sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Sem polícia e sem urgências


Ó denodado povo de Ourém, que mal fizeste ao governo do Eng. Sócrates para assim seres tão maltratado? Ainda não se calaram os ecos do fecho da esquadra da polícia (aqui e aqui) e já se anuncia o fecho das urgências entre as 22 e as 8 da manhã (aqui) .
Agora, se adoeceres durante a noite e quiseres assistência, vais ter que te passear pelas belas estradas que te servem.
Este governo é como Saturno. Mais valia não existir porque só come os seus filhos...
Marca #12: Zeca Afonso

Faz hoje vinte anos que o Zeca morreu.

Já era esperado, mas ainda me lembro da notícia, tal como me lembro da relativa ao Adriano e ao Lennon. Notícias tristes que nos anunciam a partida de símbolos importantes para a nossa geração.

Ao longo destes quatro anos, as canções do Zeca passaram pelo OUREM algumas vezes acompanhadas por pequenas referências.

O Público anuncia a realização por todo o país de uma série de homenagens. Aqui fica mais uma: o Zeca perpetuado para sempre no OUREM com um pequeno texto e uma foto que traduz como o vimos: indissociável do 25 de Abril.
Marca #11: O Castelo

No meu tempo, dizia-se “Castelos”, isto é, qualquer referência ao local e às muralhas aparecia no plural o que, sei, não agrada muito a alguns dos seus habitantes que associam à referência um sentido pejorativo.
Diz-se que nenhum oureense que se preze gosta de estar separado mais do que uma semana do seu castelo. Isso acontece comigo que já amaldiçoo uma ausência que vai para cima dos dois meses prolongados por este tempo nada convidativo.
Os Castelos foram para mim lugar de ilusão e decepção, contemplação, deslocação e fruição.
Houve momentos em que não reconheci a sua importância e tive daqueles textos em que acabei por ser o bombo da festa. Mas já lá vai...
Noutros, tinha aquela sensação que andando em aproximação a Ourém, de todo o lado o Castelo se avistava, mas mostrando um aspecto diferente. Era o quilómetro 110, a descida de Alvega, a panorâmica de São Sebastião, a visão a partir da praça. Alguém lhe chamou então “o castelo maluco” devido à sua transformação em aparência constante.
Aqui fica a marca para uma revisita mais fácil ao que nos ocorreu dizer sobre ele neste espaço...
Em Honra do Presidente - 1

Sabendo da sua atração pela Arte, o OUREM deixa aqui, dedicado ao anunciado Presidente, parte do álbum de fotografias de Branca Flor:








quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Nos 20 anos da morte de Warhol




O Público brinda-nos com um artigo sobre o seu lado negro.
Eu deixo-vos um apontador para imagens da sua obra na Web.
Marca #10: Colégio Fernão Lopes


Houve um momento em que um oureense contestou a ligação que nutríamos à escola que nos acompanhou uma série de anos com um argumento do tipo: “Não valia nada. O que nos ensinava tinha, no fundo, o intuito de nos explorar, de ficar com o pouco dinheiro que os nossos pais ganhavam”.
É terrível esta lógica que leva a não reconhecer valor àqueles que prestam uma actividade remunerada que é útil a outros. Como se isso não se passasse em todos os ramos de actividade económica.
Ao mesmo tempo, tal argumento não deixa ver que, na época, o CFL era a hipótese única de se avançar nos estudos e fazer o primeiro ano, o segundo,... sem ser explorado por um produtor de serviços de habitação em Leiria ou noutro local mais afastado, permitindo-nos estar junto à família numa idade em que isso era importante.
E quanto a professores, eu desafio que me apontem escolas onde, globalmente, fossem melhores, isto para não citar casos individuais como o da Dra. Nazaré, do Dr. Laranjeira ou do próprio Dr. Armando quando não estava com os azeites e nos conseguia fazer ver História apenas com as suas palavras...
Talvez seja, no entanto, esse argumento que, banalizando a importância que aquele local teve para a nossa geração, permita a sua lenta mas constante degradação, sem uma acção para a sua recuperação, transformando-o numa espécie de “Colégio de triste destino”.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Oportunidade para acabar com Síndroma Orelhas Moucas?

