domingo, novembro 21, 2004
Voa um pombo aflito
Na estação de metro perdido
Vem ao meu encontro assustado
Continuo o caminho, passo apressado
Não me quero recordar
Do cinzento a contrastar
Com o seu ar ternurento,
Do seu medo, do seu lamento
Pobre bichinho
Por quem sinto carinho
Cúmplice na procura dum caminho
Mas quase loucos, sem parar,
Esvoaçamos, caminhamos,
continuando no mesmo lugar...
Ana Prata
Qualquer dia, da nossa Ourém, nada teremos submersa que estará na destruição que o dia a dia nos revela.
Mas há testemunhos do que as pessoas sentem não muito longe de nós. Na aldeia da Luz, há maior conforto nas habitações, alguns dos moradores tiveram até, e pela primeira vez, acesso a instalações sanitárias. "Mas deixámos de ter os campos cheios de árvores e de lindas flores, para ter apenas um espelho de água a perder de vista", contrapõe Regina Guerra, 28 anos, dando conta que as pessoas da aldeia "vão-se adaptando" à nova realidade "à custa de deixar de falar da outra vida".
Vão inclusivamente de barco até ao sítio onde pensam que as suas antigas casas estão.
O testemunho é do Público de hoje.
Ao falar numa grande unidade que procure retirar o poder a quem o exerce não estou a afirmar que é necessário que as pessoas abandonem as suas ideias, as organizações em que melhor se reveem, isto é, que façam um corte radical com o que sentem que, estruturalmente e no mais fundo, as representa. Estou a dizer, isso sim, que é possível estabelecer um conjunto de princípios e metas para a acção que pode unir gente dos mais variados quadrantes.
Não é impossível em Ourém unir pessoas que queiram preservar o seu património florestal, cultural, ambiental, que digam um não total à corrupção e ao clientelismo, que defendam as liberdades, a democracia e a eliminação progressiva das desigualdades, que queiram desenvolver o concelho com respeito pelo passado.
Apoiar um programa fundamentado nesses princípios não é semear ilusões.
Pelo contrário, é estabelecer uma contraposição ao poder actual. Arrogante, sem princípios, sem respeito pelo passado.
Pelo contrário, mesmo que não se vá longe, ajuda à formação da consciência das pessoas.
Por isso, este espaço estará aberto a todos os que queiram mudar Ourém. Mudar num sentido de progresso, sem vícios, sem compromissos, mas respeitando completamente as opções de fundo dos actores. Não vamos fazer a revolução socialista, mas não vamos combater ou ostracizar aqueles que, intimamente, a desejam. Não vamos eliminar as desigualdades, mas vamos contribuir para que elas se atenuem. E vamos defender com toda a força as liberdades e a seriedade.
E aqui não há ilusões: mesmo que se resolvam alguns problemas, muitos ficarão por resolver, muitos novos problemas surgirão e é preciso manter uma motivação forte para os enfrentar e ultrapassar.
sábado, novembro 20, 2004
Novembro-II e III
Por Sérgio Ribeiro
Esta semana de plenário foi “de loucos”. Vale por duas…
Em Estrasburgo, onde se vive em estressburgo, sinto que esta semana exagerei.
Por duas razões. A primeira, teve a ver com a visita dos meus 25 convidados oureenses (e mais 16 de outras terras do distrito de Santarém); a segunda, foi a verdadeira avalanche de rádios e televisões que, por causa da Comissão Barroso, me procuraram para os ajudar a traçar o perfil do ex-1º ministro português.
A visita foi… emocionante. E muito cansativa. Espero que os reflexos se venham a sentir na comunicação social da “nossa terra” (faziam parte da comitiva representantes dos Notícias de Ourém e de Fátima, da Rádio ABC e de O Ribatejo), pelo que me reservo quanto a comentários. Só quero acrescentar, ao que possam vir a contar-nos, que a resposta aos convites que fiz aos “europeus” que trabalham na instituição para virem ver a exposição de fotos sobre os incêndios e para provar as especialidades da “nossa terra” excedeu as melhores expectativas. Durante e depois das provas com o “palhete” nos corredores do Parlamento Europeu muito se falou do “vinho medieval” que está para chegar… à Europa!
Quanto à votação da Comissão de que tenho aqui falado, motivou que rádios e televisões francesas me tenham procurado insistentemente, e correu como esperava e o resultado foi uma confirmação dos votos de Julho, com reforço da Comissão em relação à votação que tivera o seu presidente. Votaram contra menos 100 deputados e embora se tenha abstido o dobro dos deputados que o tinham feito em Julho, a percentagem dos que não votaram favoravelmente passou de 42 para 34%.
Como em Julho, votámos contra. Porque estamos contra as opções políticas que Durão Barroso e a sua Comissão representam. É a nossa posição.
Pelo meu lado, fiz duas explicações de voto:
1. “(…) A Comissão agora apresentada apenas traduz qual a equipa que vai levar por diante a opções políticas contra que estamos e lutamos.
Se tivéssemos dúvidas, o episódio de Outubro, a convergência pontual que suscitou, fariam com que desaparecessem. Mantém-se, e com mais força, os comissários indigitados que ilustram escandalosamente a promiscuidade entre o poder económico-financeiro e as instituições políticas, o substituto do comissário que tanto beliscou a sensibilidade sobre os direitos humanos de alguns deputados repetiu, nas audições, as mesmas respostas preparadas pelos serviços para o putativo comissário que vinha substituir por causa das declarações que fizera nas audições.
Só podíamos reiterar o voto de Julho, votando contra esta proposta de resolução, e denunciar as mistificadoras oscilações de posição de muitos deputados dos grupos signatários desta proposta de resolução.”
