ataque, desastrada na defesa. As vedetas só o foram de nome.
Os gregos deram a lição.
Será que a selecção que correu com o Humberto vai penar tanto como o Benfica que correu com o Tony? Será destino dos que despedem os vencedores?
sábado, junho 12, 2004
A fonte vai secando
Falta mais ou menos meia-hora para o jogo da selecção. Não sei se é da proximidade da TV, a inspiração hoje é quase nula.
Apetece-me chatear o Sérgio com uma pergunta dúbia: confiante num bom resultado? E desejar-lhe as maiores felcidades.
Apetece-me cumprimentar o Fred por ter deixado mais um comentário lúcido neste blog: tem razão, caro Fred, a e-democracia ainda deve estar muito longe lá para aqueles lados, temos de acreditar apenas nos nossos meios.
Apetece-me saudar o Eduardo e o Santa Cita e dizer: eu gostava de dar um tratamento mais digno aos comentários, mas os conhecimentos para estes lados são muito básicos.
Para todos os que aqui vêm, uma nota: vamos afastar-nos um bocadinho. A inspiração é cada vez menor. Virá um post de vez em quando, é impossível manter o ritmo. MAs os comentários a qualquer momento serão bem recebidos.
E agora vou ver o jogo. ESpero que seja um 3 a 0.
Falta mais ou menos meia-hora para o jogo da selecção. Não sei se é da proximidade da TV, a inspiração hoje é quase nula.
Apetece-me chatear o Sérgio com uma pergunta dúbia: confiante num bom resultado? E desejar-lhe as maiores felcidades.
Apetece-me cumprimentar o Fred por ter deixado mais um comentário lúcido neste blog: tem razão, caro Fred, a e-democracia ainda deve estar muito longe lá para aqueles lados, temos de acreditar apenas nos nossos meios.
Apetece-me saudar o Eduardo e o Santa Cita e dizer: eu gostava de dar um tratamento mais digno aos comentários, mas os conhecimentos para estes lados são muito básicos.
Para todos os que aqui vêm, uma nota: vamos afastar-nos um bocadinho. A inspiração é cada vez menor. Virá um post de vez em quando, é impossível manter o ritmo. MAs os comentários a qualquer momento serão bem recebidos.
E agora vou ver o jogo. ESpero que seja um 3 a 0.
sexta-feira, junho 11, 2004
O mata-borrão
Em Ourém, havia uma escola para rapazes e outra para meninas, respectivamente a escola do Roque e a escola da Dona Iria. Mas no CFL tive o privilégio de encontrar turmas mistas o que permitia aos mais abonados (?) uma educação mais equilibrada do que a reservada aos outros.
Ali, a filha do poeta podia encontrar-se com o filho do plebeu e, não fosse a separação nos recreios, que podia muito bem ser contrariada pelo reencontro no pinhal, poder-se-ia dizer que viviamos num mundo onde não existia segregação.
Com efeito, as traseiras do colégio eram reservadas aos rapazes que aproveitavam a parte de trás do ginásio para experimentar os primeiros cigarros. A parte da frente, a das flores, era para as meninas que podiam aí gozar a simpática companhia dos professores que, nos intervalos, passeavam na estrada para baixo e para cima.
De repente, o toque da campainha, desencadeado pelo Sr. Nunes fazia com que todos voltassem para as salas de aula e para os corredores.
Todos?
Lembro-me de uma certa história protagonizada pelo Augusto Almeida e pelo Vitor Castanheira que acabou mal.
Por causa do mata-borrão, desdenhosamente apelidado de chupa o que causou manifestação de estranheza pelos ditos, foram postos na rua com a indicação de que só lhes seria permitida a entrada após o pedido de desculpas. Eles é que não estiveram pelos ajustes: como não lhes era permitida a entrada, ficaram pelo recreio, não fosse aquele o melhor sítio para se estar. E os dias foram passando. Imaginem a satisfação do Augusto e do Vítor enquanto nós penávamos nas aulas...
Um dia, estávamos todos descansados na aula, quando, repentinamente, a porta se abre com estrondo, entram o Augusto e o Vítor em voo e, atrás deles, o Dr. Armando, esbaforido, muito vermelho, praguejante, que lhes pregou uma monumental sova à nossa frente e os obrigou a pedir desculpa pelo vil acto que tinham praticado com o mata-borrão.
Não contente com isso, conduziu-os aos lugares onde os fez sentar, fez menção de se retirar e, quando nós nos levantámos para saudar a sua saída, espetou mais uma ou duas bofetadas no Oliveira que, nesse dia, teve o azar de estar no local errado.
E-Assembleia
Esta história do voto electrónico que vai ser testado no dia 13 deu-me uma ideia brilhante. E por que não criar uma e-assembleia?
Dirão os meus amigos: mas já temos, há o Castelo, o Gaiteiro...
Pois há, são importantes, mas transportam sempre consigo a desconfiança da associação a alguma cor partidária. Eu falo em e-assembleia para algo dinamizado pela própria autarquia. Os assuntos eram ali colocados uns dias antes das assembleias, por dinamização interna ou por proposta do municipe e todos poderíamos comentar civilizadamente quer estivéssemos em Ourém, em Estrasburgo, em Parede, ou em Nova York. Inclusivamente poderíamos votar sempre que necessário.
Voltam os meus amigos: mas já temos a página da Câmara...
É verdade, é importante, mas usa e abusa da informação oficial, é excessivamente de dentro para fora, é preciso, não a suprimindo, dar mais voz às pessoas de Ourém. E que estrutura pode ser mais insuspeita para a sua dinamização do que a própria Câmara?
Resumindo, mantendo o Castelo e o Gaiteiro, e tudo o mais que a e-iniciativa dos oureenses desencadear, mantendo este V. humilde servidor enquanto a musa oureana não secar, é possível um blog com o formato do Castelo (é o que eu aprecio mais; amigo Gaiteiro, não fique triste) dinamizado a partir da autarquia e que não se confunda com as forças dominantes na mesma.
Esta história do voto electrónico que vai ser testado no dia 13 deu-me uma ideia brilhante. E por que não criar uma e-assembleia?
Dirão os meus amigos: mas já temos, há o Castelo, o Gaiteiro...
Pois há, são importantes, mas transportam sempre consigo a desconfiança da associação a alguma cor partidária. Eu falo em e-assembleia para algo dinamizado pela própria autarquia. Os assuntos eram ali colocados uns dias antes das assembleias, por dinamização interna ou por proposta do municipe e todos poderíamos comentar civilizadamente quer estivéssemos em Ourém, em Estrasburgo, em Parede, ou em Nova York. Inclusivamente poderíamos votar sempre que necessário.
Voltam os meus amigos: mas já temos a página da Câmara...
É verdade, é importante, mas usa e abusa da informação oficial, é excessivamente de dentro para fora, é preciso, não a suprimindo, dar mais voz às pessoas de Ourém. E que estrutura pode ser mais insuspeita para a sua dinamização do que a própria Câmara?
Resumindo, mantendo o Castelo e o Gaiteiro, e tudo o mais que a e-iniciativa dos oureenses desencadear, mantendo este V. humilde servidor enquanto a musa oureana não secar, é possível um blog com o formato do Castelo (é o que eu aprecio mais; amigo Gaiteiro, não fique triste) dinamizado a partir da autarquia e que não se confunda com as forças dominantes na mesma.
Degraus de palavras, acções e pessoas
E a interrogação é: e como fazer um movimento muito forte que leve a parar com a destruição? como dizer basta? como forçar a que respeitem os que já passaram por cá? como conseguir isto sem transtornos monumentais na vida de cada um? como conciliar isto com o necessário desenvolvimento? e valerá a pena? será que haverá quem concorde connosco?
Um blog não chega. Ainda por cima com uma estrutura tão frágil como a que este evidencia, quer-se pôr uma imagem e treme por todos os lados. Os comentários por vezes nem suportam cedilhas ou assentos...
É preciso estar na imprensa, fazer algum livro.
E acima de tudo, é preciso alguém, um grupo forte, com partido ou sem partido, que viva diariamente em Ourém e queira transportar esta mensagem aos locais onde ela pode ser actuante, acabando com a arrogância autista do poder.
E a interrogação é: e como fazer um movimento muito forte que leve a parar com a destruição? como dizer basta? como forçar a que respeitem os que já passaram por cá? como conseguir isto sem transtornos monumentais na vida de cada um? como conciliar isto com o necessário desenvolvimento? e valerá a pena? será que haverá quem concorde connosco?
Um blog não chega. Ainda por cima com uma estrutura tão frágil como a que este evidencia, quer-se pôr uma imagem e treme por todos os lados. Os comentários por vezes nem suportam cedilhas ou assentos...
É preciso estar na imprensa, fazer algum livro.
E acima de tudo, é preciso alguém, um grupo forte, com partido ou sem partido, que viva diariamente em Ourém e queira transportar esta mensagem aos locais onde ela pode ser actuante, acabando com a arrogância autista do poder.
quinta-feira, junho 10, 2004
A grande ilusão
Esta história da selecção, do Euro, das bandeiras faz-me recordar um trabalho que fiz há uns anos sobre a alienação e, ao mesmo tempo, interrogar-me se será justo proceder a uma adaptação do que Marx afirmou há muitos anos, transformando-o para: a selecção é o ópio do povo.
Como calculam, gosto imenso dos nossos jogadores, gosto da selecção (acho que, em termos de coerência, o treinador devia ser português), torcerei para que ganhem... mas acho excessivo o que se passa e pergunto: a quem serve esta transferência de atenção dos reais problemas para uma pseudo e efémera superioridade em futebol profissional?
Esta história da selecção, do Euro, das bandeiras faz-me recordar um trabalho que fiz há uns anos sobre a alienação e, ao mesmo tempo, interrogar-me se será justo proceder a uma adaptação do que Marx afirmou há muitos anos, transformando-o para: a selecção é o ópio do povo.
Como calculam, gosto imenso dos nossos jogadores, gosto da selecção (acho que, em termos de coerência, o treinador devia ser português), torcerei para que ganhem... mas acho excessivo o que se passa e pergunto: a quem serve esta transferência de atenção dos reais problemas para uma pseudo e efémera superioridade em futebol profissional?
A seita do cavalo branco
Não sei quantas vezes vi este saudoso filme no cine-teatro da vila, uma magnífica sala onde as plateias (de primeira e segunda), a geral, os camarotes e o balcão reflectiam a estratificação social que se vivia.
Mas, em momento de filme, corridas aquelas belas cortinas verdes que tapavam as portas de saída, tudo isso de esbatia. Detentor de pouco dinheiro, geralmente utilizava aquela plateia quase colada à geral e daí podia assistir à magnífica cavalgada para apanhar os bandidos no momento chave em que o espectador se tornava actor.
A galopada e o seu ruído entravam pela sala dentro. Toda a gente gritava de entusiasmo e saltava nas cadeiras. Sentia-se todo o edifício a tremer pelo arrebatamento desordenado que lhe era transmitido por quem se julgava a viver a monumental perseguição. Finalmente, os bandidos eram capturados.
No dia seguinte, menos tensos, com mais uma boa dose de paliativo para aceitarem a situação social em que viviam, todos comentavam o esplendor do espectáculo e todos pretendiam ter sido aquela figura que, no final, planeava passar o resto dos seus dias com a bela menina que amenizava tão brutais costumes.
Não sei quantas vezes vi este saudoso filme no cine-teatro da vila, uma magnífica sala onde as plateias (de primeira e segunda), a geral, os camarotes e o balcão reflectiam a estratificação social que se vivia.
Mas, em momento de filme, corridas aquelas belas cortinas verdes que tapavam as portas de saída, tudo isso de esbatia. Detentor de pouco dinheiro, geralmente utilizava aquela plateia quase colada à geral e daí podia assistir à magnífica cavalgada para apanhar os bandidos no momento chave em que o espectador se tornava actor.
A galopada e o seu ruído entravam pela sala dentro. Toda a gente gritava de entusiasmo e saltava nas cadeiras. Sentia-se todo o edifício a tremer pelo arrebatamento desordenado que lhe era transmitido por quem se julgava a viver a monumental perseguição. Finalmente, os bandidos eram capturados.
No dia seguinte, menos tensos, com mais uma boa dose de paliativo para aceitarem a situação social em que viviam, todos comentavam o esplendor do espectáculo e todos pretendiam ter sido aquela figura que, no final, planeava passar o resto dos seus dias com a bela menina que amenizava tão brutais costumes.