Vitor Frazão (VF) ganhou as eleições para a concelhia do PSD com 61% dos votos expressos. No Castelo, acesa polémica questiona a capacidade de gestão do nóvel candidato à liderança da Câmara.
Devo dizer que não percebo as desconfianças das pessoas.
VF teve capacidade para convencer o seu eleitorado interno e ganhar. Nesse sentido, foi mais competente do que Moura e do que a simpática presidenta, nada indicando que as coisas se alterariam na gestão da Câmara pela irreverência ou juventude deste candidato. Assim, se vier a ganhar as eleições autárquicas, VF tem todo o direito de exercer a presidência da Câmara, independentemente dos preconceitos que as pessoas tenham relativamente a ele. O importante será o seu programa e a capacidade de o pôr em prática e, desde já, ansiamos por ver umas linhas sobre as suas intenções relativamente ao nosso concelho. Este humilde blog curva-se e põe-se, desde já, à disposição de VF para a sua publicação.
Uma coisa sabemos: ele não se esquiva a cumprimentar e falar com as pessoas quer sejam ou não seus adversários políticos.
Do lado do OUREM, pode contar com uma oposição séria e colaborante sempre que da sua acção se detectem benefícios para a nossa terra.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Um Carnaval prolongado

Alberto João Jardim demitiu-se de Presidente do Governo regional da Madeira.
Pretende, assim, forçar à realização de novas eleições que estendam o seu poder despótico (bem visível nas referências de mau gosto que fez aos seus opositores) até 2011 e permitam a procura de uma resposta à escassez de transferências gerada pela nova lei das finanças locais, resposta que agora já vê no investimento privado e na entrada de capital estrangeiro.
Diga-se, em abono da verdade, que as opções de Jardim, atendendo ao seu ideário assente na adoração da iniciativa privada, pecam por tardias. Há muito tempo que deveria ter deixado de chantagear o poder central para financiamento do seu pavoneamento em momento de eleições sem real contrapartida nas condições de vida da população.
Assim, longe de estar em causa qualquer sentimento de libertação madeirense ou a melhoria das condições de vida da população, o que Jardim procura - com o tonto do Ganda Nóia a apoiar - é quem lhe suporte o crescimento do negócio e a manutenção no poder. Por isso, o Carnaval madeirense vai continuar.
Marca #9: Bombeiros

Habituei-me, desde muito pequeno, a nutrir especial admiração e respeito pelos bombeiros da nossa terra, cujos feitos eram falados nas nossas famílias e conversas de juventude.
Talvez por isso, uma das minhas primeiras façanhas (que me valeu monumental sova) foi tentar deitar fogo à casa do Largo de Castela, a partir da caruma armazenada numa sala ao lado da cozinha, apenas com o objectivo de ouvir a sirene e os ouvir chegar com o som característico.
A partir de então, a minha atitude manteve-se e ter um grande amigo no seu comandante enche-me de orgulho e diminui aquela sensação desagradável de ver pouco a pouco a Ourém do meu tempo desaparecer.
Aqui fica mais uma marca dedicada a eles...

domingo, fevereiro 18, 2007

Fadunchinho
Hélia Correia


Amigos!
amigos rendi-me ao fado
se é fado
que mais podia eu fazer?
havia
na minha voz um trinado
que já pertencia ao fado
muito antes d’eu me render

Andámos
de candeia às avessas
devagar ele, eu às pressas
ele a chorar, eu a rir,
morámos
cada qual em sua casa,
nem me arrastava ele a asa
eu nem o podia ouvir

ele era
galaró de pena e crista
que eu queria longe da vista
e longe do coração.
À espera
no tal amor mal amado
julgando cair no fado
caía a mulher no chão

o fado,
por amor a mim mudou,
amigos,
ouçam-me agora cantar,
o fado,
gosta de mim como eu sou
e eu confessou que me estou
já prestes a apaixonar

Amigos,
Amigos rendi-me ao fado,
e o fado
também a mim se rendeu,
que o fado foi fadado em pequenino
vinha escrito no destino
que o seu destino era meu.