2. “Tendo em conta as razões, estritamente políticas, que nos levaram, em Julho, a votar contra a indigitação de Durão Barroso para presidente da Comissão;
tendo em conta as escolhas e as audições dos escolhidos que levaram à composição da Comissão que irá levar por diante as opções políticas contra as quais estamos e lutamos,
votámos contra a Comissão por, na composição proposta, em nada se terem alterado, antes reforçado, as condições políticas que justificaram o voto de Julho, e ainda por razões que explicitámos na declaração de voto sobre a resolução comum relativa a este assunto,
e reafirmamos a nossa defesa de e luta por outras opções políticas, que possam valorizar as vertentes sociais, regionais e ambientais, o objectivo sempre preterido da coesão económica e social.”
sexta-feira, novembro 19, 2004
Passou hoje a Sombra Negra à minha beira.
Deu três voltas em fúria e arrebatou para sempre
Uma vida e um pouco do meu passado.
A vida de alguém que amava profundamente,
e que sempre amarei
Sinto conforto em tantas e tantas memórias
Ligadas a este alguém que hoje se libertou
De um invólucro carnal banhado pelo sofrimento.
Vivia numa casa grande que faz parte de uma minha antiga e feliz realidade.
Apesar dos medos de criança que aí passei era um sítio que me agasalhava. Que me abraçava e protegia... Um sítio onde os risos eram uma melodia constante, e onde fui feliz!
Habitará agora noutra casa, a minha.
Até sempre,
Descanse em paz...
...
Deixavas-me deslizar sobre ti
Num movimento sem princípio nem fim
Em torno da tua figura orgulhosa e bela,
Onde sentia cada escaninho do teu corpo
Cada segredo, cada sonho e cada esperança.
Crescia com eles e quando os tinha todos,
Abrias os braços para que neles me pudesse envolver
e descansar em ti
As palavras morriam no longo beijo da despedida...
Apesar de tristes, as palavras da Maria continuam belas.
Aqueles marotos foram lá visitar o Parlamento Europeu e o resultado é este: chega-se à sexta-feira e não tenho crónica do Sérgio nem as notícias do Notícias de Ourém na Internet.
Imagino que ainda vamos vê-los na televisão a aplaudir o DB.
Pior, imagino o estrunfa-mor a deliciar-se com o nosso magnífico palhete.
Já é conhecido o programa de animação cultural para Ourém em 2005 (consta da acta da câmara número 45).
E ainda dizem que eles não gostam de planeamento...
Dada a extensão do programa, deixamos aqui um texto resumido com as entradas que nos pareceram mais significativas.
JANEIRO
28, 29 e 30: Festa do Vinho Novo
Excelente ideia para começar o ano: é um verdadeiro mergulho na cultura local
FEVEREIRO
Dia 6: Desfile de Carnaval pelas ruas da cidade
Dia 7: Baile de Máscaras e entrega de Prémios do desfile de Carnaval
MARÇO
17,18 e 19: 2º Fórum Estudante do Centro
Organização: Câmara Municipal de Ourém, Centro de Estudos de Fátima e Centro de Negócios de Ourém
Um comentário: na realização anterior pareceu-me que foram excluídas deste fórum algumas escolas como por exemplo o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) da Universidade Técnica de Lisboa. Penso que a organização poderia ser um pouco mais abrangente em 2005, pois entendo que é uma excelente opção para os estudantes de Ourém.
20 a 27:
Semana Santa em Ourém
- Procissão de Ramos
- Cerimónias Religiosas na
Igreja Matriz de Nossa Senhora das Misericórdias alusivas à Semana Santa
- Via Sacra ao Vivo
ABRIL
Festival de Música Inter-Escolas
8: Actuação das Escolas do 3º ciclo e do Ensino Secundário e Profissional
10: Actuação das Escolas do Ensino Pré-Escolar do 1ºe 2º ciclo do Ensino Básico
15 de
Abril a 7 de Maio: VII Cenourém
25 de Abril Sempre!
24 (24 horas): Comemoração do 25 de Abril- “Grândola” e “Hino Nacional”
25: Cerimónias oficiais :
- Hastear da Bandeira junto aos Paços do Concelho
- Banda e Fanfarra dos Bombeiros
- Corrida da Liberdade
MAIO
15: Feira Medieval
15: Caminhada Pedestre pelo Agroal
JUNHO
1,2 e 3: “Festa da Criança”
5: Passeio Pedestre pelo Centro Histórico de Ourém
20 a 26: FESTAS DA CIDADE DE OURÉM E DO CONCELHO
Cerimónias Oficiais nos Paços do Concelho
Desfile pelas ruas da cidade
Sessão Oficial e Atribuição de medalhas de mérito no Cine-Teatro
Inauguração do Parque Linear (Excelente!!!!!)
Lançamento de um livro (Que inveja não ser o meu!)
Assinatura protocolo de geminação com Burladingen
Espectáculos musicais com Artistas Nacionais (Voto na Ruth Marlene e na Romana)
Espectáculos de folclore
Espectáculos de Bandas Rock do concelho e dos concelhos da AMAE
Actividades desportivas (ainda a definir) no Parque Linear
E ainda:
- Tasquinhas
- Mostra de artesanato e trabalhos ao vivo
- Trabalhos dos Agrupamentos de Escolas
- Trabalhos das IPSS
JULHO
1 a 15 de Julho: Férias Desportivas
4,6,8,11,13,15,18 e 20: Passeio dos idosos (eu diria passeio dos mais experientes... carago, sempre o estigma de velho!)
AGOSTO
Férias Arqueológicas
SETEMBRO
11 de Setembro: Passeio
Pedestre - “Rota do vinho Medieval” (Muito interessante)
17 e 18 de Setembro: Exposição de Carros e Motos Clássicos
25 de Setembro: Festa das Vindimas e da Tradição
OUTUBRO
1: Dia do Idoso (esta palavra é demasiado púdica)
4 de Outubro: Abertura do Ano Lectivo – Recepção ao Corpo Docente (Aplausos para a Câmara!)
26 a 30 de Outubro: Feira do Livro (Local: Centro de Negócios de Ourém)Comentário: Porquê tão tarde? Sempre embirrei com a palavra negócio. Fazer a feira do livro num Centro de Negócios, apesar de se tratar do negócio do livro, parece que retira ao mesmo um pouco do seu encanto.