A casa da Rua de Santa Teresinha
Curiosamente, a adaptação à nova casa não foi difícil. Há com certeza explicação lógica para isso. Conhecia-a desde que tinha nascido, pois antes habitavam lá uns tios e ela, a tia, foi a minha segunda mãe. Pessoas boas, muito amigas, que me trataram sempre o melhor possível. Lembro-me que até tinha um quarto especial onde podia pernoitar quando não me apetecia regressar a Castela.
Os tios tinham vários atractivos: um bastante importante foi a colecção do Cavaleiro Andante que me ofereceram quase desde o início e que eu suspendi a uns trinta números do final. Outros eram os brinquedos. Recordo com especial carinho uma corneta que me foi oferecida pela Feira Nova e que eu usava mal acordava a imaginar que estava nos exércitos do General Custer em momento de ataque ao Sitting Bull. O toque era tão elevado, lancinante e apelativo que toda a gente acordava e tinha que formar. Não sei porquê, um dia a corneta desapareceu e, apesar da bondade deles, nunca consegui a substituição em termos realmente satisfatórios.
Mas não foi esse o único motivo de adaptação fácil. É que, em férias, tinha a boa companhia do Rui e ainda me lembro do Jó Rodrigues quando morava na casa onde hoje habita o Sr. Paisana. Para completar a quadrilha, havia ainda o Zé Quim à frente. Nisto tudo pode ter havido algum desfasamento temporal que terá feito que nunca estivéssemos os quatro.
Chegar dali ao Central e ao Avenida era relativamente fácil. Visitar a casa do Largo de Castela também era possível pois foi habitada pela Aurorita e pelo João Honório bons amigos que mais tarde vim a reencontrar em Leiria.
E foi a nova casa que um dia demonstrou que a minha fé num ser humano é imensa.
Como consta da lenda, as portas estavam sempre abertas ou nos trincos. Nesse dia, a minha mãe estava para o quintal. Eu lia qualquer coisa quando ouvi um certo ruído, um ruído baixo que não cessava, mas que também se não definia. Vim até à porta da rua e apareceu-me uma mulher que eu nunca tinha visto, mas que já tinha aberto a porta por completo e iniciado o processo de entrada.
- A senhora precisa de alguma coisa?
Ela ficou embasbacada, mas ripostou:
- Não é aqui que mora a Maria?
- Ah! Eu vou chamar…
E deixei-a em paz, fui chamar a minha mãe a quem contei o sucedido.
- Mãe, está uma senhora à procura da Maria…
Viemos até à entrada. Claro que já lá não estava ninguém. Em vão a procurámos até à zona do hospital.
Não sei se o prejuízo foi grande ou pequeno - como não era materialista, isso não me preocupava muito. Sei que ouvi das boas por acreditar tão facilmente nas nobres intenções do ser humano.
Curiosamente, a adaptação à nova casa não foi difícil. Há com certeza explicação lógica para isso. Conhecia-a desde que tinha nascido, pois antes habitavam lá uns tios e ela, a tia, foi a minha segunda mãe. Pessoas boas, muito amigas, que me trataram sempre o melhor possível. Lembro-me que até tinha um quarto especial onde podia pernoitar quando não me apetecia regressar a Castela.
Os tios tinham vários atractivos: um bastante importante foi a colecção do Cavaleiro Andante que me ofereceram quase desde o início e que eu suspendi a uns trinta números do final. Outros eram os brinquedos. Recordo com especial carinho uma corneta que me foi oferecida pela Feira Nova e que eu usava mal acordava a imaginar que estava nos exércitos do General Custer em momento de ataque ao Sitting Bull. O toque era tão elevado, lancinante e apelativo que toda a gente acordava e tinha que formar. Não sei porquê, um dia a corneta desapareceu e, apesar da bondade deles, nunca consegui a substituição em termos realmente satisfatórios.
Mas não foi esse o único motivo de adaptação fácil. É que, em férias, tinha a boa companhia do Rui e ainda me lembro do Jó Rodrigues quando morava na casa onde hoje habita o Sr. Paisana. Para completar a quadrilha, havia ainda o Zé Quim à frente. Nisto tudo pode ter havido algum desfasamento temporal que terá feito que nunca estivéssemos os quatro.
Chegar dali ao Central e ao Avenida era relativamente fácil. Visitar a casa do Largo de Castela também era possível pois foi habitada pela Aurorita e pelo João Honório bons amigos que mais tarde vim a reencontrar em Leiria.
E foi a nova casa que um dia demonstrou que a minha fé num ser humano é imensa.
Como consta da lenda, as portas estavam sempre abertas ou nos trincos. Nesse dia, a minha mãe estava para o quintal. Eu lia qualquer coisa quando ouvi um certo ruído, um ruído baixo que não cessava, mas que também se não definia. Vim até à porta da rua e apareceu-me uma mulher que eu nunca tinha visto, mas que já tinha aberto a porta por completo e iniciado o processo de entrada.
- A senhora precisa de alguma coisa?
Ela ficou embasbacada, mas ripostou:
- Não é aqui que mora a Maria?
- Ah! Eu vou chamar…
E deixei-a em paz, fui chamar a minha mãe a quem contei o sucedido.
- Mãe, está uma senhora à procura da Maria…
Viemos até à entrada. Claro que já lá não estava ninguém. Em vão a procurámos até à zona do hospital.
Não sei se o prejuízo foi grande ou pequeno - como não era materialista, isso não me preocupava muito. Sei que ouvi das boas por acreditar tão facilmente nas nobres intenções do ser humano.
Uma chegada imponente
Esplanada do Avenida
Uma daquelas magníficas tardes de Ourém. Algum Sol. Com nada para fazer, distintos oureenses apenas podiam exercitar a contemplação. Para a esquerda, para direita… para a esquerda, para a direita…
O Jó Alho dava espectáculo. Corria de um lado para o outro, saltava batendo os calcanhares, enquanto trauteava o "La plus belle pour aller dancer".
De súbito, o belo carro negro aparece vindo talvez dos lados do Olival. Não sei se era um Ford Perfect da década de sessenta, era qualquer coisa assim. Algo de importante.
O carro detém-se junto aos correios. Saem algumas pessoas. Reparo especialmente nela, uma catraia com os seus catorze anos, alta, engraçada, não era bonita, era apenas engraçada. Depois em alguém que parecia o seu pai. Um ar aristocrático, uma espécie de barão em fato negro completo, bigode forte e farfalhudo, um indivíduo alto e encorpado. Pouco falaram, cada um foi fazer o que tinha a fazer. Passado algum tempo, voltaram todos, meteram-se no carro e arrancaram, abandonando Ourém. Não falaram a ninguém. Lembro-me que isto aconteceu várias vezes. Quem seriam?
Voltei a encontrá-la em Leiria no Liceu. Afinal era simpática, não muito faladora, mas cumprimentava sempre, o que para mim é qualidade elevada. Eu ia para Económicas, ela para Direito ou Germânicas ou Filosofia, por isso nunca mais a vi.
Mas nunca consegui esquecer o modo como chegavam a Ourém.
Esplanada do Avenida
Uma daquelas magníficas tardes de Ourém. Algum Sol. Com nada para fazer, distintos oureenses apenas podiam exercitar a contemplação. Para a esquerda, para direita… para a esquerda, para a direita…
O Jó Alho dava espectáculo. Corria de um lado para o outro, saltava batendo os calcanhares, enquanto trauteava o "La plus belle pour aller dancer".
De súbito, o belo carro negro aparece vindo talvez dos lados do Olival. Não sei se era um Ford Perfect da década de sessenta, era qualquer coisa assim. Algo de importante.
O carro detém-se junto aos correios. Saem algumas pessoas. Reparo especialmente nela, uma catraia com os seus catorze anos, alta, engraçada, não era bonita, era apenas engraçada. Depois em alguém que parecia o seu pai. Um ar aristocrático, uma espécie de barão em fato negro completo, bigode forte e farfalhudo, um indivíduo alto e encorpado. Pouco falaram, cada um foi fazer o que tinha a fazer. Passado algum tempo, voltaram todos, meteram-se no carro e arrancaram, abandonando Ourém. Não falaram a ninguém. Lembro-me que isto aconteceu várias vezes. Quem seriam?
Voltei a encontrá-la em Leiria no Liceu. Afinal era simpática, não muito faladora, mas cumprimentava sempre, o que para mim é qualidade elevada. Eu ia para Económicas, ela para Direito ou Germânicas ou Filosofia, por isso nunca mais a vi.
Mas nunca consegui esquecer o modo como chegavam a Ourém.
Protesto à deriva... mas já redireccionado
A união dos oureenses que estão fartos da destruição da nossa Ourém vai ganhando forma. É o que se constata na parte final deste texto do Zé Quim, porque o que acontece impressiona muito a quem está fora e, de tempos a tempos, aparece:
A união dos oureenses que estão fartos da destruição da nossa Ourém vai ganhando forma. É o que se constata na parte final deste texto do Zé Quim, porque o que acontece impressiona muito a quem está fora e, de tempos a tempos, aparece:
És um malvado!Agora é preciso que outros distintos oureenses manifestem também a sua não indiferença.
Apanhaste-me!
A minha boa vontade em querer contribuir para a reposição da regional verdade histórica, levou-me a nem sequer pensar que as palavras, particularmente usadas para a nova descrição dos “explosivos” acontecimentos, poderiam ser pespegadas num Blog a que não faltou, como remate, o meu nome!
Sonhasse eu com a “traição” teria, pelo menos, algum cuidado com a sintaxe. Paciência!
Impuseste-me, além do mais, cruéis andanças pelo blogger.com. Atrapalhaste-me a vida com os userids, passwords e nomes de animais selvagens com fato às riscas.
Irás pagar com língua de palmo, oh blog(quista) usurpador, a tua ousadia!
Escrevi esta coisa já há muito tempo, num blog que, seguindo as tuas indicações, consegui criar, mas que perdi, devendo andar agora para aí à deriva.
Sabes que o meu pai, em tempos há muito idos, continuou um caderninho iniciado pelo meu tio Joaquim, onde constam cerca de 280 alcunhas?!
Tenho lido todos os dias os teus blogs. Fico quase sempre triste e revoltado quando o tema versa, e são muitas vezes, a destruição de Ourém.
Um abraço grande
Zéquim
quarta-feira, junho 09, 2004
Retorno à equipa maravilha
Há uns tempos escrevemos aqui:
E reconheço, na de cima, o Abel, o Rui Costa, o Rui Silva (Prego), o Borga (inicialmente pensei que era o Fonseca),o Mário e o Armando Pereira (Piriquito). Será que alguém consegue dar uma ajuda quanto ao treinador?
Na de baixo, a ignorância é maior: o guarda-redes é o Setenta, mas não consigo reconhecer o seu substituto. Já aparece o Pintassilgo ao lado de um dos irmãos Costa. Atrás, aparece o Mário sem ser na posição em que o recordo, o Armando, o Abel e um outro jogador, capitão de equipa, que também me é desconhecido.
E aqui fica o convite a distintos oureenses: será que alguém consegue dar uma ajuda no reconhecimento? Ou quer publicar algo sobre isto?
Há uns tempos escrevemos aqui:
Podem falar nos putos do hóquei, podem falar nas internacionalizações, podem falar no Luís Porto, mas, para mim, a equipa maravilha, aquela que defrontou o Livramento, aquela que quase humilhou o Futebol Benfica com um bem claro 5 a 3, aquela que entusiasmava as gentes de Ourém ao ponto de os seus clamores atingirem e atemorizarem Tomar, Abrantes, Torres Novas, Marinha Grande e Turquel, era a formada pelo Mário, Abel, Rui Prego, Rui Costa, Piriquito e outros que não me lembro, mas que julgo que integraram o Ferraz, o Pintassilgo e, ele o diz, o Vitor Castanheira.E eis que mão amiga me faz chegar duas fotografias desse tempo. Uma delas, nas costas, tem escrito a lápis 1959. São com certeza fotografias desse tempo.
Quando o Abel saiu, o Pintassilgo, talvez o mais habilidoso de todos, entrou, e logo ganharam o distrital. Que magnífico feito!
Que pena não ter uma fotografia desse tempo.
Constato que a tradição do hóquei não se perdeu, independentemente de vir sob o nome Atlético ou Juventude. Mas uma coincidência engraçada é o facto de o treinador dos putos, grandes campeões do século XXI, aquele que os tem conduzido a saborosas vitórias apesar de poucas vezes ser nomeado, ser filho de um desses magníficos que lutavam na equipa maravilha.
E reconheço, na de cima, o Abel, o Rui Costa, o Rui Silva (Prego), o Borga (inicialmente pensei que era o Fonseca),o Mário e o Armando Pereira (Piriquito). Será que alguém consegue dar uma ajuda quanto ao treinador?
