O Mundo está louco
Putin põe a cabeça a prémio de dois líderes tchetchenos.
Os tchetchenos põem a prémio a cabeça de Putin.
Uma e outra acção são igualmente reprováveis.
Putin é o líder de uma nação com uma longa história, deveria dar a imagem de um ser responsável, apaziguador, em nada parecido ao famigerado Bush. Deveria ser firme no combate ao terrorismo, mas não tinha o direito de mercadejar a vida humana.
Os tchetchenos deveriam fazer autocrítica e assumir os seus erros.
Reconheço o direito de qualquer povo a lutar pela independência. Essa luta pode ser com palavras, com armas, pode demorar anos. Pode provocar muitas vítimas. Mas não tem nada em comum com o que se passou em Beslan. Ninguém que lute seriamente o faz utilizando crianças como refens. A superioridade ética do que quer a libertação fica destroçada a partir do momento am que recorre à cobardia de abusar do mais fraco.
Mais do que pôr a cabeça de alguém a prémio, lutar para que isto melhore tem a ver com uma nova atitude, com uma necessária reeducação e mudança de mentalidade.
sexta-feira, setembro 10, 2004
quinta-feira, setembro 09, 2004
Onde pára o Gaiteiro?
E quando voltará o nosso desconhecido amigo Gaiteiro?
Estou farto daquela listagem de directorias onde me é proibido entrar.
Que grandes surpresas nos está a preparar?
Será que poderemos continuar a postar anónimos?
Será que demora muito?
Será que se está a preparar para as autárquicas?
E quando voltará o nosso desconhecido amigo Gaiteiro?
Estou farto daquela listagem de directorias onde me é proibido entrar.
Que grandes surpresas nos está a preparar?
Será que poderemos continuar a postar anónimos?
Será que demora muito?
Será que se está a preparar para as autárquicas?
A pureza ideológica dos arianos
A desumanidade e crueldade de Hitler encontra em Marta Goebbels o seu reflexo no espelho. Porque não considera válida uma vida sem nacional-socialismo, mata os seus seis filhos sem um tremor. Cem mil alemães ter-se-ão suicidado pelo mesmo motivo na altura. A morte dos pequenos Goebbel, todos com o nome próprio começado por "H", remete para o Holocausto: como pode alguém que põe fim à vida dos seus próprios filhos em nome de uma cegueira ideológica sentir compaixão pelos milhões nos crematórios.
In Público de 9 de Setembro de 2004, a propósito do filme "O Crepúsculo do Führer"
A desumanidade e crueldade de Hitler encontra em Marta Goebbels o seu reflexo no espelho. Porque não considera válida uma vida sem nacional-socialismo, mata os seus seis filhos sem um tremor. Cem mil alemães ter-se-ão suicidado pelo mesmo motivo na altura. A morte dos pequenos Goebbel, todos com o nome próprio começado por "H", remete para o Holocausto: como pode alguém que põe fim à vida dos seus próprios filhos em nome de uma cegueira ideológica sentir compaixão pelos milhões nos crematórios.
In Público de 9 de Setembro de 2004, a propósito do filme "O Crepúsculo do Führer"
Rigor histórico
Uma das preocupações que muitas vezes me tem assaltado tem a ver com o rigor histórico de algumas afirmações, sendo este blog muitas vezes constituído por referências ao passado. Isso passou-se por exemplo com o post denominado O encontro anual.
O Público de hoje desfaz qualquer dúvida que pudesse existir:
Uma das preocupações que muitas vezes me tem assaltado tem a ver com o rigor histórico de algumas afirmações, sendo este blog muitas vezes constituído por referências ao passado. Isso passou-se por exemplo com o post denominado O encontro anual.
O Público de hoje desfaz qualquer dúvida que pudesse existir:
Traudl Junge foi secretária pessoal de Hitler entre 1942 e as três da tarde de 30 de Abril de 1945, o momento em que o ditador se suicidou no seu "bunker" em Berlim.
Junge, que tinha 25 anos, ficou até ao último minuto, já depois de muitos colaboradores terem abandonado o esconderijo, e por isso o livro que publicou em 2002 chama-se "Até às Últimas Horas" (na edição portuguesa da Dinalivro é "Até ao Fim - Um relato verídico da secretária de Hitler"). É neste livro, um retrato humano do ditador que ordenou o Holocausto, que o filme "Der Untergang" ("o afundamento") se baseia.
A 22 de Abril de 1945, 17 dias antes da capitulação alemã, "reina uma agitação febril" no "bunker", escreve a secretária. As tropas russas estão às portas de Berlim, os tiros e bombardeamentos não param. Hitler chama o seu "staff" mais próximo e ordena: "Mudem de roupa, já. Dentro de uma hora sai um avião que vos levará para sul. Está tudo perdido, irremediavelmente perdido." A secretária ficou "paralisada" e conta: "O quadro na parede está torto e o casaco de Hitler tem uma nódoa (...). A primeira a sair do transe é Eva Braun. Ela chega-se a Hitler, que já tem a mão na maçaneta da porta, pega-lhe nas mãos e diz, sorridente e confortadora, como quem fala com uma criança triste: 'Sabes muito bem que fico contigo.' Aí os olhos de Hitler começam a iluminar-se e ele faz uma coisa que nunca ninguém tinha visto, nem sequer os seus amigos e colaboradores mais íntimos: beija Eva Braun na boca."
E Ourém tão longe!...
Há saudades da gruta onde ouso dormir gerando o silêncio que o movimento da rua me proibe!
Há saudades do quintal que me permite estar sem ninguém saber que estou!
O ar puro...
A liberdade de me mexer sem atropelos...
Os figos que este ano já não posso provar...
As pedras de onde contemplo, além, o verde, o castelo, a basílica, o resto dos moinhos...
A bica no Central...
Há saudades da gruta onde ouso dormir gerando o silêncio que o movimento da rua me proibe!
Há saudades do quintal que me permite estar sem ninguém saber que estou!
O ar puro...
A liberdade de me mexer sem atropelos...
Os figos que este ano já não posso provar...
As pedras de onde contemplo, além, o verde, o castelo, a basílica, o resto dos moinhos...
A bica no Central...
quarta-feira, setembro 08, 2004
3000
Isto vai no 2994. Será que esta noite chegaremos ao 3000? O oureense que consiga tal feito que se acuse.
Mas já viram a diferença? O blog de esquerda tem 3000 visitas por dia (metade são minhas...).
Que inveja!!!
Isto vai no 2994. Será que esta noite chegaremos ao 3000? O oureense que consiga tal feito que se acuse.
Mas já viram a diferença? O blog de esquerda tem 3000 visitas por dia (metade são minhas...).
Que inveja!!!
Chove sobre Lisboa
Este V. amigo tem tido o privilégio de poder vir para o trabalho sem uso de automóvel: um pequeno percurso a pé, depois comboio e, finalmente, novo percurso a pé, subindo a D. Carlos, direito ao Parlamento, e um bocadinho da Calçada da Estrela.
Hoje, cometeu uma pequena distração: não acreditou que as nuvens ameaçadoras que pairavam sobre a sua cabeça se lembrassem de despejar a água. E só o extremo amor a esta arte o fez chegar ao destino. Pelo caminho vinha pensando: como seria bom que todos os prédios tivessem o rés-do-chão relativamente recuado ou arcadas para a caminhada ser mais protegida da fúria dos elementos.
Não percebo nada disto, mas tenho a sensação que, mais do que podre, o nosso planeta está louco. Muitas vezes interrogo-me se tal degenerescência está ou não ligada ao modo de produção. Isto é, por outras palavras, será o malvado sistema capitalista o causador disto devido à sua focalização na apropriação privada, no máximo lucro, originando uma monumental exploração dos recursos que não tem em conta a sua renovação ou os desequilíbrios gerados?
Confesso que não tenho uma resposta. É que, mesmo que comodamente, me incline para o "sim, é mesmo isso, é culpa do sistema..." pergunto-me: mas não se lembrarão os que dominam o sistema que também cá deixam filhos, netos...?
Este V. amigo tem tido o privilégio de poder vir para o trabalho sem uso de automóvel: um pequeno percurso a pé, depois comboio e, finalmente, novo percurso a pé, subindo a D. Carlos, direito ao Parlamento, e um bocadinho da Calçada da Estrela.
Hoje, cometeu uma pequena distração: não acreditou que as nuvens ameaçadoras que pairavam sobre a sua cabeça se lembrassem de despejar a água. E só o extremo amor a esta arte o fez chegar ao destino. Pelo caminho vinha pensando: como seria bom que todos os prédios tivessem o rés-do-chão relativamente recuado ou arcadas para a caminhada ser mais protegida da fúria dos elementos.
Não percebo nada disto, mas tenho a sensação que, mais do que podre, o nosso planeta está louco. Muitas vezes interrogo-me se tal degenerescência está ou não ligada ao modo de produção. Isto é, por outras palavras, será o malvado sistema capitalista o causador disto devido à sua focalização na apropriação privada, no máximo lucro, originando uma monumental exploração dos recursos que não tem em conta a sua renovação ou os desequilíbrios gerados?
Confesso que não tenho uma resposta. É que, mesmo que comodamente, me incline para o "sim, é mesmo isso, é culpa do sistema..." pergunto-me: mas não se lembrarão os que dominam o sistema que também cá deixam filhos, netos...?
terça-feira, setembro 07, 2004
Cheirinho a autárquicas
Consta que só conseguimos alguma coisa do poder autárquico em momento de eleições. Eu não acredito que seja completamente assim, isto é, que isto seja resultado de uma prática maquiavélica de aliciamento. Pelo menos naqueles locais em que há alternância, é natural que numa primeira fase se tome contacto com os problemas herdados da gestão anterior e se vá adaptando o programa à contingência herdada deixando as realizações para o fim.