E a feira Nova, a feira de Santa Iria? Que me lembre, era nesta altura. Não faz parte da cultura popular? Acabou?
30 de Outubro: XVI Festival de Bandas de Ourém
NOVEMBRO
VIII Cenourém- 1ª parte: Apresentação de espectáculos teatrais (programa a estabelecer)
19 e 20 de Novembro: Salão do “Bem-estar”
- Workshops de artes marciais/técnicas orientais/Yoga e outros
- Representação de ervanárias, ginásios, associações, health clubes, etc
- Sessões de esclarecimento sobre saúde (nutricionistas, delegado de saúde)
DEZEMBRO
De 1 a 11 de Dezembro: I Bienal de Artes
Actividades a desenvolver na Praça Mouzinho de Albuquerque: “Praça Antiga”
1 de Maio - Dia da Mãe: Feira das Flores5 de Junho: Festival de Acordeão
25 de Setembro e 2 de Outubro: Festival de Folclore
2º Domingo de cada mês de Maio a Setembro: Feira de Antiguidades e Coleccionismo
quinta-feira, novembro 18, 2004
Quando estava a escrever isto, no post anterior, lembrei-me daquela cena que vi anteontem num noticiário televisivo, do resistente iraquiano ferido, desarmado, deitado pelo chão e o soldado americano, o tal da civilização ocidental, eticamente superior, da liberdade, mas convencido da impunidade, a desfechar sobre ele...
Bin_Tex, de A Grande Fauna, considera que é preciso estabelecer uma grande unidade para afastar as forças dominantes em Ourém:
Ó Alentejo esquecido, ainda um dia hás-de cantar. - dizia o Zeca Afonso.
Eu digo: Ó Ourém esquecida, ainda um dia hás-de cantar!
Acho que esta câmara ainda não foi ganha porque alguns dirigentes ou candidatos à câmara nunca souberam estabelecer laços de força e de luta unida contra um poder que está instalado qualquer dia há tantos anos como a ditadura esteve neste país.
É precisa agitar as águas!
Nesta perspectiva, contem com este espaço.
Para 1bigonobalcao, do Brisa Mínima, a preferência manifestada pelos oureenses em momento eleitoral pelas forças dominantes, mais do que com herança salazarenta, tem a ver com o efeito de cacicagem apoiado na religião e no fenómeno de Fátima:
o meu comentário pode ter também essa interpretação, embora eu quisesse que ele transmitisse mais o peso dos eventos religiosos do nosso concelho. Já pensou por exemplo na interpretação/intervenção do antigo administrador do concelho Artur Oliveira Santos mais conhecido por "O Latoeiro"? Hoje, o povo ouriense, acima de tudo, tem uma grande canga religiosa onde se apoiam os caciques.
quarta-feira, novembro 17, 2004
Este um possível projecto novo para Ourém.
Para termos mais segurança, esta a riqueza criada.
No entanto, o que ouvi, ontem à noite, no noticiário da TVI, faz-me recuar.
Andam por aí, à solta, indivíduos apanhados a conduzir com taxas de alcolémia na ordem dos 9,42 (!!!). Andam por aí indivíduos armados de Pit Bull a atacar crianças e outros. Nada se lhes faz...
No entanto, o pacato oureense que for apanhado a 55 na ligação entre a saída da A1 em Fátima e a Rotunda Sul é capaz de ser sujeito a um mau bocado devido a uma perigosa transgressão que o radar demonstra.
É para isto e para ficarem nas novas instalações à espera do telefonema para irem tomar conta da ocorrência? Duvido que tenham o meu apoio...
À nova esquadra tem de corresponder uma efectiva melhoria das condições de segurança. O que o passado recente não demonstra.
... para 18 freguesias ligadas ao quartel dos bombeiros.
Instaladas em pontos suficientemente altos para tudo abrangerem e para serem imunes ao vandalismo.
Esta uma das quase hilariantes propostas do Zé da Moca na sua apresentação do programa de candidatura à presidência da Câmara.
E digo quase porque ela reflecte um grave problema que, preocupando alguém que parece brincar com os problemas da população, os traz, apesar de tudo, para o debate, não se vendo idêntica atitude por parte dos responsáveis.
Efectivamente, podemos perguntar: o que é que já foi feito desde os últimos fogos para evitar os do próximo ano? Será que o que parece (a Câmara não fez nada), é? Vamos continuar a sacrificar e a culpar os bombeiros? Vamos esperar que as freguesias ardam todas? Depois, os fogos florestais efectivamente desaparecem.
Mas, se o que parece não é, porque não é a população informada do que se tem feito e do que se conta fazer? Já vimos que no PIDDAC não há nada, será que a Câmara tem alguma alternativa?
terça-feira, novembro 16, 2004
Agora coube ao Rodrigues dos Santos e respectiva equipa sentir os tentáculos que vão apertando cada vez mais.
É preciso ganhar eleições. É preciso um jornalismo responsável que diga o que interessa aos altos interesses do país que correspondem aos altos interesses do governo.
E em Ourém?
Será que os meus amigos detectam alguma Central de Comunicação?
Em Ourém, ganha sempre o candidato do sistema, esta a leitura que pode fazer-se de comentários ao nosso artigo de ontem acerca do estigma do Sérgio.
Para o Fred, isso prende-se com o facto de as pessoas estarem enredadas numa extensa teia que lhes impõe a submissão aos interesses da maioria dominante (mais vocacionada para se perpetuar no poder do que para enfrentar novos desafios que lhes poderiam trazer alguns riscos) ou algum receio por enfrentar o desconhecido.
Para o 1bigonobalcao, isso materializa-se numa cruz que o nosso povo transporta em termos culturais desde a sua submissão ao provincianismo fascizante de Salazar.
E como dizer e fazer acreditar às pessoas que não têm razão para receios em tentar tomar os seus destinos na mão? Que não existem elementos providenciais que venham do sistema ou doutro lugar, porque o que é relevante é a mobilização de todos, é um plano de acção e os apoios que pode granjear ao nível da concretização e da aceitação.