Na de baixo, a ignorância é maior: o guarda-redes é o Setenta, mas não consigo reconhecer o seu substituto. Já aparece o Pintassilgo ao lado de um dos irmãos Costa. Atrás, aparece o Mário sem ser na posição em que o recordo, o Armando, o Abel e um outro jogador, capitão de equipa, que também me é desconhecido.
E aqui fica o convite a distintos oureenses: será que alguém consegue dar uma ajuda no reconhecimento? Ou quer publicar algo sobre isto?
A mudança
Já não me lembro em que ano mudei para a casa da Rua Santa Teresinha.
Mas sei que fui actor nessa cena.
E revejo-me a descer do largo de Castela para a Avenida. Levo um saco grande na mão, talvez com um metro de altura e uns trinta centímetros de diâmetro. É castanho, feito de uma matéria que me parece linhaça, mas que a minha santa ignorância não consegue caracterizar. Lá dentro sente-se que algo mexe. É a minha gatinha de cor branca e preta, vai dentro do saco para não reconhecer o caminho e não ter tentações de voltar à origem.
Atravesso a Avenida e viro à esquerda, frente ao edifício do cine-teatro viro à direita e inicio a descida. Passo em frente à casa onde conheci distinto oureense que há uns dois anos me ofertou saboroso arroz de cabidela na Gondemaria. Um pouco mais abaixo, frente à morgue, acelero o passo, sempre que ali passava tinha receio que algum defunto me perseguisse. Num instante chego à estrada, passo frente à alfaiataria do Zé Canoa e inicio o pequeno morro que me leva à nova casinha.
Ali, faço as apresentações à gatinha. Vê o quintal, vê os quartos, enfim tudo parece em ordem, a adaptação parece não trazer problemas.
Passa um ou dois dias. Oiço a minha mãe: Luís, não sei da gata...
Foi o desespero. E se ela era engraçada e brincalhona.
Mas eis que chega a salvação. Alguém da rua de Castela traz a notícia. Sabem, a V. gata não sai de ao pé da antiga casa.
É verdade, apesar da nossa tentativa, o bicho tinha conseguido reconhecer o caminho e voltar. Com maiores cuidados, fomos buscá-la e, como o sítio para onde mudámos, era idílico, ela acabou por se adaptar.
Foram precisos muitos anos para distinto oureense compreender, aceitar e acabar por sentir esta fixação na casa do Largo de Castela.
terça-feira, junho 08, 2004
O candidato de Ourém
Pus-me a pensar sobre algumas coisas que gostaria que o candidato de Ourém tratasse lá no Parlamento. Aqui ficam. Se todo o oureense fizer o mesmo e lhe der, no final podemos julgar se ele merece a reeleição.
1. Consta que os dinheiros gastos na Praça Agostinho Albano de Almeida tiveram a sua origem na União Europeia. Assim, a ser verdade, eu propunha que o nosso candidato apresentasse no Parlamento Europeu um relatório sobre a forma como esses recursos foram esbanjados, designadamente, que tente mostrar o que tínhamos e como ficou. Chama-se àquilo “zona histórica” e foi possível fazer lá uma obra que apagou a história toda.
2. Gostaria que o Parlamento Europeu fosse alertado para outras eventuais destruições em perspectiva, designadamente a casa do Largo de Castela e adjacentes, e que sobre estas fosse lançada a partir da Europa uma providência cautelar.
3. Gostaria ainda que os autarcas locais fossem interrogados pelo facto de não terem canalizado parte dos recursos recebidos para determinados elementos patrimoniais em degradação já documentados como a fonte de Santa Teresinha, o Chafariz do recanto pitoresco do Ferraz ou para a devolução da dignidade perdida ao Colégio Fernão Lopes. Num momento de aproximação a Leiria, podia muito bem ser negociada a instalação ali de formação de alto nível para executivos, pois tudo pode ser recuperado e o ambiente à volta mantém características excelentes para repouso e reflexão.
4. De certeza absoluta que os meus olhos já não verão uma sociedade socialista como eu gostaria. Mas ficaria satisfeito se alguns males da sociedade actual fossem banidos. Concretamente, mais civismo, mais educação e fim à corrupção. Não vou lançar qualquer atoarda relativamente aos nossos autarcas, mas penso que a auditoria sistemática às contas por entidade independente e credenciada seria uma prática justa e teria mais força se viesse recomendação da Europa: não basta ser honesto, é preciso parecê-lo, é preciso que ninguém lance a dúvida.
E é só isto, meu caro Sérgio. Nem precisas de te ralar com a revolução proletária ou com a revolução socialista, o pessoal haverá de lá chegar, evoluindo.
A propósito, consta que essa força da natureza que é a Odete tem grandes hipóteses de ser eleita e que também tem uma relação com Ourém. Confesso que não sei se isto é verdade, mas não é o mais importante, o que é verdadeiramente importante é ver que o terceiro candidato da CDU também dá excelentes garantias quanto ao desempenho.
Pus-me a pensar sobre algumas coisas que gostaria que o candidato de Ourém tratasse lá no Parlamento. Aqui ficam. Se todo o oureense fizer o mesmo e lhe der, no final podemos julgar se ele merece a reeleição.
1. Consta que os dinheiros gastos na Praça Agostinho Albano de Almeida tiveram a sua origem na União Europeia. Assim, a ser verdade, eu propunha que o nosso candidato apresentasse no Parlamento Europeu um relatório sobre a forma como esses recursos foram esbanjados, designadamente, que tente mostrar o que tínhamos e como ficou. Chama-se àquilo “zona histórica” e foi possível fazer lá uma obra que apagou a história toda.
2. Gostaria que o Parlamento Europeu fosse alertado para outras eventuais destruições em perspectiva, designadamente a casa do Largo de Castela e adjacentes, e que sobre estas fosse lançada a partir da Europa uma providência cautelar.
3. Gostaria ainda que os autarcas locais fossem interrogados pelo facto de não terem canalizado parte dos recursos recebidos para determinados elementos patrimoniais em degradação já documentados como a fonte de Santa Teresinha, o Chafariz do recanto pitoresco do Ferraz ou para a devolução da dignidade perdida ao Colégio Fernão Lopes. Num momento de aproximação a Leiria, podia muito bem ser negociada a instalação ali de formação de alto nível para executivos, pois tudo pode ser recuperado e o ambiente à volta mantém características excelentes para repouso e reflexão.
4. De certeza absoluta que os meus olhos já não verão uma sociedade socialista como eu gostaria. Mas ficaria satisfeito se alguns males da sociedade actual fossem banidos. Concretamente, mais civismo, mais educação e fim à corrupção. Não vou lançar qualquer atoarda relativamente aos nossos autarcas, mas penso que a auditoria sistemática às contas por entidade independente e credenciada seria uma prática justa e teria mais força se viesse recomendação da Europa: não basta ser honesto, é preciso parecê-lo, é preciso que ninguém lance a dúvida.
E é só isto, meu caro Sérgio. Nem precisas de te ralar com a revolução proletária ou com a revolução socialista, o pessoal haverá de lá chegar, evoluindo.
A propósito, consta que essa força da natureza que é a Odete tem grandes hipóteses de ser eleita e que também tem uma relação com Ourém. Confesso que não sei se isto é verdade, mas não é o mais importante, o que é verdadeiramente importante é ver que o terceiro candidato da CDU também dá excelentes garantias quanto ao desempenho.
Eu não sei como te chamas, ó Maria Faia
Mais recentemente foi um negócio de cozinhas.
O oureense é ali dos lados da Lagoa do Furadouro com negócio montado em Tomar e suponho que em Leiria.
A cozinha em si é um espanto em termos de qualidade, ele, um verdadeiro artista, montou e adaptou o que tinha a adaptar com uma facilidade espantosa.
O problema foi a pedra que trouxe pois esboroa-se. Perante a reclamação, demonstrou que a assistência pós-venda era nula. Ignorou praticamente o cliente com quem tinha feito a totalidade do negócio.
Pois este artista, mesmo na perspectiva de nova cozinha e roupeiro para a Parede estimados aí para os dez mil euros, não teve condições de propor uma solução para o diabo da pedra de modo a ultrapassar esta má impressão. Isto é, ele está para o marketing como o cientista louco está para o ensino: uma monumental falta de jeito.
Não se pense que, aqui para os lados de Lisboa, o comportamento dos fornecedores é muito melhor. Ainda há dias, a história da cozinha da Parede teve continuação com a respectiva devolução ao artista que a instalou, este da zona de Oeiras, porque se demonstrou que era material em segunda mão!!! E a luta foi dura: até houve fotografias e a Deco.
Bem pode penar o nosso querido PM pela retoma com exemplos destes. Depois o PIB não aumenta e lá vem o chato do défice.
Mais recentemente foi um negócio de cozinhas.
O oureense é ali dos lados da Lagoa do Furadouro com negócio montado em Tomar e suponho que em Leiria.
A cozinha em si é um espanto em termos de qualidade, ele, um verdadeiro artista, montou e adaptou o que tinha a adaptar com uma facilidade espantosa.
O problema foi a pedra que trouxe pois esboroa-se. Perante a reclamação, demonstrou que a assistência pós-venda era nula. Ignorou praticamente o cliente com quem tinha feito a totalidade do negócio.
Pois este artista, mesmo na perspectiva de nova cozinha e roupeiro para a Parede estimados aí para os dez mil euros, não teve condições de propor uma solução para o diabo da pedra de modo a ultrapassar esta má impressão. Isto é, ele está para o marketing como o cientista louco está para o ensino: uma monumental falta de jeito.
Não se pense que, aqui para os lados de Lisboa, o comportamento dos fornecedores é muito melhor. Ainda há dias, a história da cozinha da Parede teve continuação com a respectiva devolução ao artista que a instalou, este da zona de Oeiras, porque se demonstrou que era material em segunda mão!!! E a luta foi dura: até houve fotografias e a Deco.
Bem pode penar o nosso querido PM pela retoma com exemplos destes. Depois o PIB não aumenta e lá vem o chato do défice.
segunda-feira, junho 07, 2004
Novo blog sobre Ourém
A notícia fez-me andar à procura (infrutífera) do livro com as citações do Presidente Mao que usei muito lá para 1970 e fazer a respectiva adaptação: que cem novos blogs floresçam.
Mas cuidado com o foco em Ourém, a dispersão pode tirar força e o projecto o Castelo merece ser apoiado.
De qualquer forma, longa vida e muita força ao Ourém a nu.
A notícia fez-me andar à procura (infrutífera) do livro com as citações do Presidente Mao que usei muito lá para 1970 e fazer a respectiva adaptação: que cem novos blogs floresçam.
Mas cuidado com o foco em Ourém, a dispersão pode tirar força e o projecto o Castelo merece ser apoiado.
De qualquer forma, longa vida e muita força ao Ourém a nu.
Àquela janela virada para o mar
Vivo muito perto do mar. Para o ver basta uma ligeira inclinação. Isso faz com que as janelas, estores e pedras da minha residência sofram os seus efeitos e que a sua duração seja substancialmente mais curta.
A primeira mudança de estores não foi feliz. Surge a ideia: e se fôssemos a Ourém encomendar?
Logo me identificaram o melhor profissional. Por sinal, pessoa excelente e muito amável que leva, por vezes, bicada dos próprios fornecedores.
E lá veio tudo a caminho da Parede com o selo de Ourém e origem na Gondemaria. Janelas umas por cima das outras sem eficaz protecção. O aspecto do alumínio é magnífico, elas correm nas calhas com singular precisão. Tudo parece funcionar bem.
Mas eis que surge alguém
que olha as janelas uma a uma,
preparando-lhes a limpeza
com montes de alva espuma...
Que será aquilo nos vidros? Riscos e mais riscos por todo o lado.
Lá se fez reclamação o que levou à troca do produto.
Mas, depois desta, os problemas continuaram: vidros com manchas, assemblados à balda com dedos marcados e de cuja troca se continua infrutiferamente à espera.
Mais uma vez, parece que há desejos de nos torturar.
Aliás, decidimos deixar de esperar....
Vivo muito perto do mar. Para o ver basta uma ligeira inclinação. Isso faz com que as janelas, estores e pedras da minha residência sofram os seus efeitos e que a sua duração seja substancialmente mais curta.
A primeira mudança de estores não foi feliz. Surge a ideia: e se fôssemos a Ourém encomendar?
Logo me identificaram o melhor profissional. Por sinal, pessoa excelente e muito amável que leva, por vezes, bicada dos próprios fornecedores.
E lá veio tudo a caminho da Parede com o selo de Ourém e origem na Gondemaria. Janelas umas por cima das outras sem eficaz protecção. O aspecto do alumínio é magnífico, elas correm nas calhas com singular precisão. Tudo parece funcionar bem.