A reforçar a suspeita lançada, aqui para os lados onde habito, começa a notar-se grande azáfama. Há que fazer uma passagem para peões sob a linha do comboio pelo que já se iniciaram os trabalhos para instalação do estaleiro, os quais passam por mudanças de sentido do trânsito, desvios, etc. etc. Entre dentes, rosnamos contra o incómodo, mas, como se vai traduzir em benefício, abençoamos as eleições que aí vêm e o receio que as almas laranjas têm de ser substituídas pelas almas rosa.
E em Ourém?
Ao que parece, aqui, não se põe o problema da alternância. Será que os meus amigos já detectam alguma actividade para reforçar a fidelidade do eleitor ao poder constituído, para estabelecer a necessário ponte para o enamoramento com o munícipe? Ou nem essa?
Consta que só conseguimos alguma coisa do poder autárquico em momento de eleições. Eu não acredito que seja completamente assim, isto é, que isto seja resultado de uma prática maquiavélica de aliciamento. Pelo menos naqueles locais em que há alternância, é natural que numa primeira fase se tome contacto com os problemas herdados da gestão anterior e se vá adaptando o programa à contingência herdada deixando as realizações para o fim.
A reforçar a suspeita lançada, aqui para os lados onde habito, começa a notar-se grande azáfama. Há que fazer uma passagem para peões sob a linha do comboio pelo que já se iniciaram os trabalhos para instalação do estaleiro, os quais passam por mudanças de sentido do trânsito, desvios, etc. etc. Entre dentes, rosnamos contra o incómodo, mas, como se vai traduzir em benefício, abençoamos as eleições que aí vêm e o receio que as almas laranjas têm de ser substituídas pelas almas rosa.
E em Ourém?
Ao que parece, aqui, não se põe o problema da alternância. Será que os meus amigos já detectam alguma actividade para reforçar a fidelidade do eleitor ao poder constituído, para estabelecer a necessário ponte para o enamoramento com o munícipe? Ou nem essa?
segunda-feira, setembro 06, 2004
O pseudo eremita (1)
Beslan
Desta vez, o regresso foi marcado pela brutal notícia relativa a Beslan.
A estupefação é total.
Quem preparou aquilo, sabia o que estava a fazer. Sabia que ia encontrar centenas de crianças indefesas.
Estes actos não podem ter qualquer justificação seja qual for a perspectiva ideológica que os anime.
E, de repente, pensamos que este cantinho nos garante uma monumental protecção e que aqui é que estamos bem. Mesmo com a famigerada sociedade capitalista a tratar de desvirtuar as nossas relações.
.
.
.
Bom, este vosso amigo regressou ao trabalho e traz uma breve reportagem sobre a temporada passada na zona de Tavira. Isto significa que não foi um verdadeiro eremita. Deu conta de coisas que vai contar, algumas das quais poderão ser utilizadas como comparação com Ourém.
Beslan
Desta vez, o regresso foi marcado pela brutal notícia relativa a Beslan.
A estupefação é total.
Quem preparou aquilo, sabia o que estava a fazer. Sabia que ia encontrar centenas de crianças indefesas.
Estes actos não podem ter qualquer justificação seja qual for a perspectiva ideológica que os anime.
E, de repente, pensamos que este cantinho nos garante uma monumental protecção e que aqui é que estamos bem. Mesmo com a famigerada sociedade capitalista a tratar de desvirtuar as nossas relações.
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Bom, este vosso amigo regressou ao trabalho e traz uma breve reportagem sobre a temporada passada na zona de Tavira. Isto significa que não foi um verdadeiro eremita. Deu conta de coisas que vai contar, algumas das quais poderão ser utilizadas como comparação com Ourém.
O pseudo eremita (2)
Tavira
Não sei porquê, ao contrário de Ourém, Tavira está cada vez mais bonita.
Será por causa daquele centro histórico intocável?
Será porque, em vez de destruirem o velho mercado, o reconverteram após obras, às nobres artes do comércio e restauração?
Será por causa daquela fabulosa ponte que, à noite, nos deixa ver os reflexos, na água, das luzes da cidade, da lua, enquanto o suave ruído do correr de águas nos chega aos ouvidos e, lá ao longe, na praça, onde se mantém aquele belo e esverdeado coreto, os discos dos Madre Deus ou do Zeca nos lembram algo de bom feito pelos nossos?
Tavira
Não sei porquê, ao contrário de Ourém, Tavira está cada vez mais bonita.
Será por causa daquele centro histórico intocável?
Será porque, em vez de destruirem o velho mercado, o reconverteram após obras, às nobres artes do comércio e restauração?
Será por causa daquela fabulosa ponte que, à noite, nos deixa ver os reflexos, na água, das luzes da cidade, da lua, enquanto o suave ruído do correr de águas nos chega aos ouvidos e, lá ao longe, na praça, onde se mantém aquele belo e esverdeado coreto, os discos dos Madre Deus ou do Zeca nos lembram algo de bom feito pelos nossos?
O pseudo eremita (3)
Cabanas
A preservação de Tavira tem a sua contrapartida na manutenção de situações inqualificáveis em Cabanas.
Parece que a palavra de ordem é "Não mexer em nada", apesar do crescimento populacional do Verão e dos múltiplos problemas do trânsito.
Cabanas é uma terra de pescadores ao lado da Ria Formosa. O acesso ao Centro faz-se por uma longa recta que permite visualizar, lá ao fundo, as águas da ria e algumas árvores de pequeno porte. Em alguns pontos da estrada de acesso, há espaço para mais do que três automóveis. No entanto, não há um passeio para peões.
Será que o responsável autárquico, o bem conhecido Macário Correia, pensa que toda a gente gosta de se deslocar em automóvel? Que não aprecia a caminhada matinal ou a outras horas do dia?
Facilita-se a construção para arrecadar receitas a partir da malvada forma de financiamento das autarquias. E as consequências vêm logo...
A velocidade dos automóveis é digna de um filme de terror. Apesar de uma limitação aos 30km/hora, não há carro particular ou comercional, furgoneta, jipe ou camioneta que respeite aquela limitação. E, de vez em quando, os peões ou os pobres gatitos e cães é que pagam a mania das velocidades da cambada.
E a lixarada pela rua... Um autêntico nojo! Penso que há lixo acumulado de anos anteriores.
Conscientes disto, os ingleses foram fugindo.
Os poucos que ficam e os portugueses são impiedosamente mordidos por toda a espécie de mosquitos em restaurantes ou nas esplanadas.
Cabanas
A preservação de Tavira tem a sua contrapartida na manutenção de situações inqualificáveis em Cabanas.
Parece que a palavra de ordem é "Não mexer em nada", apesar do crescimento populacional do Verão e dos múltiplos problemas do trânsito.
Cabanas é uma terra de pescadores ao lado da Ria Formosa. O acesso ao Centro faz-se por uma longa recta que permite visualizar, lá ao fundo, as águas da ria e algumas árvores de pequeno porte. Em alguns pontos da estrada de acesso, há espaço para mais do que três automóveis. No entanto, não há um passeio para peões.
Será que o responsável autárquico, o bem conhecido Macário Correia, pensa que toda a gente gosta de se deslocar em automóvel? Que não aprecia a caminhada matinal ou a outras horas do dia?
Facilita-se a construção para arrecadar receitas a partir da malvada forma de financiamento das autarquias. E as consequências vêm logo...
A velocidade dos automóveis é digna de um filme de terror. Apesar de uma limitação aos 30km/hora, não há carro particular ou comercional, furgoneta, jipe ou camioneta que respeite aquela limitação. E, de vez em quando, os peões ou os pobres gatitos e cães é que pagam a mania das velocidades da cambada.
E a lixarada pela rua... Um autêntico nojo! Penso que há lixo acumulado de anos anteriores.
Conscientes disto, os ingleses foram fugindo.
Os poucos que ficam e os portugueses são impiedosamente mordidos por toda a espécie de mosquitos em restaurantes ou nas esplanadas.
O pseudo eremita (5)
São Macário transporta uma das quatro varas que sustentam o pálio que protege o sacerdote
Em Cabanas, realiza-se, tradicionalmente, a procissão de Nossa Senhora do Mar.
Íamos por ali abaixo, quando começámos a ouvir a banda tocar. Lá ao fundo, vislumbrámos algum movimento. Fomos ver.
As senhoras mais importantes da terra iam à frente muito seguras do seu acto. A certa altura, o som da maioria dos instrumentos da banda cessou, mantendo-se apenas o de um ritmo de tambor.
Pum, pum, pum... pum, pum, pum...
A procissão aproxima-se de nós.
Sob o pálio, vai o sacerdote que em determinados momentos saúda e abençoa o povo.
De repente, deparamos com a grande surpresa.
Segurando a vara frontal direita do pálio, segue o Presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia. Vai profundamente sério.
Ainda pensei em lhe apresentar as reivindicações do turista para Cabanas, mas o meu eterno respeito pelas convicções dos outros travou-me esse irreflectido gesto.
A procissão prosseguiu com a banda e os restantes participantes.
E eu admiradíssimo e a matutar: o presidente da Câmara, ali, no meio das pessoas, a participar nas suas tradições.
São Macário transporta uma das quatro varas que sustentam o pálio que protege o sacerdote
Em Cabanas, realiza-se, tradicionalmente, a procissão de Nossa Senhora do Mar.
Íamos por ali abaixo, quando começámos a ouvir a banda tocar. Lá ao fundo, vislumbrámos algum movimento. Fomos ver.
As senhoras mais importantes da terra iam à frente muito seguras do seu acto. A certa altura, o som da maioria dos instrumentos da banda cessou, mantendo-se apenas o de um ritmo de tambor.
Pum, pum, pum... pum, pum, pum...
A procissão aproxima-se de nós.
Sob o pálio, vai o sacerdote que em determinados momentos saúda e abençoa o povo.