Tenho a impressão que uma vitória dos socialistas (ou de independentes) em Ourém concelho, mesmo com todas as limitações que todos sabem que eu lhes aponto, teria um efeito quase semelhante ao do 25 de Abril. A rolha saltava e mostrava que os receios não têm razão de ser, Ourém fervilharia de motivação para a transformação e ninguém veria os seus empregos ameaçados ou qualquer dos seus interesses desde que assentes numa base de seriedade.
Haveria muitas dificuldades, é certo. Que se passa lá para dentro daquele edifício camarário? Como é o endividamento? Que compromissos estão estabelecidos que podem bloquear a acção de uma gestão futura? Quanto tempo será necessário até se produzir um resultado visível? Que experiência anda por aí? Como seria possível implementar novos projectos? Isto é, mesmo existindo um excelente programa de acção e uma equipa de luxo para lutar por ele, poderia haver um boicote devido ao que vem de trás.
Mas a verdade é que um dia isso com certeza acontecerá. Esperemos que, nessa altura os estragos não sejam de todo irrecuperáveis...
segunda-feira, novembro 15, 2004
Curioso este comentário:
As pessoas no concelho de Ourem, votam sempre no partido, nao olham ao candidato. É por isso que por muito que admirem Sergio Ribeiro, por muito que até admitam que era uma pessoa capaz de mexer e fazer com que Ourem saisse do marasmo, votam sempre no candidato do partido 'oficial', mesmo que este seja um simio. Porque? Isso é motivo para muita reflexao, e o que sei de politica em Ourem ainda e' limitado. Mas uma coisa tenho a certeza: convem eleger o candidato do sistema, pois muitas pessoas dependem dele para sobreviver. E assim é por muitas terras por esse país fora. No entanto, por muito melhor que seja o candidato, nao vai a lado nenhum sem uma equipa que o apoie.
Só mais um aparte. Politicamente, os meus ideais nao sao de Esquerda, muito menos no Comunismo. No entanto, isso nao me impede de apoiar e votar num candidato como Sérgio Ribeiro para a Câmara de Ourém, como outro que me convença. E porquê? Porque acredito no pragmatismo em politica, nao gosto de meter tudo no mesmo saco, gosto de ser independente, de pensar pela cabeça e nunca negar ideias, venham de onde vierem. Apoiarei uma pessoa com ideias, com cultura, reformador, com uma estrategia definida e sobretudo, que seja um Oureense que goste de Ourem, da cidade, do concelho e que queira uma Ourem diferente, que todos nos orgulhemos, mas que nao o faca contra a população, mas sim contra lobbies retrogados. Nao me interessa o partido a que pertence.
Frederico Marques
domingo, novembro 14, 2004
Este fim de semana, a comunicação social deu muita atenção ao Sérgio.
No sábado, o Expresso publicou um artigo sobre a progressiva perda de soberania traduzida na consumação da eliminação de fronteiras marítimas nacionais e mais uma vez lemos o que ele já tinha publicado neste blog (o que muito nos honra):
O meu relatório sobre a defesa dos recifes de coral nos “mares” dos Açores e da Madeira, por isso portugueses, segue o seu curso. Foi apresentado, foi bem recebido nas palavras todas que ditas foram, embora franzires de sobrolho e comentários em à parte confirmassem que alguns interesses foram atingidos. Aqueles que querem aproveitar a abertura entre as 100 e as 200 milhas para pescar industrialmente, com artes de arrastar e de emalhar no fundo, e assim ultrapassar a proibição que existia nesta parte da Zona Económica Exclusiva das Regiões Autónomas e, ao mesmo tempo, defendia a actividade de comunidades piscatórias. O período de proposta de alterações já passou sem que tivessem aparecido e espero a votação em comissão parlamentar no princípio de Novembro para, depois, ir ao plenário.
Não vejo ninguém com projecção semelhante a nível concelhio.
O Sérgio é uma pessoa de quem Ourém se orgulha, mas a quem rejeita, estranhamente, em momentos de escolha para a autarquia. Será masoquismo?
O XIX convívio do Poço já foi há mais de uma semana e, apesar de tudo, continua vivo na nossa memória.
Mas eu vou sentindo o seu afastamento no tempo.
Lembro-me que, quando foi o 25 de Abril, senti algo de semelhante. Primeiro uma semana, depois um mês, um ano... e repentinamente 30 anos...
Esta sensação de afastamento de algo que gostámos muito é um pouco dolorosa, é uma espécie de ferida.
Mas ao mesmo tempo faz-me lembrar de outras coisas de que me afastei em Ourém sem ter consciência da última vez.
Alguém se lembra do nosso último jogo de futebol? Ou da última vez que entrámos no Avenida? Ou do último bailarico no sótão do Luís FIlipe? Ou da última vez que vimos alguns daqueles que já não encontramos quase há quarenta anos?
Isso significa que, quando nos separámos, não tínhamos consciência do que iria ocorrer e que talvez tomássemos alguma atitude que impedisse que isso acontecesse. No fundo, qualquer uma daquelas últimas vezes foi um marco para a passagem para uma vida diferente.
E quando já desesperava sem matéria para alimentar este blog, eis que recebo excelente notícia: O Zé Rito, o nosso venerado Avião, vai escrever, acerca dos Estúdios Trini. Eis a sua promessa:
Olá. Só agora tive tempo para ler a tua mensagem, embora soubesse de imediato que tinha recebido pelo telele. Prometo que vou escrever sobre os Estúdios
Trine, a sua origem e alguns episódios curiosos dentro do que me lembro. Vou, se
possível, utilizar esta via. Era bom que o Zé Alberto também contribuisse pois
ele terá a sua versão. Até breve. Um abraço.
Zé Rito
Zé Alberto, espero que vejas aquela referência e que actues em conformidade...
sexta-feira, novembro 12, 2004
Introdução
Não podemos deixar morrer o que ficou do último convívio e o que o mesmo desencadeou e já transpareceu neste local o que demonstra a importância que uma facilidade como a proporcionada pela Internet assume. Mantenho a esperança de ver muitos dos meus amigos participarem neste Ourém ou criarem o seu próprio espaço.