Mas eis que surge alguém
que olha as janelas uma a uma,
preparando-lhes a limpeza
com montes de alva espuma...
Que será aquilo nos vidros? Riscos e mais riscos por todo o lado.
Lá se fez reclamação o que levou à troca do produto.
Mas, depois desta, os problemas continuaram: vidros com manchas, assemblados à balda com dedos marcados e de cuja troca se continua infrutiferamente à espera.
Mais uma vez, parece que há desejos de nos torturar.
Aliás, decidimos deixar de esperar....
domingo, junho 06, 2004
A Ana faz anos
É verdade, a Ana, hoje, faz trinta anos. Exactamente os mesmos da nossa magnífica revolução que, quando ela nasceu, eu praticava lá para a Escola Prática de Transmissões, na Graça.
Decidi surpreender.
Hoje, ficamos assim. O sítio do post está cá. Vou, pé ante pé, à procura de fotografias da Ana, em 1974, no Verão quente de 1975, em alguns anos seguintes e vou actualizar isto ao longo da semana eventualmente com algum comentário.
É isso. Acabou-se a nostalgia e terminaram as lamúrias. Acho que vai ficar giro. ~
Faz agora 30 anos, nasceu uma linda menina ali para os lados do IST
Vamos conhecer os avós e os tios. A Sandra ainda não nasceu...
Tão fofinha
Vejam este magnífico três rodas
Comam, mas deixem alguma coisa para mim
No Verão quente de 75, em Santa Cruz: Sabes o que e o PREC?
E a revolução lá fora
Os meus primos são intratáveis
Acompanhando o marxista à praia
E ao ponto mais alto da serra
Ora vivam, quem manda aqui sou eu
A Ana, a Sandra e o Zé
A caminho dos Valinhos
Sob celestial protecção
A Vizinha, o Rafael, os avós, os tios e o cão
Susana, já te disse que o caminho é por aqui
Avó, conta-me aquela história do lobo mau
Ana de Tróia
O treinador dos putos faz anos. A Ana e a Sandra devem estar fulas
Com mais uns aninhos
Linda menina
Cowboys e índios
É verdade, a Ana, hoje, faz trinta anos. Exactamente os mesmos da nossa magnífica revolução que, quando ela nasceu, eu praticava lá para a Escola Prática de Transmissões, na Graça.
Decidi surpreender.
Hoje, ficamos assim. O sítio do post está cá. Vou, pé ante pé, à procura de fotografias da Ana, em 1974, no Verão quente de 1975, em alguns anos seguintes e vou actualizar isto ao longo da semana eventualmente com algum comentário.
É isso. Acabou-se a nostalgia e terminaram as lamúrias. Acho que vai ficar giro. ~
Faz agora 30 anos, nasceu uma linda menina ali para os lados do IST
Come a papa, Ana, come a papa...
Vamos conhecer os avós e os tios. A Sandra ainda não nasceu...
Tão fofinha
Vejam este magnífico três rodas
Comam, mas deixem alguma coisa para mim
No Verão quente de 75, em Santa Cruz: Sabes o que e o PREC?
E a revolução lá fora
Os meus primos são intratáveis
Acompanhando o marxista à praia
E ao ponto mais alto da serra
Ora vivam, quem manda aqui sou eu
A Ana, a Sandra e o Zé
A caminho dos Valinhos
Sob celestial protecção
A Vizinha, o Rafael, os avós, os tios e o cão
Susana, já te disse que o caminho é por aqui
Avó, conta-me aquela história do lobo mau
Ana de Tróia
O treinador dos putos faz anos. A Ana e a Sandra devem estar fulas
Com mais uns aninhos
Linda menina
Cowboys e índios
sábado, junho 05, 2004
A Ficha Técnica
Fui chamado à CNE e, com algum espanto, surge à minha frente o PM.
- Oh, meu caro Luís! Nem sabe como tenho apreciado as suas crónicas no Ourém, mas aquela sondagem… o meu amigo não sabe que não deve divulgar sondagens sem a respectiva ficha técnica?
- Meu primeiro, V. é muito amável, mas devia ter percebido que aquilo não era uma verdadeira sondagem…
- Não era?
- Não, meu primeiro, pelo menos no sentido técnico do termo. Aquilo era uma sondagem interna, uma introspecção. O seu resultado representa o meu apreço pelos princípios que movem aquelas forças partidárias e que até podem andar esquecidos dos seus militantes…
- Então como é que justifica os 35% do PS?
- É o meu amor à liberdade e à solidariedade tão caras a esse partido. Liberdade política, liberdade de estabelecimento,…
- Liberdade de despedimento…
- Pode ser, mas têm a solidariedade e aquelas medidas todas para minorar a situação dos que sofrem. Não é como o meu primeiro que manda milhares de professores para o desemprego e nem lhes atribui subsídio adequado à situação apesar de eles serem sujeitos a contribuições sociais em tudo semelhantes às de outros profissionais.
- Luís, V. é muito cruel. E como é que explica 25% na CDU?
- Corresponde à necessidade de caminharmos para uma verdadeira igualdade em todos os aspectos da vida social e económica, à necessidade do controlo estatal sobre aspectos do desenvolvimento económico. A economia tem de ser orientada, há liberdade de iniciativa nessa perspectiva.
- Já estou com suores frios. E agora vejo aqui 25% no bloco, nesses herdeiros do Mao e do Trotsky. Como justifica isto?
- Revolução cultural, meu primeiro. Mais educação, mais civismo, mais cultura, isto é, outra cultura. E em tudo isto, revolução permanente. Mas sempre com respeito pela liberdade e interesses das pessoas.
- Vá lá, ainda atribui 15% aos que me apoiam…
- É verdade, eu não rejeito a necessidade de eficiência e dos respectivos indicadores, mas subordino-a à satisfação das necessidade sociais. E o cidadão precisa de segurança. A polícia é para andar nas ruas e deve ter o objectivo de nos proteger dessa malandragem que invadiu o nosso país, não trabalha e é produto do tipo de desenvolvimento que as forças dominantes nos trouxeram recentemente…
Fui chamado à CNE e, com algum espanto, surge à minha frente o PM.
- Oh, meu caro Luís! Nem sabe como tenho apreciado as suas crónicas no Ourém, mas aquela sondagem… o meu amigo não sabe que não deve divulgar sondagens sem a respectiva ficha técnica?
- Meu primeiro, V. é muito amável, mas devia ter percebido que aquilo não era uma verdadeira sondagem…
- Não era?
- Não, meu primeiro, pelo menos no sentido técnico do termo. Aquilo era uma sondagem interna, uma introspecção. O seu resultado representa o meu apreço pelos princípios que movem aquelas forças partidárias e que até podem andar esquecidos dos seus militantes…
- Então como é que justifica os 35% do PS?
- É o meu amor à liberdade e à solidariedade tão caras a esse partido. Liberdade política, liberdade de estabelecimento,…
- Liberdade de despedimento…
- Pode ser, mas têm a solidariedade e aquelas medidas todas para minorar a situação dos que sofrem. Não é como o meu primeiro que manda milhares de professores para o desemprego e nem lhes atribui subsídio adequado à situação apesar de eles serem sujeitos a contribuições sociais em tudo semelhantes às de outros profissionais.
- Luís, V. é muito cruel. E como é que explica 25% na CDU?
- Corresponde à necessidade de caminharmos para uma verdadeira igualdade em todos os aspectos da vida social e económica, à necessidade do controlo estatal sobre aspectos do desenvolvimento económico. A economia tem de ser orientada, há liberdade de iniciativa nessa perspectiva.
- Já estou com suores frios. E agora vejo aqui 25% no bloco, nesses herdeiros do Mao e do Trotsky. Como justifica isto?
- Revolução cultural, meu primeiro. Mais educação, mais civismo, mais cultura, isto é, outra cultura. E em tudo isto, revolução permanente. Mas sempre com respeito pela liberdade e interesses das pessoas.
- Vá lá, ainda atribui 15% aos que me apoiam…
- É verdade, eu não rejeito a necessidade de eficiência e dos respectivos indicadores, mas subordino-a à satisfação das necessidade sociais. E o cidadão precisa de segurança. A polícia é para andar nas ruas e deve ter o objectivo de nos proteger dessa malandragem que invadiu o nosso país, não trabalha e é produto do tipo de desenvolvimento que as forças dominantes nos trouxeram recentemente…
Talho de excelência
Distintos oureenses dizem-me: Vai àquele talho, a carne é excelente.
Eu procedo de acordo e, em momento de prova, isso não corresponde à verdade.
Borrego vendido por cabrito, bifes da vazia duríssimos, carne para assar bafienta ao fim do segundo dia, morcelas de arroz com pedaços gordurentos de meter nojo.
Será que tão distinto talhante fará o mesmo aos meus amigos? Ou tem um produto para os amigos e outros para quem não conhece?
À próxima, guardo o papelinho que o identifica, conservo uns pedacinhos e vai tudo directamente para a Inspecção das Actividades Económicas.
Distintos oureenses dizem-me: Vai àquele talho, a carne é excelente.
Eu procedo de acordo e, em momento de prova, isso não corresponde à verdade.
Borrego vendido por cabrito, bifes da vazia duríssimos, carne para assar bafienta ao fim do segundo dia, morcelas de arroz com pedaços gordurentos de meter nojo.
Será que tão distinto talhante fará o mesmo aos meus amigos? Ou tem um produto para os amigos e outros para quem não conhece?
À próxima, guardo o papelinho que o identifica, conservo uns pedacinhos e vai tudo directamente para a Inspecção das Actividades Económicas.
Opções... quase estratéticas
O nosso querido PM encontra o seu colaborador da Administração.
- Olá, meu caro Figas! Mas que se passa? Vejo-te com um ar risonho.
- É verdade, estou muito feliz, pela primeira vez algo me correu bem.
- Não me digas que resolveste o problema dos incêndios que nos esperam para o Verão já tão perto?
- Não, não foi isso. Esse não consegui, mas graças aos meus esforços já tenho prisões para guardar seiscentos malandros que se portem mal no euro. Depois é só convencer o bom povo português a mais uns descontinhos para os alimentar.
O nosso querido PM encontra o seu colaborador da Administração.
- Olá, meu caro Figas! Mas que se passa? Vejo-te com um ar risonho.
- É verdade, estou muito feliz, pela primeira vez algo me correu bem.
- Não me digas que resolveste o problema dos incêndios que nos esperam para o Verão já tão perto?
- Não, não foi isso. Esse não consegui, mas graças aos meus esforços já tenho prisões para guardar seiscentos malandros que se portem mal no euro. Depois é só convencer o bom povo português a mais uns descontinhos para os alimentar.
sexta-feira, junho 04, 2004
Que se passa com os produtos e os serviços de Ourém?
Antes tudo era uma maravilha.
O Colégio Fernão Lopes batia o pé a qualquer escola do país. Dava gosto a Matemática que a Dra. Nazaré ensinava, o Inglês do Dr. Laranjeira. O próprio Dr. Armando parecia um polivalente, dava quase todas as disciplinas e conseguia transmitir um interesse extraordinário à Geografia, à História, ao Português como eu não encontrei noutros locais.
Os bombeiros eram os melhores do país. Ainda o fogo não era notícia e eles já estavam a caminho para o apagar. Felizmente mantêm a qualidade.
A carne era da melhor que se podia comer. Tenho malta conhecida que ainda diz: eh pá! Eu quando quero um bife vou ao pasto ver a vaquinha de onde ele há-de sair.
O vinho então nem se fala. Um copinho que fosse bebido ali para Dezembro enchia-nos de sabores, odores do melhor.
O Atlético vencia distritais sobre distritais.
Todos cultivámos aquela ilusão de que tudo na nossa terra era do melhor.
Mas a verdade é que ultimamente tenho sentido um certo desgosto pelos produtos e serviços de Ourém.
Os meus negócios com Ourém vão de mal a pior. Aliás estou seriamente a pensar em inaugurar uma secção de reclamações com os bichos bem apontados a partir aqui do blogue. O que é admirável é que, num momento como a crise que atravessa o país, estes profissionais continuam a actuar à moda do chico esperto. Assim, nos próximos dias, vamos dar um pouco de atenção a estes senhores para quem a qualidade total é uma palavra vã.
E o diabo do jornal continua sem aparecer. De quem será a culpa: do Ourém ou dos correios? Uns vão dizer que o entregaram em tempo nos correios. Outros que se extraviou. Malvados.
Antes tudo era uma maravilha.