De repente, deparamos com a grande surpresa.
Segurando a vara frontal direita do pálio, segue o Presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia. Vai profundamente sério.
Ainda pensei em lhe apresentar as reivindicações do turista para Cabanas, mas o meu eterno respeito pelas convicções dos outros travou-me esse irreflectido gesto.
A procissão prosseguiu com a banda e os restantes participantes.
E eu admiradíssimo e a matutar: o presidente da Câmara, ali, no meio das pessoas, a participar nas suas tradições.
O pseudo eremita (6)
Macário é do povo
Em férias, almoço é sandes para um bom aproveitamento do mar e só há refeição mais pesada ao jantar.
Não há muito por onde escolher em Cabanas.
Há os restaurantes que têm a mania de trabalhar sob reservas e, mesmo estando vazios, não atendem quem lá chegue. Tomei a firme decisão de não frequentar o Ideal e o Pedro por me terem feito esta partida várias vezes.
Assim, acabámos por ser atirados para o Europa onde há peixinho do dia, choquinhos fritos à algarvia e outras maravilhas.
Com os anos, acabámos por simpatizar e conversar com o seu responsável, um cabanense que vive para os lados da Nora Velha e tem um bigode para impor respeito.
Confessámos-lhe a admiração pelo que vimos na procissão.
- Sabe, Macário é do povo...
Que melhor elogio pode ser feito a um autarca?
Macário é do povo
Em férias, almoço é sandes para um bom aproveitamento do mar e só há refeição mais pesada ao jantar.
Não há muito por onde escolher em Cabanas.
Há os restaurantes que têm a mania de trabalhar sob reservas e, mesmo estando vazios, não atendem quem lá chegue. Tomei a firme decisão de não frequentar o Ideal e o Pedro por me terem feito esta partida várias vezes.
Assim, acabámos por ser atirados para o Europa onde há peixinho do dia, choquinhos fritos à algarvia e outras maravilhas.
Com os anos, acabámos por simpatizar e conversar com o seu responsável, um cabanense que vive para os lados da Nora Velha e tem um bigode para impor respeito.
Confessámos-lhe a admiração pelo que vimos na procissão.
- Sabe, Macário é do povo...
Que melhor elogio pode ser feito a um autarca?
O pseudo eremita (7)
Profissionalismo algarvio
É óbvio que, em termos de profissionalismo, o nosso país não deve estar muito bem classificado. Mas o Algarve merece lugar de destaque no ranking dos piores.
O mau atendimento, as lixeiras, o não te rales são o prato do dia.
Este ano, tivemos uma cena gira na chegada ao aldeamento para onde vamos há quinze anos.
Aqui o V. amigo não tem o sentido de propriedade muito desenvolvido, por isso entende que não tem que comprar uma coisa que só usa quinze dias por ano, aí a atitude mais correcta é alugar.
Em férias, somos quatro. Este ano, os responsáveis do aldeamento queriam que ficássemos em camas onde não cabíamos suportadas em sofás.
- É incrível que nos tenham feito isto. Vimos para aqui há quinze anos, sabem muito bem quem somos...
Naquele momento, a linda e esbelta versão algarvia da Shakira vira-se para mim revoltada por, na sua óptica, estar a pôr em causa a sua competência.
- Mas eu só aqui estou há dois anos. Como quer que saiba que vem para cá há quinze?
Ao fim de meia-hora de reclamação, lá mudámos para outro buraco mais de acordo com a nossa estrutura, mas a promessa é que não voltaremos em anos futuros. E não ficaram nada ralados...
Profissionalismo algarvio
É óbvio que, em termos de profissionalismo, o nosso país não deve estar muito bem classificado. Mas o Algarve merece lugar de destaque no ranking dos piores.
O mau atendimento, as lixeiras, o não te rales são o prato do dia.
Este ano, tivemos uma cena gira na chegada ao aldeamento para onde vamos há quinze anos.
Aqui o V. amigo não tem o sentido de propriedade muito desenvolvido, por isso entende que não tem que comprar uma coisa que só usa quinze dias por ano, aí a atitude mais correcta é alugar.
Em férias, somos quatro. Este ano, os responsáveis do aldeamento queriam que ficássemos em camas onde não cabíamos suportadas em sofás.
- É incrível que nos tenham feito isto. Vimos para aqui há quinze anos, sabem muito bem quem somos...
Naquele momento, a linda e esbelta versão algarvia da Shakira vira-se para mim revoltada por, na sua óptica, estar a pôr em causa a sua competência.
- Mas eu só aqui estou há dois anos. Como quer que saiba que vem para cá há quinze?
Ao fim de meia-hora de reclamação, lá mudámos para outro buraco mais de acordo com a nossa estrutura, mas a promessa é que não voltaremos em anos futuros. E não ficaram nada ralados...
O pseudo eremita (8)
O Ranger de Cabanas
Lembram-se do Ranger do Texas? Aquela série com uma música engraçada, protagonizada pelo perito em artes marciais, Chuck Norris... Ele dá tareia em todos seja qual for a má situação em que estiver.
Pois existe um clone do Ranger do Texas em Cabanas. É o responsável de um pequeno espaço denominado "A Tasquinha".
Ele tem uma barba igual à do Chucky, ele tem uma pronuncia em tudo semelhante. Não tem o jipe do Chucky, mas desloca-se em bicicleta o que em Cabanas chega perfeitamente. Ele quase que atira com os pratos cheios de camarão para a mesa do cliente, esperando que aterrem devidamente.
Na sua tasquinha, comem-se coisas de excelente sabor. O problema é a gordura e sujidade. Pessoa que se sente numa cadeira, só com alguma sorte descola. O cheirinho a bedum é incrível...
O Ranger de Cabanas
Lembram-se do Ranger do Texas? Aquela série com uma música engraçada, protagonizada pelo perito em artes marciais, Chuck Norris... Ele dá tareia em todos seja qual for a má situação em que estiver.
Pois existe um clone do Ranger do Texas em Cabanas. É o responsável de um pequeno espaço denominado "A Tasquinha".
Ele tem uma barba igual à do Chucky, ele tem uma pronuncia em tudo semelhante. Não tem o jipe do Chucky, mas desloca-se em bicicleta o que em Cabanas chega perfeitamente. Ele quase que atira com os pratos cheios de camarão para a mesa do cliente, esperando que aterrem devidamente.
Na sua tasquinha, comem-se coisas de excelente sabor. O problema é a gordura e sujidade. Pessoa que se sente numa cadeira, só com alguma sorte descola. O cheirinho a bedum é incrível...
O pseudo eremita (9)
O porto de abrigo
Uma das unidades que melhor serve em Cabanas denomina-se "Porto de Abrigo". É de uma limpeza irrepreensível, o que é raro na zona, e os seus donos até são simpáticos.
Infelizmente, não servem refeições. Umas bicas, umas bebidas, umas sandes...
Já viram o desperdício de talento?
O porto de abrigo
Uma das unidades que melhor serve em Cabanas denomina-se "Porto de Abrigo". É de uma limpeza irrepreensível, o que é raro na zona, e os seus donos até são simpáticos.
Infelizmente, não servem refeições. Umas bicas, umas bebidas, umas sandes...
Já viram o desperdício de talento?
O pseudo eremita (10)
A clínica da Winona
Um pequeno problema acabou por nos fazer procurar uma clínica.
Qual não é o meu espanto quando, ao cruzar aquelas portas magníficas, surge à minha frente um rosto bem conhecido. Winona Ryder, lembram-se? Sim, a mesma que, deseperada, foi para aquela loja de luxo apropriar-se dos vestidos alheios. Mas por quem tenho uma forte fixação desde que visualizei A casa dos Espíritos. Magricela, olheirenta, mas linda...
E estava ali ao vivo à minha frente, do outro lado do balcão ...
A clínica da Winona
Um pequeno problema acabou por nos fazer procurar uma clínica.
Qual não é o meu espanto quando, ao cruzar aquelas portas magníficas, surge à minha frente um rosto bem conhecido. Winona Ryder, lembram-se? Sim, a mesma que, deseperada, foi para aquela loja de luxo apropriar-se dos vestidos alheios. Mas por quem tenho uma forte fixação desde que visualizei A casa dos Espíritos. Magricela, olheirenta, mas linda...
E estava ali ao vivo à minha frente, do outro lado do balcão ...
O pseudo eremita (11)
Os nadadores salvadores
Íamos pela praia a desfrutar de um dia magnífico.
Eis que surge um jipe amarelo de tejadilho preto, novinho em folha, carregadinho de material de salvamento.
Quantas pessoas terá salvo no Algarve?
A avaliar pelos seus ocupantes, nenhuma...
Tivemos dois encontros com este belo e caro jipe.
No primeiro, o salvador conduzia suavemente perto das dunas, acompanhado de uma bela menina. Seria a Pamela Anderson? Não sabemos, não a vimos completamente.
No segundo, o jipe vinha cheio de salvadores. Que cantavam dentro do carro e batucavam na chapa. E não sei se se dirigiram provocatoriamente a quem estava na praia.
Nos dois casos, a atitude nada tinha de profissional.
Há dinheiro para isto. Mas não há para varrer as ruas, para retirar o lixo, para limpar.
Os nadadores salvadores
Íamos pela praia a desfrutar de um dia magnífico.
Eis que surge um jipe amarelo de tejadilho preto, novinho em folha, carregadinho de material de salvamento.
Quantas pessoas terá salvo no Algarve?
A avaliar pelos seus ocupantes, nenhuma...
Tivemos dois encontros com este belo e caro jipe.
No primeiro, o salvador conduzia suavemente perto das dunas, acompanhado de uma bela menina. Seria a Pamela Anderson? Não sabemos, não a vimos completamente.