Oiça Fadunchinho por Amélia Muge (do album Não sou daqui)

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

De-Cisão à vista?




Quem ganhará?
- O fotogénico?... ou o de gema?
- O sózinho?... ou o acompanhado?
- O da Ângela?... ou o da Deolinda?
- O velho?... ou o novo?
- O da espera sentado?... ou o da espera nos corredores?
- O dos interesses imobilistas?... ou o gestor do imobilizado?
- O agente do patriarcado?... ou o homem da tecnocracia?
- O garanhão da serra?... ou o serrano de moura?

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O PEPAL chega mesmo a Ourém?

O PEPAL é um Programa de Estágios Profissionais na Administração Local cujos procedimentos de lançamento, recrutamento e selecção dos candidatos devem ser realizados com a diligência necessária para assegurar o início dos estágios até o dia 31 de Março de 2007.
Objectivos, vagas, mais informações podem ser consultados aqui pelos amigos oureenses.
Estranho é o facto de a câmara de Ourém, à semelhança aliás de muitos outras autarquias, nada ter publicado sobre as três vagas abertas. Será que as coisas vão ser processadas sem se saber nada cá por fora? Será que o concurso aos estágios é só para alguns? Ou será que, apesar de saberem que têm as vagas, não sabem onde?
É claro que estes estágios têm grandes limitações. Basta ver o que o Diário de Notícias anuncia hoje para os estágios na Administração Central que três mil jovens iniciaram o ano passado. Mas é capaz de ser uma boa experiência para a miudagem e um alívio ainda que temporário para os orçamentos familiares.
Já agora, pode dizer-se que, à volta de Ourém, as vagas não são de desprezar: Tomar – 16, Alcanena – 9, Torres Novas – 13, Marinha - 13, Nazaré - 31 (!!!). Já imaginaram a maravilha de estagiar 1 ano na Nazaré? Ai se eu tivesse disto no meu tempo...!...
Assim, aqui fica o apelo do OUREM ao presidente David: "Senhor presidente, bote cá para fora informação sobre os estágios...".
Marca #7: Largo de Castela

Muitos dizem: "É pá, Luís, o Largo de Castela é lá para cima, para a zona do cemitério". Pode ser, mas essa é uma designação meramente formal que nada tem a ver com a realidade histórica e estórica. Perguntem ao pessoal do meu tempo.
Refiro-me ao Largo de Castela considerando aquele espaço, hoje mui estreitado, que fica na confluência da Rua da Olaria com a Rua de Castela. Espaço de mil brincadeiras, jogos de futebol, pião, berlinde... espaço onde terão decorrido muitas das nossas estórias.
Hoje, o Largo de Castela está condenado à degradação e destruição, fruto da selvática política dos nossos autarcas. Mas há memória dele - alguma até em publicações que o OUREM apadrinhou - e, por isso, enquanto este blog não desaparecer, e pode ser que dure muito mesmo depois do seguro fim da sua manutenção, ela (a memória) com certeza manter-se-á.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Há noites em que um jovem não devia sair de casa