O Colégio Fernão Lopes batia o pé a qualquer escola do país. Dava gosto a Matemática que a Dra. Nazaré ensinava, o Inglês do Dr. Laranjeira. O próprio Dr. Armando parecia um polivalente, dava quase todas as disciplinas e conseguia transmitir um interesse extraordinário à Geografia, à História, ao Português como eu não encontrei noutros locais.
Os bombeiros eram os melhores do país. Ainda o fogo não era notícia e eles já estavam a caminho para o apagar. Felizmente mantêm a qualidade.
A carne era da melhor que se podia comer. Tenho malta conhecida que ainda diz: eh pá! Eu quando quero um bife vou ao pasto ver a vaquinha de onde ele há-de sair.
O vinho então nem se fala. Um copinho que fosse bebido ali para Dezembro enchia-nos de sabores, odores do melhor.
O Atlético vencia distritais sobre distritais.
Todos cultivámos aquela ilusão de que tudo na nossa terra era do melhor.
Mas a verdade é que ultimamente tenho sentido um certo desgosto pelos produtos e serviços de Ourém.
Os meus negócios com Ourém vão de mal a pior. Aliás estou seriamente a pensar em inaugurar uma secção de reclamações com os bichos bem apontados a partir aqui do blogue. O que é admirável é que, num momento como a crise que atravessa o país, estes profissionais continuam a actuar à moda do chico esperto. Assim, nos próximos dias, vamos dar um pouco de atenção a estes senhores para quem a qualidade total é uma palavra vã.
E o diabo do jornal continua sem aparecer. De quem será a culpa: do Ourém ou dos correios? Uns vão dizer que o entregaram em tempo nos correios. Outros que se extraviou. Malvados.
E lá se foi a ponte
O pessoal do PS é muito desastrado.
Fiz uma sondagem e os resultados deram qualquer coisa como isto: PS-35%, CDU-25%, Bloco-25% e Força Portugal – 15%.
Tal ocorrerá num quadro de enorme abstenção, logo os resultados não serão significativos.
Conhecedor da minha sondagem, o António Costa lá apareceu a vociferar. Eles fazem ponte no dia 11, não querem que as pessoas votem.
O PM é que não esteve pelos ajustes. Ah, é assim? Pois não terás ponte.
E agora?
Consta-me que a abstenção vai ser a mesma. Sexta-feira, tenho que vir gramar isto, mas o mais grave é que não estou seguro de que a minha sondagem esteja correcta.
O pessoal do PS é muito desastrado.
Fiz uma sondagem e os resultados deram qualquer coisa como isto: PS-35%, CDU-25%, Bloco-25% e Força Portugal – 15%.
Tal ocorrerá num quadro de enorme abstenção, logo os resultados não serão significativos.
Conhecedor da minha sondagem, o António Costa lá apareceu a vociferar. Eles fazem ponte no dia 11, não querem que as pessoas votem.
O PM é que não esteve pelos ajustes. Ah, é assim? Pois não terás ponte.
E agora?
Consta-me que a abstenção vai ser a mesma. Sexta-feira, tenho que vir gramar isto, mas o mais grave é que não estou seguro de que a minha sondagem esteja correcta.
Sempre atrasado
Há quase uma semana que espero o Ourém e seu Concelho e ele não aparece.
Não posso dizer que isto aconteça sistematicamente porque, como sabem, foram precisas décadas para o assinar e recomeçar a receber (noutro tempo, era oferta do Melo). O certo é que, nos dois números a que já tive direito, um demorou uma semana e o outro ainda não apareceu.
Da outro vez ainda telefonei para lá. Falaram-me em problemas de expedição associados ao serviço público correspondente.
Desta vez, fico a aguardar aqui uma resposta. E, se me disserem bem pode esperar sentado, isso significa que há algo de errado para os lados de Ourém.
Há quase uma semana que espero o Ourém e seu Concelho e ele não aparece.
Não posso dizer que isto aconteça sistematicamente porque, como sabem, foram precisas décadas para o assinar e recomeçar a receber (noutro tempo, era oferta do Melo). O certo é que, nos dois números a que já tive direito, um demorou uma semana e o outro ainda não apareceu.
Da outro vez ainda telefonei para lá. Falaram-me em problemas de expedição associados ao serviço público correspondente.
Desta vez, fico a aguardar aqui uma resposta. E, se me disserem bem pode esperar sentado, isso significa que há algo de errado para os lados de Ourém.
quinta-feira, junho 03, 2004
Europeus vs Italianos e/ou Portugueses
Um amigo enviou-me isto para disponibilizar. Tem som... e piada...
Um amigo enviou-me isto para disponibilizar. Tem som... e piada...
Depois do dilúvio a trovoada
Há dois ou três dias, o pessoal do Castelo malhou que se fartou na história do dilúvio, do prémio para os miúdos e do apagão. Aquela reportagem é o máximo.
Mas eis que, mais uma vez, em Ourém, a história ocorre ao contrário. É que depois do dilúvio veio a trovoada e surge, no meu blog, o comentário de alguém que prefere o antigamente.
Que hei-de eu dizer?
Olhe, oxalá que sim, oxalá que tenha esse maravilhoso governo e no primeiro dia que abra a boca para uma pequena reclamação o enfiem no Tarrafal ou a fazer a estátua.
Mas guarde-o bem só para si.
Cá por mim prefiro esta maravilhosa democracia que permite a expressão de tudo isto e que, com progressiva educação, levará as pessoas para uma sociedade mais justa sem exploração, sem corruptos, sem mentirosos, sem terrorismo de Estado, etc. etc.
Há dois ou três dias, o pessoal do Castelo malhou que se fartou na história do dilúvio, do prémio para os miúdos e do apagão. Aquela reportagem é o máximo.
Mas eis que, mais uma vez, em Ourém, a história ocorre ao contrário. É que depois do dilúvio veio a trovoada e surge, no meu blog, o comentário de alguém que prefere o antigamente.
Que hei-de eu dizer?
Olhe, oxalá que sim, oxalá que tenha esse maravilhoso governo e no primeiro dia que abra a boca para uma pequena reclamação o enfiem no Tarrafal ou a fazer a estátua.
Mas guarde-o bem só para si.
Cá por mim prefiro esta maravilhosa democracia que permite a expressão de tudo isto e que, com progressiva educação, levará as pessoas para uma sociedade mais justa sem exploração, sem corruptos, sem mentirosos, sem terrorismo de Estado, etc. etc.
Alcunhas oureenses
Vamos actualizar o inventário de alcunhas constante do livro do Dr. Durão que já apresentámos. Limitamo-nos à caracterização de pormenores que nos eram simpáticos nas pessoas em questão. Por isso, calámos outras que sabemos existentes, mas exploram eventuais ressentimentos ou poderão ser mal interpretadas.
Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.
Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.
Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.
Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.
Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.
Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.
Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.
Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.
Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.
Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.
Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.
Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.
Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.
Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.
quarta-feira, junho 02, 2004
Bem feito
Tínhamos talvez oito, nove anos. Concentrávamo-nos na parte da frente do colégio já não me lembro porquê. Algum encontro com alguns professores.
De repente aparece ele, no seu Volkswagen tipo carocha novinho em folha, conduzido pelo pai. Olha-nos com desprezo do alto da sua fortuna. Tudo nele era horroroso, embirrante, nem sei como o classifiquei como distinto oureense. Deve ter mudado muito depois disso.
Olha para nós, cabisbaixos, tristes, tesos que nem carapaus.
- Anjinhos!!!!
O pai acelera o carro para se afastar. Mas eis que coordena mal a condução e o carro vai abaixo. Foi gargalhada geral.
Marx em Ourém
Já era um revolucionário de primeira. As fugas frente à polícia foram umas tantas. O curso estava quase acabado e eu sentia que, com os ensinamentos de Marx e Engels, conseguiria mudar o mundo. Presente estava sempre uma daquelas teses sobre Fuerbach:
Sabes, Luís, estivemos a falar e entendemos que devíamos aproveitar os jornais de Ourém para fazer alguma coisa pela terra. Queres colaborar?
Foi dito e feito. A partir dessa data e, talvez por dois ou três anos, os leitores do Notícias de Ourém e do Ourém e seu Concelho não conseguiram livrar-se de mim e das minhas brilhantes análises. Causei alguns incómodos aos directores dos dois jornais, Luís Rito e Melo, mas o certo é que sempre me trataram bem. Quantos aos benefícios para a terra é que talvez sejam de mais difícil contabilização.
Karl Marx inundou Ourém.
Já era um revolucionário de primeira. As fugas frente à polícia foram umas tantas. O curso estava quase acabado e eu sentia que, com os ensinamentos de Marx e Engels, conseguiria mudar o mundo. Presente estava sempre uma daquelas teses sobre Fuerbach:
até agora os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo, quando o que interessa é transformá-lo.Um dia encontro o Zé Domingos que, possivelmente, tinha passado pelo Poço. Parecia um enviado do futuro.
Sabes, Luís, estivemos a falar e entendemos que devíamos aproveitar os jornais de Ourém para fazer alguma coisa pela terra. Queres colaborar?
Foi dito e feito. A partir dessa data e, talvez por dois ou três anos, os leitores do Notícias de Ourém e do Ourém e seu Concelho não conseguiram livrar-se de mim e das minhas brilhantes análises. Causei alguns incómodos aos directores dos dois jornais, Luís Rito e Melo, mas o certo é que sempre me trataram bem. Quantos aos benefícios para a terra é que talvez sejam de mais difícil contabilização.
Karl Marx inundou Ourém.
Estudando perto de um ninho de Bufos
O meu irmão chega a casa para almoçar.
- Sabe, mãe, o Sérgio foi preso. Coisas de política.
- Eu logo vi que isso ia acontecer a esse rapazinho.
Viram-se os dois para mim.
- Luís, ai de ti se te metes na política.
E eu, aterrorizado, ainda sem conhecer as masmorras da PIDE (que felizmente nunca conheci):
- Estejam descansados, eu sei tratar de mim.
Mas o meu irmão ainda parecia saber qualquer coisa mais:
- Consta por aí que foi denunciado por alguém de cá a propósito da Direcção da Casa de Ourém. Ele e o pai são da oposição.
Impressionante. Como é que alguém consegue denunciar outrem por causa de ideias diferentes? Andar ali, a fingir-se amigo e depois dar a estocada...
Anos mais tarde, uns dias depois do 25 de Abril, na EPAM, vi, com um arrepio e espanto, dois irmãos gémeos, que se sentaram ao meu lado em económicas, ser detidos por, também, serem informadores da famigerada polícia política. Felizmente, nunca tinham reparado em mim.
Notas
(1) Cinquenta e cinco, atendendo à data da crónica
Notas
(1) Cinquenta e cinco, atendendo à data da crónica
Ainda o candidato de Ourém
A Noémia pergunta: e que ganhamos nós com isso?
E eu respondo: Noémia, isto não é um negócio, isto é, talvez, um problema de consciência. Sem desprimor para qualquer um dos candidatos, o Sérgio é um exemplo de seriedade, competência, capacidade de luta, coerência, bondade, tudo qualidades que é raro encontrar juntas num político. Infelizmente, dados os nossos receios em relação ao partido que ele representa, tantas vezes ele se candidatou em Ourém, mas nunca lhe conseguimos atribuir um lugar condigno. Agora, há mais uma oportunidade. E não tenha dúvidas, se qualquer Oureense tiver um problema, ele está do outro lado da linha ou do mail pronto a responder-lhe, pronto, se necessário, a apresentar algo importante relativo à nossa terra no Parlamento Europeu. Obviamente, também vamos ter custos: é que ele deixa de estar fisicamente em Ourém.
A Noémia pergunta: e que ganhamos nós com isso?
E eu respondo: Noémia, isto não é um negócio, isto é, talvez, um problema de consciência. Sem desprimor para qualquer um dos candidatos, o Sérgio é um exemplo de seriedade, competência, capacidade de luta, coerência, bondade, tudo qualidades que é raro encontrar juntas num político. Infelizmente, dados os nossos receios em relação ao partido que ele representa, tantas vezes ele se candidatou em Ourém, mas nunca lhe conseguimos atribuir um lugar condigno. Agora, há mais uma oportunidade. E não tenha dúvidas, se qualquer Oureense tiver um problema, ele está do outro lado da linha ou do mail pronto a responder-lhe, pronto, se necessário, a apresentar algo importante relativo à nossa terra no Parlamento Europeu. Obviamente, também vamos ter custos: é que ele deixa de estar fisicamente em Ourém.
terça-feira, junho 01, 2004
Candidato de Ourém
Começa a fazer, cada vez mais, sentido, para mim, pôr o candidato de Ourém no Parlamento Europeu.