No segundo, o jipe vinha cheio de salvadores. Que cantavam dentro do carro e batucavam na chapa. E não sei se se dirigiram provocatoriamente a quem estava na praia.
Nos dois casos, a atitude nada tinha de profissional.
Há dinheiro para isto. Mas não há para varrer as ruas, para retirar o lixo, para limpar.
quinta-feira, agosto 19, 2004
Posar para o blogue Ourém
Há dias, ainda em Ourém, convidei uma bela oureense para posar para este blogue.
Tenho já comigo o resultado deste trabalho.
Será que os meus amigos têm interesse na sua visualização? Que seria assim uma espécie de compensação para o abandono em que os vou deixar?
E não vão dizer que este blogue é ordinário?
Mas antes de uma decisão (que deixo para amanhã), uma questão: qual a cor natural do cabelo da bela Kristine?
Há dias, ainda em Ourém, convidei uma bela oureense para posar para este blogue.
Tenho já comigo o resultado deste trabalho.
Será que os meus amigos têm interesse na sua visualização? Que seria assim uma espécie de compensação para o abandono em que os vou deixar?
E não vão dizer que este blogue é ordinário?
Mas antes de uma decisão (que deixo para amanhã), uma questão: qual a cor natural do cabelo da bela Kristine?
O eremita
Vou bazar por uns dias. Talvez umas três semanas.
Vou isolar-me, reflectir. Ser como um monge no deserto.
Notícias só de jornais. O dia a dia será areia, água, caminhar e livros.
Deixo-vos entretanto uma nota sobre cada um dos livros que levo comigo.
O blogue será miseravelmente abandonado, exactamente como estiver na hora de partida.
Quanto a regressos, nada sei dizer. Penso que se terão apercebido de uma longa ausência, o ano passado, entre Setembro e Março. Este ano pode acontecer o mesmo devido à concentração de actividade no período que se avizinha.
Por outro lado, estabelecendo uma analogia com os sistemas de informação, acontece que este vosso amigo é muito tipo monoprogramação, isto é, mete-se numa coisa e tem que se lhe dedicar quase por inteiro.
Mas, como em outras coisas, desta já longa existência, o que for é…
Vou bazar por uns dias. Talvez umas três semanas.
Vou isolar-me, reflectir. Ser como um monge no deserto.
Notícias só de jornais. O dia a dia será areia, água, caminhar e livros.
Deixo-vos entretanto uma nota sobre cada um dos livros que levo comigo.
O blogue será miseravelmente abandonado, exactamente como estiver na hora de partida.
Quanto a regressos, nada sei dizer. Penso que se terão apercebido de uma longa ausência, o ano passado, entre Setembro e Março. Este ano pode acontecer o mesmo devido à concentração de actividade no período que se avizinha.
Por outro lado, estabelecendo uma analogia com os sistemas de informação, acontece que este vosso amigo é muito tipo monoprogramação, isto é, mete-se numa coisa e tem que se lhe dedicar quase por inteiro.
Mas, como em outras coisas, desta já longa existência, o que for é…
O Belo Adormecido
(Lídia Jorge)
De acordo com o editor, este livro, composto por seis contos sobre o desejo, narra momentos especiais vividos por personagens face a situações inesperadas, que de súbito põem à prova sentimentos e resistências ignoradas pelos próprios.
Os contos chamam-se:
- O belo adormecido
- As três mulheres sagradas
- Assobio na noite
- Miss beijo
- Leão velho
- Para além das estrelas
Nunca li Lídia Jorge, já galardoada com vários prémios. Esperemos que esta seja uma boa ocasião para a conhecer melhor.
(Lídia Jorge)
De acordo com o editor, este livro, composto por seis contos sobre o desejo, narra momentos especiais vividos por personagens face a situações inesperadas, que de súbito põem à prova sentimentos e resistências ignoradas pelos próprios.
Os contos chamam-se:
- O belo adormecido
- As três mulheres sagradas
- Assobio na noite
- Miss beijo
- Leão velho
- Para além das estrelas
Nunca li Lídia Jorge, já galardoada com vários prémios. Esperemos que esta seja uma boa ocasião para a conhecer melhor.
Conversas com Manuel Castells
(Manuel Castell e Martin Ince)
Castells é um dos mais conhecidos cientistas sociais a nível mundial. Os seus trabalhos são de enorme importância, incluindo as preocupações suscitadas pelo desenvolvimento dos sistemas de informação e da Internet e o seu impacto ao nível social. Neste texto são abordados os temas seguintes:
- Manuel Castells: vida e obra
- Inovação
- O espaço dos fluxos
- Movimentos e organizações sociais
- Identidade
- Política e poder
- A volta ao mundo de Castells
- Um mundo de conhecimento
Como pessoa que tenho visto a informática e a Internet numa perspectiva quase exclusiva de utilizador (e fraco) esta associação ao social será com certeza deveras enriquecedora.
(Manuel Castell e Martin Ince)
Castells é um dos mais conhecidos cientistas sociais a nível mundial. Os seus trabalhos são de enorme importância, incluindo as preocupações suscitadas pelo desenvolvimento dos sistemas de informação e da Internet e o seu impacto ao nível social. Neste texto são abordados os temas seguintes:
- Manuel Castells: vida e obra
- Inovação
- O espaço dos fluxos
- Movimentos e organizações sociais
- Identidade
- Política e poder
- A volta ao mundo de Castells
- Um mundo de conhecimento
Como pessoa que tenho visto a informática e a Internet numa perspectiva quase exclusiva de utilizador (e fraco) esta associação ao social será com certeza deveras enriquecedora.
Contos escolhidos
(Eça de Queirós)
Trata-se de um livro da biblioteca Ulisseia com selecção e introdução de Maria das Graças Moreira de Sá.
Em primeiro lugar, devo dizer que aprecio sobremaneira os livros desta colecção. A edição é cuidada e o preço extremamente acessível. Por outro lado, as notas elaboradas por comentadores muito qualificados ajudam-nos a situar o autor na sua época e a compreender o texto em causa. Lembro-me que há dois ou três anos, adorei ler texto semelhante sobre Antero.
E como estão perto de nós autores como Eça e Antero. Nós pensamos "já passou tanto tempo", vamos ler um texto e tem uma actualidade tremenda.
Que vou eu encontrar neste livro?
- A Introdução pela Maria das Graças onde se encontra 1) Breve síntese biográfica, 2) Contexto cultural, 3) Obra literária e 4) Sobre os contos
- Singularidades de uma rapariga loira
- Um poeta lírico
- No moinho
- Civilização
- Frei Genebro
- A aia
- José Matias
- O suave milagre
Isto promete…
(Eça de Queirós)
Trata-se de um livro da biblioteca Ulisseia com selecção e introdução de Maria das Graças Moreira de Sá.
Em primeiro lugar, devo dizer que aprecio sobremaneira os livros desta colecção. A edição é cuidada e o preço extremamente acessível. Por outro lado, as notas elaboradas por comentadores muito qualificados ajudam-nos a situar o autor na sua época e a compreender o texto em causa. Lembro-me que há dois ou três anos, adorei ler texto semelhante sobre Antero.
E como estão perto de nós autores como Eça e Antero. Nós pensamos "já passou tanto tempo", vamos ler um texto e tem uma actualidade tremenda.
Que vou eu encontrar neste livro?
- A Introdução pela Maria das Graças onde se encontra 1) Breve síntese biográfica, 2) Contexto cultural, 3) Obra literária e 4) Sobre os contos
- Singularidades de uma rapariga loira
- Um poeta lírico
- No moinho
- Civilização
- Frei Genebro
- A aia
- José Matias
- O suave milagre
Isto promete…
Um segredo mal guardado…
(Alexandrina Pipa)
Que giro!
Um livro da Som da Tinta.
Simpatizo muito com os livros desta editora, pois nunca são muito grandes, lendo-se bem. Isto é, ao fim de pouco tempo, temos aquela sensação de que cumprimos, que chegámos ao fim de qualquer coisa.
A autora deixa-nos logo no início o seguinte aviso:" Ao dedicar-me no presente a um assunto que há muito devia pertencer ao passado, quero dar o meu contributo para que crianças e jovens tenham um futuro mais digno".
Ora aqui está um nobre objectivo. Que esta referência possa catalizar a sua concretização
(Alexandrina Pipa)
Que giro!
Um livro da Som da Tinta.
Simpatizo muito com os livros desta editora, pois nunca são muito grandes, lendo-se bem. Isto é, ao fim de pouco tempo, temos aquela sensação de que cumprimos, que chegámos ao fim de qualquer coisa.
A autora deixa-nos logo no início o seguinte aviso:" Ao dedicar-me no presente a um assunto que há muito devia pertencer ao passado, quero dar o meu contributo para que crianças e jovens tenham um futuro mais digno".
Ora aqui está um nobre objectivo. Que esta referência possa catalizar a sua concretização
A força das palavras
(José Manuel Pereira Neves)
Mais uma edição da Som da Tinta.
Vejam este pequeno excerto:
(José Manuel Pereira Neves)
Mais uma edição da Som da Tinta.
Vejam este pequeno excerto:
O sonho é o motor da vidaO José Manuel é um deficiente motor que sofre de paralisia cerebral e começou a escrever poesia aos 15 anos.
pois sem sonho
não há esperança
e sem esperança
o amanhã não existe
Abandonado por todos
Já não chegava desprezo de longa data manifestado por distintos oureenses.
Agora, os poucos que me ligavam desistiram de o fazer.
Skywatcher, Al Simon, Santa Cita, ZéQuim, Eduardo... todos desistiram de deixar aqui a sua palavrinha.
Tal como o estrunfa-mor, saberei tirar as devidas ilações.
Já não chegava desprezo de longa data manifestado por distintos oureenses.
Agora, os poucos que me ligavam desistiram de o fazer.