E já viram as palavras da Catarina nos comentários à mensagem do Luís Nuno?
E, desculpem-me se sou chato, mas há que recordar aquela sensação que tive em determinado momento do nosso encontro: "nós não apoiamos a destruição da memória da nossa Ourém".
Retomemos algumas ideias (e outras coisas) que surgiram:
- o Paulo, simpático descendente do Quim e da Cristina, fez excelente reportagem e garantiu que não se importava que eu usasse algumas fotografias, este blog carece tremendamente da que se refere a todo o grupo tirada na companhia do simpático casal da Quinta do Poço Soudo;
- o Julito e o Zé Alberto ordenaram-me que pusesse parte do conteúdo deste blog em livro;
- a Teresa propôs a elaboração de algo que lembre os locais por onde passámos ao longo destes 19 anos;
- a mesma Teresa propôs uma lápide sobre os 20 anos do Poço no local onde se inicia o nosso convívio;
- o Zé Rito prometeu-me uma reportagem sobre os estúdios Trini;
- todos nos propomos para um convívio em cheio, um pouco alargado, para o próximo ano.
O Poço em estórias e memórias
Acho que é um título bonito para um livro.
No meu projecto começa com a texto do Luís Nuno a que dei o título Amizade, continua com o poema da Ana sobre o Poço e integra muito do material que saiu neste blog sobre a nossa juventude (e de mais alguns) de que faz parte a versão estabelecida pelo ZéQuim acerca da queimadela inflingida ao Kansas quando foi assustar indefesos ciclistas para junto do CFL.
Penso que só ficará completo se integrar o texto do Zé Rito sobre os estúdios Trini, por isso, Zé, vê lá se pões mãos à obra.
Mas deixo aqui aberta a possibilidade de todos os amigos do Poço introduzirem a sua contribuição: façam um pequeno texto sobre algo que recordem que nos diga respeito e enviem-me....
Gostaria, apreciaria muito que o livro tivesse um prefácio assinado pelo Julito e pelo ZéQuim. Mas se o Quim e o Vitor Castanheira também quiserem fazer o prefácio não faz mal nenhum. Por isso, desenrasquem-se...
O Poço em estórias e memórias – o problema da edição/publicação
Não é uma questão fácil para o nosso país publicar material como este. Como não somos nenhuns ases em literatura, não vende, não tem mercado, logo a malvada sociedade capitalista encarrega-se de o inviabilizar.
Tenho falado com o Sérgio Ribeiro sobre a possibilidade de a Som da Tinta o editar.
É uma editora da nossa terra, a sua obra em termos culturais é notável, o Luís Nuno e o Zé Quim são seus sócios fundadores, se não estou em erro.
Mas não podemos provocar prejuízos aos outros só por serem da nossa terra.
Assim, se a edição não se concretizar nestes moldes, procurarei um meio alternativo de produção do livro através de um sistema que integrará fotocópia, produção de capa em tipografia e recurso a trabalho de encadernador. Em qualquer dos casos não garanto fotos a cores.
O Poço em estórias e memórias – a apresentação do livro
Gostaria de converter a apresentação do livro, que deverá ter lugar no dia 5 de Novembro de 2005, numa grande homenagem aos nossos amigos desaparecidos quer os do Poço quer os outros dois que fazem parte do nosso património de recordações e que lá são mencionados.
A apresentação será regada por música do nosso tempo e pela leitura de alguns textos.
Gostaria que convidássemos para a mesma muitos de quem temos vindo a falar, designadamente, os jogadores da equipa maravilha (bem, o Pintassilgo já está connosco), o Manel Albino e a Celeste tão simpáticos que foram para nós, a trupe de Fátima, em especial o Zé Augusto Almeida protagonista na história do chupa, o Oliveira que levou por tabela em momento de saída, o Kansas, o Alfredo, o Rui Leitão, o Carlitos, alguns familiares/descendentes... eu sei lá... proponham...
Quer a Som da Tinta edite, quer não edite, gostaria de lá ver o Sérgio, pessoa a quem me habituei a admirar desde os dezassete, dezoito anos e cuja prática só prestigia Ourém.
Reparem, estou a propôr convidá-los para a apresentação, não para a totalidade do nosso convívio, não para serem membros do Poço. Mas, na apresentação, que eu idealizo à tarde, pode haver boa água-pé, uns bolinhos...
Roteiros do Poço
A Teresa, num comentário neste blog, lançou a excelente ideia de criarmos uma memória dos locais por onde passámos na primeira prova.
Estou completamente de acordo e darei toda a colaboração à materialização dessa ideia.
Na minha perspectiva, pode ser um blog para o qual apontem outros blogs de Ourém e pode converter-se em autêntico roteiro para potenciais visitantes da nossa terra, uma espécie de guia turístico ali sempre à mão.
São precisas fotografias e é preciso que alguém ponha em papel a que se referem, eventuais ementas...
Não sei se não poderemos deixar em aberto que, no mesmo local, potenciais candidatos a receberem a nossa visita e apreciação possam participar com a sua mensagem. Acho que sim e, se houver muitos, até poderemos fazer mais do que um convívio no ano e colocar a respectiva apreciação...
Uma lápide nos 20 anos do Poço
O que temos do Poço é recordação de recordação. Isto parece uma redundância, mas a verdade é que estamos a falar de uma coisa que celebra outra, a nossa juventude.
Estou de acordo em perpetuar a nossa memória naquele local em que começa a nossa reunião, mas acho que a lápide é pouco, que tem o perigo de ser destruída quando continuar o processo de destruição da nossa memória que, já prevejo, o vai envolver.
E por que não fazer ali uma rotunda que lembre os nossos actuais encontros, o nosso círculo, não muito grande (um diâmetro de três metros é suficiente) e que ao centro tenha a tal lápide referindo a intenção da nossa presença em tão nobre lugar?
Penso que o Julito é a pessoa mais indicada e melhor colocada para prosseguir este nosso respeitável propósito.