Começa a fazer, cada vez mais, sentido, para mim, pôr o candidato de Ourém no Parlamento Europeu.
Coisas bonitas
Convido os meus amigos a visitarem um sítio chamado provérbios.
Falam em nós, no Castelo, na Som da Tinta e em nomes amigos.
Não é por causa disso.
É que têm coisas muito bonitas.
Convido os meus amigos a visitarem um sítio chamado provérbios.
Falam em nós, no Castelo, na Som da Tinta e em nomes amigos.
Não é por causa disso.
É que têm coisas muito bonitas.
Ordinarices
Desculpem, não vou ser polido.
Vi aquela gaja da coligação que domina a achincalhar e tentar diminuir o candidato do PS. Teve aí a primeira vitória. As hostes apoiantes decerto adoraram.
Depois, veio o patrão a pedir desculpa. Segunda vitória: é a superioridade moral dos vencedores.
Tudo isto é imperdoável e não devia passar em claro ao regulador. Quer um quer outro tiraram partido da situação e só nos parece aceitável, porque é a imagem de como andamos a portar-nos nesta sociedade.
Pequei? Queira desculpar...
Atropelei o peão na passadeira? Que maçada, ele atravessava tão devagar...
Vou a duzentos na autoestrada? Mas aquilo não é para andar?...
Atiro a mota de água para cima do banhista. Desculpe, não o vi...
Acabei com o jardim de Ourém? Votaram em mim...
Desculpem, não vou ser polido.
Vi aquela gaja da coligação que domina a achincalhar e tentar diminuir o candidato do PS. Teve aí a primeira vitória. As hostes apoiantes decerto adoraram.
Depois, veio o patrão a pedir desculpa. Segunda vitória: é a superioridade moral dos vencedores.
Tudo isto é imperdoável e não devia passar em claro ao regulador. Quer um quer outro tiraram partido da situação e só nos parece aceitável, porque é a imagem de como andamos a portar-nos nesta sociedade.
Pequei? Queira desculpar...
Atropelei o peão na passadeira? Que maçada, ele atravessava tão devagar...
Vou a duzentos na autoestrada? Mas aquilo não é para andar?...
Atiro a mota de água para cima do banhista. Desculpe, não o vi...
Acabei com o jardim de Ourém? Votaram em mim...
segunda-feira, maio 31, 2004
Primeira referência na imprensa escrita
Recebi, há pouco, o Notícias de Ourém (NO).
Graças ao encontro de blogs, tenho ali a primeira referência na imprensa escrita. Um texto bonito, simpático, objectivo, verdadeiro, não muito grande, em suma, que me agradou.
Peço desculpa ao seu responsável por não transcrever as suas considerações. Fá-lo-ei, com gosto, quando o NO tiver a página mais actualizada.
Por agora, apenas um obrigado por terem lá estado.
Recebi, há pouco, o Notícias de Ourém (NO).
Graças ao encontro de blogs, tenho ali a primeira referência na imprensa escrita. Um texto bonito, simpático, objectivo, verdadeiro, não muito grande, em suma, que me agradou.
Peço desculpa ao seu responsável por não transcrever as suas considerações. Fá-lo-ei, com gosto, quando o NO tiver a página mais actualizada.
Por agora, apenas um obrigado por terem lá estado.
Europeias
Já nem faltam quinze dias e continuo indeciso.
À direita, como sabem, não, muito obrigado. Por pior que seja a esquerda, há sempre nela algo que apela ao humanismo, à solidariedade. Direita é: vai para o desemprego, safa-te como puderes, vai-te lixar. Ainda hei-de vê-los, um dia, à rasca, porque não têm quem tenha dinheiro para lhes comprar as coisas (Marx: o modo de produção revolta-se contra o modo de troca).
Do outro lado, tenho motivos para o sim e para o não.
No PS, encontro velhos amigos do MES e de económicas e recordo a luta pelas liberdades antes do 25 de Abril. Mas um dia, o Soares meteu o socialismo na gaveta e, quanto a Marx, não vejo uma referência.
No Bloco, revejo a minha sempre simpática UDP que já vem dos PUP, da OCMLP, do meu querido amigo Luís Nuno. Seria o meu voto natural, será, com certeza, o meu voto em próximas legislativas.
Mas, na CDU, encontro o candidato de Ourém. Ourém no Parlamento Europeu? Será que esta ideia faz sentido? E por que não tentar?
Já nem faltam quinze dias e continuo indeciso.
À direita, como sabem, não, muito obrigado. Por pior que seja a esquerda, há sempre nela algo que apela ao humanismo, à solidariedade. Direita é: vai para o desemprego, safa-te como puderes, vai-te lixar. Ainda hei-de vê-los, um dia, à rasca, porque não têm quem tenha dinheiro para lhes comprar as coisas (Marx: o modo de produção revolta-se contra o modo de troca).
Do outro lado, tenho motivos para o sim e para o não.
No PS, encontro velhos amigos do MES e de económicas e recordo a luta pelas liberdades antes do 25 de Abril. Mas um dia, o Soares meteu o socialismo na gaveta e, quanto a Marx, não vejo uma referência.
No Bloco, revejo a minha sempre simpática UDP que já vem dos PUP, da OCMLP, do meu querido amigo Luís Nuno. Seria o meu voto natural, será, com certeza, o meu voto em próximas legislativas.
Mas, na CDU, encontro o candidato de Ourém. Ourém no Parlamento Europeu? Será que esta ideia faz sentido? E por que não tentar?
domingo, maio 30, 2004
Onde estará?
O cãozito vinha todo contente dos lados da casa do Ferraz. Entra no Largo de Castela e fita-nos desafiador enquanto jogávamos futebol. Senta-se, levanta a perna e procura parasitas. Mais tranquilo corre atrás da bola e até parece um excelente esquerdino.
De repente, vindos não sei de onde, surgem quatro homens com redes às costas. Dispõem-se rapidamente à volta do largo e aproximam-se do bicho. Ele vê-os e percebe logo a sua triste sorte. Tenta fugir pela rua de Castela, mas um dá um passo em frente e tapa-lhe o caminho. Volta para trás, mas os outros avançaram e tem todas as direcções barradas. Impotente, cai na rede e desata a latir.
Os homens riem-se perante a nossa revolta. Que se passa? Por que fazem isto?
Todos os protesto foram em vão.
Nunca mais o vimos.
O cãozito vinha todo contente dos lados da casa do Ferraz. Entra no Largo de Castela e fita-nos desafiador enquanto jogávamos futebol. Senta-se, levanta a perna e procura parasitas. Mais tranquilo corre atrás da bola e até parece um excelente esquerdino.
De repente, vindos não sei de onde, surgem quatro homens com redes às costas. Dispõem-se rapidamente à volta do largo e aproximam-se do bicho. Ele vê-os e percebe logo a sua triste sorte. Tenta fugir pela rua de Castela, mas um dá um passo em frente e tapa-lhe o caminho. Volta para trás, mas os outros avançaram e tem todas as direcções barradas. Impotente, cai na rede e desata a latir.
Os homens riem-se perante a nossa revolta. Que se passa? Por que fazem isto?
Todos os protesto foram em vão.
Nunca mais o vimos.
Cinzas de mim
Isto hoje está para o macabro, mas há que deixar seguir a voz interior. Estás cada vez mais louco, dirão os meus amigos. Pode ser, mas mesmo que seja verdade há que gozar o melhor possível esse estado de graça.
Não quero ir para debaixo da terra, tenho receio de acordar vivo no interior do caixão ou de ser devorado pelos bichos, prefiro ser engolido pelo fogo. Pretendendo-se algum destino para as cinzas, estabeleço o seguinte: serão divididas em seis partes não forçosamente iguais e guardadas em outros tantas caixinhas de plástico. A primeira deverá ser derramada a partir do janela superior da casa do Largo de Castela, de onde se avista a avenida, por sobre o largo. Se alguém de direito se opuser, o derrame será a partir do meio do largo. A segunda será espalhada a partir da janela da casa de banho da minha actual residência no concelho, com vista para o Castelo, sobre o respectivo quintal. A terceira será cuidadosamente depositada e aberta sobre a campa dos meus pais em Fátima. A quarta terá destino semelhante no cemitério de Peras Ruivas sobre a campa dos tios. A quinta destina-se ao cemitério de Ourém onde as cinza deverão ser espalhadas o mais perto possível de distintos oureenses já desaparecidos. Finalmente, a sexta, esperará pacientemente por igual quantidade de cinzas da minha querida Li e, em conjunto, serão espalhadas sobre a laranjeira, o pinheiro, a figueira e a ameixoeira do meu quintal. Responsabilizo como executantes de tão piedoso acto os meus dois filhos, Ana e Pedro e, como intérpretes da minha vontade, todos os que, em algum momento, me lerem.
É assim, está decidido, todo aquele que contrariar a vontade aqui expressa será perseguido eternamente pela consciência deste post.
Isto hoje está para o macabro, mas há que deixar seguir a voz interior. Estás cada vez mais louco, dirão os meus amigos. Pode ser, mas mesmo que seja verdade há que gozar o melhor possível esse estado de graça.
Não quero ir para debaixo da terra, tenho receio de acordar vivo no interior do caixão ou de ser devorado pelos bichos, prefiro ser engolido pelo fogo. Pretendendo-se algum destino para as cinzas, estabeleço o seguinte: serão divididas em seis partes não forçosamente iguais e guardadas em outros tantas caixinhas de plástico. A primeira deverá ser derramada a partir do janela superior da casa do Largo de Castela, de onde se avista a avenida, por sobre o largo. Se alguém de direito se opuser, o derrame será a partir do meio do largo. A segunda será espalhada a partir da janela da casa de banho da minha actual residência no concelho, com vista para o Castelo, sobre o respectivo quintal. A terceira será cuidadosamente depositada e aberta sobre a campa dos meus pais em Fátima. A quarta terá destino semelhante no cemitério de Peras Ruivas sobre a campa dos tios. A quinta destina-se ao cemitério de Ourém onde as cinza deverão ser espalhadas o mais perto possível de distintos oureenses já desaparecidos. Finalmente, a sexta, esperará pacientemente por igual quantidade de cinzas da minha querida Li e, em conjunto, serão espalhadas sobre a laranjeira, o pinheiro, a figueira e a ameixoeira do meu quintal. Responsabilizo como executantes de tão piedoso acto os meus dois filhos, Ana e Pedro e, como intérpretes da minha vontade, todos os que, em algum momento, me lerem.
É assim, está decidido, todo aquele que contrariar a vontade aqui expressa será perseguido eternamente pela consciência deste post.
Coisas que gostaria de ter escrito I
Um dos autores cujos textos aprecio há mais de trinta anos é António Barreto. Na minha modesta perspectiva é dele a autoria da melhor obra de Economia sobre Portugal publicada de há cinquenta anos para cá. Trata-se de Capitalismo e Emigração em Portugal que escreveu em co-autoria com Carlos Almeida. A obra foi editada pela Prelo, constituindo a edição de 1970 a que me refiro o número 10 da colecção Cadernos de Hoje e pode dizer-se que foi um texto de referência de todos os estudantes de económicas de então onde se integrava, por exemplo, Ferro Rodrigues.
Barreto como ministro não foi muito feliz, cabendo-lhe a responsabilidade por um retrocesso nas relações de produção que entretanto o PREC ajudara a estabelecer. É famosa a Lei Barreto e o ódio que despertou entre o proletariado rural e o campesinato. Dirão que foi necessário estabelecer um pouco de ordem, mas talvez fosse preferível uma abordagem diferente. Mas o que lá vai, lá vai.
O importante é que, apesar de tudo, aprecio extremamente as crónicas com que regularmente nos brinda no Público. A deste fim de semana é disso um exemplo e aqui parte do texto da mesma com algumas modificações da minha responsabilidade:
SUPONHAMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO.
Um homem, ou mulher, com alma grande e sentido da responsabilidade. Alguém que tenha percebido que o tratamento de choque a que os portugueses foram submetidos é absolutamente inútil se não for consolidado por anos de disciplina, de mais produtividade, de menores expectativas e de mais responsabilidade.