Skywatcher, Al Simon, Santa Cita, ZéQuim, Eduardo... todos desistiram de deixar aqui a sua palavrinha.
Tal como o estrunfa-mor, saberei tirar as devidas ilações.
quarta-feira, agosto 18, 2004
A imagem de Santana Lopes
De acordo com o Público de hoje, uma das recentes contratações para o gabinete do primeiro-ministro, Marta Guimarães, vai tratar das questões de imagem de Santana Lopes recebendo a módica quantia de 3000 euros líquidos mensais.
Mas tranquilizem-se os portugueses...
A fachada, porque é disso que se trata, será suportada por mais professores no desemprego e pela travagem das despesas de funcionamento dos ministérios.
De acordo com o Público de hoje, uma das recentes contratações para o gabinete do primeiro-ministro, Marta Guimarães, vai tratar das questões de imagem de Santana Lopes recebendo a módica quantia de 3000 euros líquidos mensais.
Mas tranquilizem-se os portugueses...
A fachada, porque é disso que se trata, será suportada por mais professores no desemprego e pela travagem das despesas de funcionamento dos ministérios.
Uma nabice completa
É o que se pode dizer da participação olímpica portuguesa.
Apenas o ciclista, com quem ninguém contava, fez alguma coisa de jeito. Os restantes deixaram uma monumental imagem de ausência de profissionalismo, desleixo na preparação e falta de vontade de vencer que em nada orgulham os portugueses.
Então aquela equipa de futebol até me dá arrepios, só de pensar que daqui a uns anos será a equipa principal. Bom, nessa altura, talvez os prémios sejam melhores e eles se mexam um bocado. Agora, nem o bilhete de avião de volta mereciam.
É o que se pode dizer da participação olímpica portuguesa.
Apenas o ciclista, com quem ninguém contava, fez alguma coisa de jeito. Os restantes deixaram uma monumental imagem de ausência de profissionalismo, desleixo na preparação e falta de vontade de vencer que em nada orgulham os portugueses.
Então aquela equipa de futebol até me dá arrepios, só de pensar que daqui a uns anos será a equipa principal. Bom, nessa altura, talvez os prémios sejam melhores e eles se mexam um bocado. Agora, nem o bilhete de avião de volta mereciam.
Mais uma vez: há 55 anos…
Há 55 anos, surgiu essa revista magnífica denominada Mundo de Aventuras.
Muitos distintos oureenses terão passado algum tempo à sua espera todas as quinta-feiras, para conhecerem os seus heróis e aventuras. Para mim e para eles, Pacheco diria "criados pelo Mundo de Aventuras".
Pode dizer-se que a revista teve duas séries separadas por um período de curtas semanas. Qualquer das séries passou por várias fases. A série que mais me acompanhou foi a primeira pelo que, neste post, me refiro exlusivamente a ela.
A primeira fase da primeira série aconteceu entre 18-08-1949 e 15-06-1950 e permitiu a publicação dos números 1 a 44.
As dimensões eram enormes para uma revista desta natureza: 280*400. Nesse período teve dois directores: Mário de Aguiar e José de Oliveira Cosme.
Neste primeiro número, apareceram histórias de heróis como Luis Ciclone, Rip Kirby, Roldan (Flash Gordon), Johnny Hazard, Brick Bradford, desenhadas respectivamente por Milton Cannif, Alex Raymond, Mac Raboy , Frank Robbins e Clarence Gray.
A segunda fase estendeu-se por, aproximadamente 8 anos, entre os números 45 e 462. A minha leitura dos números desta fase não foi contemporânea da saída dos mesmos. Conheci-os através da colecção do meu irmão que contribuí para destruir alguns anos depois. É por isso a fase que me deixou mais saudade e que eu considero com as melhores histórias. Há capas e autores de textos que eu considero de antologia. Algumas das capas reproduzo-as à frente. Entre autores de texto não posso deixar de citar Roussada Pinto, um homem que era capaz de escrever um livro por noite e que se disfarçou sob múltiplos pseudónimos que, decerto, distintos oureenses recordarão: por exemplo, Edgar Caygill e Ross Pynn. Lembro a propósito que, em Ourém, foram muito famosos livros da sua autoria publicados na colecção Rififi e tinham títulos como "O caso da mulher nua", "O caso da mulher sádica", etc. Esta capacidade de trabalho de Roussada Pinto permitia-lhe também fazer alguns atentados: um deles é o facto de, muitas vezes, para os desenhos caberem numa página e a revista ter um número de páginas certo, proceder a autênticos cortes na obra, trucidando partes do desenho.
Aqui fica um breve roteiro pelas capas, tentando explicitar a diversidade de heróis e temas, onde se incluem os relativos à nossa história e lendas.
Mal conheci a terceira fase da primeira série que ocupou os números 463 a 511. Mas há lá uma belíssima capa que não pode ser deixada em claro. Já imaginaram a sensação de estar ali com aquele borrachinho a vigiar a passagem dos facínoras? Trata-se, na minha perspectiva, de uma fase de transição para um longo período de agonia.
A quarta fase é marcada por uma decisão incompreensível: publicação exclusivamente de histórias de cow-boys. É nela que se iniciou o meu acompanhamento semanal que durou vários anos. O primeiro número que comprei com a decisão de continuar foi o relativo à história do bandoleiro Jess James. Há algumas histórias engraçadas mas nada da magia da segunda fase.

O Mundo de Aventuras originou algumas revistas irmãs, embora com formatos diferentes. Recordo o Condor popular e a Colecção Águia. Recordo o Policial, o Espaço e as Selecções em momento de fixação nas cowboiadas. Mas este post já vem excessivamente longo.
Há 55 anos, surgiu essa revista magnífica denominada Mundo de Aventuras.
Muitos distintos oureenses terão passado algum tempo à sua espera todas as quinta-feiras, para conhecerem os seus heróis e aventuras. Para mim e para eles, Pacheco diria "criados pelo Mundo de Aventuras".
Pode dizer-se que a revista teve duas séries separadas por um período de curtas semanas. Qualquer das séries passou por várias fases. A série que mais me acompanhou foi a primeira pelo que, neste post, me refiro exlusivamente a ela.
A primeira fase da primeira série aconteceu entre 18-08-1949 e 15-06-1950 e permitiu a publicação dos números 1 a 44.
As dimensões eram enormes para uma revista desta natureza: 280*400. Nesse período teve dois directores: Mário de Aguiar e José de Oliveira Cosme.
Neste primeiro número, apareceram histórias de heróis como Luis Ciclone, Rip Kirby, Roldan (Flash Gordon), Johnny Hazard, Brick Bradford, desenhadas respectivamente por Milton Cannif, Alex Raymond, Mac Raboy , Frank Robbins e Clarence Gray.
A segunda fase estendeu-se por, aproximadamente 8 anos, entre os números 45 e 462. A minha leitura dos números desta fase não foi contemporânea da saída dos mesmos. Conheci-os através da colecção do meu irmão que contribuí para destruir alguns anos depois. É por isso a fase que me deixou mais saudade e que eu considero com as melhores histórias. Há capas e autores de textos que eu considero de antologia. Algumas das capas reproduzo-as à frente. Entre autores de texto não posso deixar de citar Roussada Pinto, um homem que era capaz de escrever um livro por noite e que se disfarçou sob múltiplos pseudónimos que, decerto, distintos oureenses recordarão: por exemplo, Edgar Caygill e Ross Pynn. Lembro a propósito que, em Ourém, foram muito famosos livros da sua autoria publicados na colecção Rififi e tinham títulos como "O caso da mulher nua", "O caso da mulher sádica", etc. Esta capacidade de trabalho de Roussada Pinto permitia-lhe também fazer alguns atentados: um deles é o facto de, muitas vezes, para os desenhos caberem numa página e a revista ter um número de páginas certo, proceder a autênticos cortes na obra, trucidando partes do desenho.
Aqui fica um breve roteiro pelas capas, tentando explicitar a diversidade de heróis e temas, onde se incluem os relativos à nossa história e lendas.
Mal conheci a terceira fase da primeira série que ocupou os números 463 a 511. Mas há lá uma belíssima capa que não pode ser deixada em claro. Já imaginaram a sensação de estar ali com aquele borrachinho a vigiar a passagem dos facínoras? Trata-se, na minha perspectiva, de uma fase de transição para um longo período de agonia.
A quarta fase é marcada por uma decisão incompreensível: publicação exclusivamente de histórias de cow-boys. É nela que se iniciou o meu acompanhamento semanal que durou vários anos. O primeiro número que comprei com a decisão de continuar foi o relativo à história do bandoleiro Jess James. Há algumas histórias engraçadas mas nada da magia da segunda fase.
O Mundo de Aventuras originou algumas revistas irmãs, embora com formatos diferentes. Recordo o Condor popular e a Colecção Águia. Recordo o Policial, o Espaço e as Selecções em momento de fixação nas cowboiadas. Mas este post já vem excessivamente longo.
terça-feira, agosto 17, 2004
Paralelos: mais ou menos há 31 anos no Notícias de Ourém
Olhos postos no Chile
O Chile é, por agora, um caso único na construção da sociedade socialista, porque assenta na legalidade constituída. Uma coligação de forças socialistas conseguiu pacificamente atingir o poder e dar os primeiros passos para a sociedade nova. Os obstáculos são múltiplos desde o imperialismo norte-americano às forças reaccionárias nacionais que, naturalmente, sentindo-se lesadas, impõem os maiores entraves, aproveitando toda a possível margem de manobra.
Algumas medidas de nacionalização e racionamento foram largamente contestadas. Os Estados Unidos, que durante décadas sugaram os rendimentos do povo chileno, tentaram por todos os meios impedir a eleição do presidente Allende e posteriormente moveram um boicote formidável ao desenvolvimento da economia. As classes antes privilegiadas vieram bramar contra o racionamento, tentando confundir o povo chileno, senhor de novas condições de vida, em relação aos seus verdadeiros interesses. Não querem deixar compreender que a escassez determina tal facto quando se pretende a igualdade.