Até breve
Já vi quatro oureenses ligados. Um deles era a Teresa. Hei-de descobrir os outros...
E por onde andará o Skywatcher? Não consigo saber quem é e, ultimamente, desapareceu.
Lembrei-me, agora, que também gostaria de convidar os amigos de outros blogs, designadamente, o Fred, os Paulos, a Joana, o André e o Sérgio do Castelo, a Maria do Cumplicidades, o Santa Cita, o Alma e o 1bigonobalcao para a apresentação que falei lá para cima.
Será que eles veem esta ideia com bons olhos? E os meus amigos do Poço?
E agora, desculpem-me, mas tenho de os deixar.
A manhã já vai avançada.
Tenho de ir preparar um teste para os miúdos. Aqui o pessoal não brinca em serviço, ao fim de um mês nada melhor que um teste para o mostrar. Será no próximo dia 20 o que significa um fim de semana de frustrações mergulhado no papel.
E ainda dizem que não fazemos nenhum...
Oureenses,
a primeira página do Inimigo Públigo, um suplemento do jornal Público, hoje publicado, é um insulto à nossa memória ao associar tão sinistras figuras aos nossos amigos Lone Ranger e Tonto. Eles não mereciam tamanha ignomínia.
Há que redigir o competente protesto!
Anda para aí um carapau de corrida a dizer que vai fazer acesso às contas bancárias dos portugueses, a chatear contribuintes reformados com declarações inúteis, a ameaçar os funcionários com despedimentos e rescisões por mútuo acordo, a cortar sistematicamente nos salários de quem trabalha...
Para cúmulo diz-se convicto praticante católico
Mandei-lhe um aviso.
Pode ser que ele ganhe juízo...
quinta-feira, novembro 11, 2004
Novembro-I
O intervalo que separa duas sessões plenárias do Parlamento Europeu é variável.
Entre a sessão de Outubro e a de Novembro o tempo foi curto.
E a procissão de Durão Barroso, presidente de Comissão sem Comissão, que ia saindo do adro, teve de ser feita a correr para que já na próxima semana as mudanças feitas – duas substituições e uma mudança de pelouro – sejam “julgadas” pelo Parlamento que estava na disposição de votar contra a anterior composição, o que levou DB a evitar a votação e a fazer estes apressados “remendos”.
Disto falarei na próxima semana, após o resultado que não tenho grandes dúvidas que será de aceitação da Comissão que se apresentará, embora o facto político relevante seja o número de votos contra e abstenção, comparados com os de Julho.
Entretanto, tenho andado atarefado com a organização de uma visita de convidados meus – enquanto deputado – a Estrasburgo. E, sendo meus os convidados, a maioria é de Ourém. Pois claro! E quis ter representação das “coisas oureenses”. Do palhete, perdão, do “vinho medieval”, de associações várias, da comunicação social, de jovens. A que se juntarão outros visitantes, vindos de outros concelhos do distrito de Santarém, com alguma preponderância para bombeiros de zonas mais agredidas que Ourém (nestes últimos anos) e uma exposição de 20 fotos dessas calamidades.
Mas não foi fácil arranjar o grupo. Por questões de autorizações, por razões pessoais, por dificuldades várias. Ainda assim, irão 25 de Ourém a Estraburgo, para lhes ser mostrado o Parlamento Europeu, na sua sede francesa, mas também para mostrarem um pouco de Ourém.
Espero que corra tudo bem. E que tragam coisas para contar. Até irão ter o “privilégio” de ir ao PE na semana em que se irá votar a Comissão para que DB deixe de estar nesta situação em que é mas não é…
Até ao fim do ano, haverá ainda duas sessões plenárias, uma mini em Bruxelas e uma “normal” em Estrasburgo. Nesta, deverá ser apreciado o meu relatório sobre a pesca que, entretanto, passará na comissão parlamentar respectiva.
(Escrevo em Roterdão, onde o Grupo está em jornada de estudo)
domingo, novembro 07, 2004
Amanhecer
O castelo visto da minha muralha
O dia vai estar bom.
Ao longe, o Castelo resplandece, parecendo adivinhar a visita que vai ter de tão insignes personagens.
A partir da minha torre, adivinho Ourém por trás daquelas árvores...
Será que os distintos oureenses já estão a pé? Será que já contemplaram o castelo? E tão vulgar que eu fui para ele há uns trinta anos naquela fogosidade revolucionária!
Diz-se que não há distinto que se preze que consiga viver muito tempo longe do castelo ou sem uma janela para o contemplar...
A chegada
Ainda não me viram
Este ano, atrasei-me um bocado. Já há uma série deles à espera, não sou o último, mas também não consegui ver o início da formação do círculo.
Olhem para eles com a Câmara em pano de fundo.
Estes 19 anos envelheceram-nos um bocado.
Pior que isso fizeram os quase cinquenta que nos obrigaram a abandonar aquele tempo de maravilha.
Aproximo-me sorrateiramente. Ainda não deram por mim e já dá espectáculo aquele maluco do Porto a fingir que é a reportagem da SIC.
Mas eis que alguém olha na minha direcção.
Já não consigo passar despercebido...
Olá Luís, ainda bem que vieste!
Mais uma para demolir
Isto sem bica não funciona. O Vitor e o Humberto acompanharam-me a um cafezinho ali perto e passámos Às primeiras impressões.
- Eles tomaram conta disto tudo.
- Olha a torre da tua casa ali à direita.
Mas naquele momento eu levava outra em mente.
Lembrava-me desta casinha, uma das principais inspiradoras dos meus desenhos de infância.
Condenada?
Como está velhinha, quase pronta a abater.
Não sei quantas vezes me sentei nos degraus por trás daquele portão ferrugento aguardando alguém de família que ali estivesse.
Ela deixa-nos chegar o ar puro que vem da encosta, mas alguém já conta o vil metal que a sua demolição eventualmente trará ao ser substituída por um monumental caixote sem graça.
E de quantos jogos de futebol foi ela testemunha naquele largo...
O círculo continua desenhar-se
Quem vem lá?
Os mais retardatários chegam finalmente.