Que poderia hoje dizer esse Primeiro-ministro à população? Coisas tão simples! Que a estes dois anos de dificuldades e de rigor se vão seguir pelo menos mais dois de dificuldades e de rigor. Que o petróleo tão cedo não vai ficar barato. Que as taxas de juro não podem baixar mais. Que não estamos à altura da concorrência internacional. Que o desejado crescimento de um ou dois por cento é totalmente insuficiente, tanto para sociedade e o emprego como para alimentar o Estado. Que sem uma década de novos comportamentos, acompanhados de reformas profundas e difíceis (da justiça, da educação, da gestão hospitalar, da segurança social, da Administração Pública...), nada de durável se conseguirá em Portugal. Que, entre asfixias conjunturais e facilidades crónicas, nada de sério e decente se pode fazer. Que não vale a pena governar nessas condições. Que governar para ganhar eleições é uma perversão do espírito e uma falha de deveres. Que a política de "aguentar no poleiro" é uma ignóbil caricatura da nobre arte de dirigir um Estado. Que só vale a pena ganhar quando se está preparado para perder. Que, se os portugueses querem regressar à facilidade, à distribuição de bodos, à impunidade e ao aumento ilimitado de benefícios, então não têm mais do que votar em massa naqueles que aspiram à orgia das finanças públicas.
Se assim dissesse, um Primeiro-ministro, qualquer Primeiro-ministro, ganharia. As eleições ou a honra. Ou as duas. Se não o diz ou não pensa, a honra, perdê-la-á certamente. E não está dito que ganhe as eleições.
Um dos autores cujos textos aprecio há mais de trinta anos é António Barreto. Na minha modesta perspectiva é dele a autoria da melhor obra de Economia sobre Portugal publicada de há cinquenta anos para cá. Trata-se de Capitalismo e Emigração em Portugal que escreveu em co-autoria com Carlos Almeida. A obra foi editada pela Prelo, constituindo a edição de 1970 a que me refiro o número 10 da colecção Cadernos de Hoje e pode dizer-se que foi um texto de referência de todos os estudantes de económicas de então onde se integrava, por exemplo, Ferro Rodrigues.
Barreto como ministro não foi muito feliz, cabendo-lhe a responsabilidade por um retrocesso nas relações de produção que entretanto o PREC ajudara a estabelecer. É famosa a Lei Barreto e o ódio que despertou entre o proletariado rural e o campesinato. Dirão que foi necessário estabelecer um pouco de ordem, mas talvez fosse preferível uma abordagem diferente. Mas o que lá vai, lá vai.
O importante é que, apesar de tudo, aprecio extremamente as crónicas com que regularmente nos brinda no Público. A deste fim de semana é disso um exemplo e aqui parte do texto da mesma com algumas modificações da minha responsabilidade:
SUPONHAMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO.
Um homem, ou mulher, com alma grande e sentido da responsabilidade. Alguém que tenha percebido que o tratamento de choque a que os portugueses foram submetidos é absolutamente inútil se não for consolidado por anos de disciplina, de mais produtividade, de menores expectativas e de mais responsabilidade.
Que poderia hoje dizer esse Primeiro-ministro à população? Coisas tão simples! Que a estes dois anos de dificuldades e de rigor se vão seguir pelo menos mais dois de dificuldades e de rigor. Que o petróleo tão cedo não vai ficar barato. Que as taxas de juro não podem baixar mais. Que não estamos à altura da concorrência internacional. Que o desejado crescimento de um ou dois por cento é totalmente insuficiente, tanto para sociedade e o emprego como para alimentar o Estado. Que sem uma década de novos comportamentos, acompanhados de reformas profundas e difíceis (da justiça, da educação, da gestão hospitalar, da segurança social, da Administração Pública...), nada de durável se conseguirá em Portugal. Que, entre asfixias conjunturais e facilidades crónicas, nada de sério e decente se pode fazer. Que não vale a pena governar nessas condições. Que governar para ganhar eleições é uma perversão do espírito e uma falha de deveres. Que a política de "aguentar no poleiro" é uma ignóbil caricatura da nobre arte de dirigir um Estado. Que só vale a pena ganhar quando se está preparado para perder. Que, se os portugueses querem regressar à facilidade, à distribuição de bodos, à impunidade e ao aumento ilimitado de benefícios, então não têm mais do que votar em massa naqueles que aspiram à orgia das finanças públicas.
Se assim dissesse, um Primeiro-ministro, qualquer Primeiro-ministro, ganharia. As eleições ou a honra. Ou as duas. Se não o diz ou não pensa, a honra, perdê-la-á certamente. E não está dito que ganhe as eleições.
sábado, maio 29, 2004
O encontro anual
1945.
Faltavam três anos para poder nascer e ainda não estava decidido onde iria ser a próxima passagem. Uns anos atrás, Kripton tinha explodido e os seus dirigentes enviaram uma nave para a Terra onde o seu filho foi acolhido. Esta era assim uma hipótese, mas estava em guerra o que não me agradava nada. Por essa altura o do bigode curto e braço estendido combinava uma saída airosa com a secretária para não enfrentar o veredicto da humanidade. É neste contexto que deparo com o que o pai de um distinto oureense escreveu no Notícias de Ourém e era mais ou menos assim:
"numa terra da América, um grupo de amigos reunia-se todos os anos num almoço, mas a morte fora-os levando um a um até que ficou apenas o último que, no entanto, continuou a almoçar no mesmo dia e no mesmo sítio em que se juntava com os amigos para perpetuar a paz e a estima que deveria existir entre os homens... se todos os ourienses deixarem de cumprir o seu dever, não comparecendo ao nosso almoço anual virei eu aqui ou a outro sítio, todos os anos, e almoçarei sozinho, pensando em vocês e na minha terra!"
Fiquei decidido. Viria para a Terra, mais propriamente para Ourém, terra do vinho palheto e do carneiro com batatas onde grupos de amigos privilegiavam os encontros anuais bem regados e comidos.
Mas atenção, desta vez não estou a falar no Poço, mas na Casa de Ourém cuja formação e desenvolvimento é reportada no livro Nos 50 anos da Casa de Ourém editado pelo Som da Tinta.
A mão enorme
Desloco-me do Largo de Castela na direcção da Câmara no meu carrinho de madeira novinho em folha. Trata-se de um pau tipo cabo de vassoura atravessado ao meio por um pequeno bocado de madeira e terminado numa extremidade por uma roda com uns vinte centímetros de diâmetro que funciona em torno de um eixo que atravessa o pau. Frente à prisão da GNR saúdo o simpático prisioneiro que teve a amabilidade de me oferecer aquilo que era produto da sua tentativa de passar o tempo o mais depressa possível. Como é possível pessoa tão boa estar ali dentro, atrás daquelas grades?
Chego junto à Câmara e sigo por trás, mais à frente viro à esquerda e continuo. Começo a ouvir o som que vem da escola do Roque daqueles que decoram tabuada:
um vezes um, um
um vezes dois, dois
um vezes três, três…
Fujo dali. Ena! Que coisa difícil.
Frente à porta principal da Câmara, viro na direcção da escada para o jardim que desço. Faço duas voltas em torno dele a uma velocidade razoável experimentando a suspensão e os travões. Tudo era magnífico, não fosse um carrinho novo em folha. Saio do jardim pelo lado direito de quem sobe e continuo a subir.
Perto da tesouraria algo chama a minha atenção no chão. Beatas de cigarro, centenas delas. Das mais diversas. Com filtro e sem filtro, grandes e pequenas. Naturalmente, isso dá-me uma excelente ideia. E, no dia seguinte, ali volto já sem o carrinho e com uma caixa de papelão na qual guardo cuidadosamente os melhores exemplares que transporto para casa.
Já em casa, na cozinha, desfaço cada um dos elementos recolhidos, liberto-me do papel e dos filtros e guardo os restos de tabaco. Tinha um móvel com várias prateleiras numa das quais uma abertura maior permitia que dois cântaros de barro guardassem e purificassem a água que bebíamos. Outra estava coberta com um bocadinho de pano e foi essa que escolhi para proteger o resultado do meu trabalho de olhares indiscretos. Esta operação foi repetida durante vários dias.
***
Estávamos todos a jantar na casa do largo de Castela. No final do delicioso repasto, o meu pai puxa de um Português Suave e goza aquele momento de repouso. Eu senti que podia mostrar-me ao seu nível. Fui buscar uma folha de papel, fui buscar bocadinhos de tabaco. Ele contemplava não sei se incrédulo, não sei se a observar até onde ia o meu descaramento.
Acendo o cigarro entretanto feito, tiro a primeira fumaça e envio-a para o ar sem engolir. Fico a contemplar aquela magnífica espiral enquanto aprecio o odor. De repente, no tecto aparece como que uma mão que desce na minha direcção. Não, meus amigos, não era a mão invisível do Adam Smith que aparecia ali para regular o mercado. Aquela era bem torneada, definida, enorme no sentido do comprimento e, se pretendia regular alguma coisa, era o meu comportamento. Tal mão parecia calejada de trabalho no campo, de anos de condução e se calhar de mecânica de automóveis. Era esquelética, mas enorme e a sua velocidade incrível. Sentado na cadeira, tento recuar, aterrorizado, mas a cadeira não deixava, fixava-se-me nas costas. Até que aquilo cai sobre mim com monumental estardalhaço.
Durante mais de uma dezena de anos não pequei num cigarro, até que distinto oureense, em Leiria, numa esplanada da praça Rodrigues Lobo me exorcizou de tão funesto receio.
sexta-feira, maio 28, 2004
Viva o bloco!
Estou danado.
Há dias deixei aqui um post sobre o Bloco de Esquerda, hoje fui à procura dele e não o encontro. Até tinha uma entrevista com o Miguel publicada no Correio da Manhã. Lembro-me que não gostei nada do título porque me recordou uma expressão do Vicente Jorge Silva utilizada há uns dez anos para caracterizar a juventude de então. O mesmo VJS que, há trinta e tal anos, no Comércio de Funchal desancava valentemente no Jardim.
Já não podemos confiar em nós próprios. Agora vou ter de ir aos meus arquivos e refazer tudo. E qual era o diabo daquele link?
Desisto, não fiz arquivos e a pesquisa no CM não ajuda nada.
Estou danado.
Há dias deixei aqui um post sobre o Bloco de Esquerda, hoje fui à procura dele e não o encontro. Até tinha uma entrevista com o Miguel publicada no Correio da Manhã. Lembro-me que não gostei nada do título porque me recordou uma expressão do Vicente Jorge Silva utilizada há uns dez anos para caracterizar a juventude de então. O mesmo VJS que, há trinta e tal anos, no Comércio de Funchal desancava valentemente no Jardim.
Já não podemos confiar em nós próprios. Agora vou ter de ir aos meus arquivos e refazer tudo. E qual era o diabo daquele link?
Desisto, não fiz arquivos e a pesquisa no CM não ajuda nada.
E à direita?
Sou sectário, não ponho no meu blog nenhum link para o programa ou os candidatos da direita. Quem quiser que os descubra.
Apesar de tudo, devo dizer-vos que aprecio algumas dessas pessoas e alguns aspectos do discurso. Aprecio aquela ideia de que a Economia deve ser eficiente, estou de acordo quando se diz que uma empresa não tem de ser uma instituição de caridade, aplaudo quando se procura mais segurança para o cidadão.
Mas, meus amigos, trazer a insegurança do desemprego, abocanhar os descontos para a segurança social de quem trabalha a favor de interesses de sociedades financeiras não faz parte dos meus ideais.
Por isso, ignoro a propaganda da direita.
E, como disse, aprecio algumas pessoas.
O Prof. Marcelo, por exemplo, é um comunicador extraordinário. Durante muito tempo, esperei pelas suas intervenções na TVI, agora acho-o um pouco cansativo. A sua aula sobre o 25 de Abril foi excelente. É uma pessoa de direita, mas é pela liberdade, respeito-o.
Freitas do Amaral é outro político de direita que, após a derrota nas presidenciais, tem tido uma prática digna de registo. Mesmo antes, a sua clarividência, expressa nos seus discursos na Assembleia, era de realçar. É uma pena que um partido tão democrata como o que ajudou a formar não tenha capacidade para o integrar.
E Pacheco Pereira? É o que mais aprecio. A sua fisionomia lembra-me sistematicamente a de Karl Marx e, por vezes, a sua prática também. Marx, aos dezoito anos, já tinha escrito um livro em que criticava os hegelianos. Pacheco, perto dessa idade, editou uma história do movimento operário em Portugal. Um pouco mais velho, Marx escreveu o Manifesto do Partido Comunista. Pacheco não lhe ficou atrás. Há anos editou uma biografia de Álvaro Cunhal que, como sabem, foi um grande dirigente do nosso Partido Comunista. Finalmente, Marx escreveu a sua obra principal, o Capital, parte da qual teve uma edição póstuma. Que estará Pacheco a fazer? Quantos anos demorará uma nova obra a ver a luz do dia?
Em contrapartida, a direita tem aberrações anedóticas. Aquele Telmo Correia, aquele Guilherme não sei quantos, como é que alguém dá um mandato àqueles seres? Só o compreendo por disciplina partidária.