Apesar do seu carácter pequeno burguês e como tentativa de transição pacífica, para o povo chileno vai o nosso calor. Parece que uma revolta militar estalou, que o futuro não será tão brilhante como o prometido, mas, se não houvesse problemas para resolver, ninguém o tentaria. O que interessa é, pelo menos, o gérmen estar lá e lá permanecer, desenvolvendo-se.
Olhos postos no Chile
O Chile é, por agora, um caso único na construção da sociedade socialista, porque assenta na legalidade constituída. Uma coligação de forças socialistas conseguiu pacificamente atingir o poder e dar os primeiros passos para a sociedade nova. Os obstáculos são múltiplos desde o imperialismo norte-americano às forças reaccionárias nacionais que, naturalmente, sentindo-se lesadas, impõem os maiores entraves, aproveitando toda a possível margem de manobra.
Algumas medidas de nacionalização e racionamento foram largamente contestadas. Os Estados Unidos, que durante décadas sugaram os rendimentos do povo chileno, tentaram por todos os meios impedir a eleição do presidente Allende e posteriormente moveram um boicote formidável ao desenvolvimento da economia. As classes antes privilegiadas vieram bramar contra o racionamento, tentando confundir o povo chileno, senhor de novas condições de vida, em relação aos seus verdadeiros interesses. Não querem deixar compreender que a escassez determina tal facto quando se pretende a igualdade.
Apesar do seu carácter pequeno burguês e como tentativa de transição pacífica, para o povo chileno vai o nosso calor. Parece que uma revolta militar estalou, que o futuro não será tão brilhante como o prometido, mas, se não houvesse problemas para resolver, ninguém o tentaria. O que interessa é, pelo menos, o gérmen estar lá e lá permanecer, desenvolvendo-se.
A verdadeira história das cassetes roubadas
Já sei que pensam que vou falar de Salvado e companhia.
Enganam-se redondamente.
A verdadeira história das cassetes roubadas tem a ver com Ourém e com quem a governa.
Não sei se já se aperceberam que, ultimamente, sempre que surge alguma notícia para Ourém com relevo, ela é seguida de entrevista ao Notícias de Ourém (NO) do nosso venerável presidente.
O que os leitores do NO não sabem é que muitas passagens acabam por não ser publicadas. O blogue Ourém, aproveitando a distracção de uma gentil repórter do NO, apoderou-se de uma cassete com gravações da mesma ao Presidente e procede aqui à sua divulgação.
- Está lá? É o senhor presidente?
- Sou sim.
- É do Notícias de Ourém. Nós pretendíamos que nos respondesse a algumas perguntas…
- Faça favor…
- Vai haver uma sessão na Som da Tinta com Vasco da Graça Moura. O que é que pensa de tal realização? Vai estar presente?
- Você está doida? Então acha que eu vou entrar naquele antro de comunas? Já estão com sorte se lá mandar o Frazão e a Deolinda…
- Mas não acha que eles vão ficar desprotegidos no meio daqueles comedores de criancinhas? Ainda por cima, os que lá estão são sempre os mesmos, eu vejo lá sempre as mesmas caras.
- Não insista. Eu não entro lá. Quero ter essa liberdade, isto aqui não é Cuba ou a Coreia do Norte…
- Mas, senhor presidente, bastava que lá fosse 1% do eleitorado do PSD para o ambiente mudar. Abafavam-nos logo.
- Já disse o que tinha a dizer…
- O senhor presidente é que sabe. Aquela editora é uma das poucas organizações que procede à divulgação da cultura em Ourém. É intenção da Câmara conceder-lhe algum apoio para prosseguir este objectivo?
- Mas quem é que os mandou divulgar cultura? E logo em Ourém. Isso é uma treta! O que eles querem é expandir o ideário comunista, ganhar as eleições e roubar-me a Câmara. E o Vasco da Graça Moura fez o jogo deles. Vou extingui-los nem que seja pela fome. Cultura é fado. Já viu a nossa realização "Noite de fados para os 200 principais oureenses"? É preciso estar com a realidade oureense. É preciso conhecer os principais e funcionar em função deles. O povo cresce culturalmente ao vê-los passar ao, pouco a pouco, interiorizar os seus hábitos pelo exemplo.
- Diga-me agora o que pensa de a Nestlé Waters estar interessada na nossa água.
- Eu já sabia que tínhamos água das melhores…
- Mas vai fazer alguma coisa para apoiar o projecto?
- O projecto? Que projecto? Já viu a água que vai ser precisa para regar o campo de golfe da cara de cavalo? Eles vão ter necessidade de construir uma fábrica. E onde vai ser a fábrica? Não temos terrenos…
- Como…!?!!
- Talvez haja qualquer coisa lá para Caxarias. Mas já viu o que vai ser concentrar 30 pessoas sob o mesmo patrão? Não acha que podem começar a desenvolver ideias comunas? É operário a mais, tudo junto. Além disso, não há desemprego no concelho. O que precisamos é de um parque de negócios e um campo de golfe para turistas…
- Mas não gostava de ver o nome de Ourém nas garrafas de água?
- Oh menina! A água é um produto sazonal. Você só bebe água no Verão, no resto do ano tem o tintol. No negócio do golfe, não há sazonalidade, nós vamos fazer a ponte entre Algarve e Coimbra…
A cassete interrompia-se aqui, mas a transcrição terá permitido compreender as verdadeiras prioridades do responsável autárquico.
Já sei que pensam que vou falar de Salvado e companhia.
Enganam-se redondamente.
A verdadeira história das cassetes roubadas tem a ver com Ourém e com quem a governa.
Não sei se já se aperceberam que, ultimamente, sempre que surge alguma notícia para Ourém com relevo, ela é seguida de entrevista ao Notícias de Ourém (NO) do nosso venerável presidente.
O que os leitores do NO não sabem é que muitas passagens acabam por não ser publicadas. O blogue Ourém, aproveitando a distracção de uma gentil repórter do NO, apoderou-se de uma cassete com gravações da mesma ao Presidente e procede aqui à sua divulgação.
- Está lá? É o senhor presidente?
- Sou sim.
- É do Notícias de Ourém. Nós pretendíamos que nos respondesse a algumas perguntas…
- Faça favor…
- Vai haver uma sessão na Som da Tinta com Vasco da Graça Moura. O que é que pensa de tal realização? Vai estar presente?
- Você está doida? Então acha que eu vou entrar naquele antro de comunas? Já estão com sorte se lá mandar o Frazão e a Deolinda…
- Mas não acha que eles vão ficar desprotegidos no meio daqueles comedores de criancinhas? Ainda por cima, os que lá estão são sempre os mesmos, eu vejo lá sempre as mesmas caras.
- Não insista. Eu não entro lá. Quero ter essa liberdade, isto aqui não é Cuba ou a Coreia do Norte…
- Mas, senhor presidente, bastava que lá fosse 1% do eleitorado do PSD para o ambiente mudar. Abafavam-nos logo.
- Já disse o que tinha a dizer…
- O senhor presidente é que sabe. Aquela editora é uma das poucas organizações que procede à divulgação da cultura em Ourém. É intenção da Câmara conceder-lhe algum apoio para prosseguir este objectivo?
- Mas quem é que os mandou divulgar cultura? E logo em Ourém. Isso é uma treta! O que eles querem é expandir o ideário comunista, ganhar as eleições e roubar-me a Câmara. E o Vasco da Graça Moura fez o jogo deles. Vou extingui-los nem que seja pela fome. Cultura é fado. Já viu a nossa realização "Noite de fados para os 200 principais oureenses"? É preciso estar com a realidade oureense. É preciso conhecer os principais e funcionar em função deles. O povo cresce culturalmente ao vê-los passar ao, pouco a pouco, interiorizar os seus hábitos pelo exemplo.
- Diga-me agora o que pensa de a Nestlé Waters estar interessada na nossa água.
- Eu já sabia que tínhamos água das melhores…
- Mas vai fazer alguma coisa para apoiar o projecto?
- O projecto? Que projecto? Já viu a água que vai ser precisa para regar o campo de golfe da cara de cavalo? Eles vão ter necessidade de construir uma fábrica. E onde vai ser a fábrica? Não temos terrenos…
- Como…!?!!
- Talvez haja qualquer coisa lá para Caxarias. Mas já viu o que vai ser concentrar 30 pessoas sob o mesmo patrão? Não acha que podem começar a desenvolver ideias comunas? É operário a mais, tudo junto. Além disso, não há desemprego no concelho. O que precisamos é de um parque de negócios e um campo de golfe para turistas…
- Mas não gostava de ver o nome de Ourém nas garrafas de água?
- Oh menina! A água é um produto sazonal. Você só bebe água no Verão, no resto do ano tem o tintol. No negócio do golfe, não há sazonalidade, nós vamos fazer a ponte entre Algarve e Coimbra…
A cassete interrompia-se aqui, mas a transcrição terá permitido compreender as verdadeiras prioridades do responsável autárquico.
Pão de Ourém
Mas quem goste dos chamados bicos, encontra-os excelentes naquele cafezinho das duas irmãs sob o escritório do Vitor Castanheira.
Antes, vendia-se na loja do senhor Moreira que deu origem ao Centro Comercial, mas transferiu-se para ali e ali ficou.
E como eu adoro a simpatia daquela padeirinha mais pequenina que, quando lá chego, tem sempre novo pãozinho chegado no momento: "quer da segunda cozedura?".
Mas quem goste dos chamados bicos, encontra-os excelentes naquele cafezinho das duas irmãs sob o escritório do Vitor Castanheira.
Antes, vendia-se na loja do senhor Moreira que deu origem ao Centro Comercial, mas transferiu-se para ali e ali ficou.