A grande roda aparece tornando-se incomodativa para outros oureenses que precisam de passar por ali.
Olhar Direita!
Atenção!
Aos poucos um sentimento colectivo invade-nos a todos:
Podemos ser pacatos, podemos não ter outras manifestações, mas estamos seguros:
Nós não apoiamos a destruição da memória da nossa Ourém
Chamada
O Julito faz a chamada. Este ano somos menos, mas para o ano voltaremos a crescer.
O lugar que nos espera a todos
Fomos visitar os nossos amigos desaparecidos: o Vítor, o Luís Nuno e o Félix. Um momento sentido com flores e mais algumas palavras.
Eu estendi a minha recordação aos outros dois que também já lá estão e nunca deixarão de fazer parte do meu círculo de distintos: o Zé Manel e o Jó Rodrigues.
A primeira prova
Partimos para a primeira surpresa: Regato, Vilar, Caneiro, Outeiro das Matas, Bairro...
Um receio monumental: será que vamos ser recebidos pelo Presidente?
Nada disso. O nosso destino era a propriedade de um simpático casal.
Lindo!
A natureza humana é algo de misterioso: que poderá ter levado aqueles pessoas a receberem-nos tão bem como o fizeram? E a alegria que eles manifestavam.
Alguns dos habitantes de quatro patas da quinta também eram muito simpáticos. A Li gosta sempre de ser fotografada com eles.
A fera
De guarda às cebolas
Que lindo cãozinho
E ali dentro está o desejado pequeno almoço. Apreciem aquele magnífico inox e, mesmo à nossa frente, as saudáveis chamussas.
A primeira prova
Este ano estavam um bocadinho picantes a mais. Os pastéis de bacalhau esses eram divinais.
E a água-pé? Parece que veio do Manuel Albino. Excelente como sempre.
Para animar ainda mais a rapaziada, o elemento masculino responsável pela recepção levou-nos à prova do seu belo vinho.
Que belo sítio para umas férias
Antes de sairmos, mais algumas fotos e agora aí vamos todos a caminho do almoço mistério. A boa disposição é evidente.
O retorno a Ourém fez a travessia dos Castelos.
Almoço na Botica
Que estranho!
Vim parar àquele lugar onde era a magnífica vinha do padrinho do Rui Temido.
O lugar desperta-me a saudade, mas foi substituída por uma boa causa: ali é a Escola Profissional de Ourém.
Passamos junto aos restos da fonte de Santa Teresinha, do lado esquerdo da rua contemplo o que substituiu a casa onde habitei e espreito na direcção da casa do Zé Quim. Por que é aquele malvado não apareceu?
Esperava-nos magnífico polvo à lagareiro. A primeira prova já ia longe pelo que a refeição assentou perfeitamente bem.
A caminho das Louçãs
E que fazer depois de tão suculenta refeição?
Após algum tempo de espera e alguma caminhada por Ourém alguns decidem-se a ir fazer a prova nas Louçãs.
Reparem nestes dois...
Os conspiradores
Que estarão a conspirar?
Louçãs é uma terra que faz parte dos contos de juventude transmitidos pelos meus pais. O nome lembra vegetação, ar puro, luta pela vida...
Mas a chegada não foi das melhores. Aquele com quem contávamos não estava. Fixei dois pequenos pormenores da zona a merecerem restauro e algum tratamento adequado relativamente a algumas águas fétidas.
A família
Santo António das Louçãs
Há que agradecer ao Manel Albino
Gorada a prova nas Louçãs, reexaminámos alternativas. Alguém recordou a excelente qualidade da água-pé do Manel Albino que nos tinha acompanhado pela manhã.
-Temos de lá ir transmitir os nossos agradecimentos...
Descida vertiginosa direito a Ourém, mais propriamente a Penigardos.
O Manel e a Celeste ficaram todos contentes com a nossa chegada. Como é que as pessoas em Ourém podem receber tão bem?
Pouco depois, tínhamos à disposição magnífico escabeche de petinga, a famosa água-pé e, para quem não ficasse satisfeito, um óptimo tacho de cachola.
Esperar pelo jantar
Lá nos partimos mais uma vez. Agora acompanhados por uns seis distintos oureenses, fomos fechar as janelas de casa que tinha ficado a assolhar durante o dia.
A sede voltou a apertar e houve que satisfazê-la.
Três terríveis mosqueteiros
Por ali não havia boas águas, dada a constante ausência.
Apoiem-me!
Mas fixámos a imagem da presença no local de tão ilustres convidados.
As ilustres visitantes
O próximo ano
O jantar na Botica ainda foi melhor que o almoço. Desta vez, dedicámo-nos a patinho com laranja. Deliciei-me com o dito e com as excelentes batatas fritas.
Terminado o repasto, o Julito informou os participantes da existência deste blog e das constantes referências ao Poço.
Leu-se a mensagem do Luís Nuno.
Não se leu o poema da Ana, porque nos esquecemos de o imprimir.
Ficou uma ideia:
- Luís, tens de arranjar forma de pôr aquilo em livro para no próximo ano fazermos comemoração especial.
Eu aprovo a ideia, darei o meu melhor, já tenho música da época para nos acompanhar, mas a forma de chegar a tão almejado resultado é uma grande incógnita. Esse já era meu objectivo para este ano, mas o preço pareceu-me proibitivo.
Mas ainda há um ano à nossa frente!
quinta-feira, novembro 04, 2004
Vale a pena encontrarmo-nos quando a vida, insensivelmente, procura a cada momento afastar-nos. Sabe bem isto porque significa que naqueles tempos se cultivava a amizade, a brincadeira sã, as pedradas “suaves”, as idas ao dentista “macabro”, enfim, o convívio da cultura “poceira”, a amizade verdadeira que, se calhar, hoje pouco se cultiva.
Por tudo o que fomos, o que sentimos e o que somos ainda, vale um abraço daqueles que só amigos podem sentir!
E voltamos ao formidável encontro do próximo sábado.
O tempo parece estar a compor-se o que dará outro sabor à agua-pé e respectivo acompanhamento sólido.