Olho para os candidatos de direita. Apesar daquela carinha simpática e lutadora que está ali para o quarto lugar, nenhum terá o meu voto, porque não o merece.
Sou sectário, não ponho no meu blog nenhum link para o programa ou os candidatos da direita. Quem quiser que os descubra.
Apesar de tudo, devo dizer-vos que aprecio algumas dessas pessoas e alguns aspectos do discurso. Aprecio aquela ideia de que a Economia deve ser eficiente, estou de acordo quando se diz que uma empresa não tem de ser uma instituição de caridade, aplaudo quando se procura mais segurança para o cidadão.
Mas, meus amigos, trazer a insegurança do desemprego, abocanhar os descontos para a segurança social de quem trabalha a favor de interesses de sociedades financeiras não faz parte dos meus ideais.
Por isso, ignoro a propaganda da direita.
E, como disse, aprecio algumas pessoas.
O Prof. Marcelo, por exemplo, é um comunicador extraordinário. Durante muito tempo, esperei pelas suas intervenções na TVI, agora acho-o um pouco cansativo. A sua aula sobre o 25 de Abril foi excelente. É uma pessoa de direita, mas é pela liberdade, respeito-o.
Freitas do Amaral é outro político de direita que, após a derrota nas presidenciais, tem tido uma prática digna de registo. Mesmo antes, a sua clarividência, expressa nos seus discursos na Assembleia, era de realçar. É uma pena que um partido tão democrata como o que ajudou a formar não tenha capacidade para o integrar.
E Pacheco Pereira? É o que mais aprecio. A sua fisionomia lembra-me sistematicamente a de Karl Marx e, por vezes, a sua prática também. Marx, aos dezoito anos, já tinha escrito um livro em que criticava os hegelianos. Pacheco, perto dessa idade, editou uma história do movimento operário em Portugal. Um pouco mais velho, Marx escreveu o Manifesto do Partido Comunista. Pacheco não lhe ficou atrás. Há anos editou uma biografia de Álvaro Cunhal que, como sabem, foi um grande dirigente do nosso Partido Comunista. Finalmente, Marx escreveu a sua obra principal, o Capital, parte da qual teve uma edição póstuma. Que estará Pacheco a fazer? Quantos anos demorará uma nova obra a ver a luz do dia?
Em contrapartida, a direita tem aberrações anedóticas. Aquele Telmo Correia, aquele Guilherme não sei quantos, como é que alguém dá um mandato àqueles seres? Só o compreendo por disciplina partidária.
Olho para os candidatos de direita. Apesar daquela carinha simpática e lutadora que está ali para o quarto lugar, nenhum terá o meu voto, porque não o merece.
O Poço é, também, um hino à amizade

Desde 1986, realiza-se, em Ourém, no Sábado mais perto do dia 1 de Novembro, um encontro de velhos amigos que aproveitam para recordar brincadeiras e outros factos do passado na companhia de uma excelente refeição e convívio.
O significado de o poço pode parecer estranho a muitos. Trata-se de uma imagem criada para o facto de, há muitos anos, grupos desses amigos se reunirem em círculo perto do largo da feira do mês, junto à casa do Perdigão que tinha de ouvir conversas que lhe não interessavam até altas horas. O debate era aberto e não havia temas tabu, constituindo um claro sinal de uma vivência democrática numa sociedade que ainda não o era. Isto passou-se durante muito tempo e, como por lá passaram muitos oureenses, justificou as convocações.
O Poço já originou dezoito encontros, prevendo-se que, este ano, de novo se realizará e já tem um património acumulado de elementos extremamente interessantes. É o caso por exemplo da convocação personalizada à posteriori que aqui disponibilizo. Está pejada de mensagens e assinaturas. E, no interior, é possível encontrar-se um verdadeiro hino à amizade elaborado e assinado pelo Luís Nuno. Um documento inédito. É o caso também do texto das cartas de convocação que muitas vezes é um tratado de humor extremamente leve.
Talvez fosse interessante juntar e disponibilizar alguns dos elementos resultantes deste convívio. Há fotografias, há textos na imprensa da terra, sei lá...
Será que o Julito, tradicional dinamizador destas reuniões (sem desprimor e esquecimento para o Felix, infelizmente já desaparecido e o Zé Alberto), quererá dizer alguma coisa sobre isto?

Desde 1986, realiza-se, em Ourém, no Sábado mais perto do dia 1 de Novembro, um encontro de velhos amigos que aproveitam para recordar brincadeiras e outros factos do passado na companhia de uma excelente refeição e convívio.
O significado de o poço pode parecer estranho a muitos. Trata-se de uma imagem criada para o facto de, há muitos anos, grupos desses amigos se reunirem em círculo perto do largo da feira do mês, junto à casa do Perdigão que tinha de ouvir conversas que lhe não interessavam até altas horas. O debate era aberto e não havia temas tabu, constituindo um claro sinal de uma vivência democrática numa sociedade que ainda não o era. Isto passou-se durante muito tempo e, como por lá passaram muitos oureenses, justificou as convocações.
O Poço já originou dezoito encontros, prevendo-se que, este ano, de novo se realizará e já tem um património acumulado de elementos extremamente interessantes. É o caso por exemplo da convocação personalizada à posteriori que aqui disponibilizo. Está pejada de mensagens e assinaturas. E, no interior, é possível encontrar-se um verdadeiro hino à amizade elaborado e assinado pelo Luís Nuno. Um documento inédito. É o caso também do texto das cartas de convocação que muitas vezes é um tratado de humor extremamente leve.
Talvez fosse interessante juntar e disponibilizar alguns dos elementos resultantes deste convívio. Há fotografias, há textos na imprensa da terra, sei lá...
Será que o Julito, tradicional dinamizador destas reuniões (sem desprimor e esquecimento para o Felix, infelizmente já desaparecido e o Zé Alberto), quererá dizer alguma coisa sobre isto?
quinta-feira, maio 27, 2004
Um voto pelo socialismo
Ficaria mal com a minha consciência, neste aproximar às europeias, se não me referisse ao PS uma vez que um voto nele é um voto no bloco que se opõe à fixação no défice, ao prosseguimento da política de desemprego, à desarticulação do estado previdência.
A política prosseguida pela direita só se preocupou com a diminuição do défice, mas foi tão desastrada que, pelo impacto na actividade económica, acabou por diminuir o PIB o que fez com que o racio défice/PIB não diminuísse, mantendo-se sistematicamente a necessidade de medidas extraordinárias.
Por outro lado, como sabem, tenho uma certa estima por Ferro Rodrigues a quem conheço desde os tempos de estudante como já contei. Nessa altura, tal como eu, ele tinha uns trinta kilitos a menos, usava um bigode muito fino que lhe dava um ar engraçado, aciganado naquelas reuniões em económicas e em ciências quando ele vociferava contra o Ministério e a política do governo acompanhando o Eduardo Graça e o Félix Ribeiro. Logo a seguir ao 25 de Abril foi um dirigente do MES uma organização de esquerda que me era extremamente simpática.
Ao longo da minha actividade profissional, quando trabalhava numa empresa de transportes, conheci Jorge Coelho e confesso que é uma pessoa extremamente simpática, trabalhadora, só tem o defeito de ser sportinguista. Mas tem aquela magnífica qualidade de nos falar quando nos cruzamos com ele na rua.
Quer dizer, a minha relação com o pessoal do PS tem sido sempre extremamente cortês. Não quero com isso dizer que me sinta particularmente feliz com a sua página e com os seus candidatos à Europa. Gosto imenso do Adriano Pimpão a quem também conheço de longa data, mas está colocado num lugar que me parece de difícil eleição.
Por outro lado, eu aprecio um socialismo assim um pouco mais radical, não com bombas e ditaduras condenáveis, mas com um pouco menos de conciliação com a burguesia e com as pessoas bem convencidas daquilo que se pretende construir para não haver arrependimentos a meio do percurso ou tendências para formação de burguesias de estado. Um socialismo com todo o respeito pela livre iniciativa e pelas liberdades, mas com uma certa submissão do desenvolvimento à satisfação de necessidades sociais. Um socialismo cuja construção pode inclusivamente ser apoiada em múltiplas perspectivas divergentes desde que não antagónicas, mantendo assim algumas estruturas políticas como aquelas que já conhecemos
Ficaria mal com a minha consciência, neste aproximar às europeias, se não me referisse ao PS uma vez que um voto nele é um voto no bloco que se opõe à fixação no défice, ao prosseguimento da política de desemprego, à desarticulação do estado previdência.
A política prosseguida pela direita só se preocupou com a diminuição do défice, mas foi tão desastrada que, pelo impacto na actividade económica, acabou por diminuir o PIB o que fez com que o racio défice/PIB não diminuísse, mantendo-se sistematicamente a necessidade de medidas extraordinárias.
Por outro lado, como sabem, tenho uma certa estima por Ferro Rodrigues a quem conheço desde os tempos de estudante como já contei. Nessa altura, tal como eu, ele tinha uns trinta kilitos a menos, usava um bigode muito fino que lhe dava um ar engraçado, aciganado naquelas reuniões em económicas e em ciências quando ele vociferava contra o Ministério e a política do governo acompanhando o Eduardo Graça e o Félix Ribeiro. Logo a seguir ao 25 de Abril foi um dirigente do MES uma organização de esquerda que me era extremamente simpática.
Ao longo da minha actividade profissional, quando trabalhava numa empresa de transportes, conheci Jorge Coelho e confesso que é uma pessoa extremamente simpática, trabalhadora, só tem o defeito de ser sportinguista. Mas tem aquela magnífica qualidade de nos falar quando nos cruzamos com ele na rua.
Quer dizer, a minha relação com o pessoal do PS tem sido sempre extremamente cortês. Não quero com isso dizer que me sinta particularmente feliz com a sua página e com os seus candidatos à Europa. Gosto imenso do Adriano Pimpão a quem também conheço de longa data, mas está colocado num lugar que me parece de difícil eleição.
Por outro lado, eu aprecio um socialismo assim um pouco mais radical, não com bombas e ditaduras condenáveis, mas com um pouco menos de conciliação com a burguesia e com as pessoas bem convencidas daquilo que se pretende construir para não haver arrependimentos a meio do percurso ou tendências para formação de burguesias de estado. Um socialismo com todo o respeito pela livre iniciativa e pelas liberdades, mas com uma certa submissão do desenvolvimento à satisfação de necessidades sociais. Um socialismo cuja construção pode inclusivamente ser apoiada em múltiplas perspectivas divergentes desde que não antagónicas, mantendo assim algumas estruturas políticas como aquelas que já conhecemos
Arquivos por categoria
Olho para o blog do Castelo e fico com uma inveja danada: agora até arquivos por categoria têm. Já não bastava aqueles comentários sempre ali ao lado dos textos, transmitindo-lhes uma vida que eu não consigo ver noutras ferramentas.
Isto de blogs é para quem sabe e não para nabos como eu.
Fred, Pedro, parabéns! Força nisso!
Olho para o blog do Castelo e fico com uma inveja danada: agora até arquivos por categoria têm. Já não bastava aqueles comentários sempre ali ao lado dos textos, transmitindo-lhes uma vida que eu não consigo ver noutras ferramentas.
Isto de blogs é para quem sabe e não para nabos como eu.
Fred, Pedro, parabéns! Força nisso!
Doutoramento Honoris Causa
Não sei porquê convenci-me que o Dr. José da Silva Lopes é da região de Ourém.
Vem isto a propósito de, numa cerimónia muito bonita, O ISEG lhe ter atribuído aquela meritória distinção.
O discurso do homenageado foi extremamente interessante e, num momento em que alguns estudantes de Ourém têm de reflectir para fazer a sua opção por uma escola nas áreas de Economia, Gestão ou Matemática Aplicada às ditas, permito-me deixar aqui o último parágrafo:
Não sei porquê convenci-me que o Dr. José da Silva Lopes é da região de Ourém.
Vem isto a propósito de, numa cerimónia muito bonita, O ISEG lhe ter atribuído aquela meritória distinção.
O discurso do homenageado foi extremamente interessante e, num momento em que alguns estudantes de Ourém têm de reflectir para fazer a sua opção por uma escola nas áreas de Economia, Gestão ou Matemática Aplicada às ditas, permito-me deixar aqui o último parágrafo:
Por mim, se eu voltasse a ter 17 anos e voltasse a ter as mesmas opções de escolha de um curso universitário que nessa idade se me apresentavam, voltaria a inscrever-me na escola do Quelhas, a que agora,com mais propriedade, deverei chamar escola das Francesinhas.Será que o Sérgio Ribeiro, também muito ligado a esta escola, tem a mesma opinião?
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