E como eu adoro a simpatia daquela padeirinha mais pequenina que, quando lá chego, tem sempre novo pãozinho chegado no momento: "quer da segunda cozedura?".
segunda-feira, agosto 16, 2004
Pela 28ª vez
Sempre admirei essa extraordinária capacidade de organização que se manifesta na festa do Avante.
Estando relativamente afastado do partido, apesar de me rever em muitas das suas ideias objectivo expressas, assisti a algumas das suas concretizações e confesso que me agradaram, sem nunca ter sentido necessiade de uma maior proximidade.
Conforme noticia o Avante de 12 de Agosto:"
No terreno, os trabalhos de montagem das estruturas, das madeiras e de decoração de todos os espaços ocupam muitas mãos voluntárias. Tubos, braçadeiras, pregos, martelos, pincéis e muita força de vontade elevam e embelezam os pavilhões, numa malha que se vai erguendo com mestria e precisão, formando, no seu conjunto, a quadrícula da cidade imaginada. Já cheira a Festa.
As organizações colocam madeiras que vão cobrindo as malhas de ferro, exigindo dos construtores, nesta ponta final da construção, a presença e o entusiasmo que é imagem de marca do maior evento político-cultural do País".
Este ano será dada especial relevânia às potencialidades dos sistemas e tecnologias de informação e do chamado software livre como pode ser constatado pelos meus amigos nestas duas peças:
Espaço novas tecnologias de informação
Komunixemos!
O nosso amigo Sérgio Ribeiro estará presente num dos muitos debates previstos.
Sempre admirei essa extraordinária capacidade de organização que se manifesta na festa do Avante.
Estando relativamente afastado do partido, apesar de me rever em muitas das suas ideias objectivo expressas, assisti a algumas das suas concretizações e confesso que me agradaram, sem nunca ter sentido necessiade de uma maior proximidade.
Conforme noticia o Avante de 12 de Agosto:"
No terreno, os trabalhos de montagem das estruturas, das madeiras e de decoração de todos os espaços ocupam muitas mãos voluntárias. Tubos, braçadeiras, pregos, martelos, pincéis e muita força de vontade elevam e embelezam os pavilhões, numa malha que se vai erguendo com mestria e precisão, formando, no seu conjunto, a quadrícula da cidade imaginada. Já cheira a Festa.
As organizações colocam madeiras que vão cobrindo as malhas de ferro, exigindo dos construtores, nesta ponta final da construção, a presença e o entusiasmo que é imagem de marca do maior evento político-cultural do País".
Este ano será dada especial relevânia às potencialidades dos sistemas e tecnologias de informação e do chamado software livre como pode ser constatado pelos meus amigos nestas duas peças:
Espaço novas tecnologias de informação
Komunixemos!
O nosso amigo Sérgio Ribeiro estará presente num dos muitos debates previstos.
Referendo
Na Venezuela, Chavez, a quem a direita apelida de ditador, sujeitou-se a referendo e venceu com uma diferença relativa de 38% (58% contra 42%).
Antecipadamente, avisou que aceitaria qualquer resultado do referendo.
No entanto, os democratas vêm agora contestar os resultados. Isto é, sujeitaram-se ao referendo, mas só serviria se ganhassem...
Não há aqui qualquer coisa de estranho?
Na Venezuela, Chavez, a quem a direita apelida de ditador, sujeitou-se a referendo e venceu com uma diferença relativa de 38% (58% contra 42%).
Antecipadamente, avisou que aceitaria qualquer resultado do referendo.
No entanto, os democratas vêm agora contestar os resultados. Isto é, sujeitaram-se ao referendo, mas só serviria se ganhassem...
Não há aqui qualquer coisa de estranho?
domingo, agosto 15, 2004
Despedida?
"Sinto com emoção que cheguei ao termo da minha peregrinação".
Discordando dele em quase tudo, não posso deixar de me comover com o valor que sempre atribuiu à nossa terra e a uma mensagem de paz por vezes adulterada por interesses comerciais e políticos e recordo, satisfeito, a monumental desanda que, há uns meses, teve a coragem de dar ao famigerado Bush, o das cruzadas do século XXI.
"Sinto com emoção que cheguei ao termo da minha peregrinação".
Discordando dele em quase tudo, não posso deixar de me comover com o valor que sempre atribuiu à nossa terra e a uma mensagem de paz por vezes adulterada por interesses comerciais e políticos e recordo, satisfeito, a monumental desanda que, há uns meses, teve a coragem de dar ao famigerado Bush, o das cruzadas do século XXI.
Manhã de Domingo (2)
Vou até ao café Ourém.
Nunca falei neste café no meu blogue. A verdade é que nunca fez muito parte de mim apesar de saber que é venerado por alguns oureenses. Respeito-o e respeito-os, mas digo que, há uns quarenta anos, por cima do Ourém, no local onde funcionava o Grémio do Comércio, disputei renhidas partidas de bilhar.
O Zé Honório ou o Miguel Valdemar controlavam e noite alta lá regressava por todo aquele caminho até à Rua de Santa Teresinha.
Hoje, no Ourém, abasteci-me de jornal e bica. O ambiente estava quente a contrastar com este dia cinzento, um pouco triste. Gosto dos dias cinzentos de Ourém. Mas os verdadeiramente belos são em Novembro, não em Agosto. E sei que o Luís Nuno partilhava este gosto comigo, tanta vez falámos nisso.
Embirro um pouco o café de marca que me foi servido: Buondy, Segafredo não têm para mim o sabor mais simpático. São demasiado agressivos, o seu gosto e o seu efeito estomacal perduram por tempo demais após a tomada de sabor.
Lá volto até ao carro. A avenida parece uma auto-estrada, carros a passar atrás de carros, mas Ourém parece uma terra sem vida, uma terra de passagem.
Vou até ao café Ourém.
Nunca falei neste café no meu blogue. A verdade é que nunca fez muito parte de mim apesar de saber que é venerado por alguns oureenses. Respeito-o e respeito-os, mas digo que, há uns quarenta anos, por cima do Ourém, no local onde funcionava o Grémio do Comércio, disputei renhidas partidas de bilhar.
O Zé Honório ou o Miguel Valdemar controlavam e noite alta lá regressava por todo aquele caminho até à Rua de Santa Teresinha.
Hoje, no Ourém, abasteci-me de jornal e bica. O ambiente estava quente a contrastar com este dia cinzento, um pouco triste. Gosto dos dias cinzentos de Ourém. Mas os verdadeiramente belos são em Novembro, não em Agosto. E sei que o Luís Nuno partilhava este gosto comigo, tanta vez falámos nisso.
Embirro um pouco o café de marca que me foi servido: Buondy, Segafredo não têm para mim o sabor mais simpático. São demasiado agressivos, o seu gosto e o seu efeito estomacal perduram por tempo demais após a tomada de sabor.
Lá volto até ao carro. A avenida parece uma auto-estrada, carros a passar atrás de carros, mas Ourém parece uma terra sem vida, uma terra de passagem.
Manhã de Domingo (1)
No "centro histórico", não se vê vivalma. Com os três cafés fechados, não há quem se atreva a percorrê-lo. No local do fado, já não parece haver resquícios da borga.
Marqueses, barões, condes e condessas já retiraram há longas horas e só lhes resta a recordação daquelas horas de cultura para o povo que teve o privilégio de os ver passar.
O Marquês Cabeça de Vaca, enquanto acerta o laçarote ao pescoço, ensaia algumas passagens do encapuçado que a sua origem castelhana não lhe deixa perceber do melhor modo.
A Condessa do Pé Descalço procura fazer tranças pretas mas a carapinha que herdou dos ancestrais não lhe permite replicar a referência do da Câmara, mau grado o brasão que tinha adquirido a um aristocrata arruinado. Em vão, ela trauteia:
Isto, meus amigos, não é viver na lua, é tentar compreender o que se passa em Ourém. E não o achar normal por mais normal que vá parecendo.
No "centro histórico", não se vê vivalma. Com os três cafés fechados, não há quem se atreva a percorrê-lo. No local do fado, já não parece haver resquícios da borga.
Marqueses, barões, condes e condessas já retiraram há longas horas e só lhes resta a recordação daquelas horas de cultura para o povo que teve o privilégio de os ver passar.
O Marquês Cabeça de Vaca, enquanto acerta o laçarote ao pescoço, ensaia algumas passagens do encapuçado que a sua origem castelhana não lhe deixa perceber do melhor modo.
A Condessa do Pé Descalço procura fazer tranças pretas mas a carapinha que herdou dos ancestrais não lhe permite replicar a referência do da Câmara, mau grado o brasão que tinha adquirido a um aristocrata arruinado. Em vão, ela trauteia:
Como era lindaO Alcaide contempla os seus cavalos ainda cansados da monumental caminhada sobre o asfalto e enquanto os dirige para o bebedoiro entoa o Agora choro à vontade:
com seu ar namoradeiro
...
E euPara os lados do Bairro alguém pensa em nova realização para melhorar a cultura do povo de Ourém. "Schubert para os dez principais oureenses"? A quinhentos euros a entrada podia render uns mil contos que mandávamos para as criancinhas pobres de Moçambique.
a quem o fado não quis
vou chorando a cada passo
o grande amor que perdi
Meu coração
perdido à toa
...
Isto, meus amigos, não é viver na lua, é tentar compreender o que se passa em Ourém. E não o achar normal por mais normal que vá parecendo.
sexta-feira, agosto 13, 2004
Noite de fados em Ourém
É hoje, sexta-feira, 13.
Uma realização que procura dinamizar e trazer eventos culturais a Ourém.
Infelizmente, o sistema estatístico da Câmara está desactualizado.
Para ela só há duzentos oureenses. Ou, então, só duzentos oureenses são merecedores de tal manifestação.