Tinha prometido algo de especial aos meus amigos oureenses. Aqui fica: um texto do Luís Nuno que ele deixou na minha recordação do I almoço. Mas aquele texto não era para mim. Ele refere a amizade e, como tal, tem de ser estendido a todos os que com ele a partilharam. Aqui fica.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Sem lá ter jogado à bola, ao berlinde, ou à "apanhada", também guardo esta casa como uma das já "poucas" recordações de infância que compõem o nosso ser.
Mais do que uma recordação "ainda viva" esta casa acaba por pertencer-nos, a todos nós, Ourienses, que nela assumem o legado e património da memória colectiva.
A memória colectiva, o património histórico, "o passado", não podem ser "derrubados" por uma qualquer "buldozer", despacho administrativo ou judicial, decisão camarária...
Se há que deitar abaixo são duas coisas.
Uma física. Os prédios que naquelas ruas, contíguas e paralelas, deixaram construir. Qual progresso de uma sociedade moderna? Antes a "tacanhez" de autoridades e gentes locais...
A segunda. Derrubar, vencer, "tirar" da autarquia, aqueles que ainda "lá moram" e permitiram que esta "aldeia" (a de Castela, como a dos Álamos), ficassem descaracterizadas.
Mas há uma coisa que podemos fazer nascer.
Um movimento cívico de defesa do património histórico, cultural, social, que ainda resta no nosso concelho.
Um movimento que "grite" pelas pedras das casas que urgem ser recuperadas. Um movimento que saiba assumir o legados dos "nossos". Um movimento que defenda a nossa identidade cultural... antes que seja tarde...
Já deixámos de ver o jardim junto à Câmara. Este ano, encarregaram-se de acabar com o que existia frente ao Central.
Iremos perder a memória do Largo de Castela? Ou a do cantinho do Ferraz que nos transporta logo para o local onde moraram o Genito e o Duarte?
Iremos continuar a assistir à triste degradação do que foi o saudoso Colégio Fernão Lopes?
Ou virão aí reclassificações como a hilariante realizada no Ribeirinho?
Esta entrada serve para recordar alguns textos que este blog já publicou sobre a nossa Ourém e que este fim de semana poderão merecer alguma atenção.
A casa do largo de Castela
Reconhecem esta obra prima?
Pois esta casinha ainda existe ali bem no início da Rua de Castela e continua a dominar com o seu porte a rua que nos conduz à avenida. Ali se travaram renhidos combates de futebol, pião e berlinde. Há quem sustente que, bem rente ao chão, a 20 centímetros do lado esquerdo da porta principal existiu um buraco que terá ocultado dezenas de bolas de futebol que eram engolidas perante os remates inadvertidos dos jovens jogadores. E que, no seu sótão, existirá possivelmente um saco contendo restos da banda desenhada da década de cinquenta e sessenta consubstanciada em Camaradas, Pajens, Moscas, talvez Mundos de Aventuras, ali deixados inadvertidamente por uma família que a habitou.
Consta que esta casa tinha características notáveis para a leitura e contemplação de banda desenhada. Reparem agora naquela pequena torre do lado esquerdo, quando vista bem de frente, que lhe dá uma solidez singular e única em todo o distrito…
A verdade é que me constou que esta casa também está condenada à destruição por causa do traçado de uma rua, por causa da relação com outras arquitecturas que nasceram tortas. Pode acontecer que assim seja, dar-me-ão um grande desgosto. Mas garanto que se tivesse posses para tanto, adquiriria essa casa, restaurá-la-ia e instalaria lá uma mostra de banda desenhada, resistindo ao seu abate até ao último suspiro.
E acreditem no profeta, a sentença está dada: quem participar na sua destruição, quer seja responsável, executante ou mero colaborador, é condenado à sua reconstrução, pedra por pedra, em local digno da visita de distintos oureenses.
Como é possível?
O Albuquerque esteve aqui. Aqui terá passado alguns dos melhores anos da sua vida. Aqui terá conhecido o primeiro sabor dos SGs, dos Portos, dos Definitivos. Aqui terá dado muitos toques na bola, terá levado muitos colegas mais novos ao poste. E certamente terá recebido a formação que o ajudou a ocupar alguns dos postos politicamente mais poderosos no distrito e no concelho. Apesar disso tudo, nada conseguiu fazer para devolver ao que foi o Colégio Fernão Lopes um pouco da dignidade que ele orgulhosamente ostentava noutros tempos.
Esta escola foi responsável pela transmissão de conhecimentos a muitos jovens de Ourém e de outras terras. Nela trabalharam excelentes professores alguns dos quais para mim constituem uma referência: a Dra. Maria da Nazaré, o Dr. Laranjeira, a Dra Lurdes Moreira, a Dra Maria Júlia, o próprio Dr. Armando quando não estava virado do avesso. E quem não recorda a Boazinha?
Por respeito a toda esta gente, a Câmara devia pensar na sua recuperação e na sua utilização como um local de formação do mais alto nível.
Afinal, ainda lá está. Ali à entrada do local em que iniciávamos a subida da encosta para os moinhos, existia um cantinho muito agradável habitado por uma família muita afável. Ali apoiei o Ferraz em momentos de doença com a audição dos poucos discos que possuia.
À frente do recanto ainda se pode ver a casa que foi habitada pelo Genito e pelo Duarte (filhos do Cabeça Aguda) a qual ainda apresenta um aspecto razoável.
Do lado esquerdo, constata-se a existência de uma pequena fonte, onde muitas vezes os oureenses se dessedentaram, mas a que a incúria autárquica ainda não devolveu a necessária torneira.
Experimentem descer do recanto até ao largo de Castela e sintam um pouco do ambiente de outro tempo. Trata-se de uma rua estreitinha, silenciosa, com uma certa inclinação. Do lado direito há uma bela casa amarela em degradação. Mais abaixo, do lado esquerdo, encontramos a casa do Boas Falas onde habitava o nosso amigo Augusto.
Sintam a minha angústia: será que tudo isto está condenado à destruição?