Obviamente elitista, pelo preço e por todas as proibições que se estão a montar à volta.
Já vejo os coches a chegar. A aristocracia oureense aí vai para a praça Mouzinho de Albuquerque. Ricos senhores feudais podres de ricos e nada para fazer. Já chegou o barão, não tarda muito vem o alcaide e o conde de certeza também aparece. Alguma burguesia também tem direito, se possível alguns dos seus comprarão brasão e tudo. É preciso que não se misturem com a ralé, com essa gente que, se calhar, povoa o Central.
Para prestar as devidas homenagens com certeza não faltarão os distintos serviçais autárquicos. Engravados, vestidos a preceito, a garantir que tudo vai correr bem. E como é óbvio, no final, após as cantiguinhas, o caldo verde, o banquete chega a boa acção: a receita é para ajudar a AMI.
Não brinquem comigo. Com uma noite de fados para todos os oureenses a receita seria, sem dúvida, maior. O que ali acontece é um processo de selecção.
É hoje, sexta-feira, 13.
Uma realização que procura dinamizar e trazer eventos culturais a Ourém.
Infelizmente, o sistema estatístico da Câmara está desactualizado.
Para ela só há duzentos oureenses. Ou, então, só duzentos oureenses são merecedores de tal manifestação.
Obviamente elitista, pelo preço e por todas as proibições que se estão a montar à volta.
Já vejo os coches a chegar. A aristocracia oureense aí vai para a praça Mouzinho de Albuquerque. Ricos senhores feudais podres de ricos e nada para fazer. Já chegou o barão, não tarda muito vem o alcaide e o conde de certeza também aparece. Alguma burguesia também tem direito, se possível alguns dos seus comprarão brasão e tudo. É preciso que não se misturem com a ralé, com essa gente que, se calhar, povoa o Central.
Para prestar as devidas homenagens com certeza não faltarão os distintos serviçais autárquicos. Engravados, vestidos a preceito, a garantir que tudo vai correr bem. E como é óbvio, no final, após as cantiguinhas, o caldo verde, o banquete chega a boa acção: a receita é para ajudar a AMI.
Não brinquem comigo. Com uma noite de fados para todos os oureenses a receita seria, sem dúvida, maior. O que ali acontece é um processo de selecção.
Como o tempo passa
A Nicha, uma querida amiga dos tempos do CFL, vai hoje ser homenageada por alguns dos seus primeiros alunos. Talvez trintões ou quarentões...
Não duvido que ela tenha sido uma magnífica professora.
E é bom ver que alguns dos melhores sentimentos que caracterizavam as pessoas de Ourém se mantêm.
A Nicha, uma querida amiga dos tempos do CFL, vai hoje ser homenageada por alguns dos seus primeiros alunos. Talvez trintões ou quarentões...
Não duvido que ela tenha sido uma magnífica professora.
E é bom ver que alguns dos melhores sentimentos que caracterizavam as pessoas de Ourém se mantêm.
Manhãs de sábado no Central (3)
Isto não é uma convocação.
Longe de mim a ideia de dinamizar qualquer manifestação contra o poder legitimamente estabelecido no concelho.
Mas seria engraçado...
Seria engraçado um encontro de oureenses junto ao Central que, calmamente, enqunto se toma uma bica ou uma água, comentassem o estado pavoroso daquele local e elaborassem um documento que fosse o testemunho do seu repúdio pela acção que conduziu ao mesmo.
Sugiro as onze horas da manhã de amanhã.
Não garanto que o calor no exterior seja suportável. Aquilo é só pedra.
Quim, Julito, Cúrdia, Genito, Duarte, Arnaldo, Kansas, Zé Rito, Ferraz, Zé Alberto, Manel, Tó (tu deves adorar o que eles fizeram à obra do teu pai!), ZéQuim, Alfredo, Carlitos, Pintassilgo, Beto, Leitão, Aires, Vitor, Toino, Humberto, Quim Manel, Fred, Sérgio(s)... apareçam.
Isto não é uma convocação.
Longe de mim a ideia de dinamizar qualquer manifestação contra o poder legitimamente estabelecido no concelho.
Mas seria engraçado...
Seria engraçado um encontro de oureenses junto ao Central que, calmamente, enqunto se toma uma bica ou uma água, comentassem o estado pavoroso daquele local e elaborassem um documento que fosse o testemunho do seu repúdio pela acção que conduziu ao mesmo.
Sugiro as onze horas da manhã de amanhã.
Não garanto que o calor no exterior seja suportável. Aquilo é só pedra.
Quim, Julito, Cúrdia, Genito, Duarte, Arnaldo, Kansas, Zé Rito, Ferraz, Zé Alberto, Manel, Tó (tu deves adorar o que eles fizeram à obra do teu pai!), ZéQuim, Alfredo, Carlitos, Pintassilgo, Beto, Leitão, Aires, Vitor, Toino, Humberto, Quim Manel, Fred, Sérgio(s)... apareçam.
Estacionar em Ourém...
... é cada vez mais difícil.
Que o digam os moradores e comerciantes da zona perto da Praça Mouzinho de Albuquerque.
Consta que há moradores que são multados por deixarem os carros perto das suas residências.
Consta que há canais directos à Câmara para informar sobre algum estacionamento que esteja fora da lei ou que não agrade a comerciantes de máquinas de madeira. Os homenzinhos que levavam as mesas para os fados quase que tiveram de fugir a sete pés.
Pobre Câmara que divide os munícipes.
Pobre gente que acredita que uma boa ligação ao poder é fonte eterna de benefícios.
Porque, acreditem, isto há-de mudar!
... é cada vez mais difícil.
Que o digam os moradores e comerciantes da zona perto da Praça Mouzinho de Albuquerque.
Consta que há moradores que são multados por deixarem os carros perto das suas residências.
Consta que há canais directos à Câmara para informar sobre algum estacionamento que esteja fora da lei ou que não agrade a comerciantes de máquinas de madeira. Os homenzinhos que levavam as mesas para os fados quase que tiveram de fugir a sete pés.
Pobre Câmara que divide os munícipes.
Pobre gente que acredita que uma boa ligação ao poder é fonte eterna de benefícios.
Porque, acreditem, isto há-de mudar!
À luz do luar
Ontem, por volta das 23, passei por Ourém e reparei que o jardim municipal, aquele que substituiu o belo jardim frente à Câmara, não tinha uma única luz acesa.
Trata-se, decerto, de nova e excelente iniciativa autárquica que convida, assim, os jovens oureenses a desfrutar os encantos das noites de verão ao luar.
Só que a fase do satélite não ajudava...
Ontem, por volta das 23, passei por Ourém e reparei que o jardim municipal, aquele que substituiu o belo jardim frente à Câmara, não tinha uma única luz acesa.
Trata-se, decerto, de nova e excelente iniciativa autárquica que convida, assim, os jovens oureenses a desfrutar os encantos das noites de verão ao luar.
Só que a fase do satélite não ajudava...
Comida para a gatita
Descuidados, apercebemo-nos que nos tínhamos esquecido da comida para a gatita.
Lembrei-me que, perto do Leitão, havia qualquer coisa. Fomos lá. Rações para animais.
Tinham a marca, mas não tinham o que pretendíamos. Aquele cheirinho a rações fez-nos interrogar como era possível duas pessoas passarem todo o dia ali dentro. Ao mesmo tempo, eu recuei uns quarenta anos e recordei como gostava, na juventude, de entrar no Grémio da Lavoura, frente ao hospital, e sentir todos os odores que se desprendiam daqueles produtos.
A saga de procura de comida continuou e, numa loja que nos indicaram, uma loirinha tem esta engraçada tirada.
- Sabem, não temos essa comida, porque é muito cara e ninguém a compra.
Pobre gatinha que foi treinada por estes vendedores para só comer aquilo e depois tiram-lhe o tapete quando os interesses comerciais mudam.
Enfim, uma média superfície lá nos evitou uma viagem maior.
Descuidados, apercebemo-nos que nos tínhamos esquecido da comida para a gatita.
Lembrei-me que, perto do Leitão, havia qualquer coisa. Fomos lá. Rações para animais.
Tinham a marca, mas não tinham o que pretendíamos. Aquele cheirinho a rações fez-nos interrogar como era possível duas pessoas passarem todo o dia ali dentro. Ao mesmo tempo, eu recuei uns quarenta anos e recordei como gostava, na juventude, de entrar no Grémio da Lavoura, frente ao hospital, e sentir todos os odores que se desprendiam daqueles produtos.
A saga de procura de comida continuou e, numa loja que nos indicaram, uma loirinha tem esta engraçada tirada.
- Sabem, não temos essa comida, porque é muito cara e ninguém a compra.
Pobre gatinha que foi treinada por estes vendedores para só comer aquilo e depois tiram-lhe o tapete quando os interesses comerciais mudam.
Enfim, uma média superfície lá nos evitou uma viagem maior.
Al Simon
Ultimamente, mal chego a Ourém, tenho, quase de imediato, desfrutado do contacto com distinto oureense. É bom. Ele faz-me lembrar outros que já não estão, que deixaram imensa saudade e que, quando ele estava, geralmente, também estavam.
O seu nome também é interessante.
Recorda-me um dos elementos daquela famosa dupla dos anos sessenta. E anuncia-me que, efectivamente aqui, eu posso desfrutar do magnífico som do silêncio.
Ultimamente, mal chego a Ourém, tenho, quase de imediato, desfrutado do contacto com distinto oureense. É bom. Ele faz-me lembrar outros que já não estão, que deixaram imensa saudade e que, quando ele estava, geralmente, também estavam.
O seu nome também é interessante.
Recorda-me um dos elementos daquela famosa dupla dos anos sessenta. E anuncia-me que, efectivamente aqui, eu posso desfrutar do magnífico som do silêncio.
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