O PedroL fez o último exame para concluir a sua licenciatura.
Decidiu jantar fora e passear pelo Bairro Alto para descontrarir. Levava a sua carteira com uns vinte euros, o cartão Caixa/Universidade, o BI, o cartão de contribuinte, um euromilhões de 2 euros fugaz esperança para desempregos anunciados, o passe para viajar de comboio e se deslocar por toda a Lisboa.
Visitou várias capelinhas...
A certa altura foi buscar cervejas para os amigos. Como não cabia tudo na mão, a carteira ficou em cima do balcão e ele nunca mais se lembrou dela.
Chegou a casa perto das quatro da manhã. Mão no bolso, alertou-o imediatamente da perda.
Anular o cartão de débito foi fácil. Repetir despesas em viagens também. Mas a visita ao posto de polícia foi martirizante. Parecia que o agente estava ali e ninguém lhe pagava. Bufava. Sugeria que não se apresentasse queixa. Ameaçava com atrasos caso as coisas reaparecessem. Que bela imagem do serviço público!
Decorreu um dia, dois...
A certa altura, uma mensagem: “vou deixar a tua carteira na banca de jornais no início da Rua da Atalaia”.
Ontem, lá fomos buscar a carteira. Estava quase tudo, o principal... nem sinal do dinheiro nem do papelinho do euromilhões.
É extremamente profissional a nova geração de amigos do alheio...
O rei do Fisco

O Dr. Paulo Macedo é, com certeza, um grande agente do sistema fiscal. Não quero pôr em causa, de maneira nenhuma, a justeza do seu vencimento de 23000 euros mensais. Já não vou tão longe em relação ao facto de ganhar mais do que o Primeiro Ministro, tão amigo que este se tem vindo a mostrar de operários, professores, desempregados e reformados, para além de ser escrupuloso cumpridor de promessas eleitorais.
No entanto, não posso concordar com a ideia de indexação do vencimento daquele sagaz agente do fisco relativamente à eficência da máquina fiscal. É que acaba por se convencer o homem que quanto mais continuar a encher os cofres do Estado maior será o seu vencimento e, nessas condições, ele não deixará de procurar novas medidas para atasanar os contribuintes. Reparem, por exemplo, no anúncio da penhora das rendas dos senhorios que devem ao fisco, mas posto em prática através da sua entrega pelos inquilinos, isto é, recorrendo a um agente que, no fundo, nada tem a ver com o assunto, perturbando-o, criando-lhe dificuldades, quiçá, aterrorizando-o. Tal solução nem lembraria ao Diabo – aqui tomado como suprema encarnação do Mal Absoluto.
O Governo do Eng. Sócrates tem-se vindo a manifestar mestre na arte de virar uns portugueses contra outros. É senhorios contra inquilinos, é reformados contra activos, é privados contra a função pública, esta eleita bode expiatório de todos os males do país e da sua fragilidade empresarial.
Mas onde se manifestam as insuficiências da nova estrela fiscal é num aspecto da relação do fisco * contribuinte. Não existe qualquer medida que premeie os cumpridores. Há mais de trinta anos que cumpro regularmente as obrigações fiscais e nunca tive uma palavra de apreço do sistema fiscal. Entreguei Imposto Profissional, Imposto de Transacções, Imposto Complementar, IVA, IRS, IMI, nada tenho que me apontem. Esta segunda-feira, mais uma vez, lá fui entregar o IRS (desconfiado que sou das declarações electrónicas): a senhora que me atendeu ficou banzada com a perfeição do preenchimento. Sorriu. Respirou. Mas, quanto a prémio... nada.
Assim, perante alguém que tem uma perspectiva enviezada da relação com o contribuinte e que é pago com o seu dinheiro eu só posso concluir que o Governo não deve ceder a manter aquele profissional com aquele vencimento.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O troglodita anónimo voltou a atacar

Depois de ter deixado um rasto significativo em alguns blogs de oureenses, uma alimária que se assina "Anticomunista Primário" veio deixar a sua peçonha no OUREM.
Tirando este post, não lhe vou ligar patavina, até serve para aumentar o número de comentadores que o OUREM exibe. Não vou inibir nem moderar comentários. A besta que se reveja na qualidade dos escritos que produz...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Marca #6: Zé Quim

Mais uma vez, do grande Dicionário Castelaico-Oureense retirámos a definição seguinte:

Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.

Durante anos, foi fácil encontrar em OUrém o Zé Quim. Agora, é bem mais difícil. Não, não é só a questão de, quase aos sessenta, estar desterrado em busca da subsistência. Acontece com ele o que tem vindo a acontecer com alguns que conheço: são vítimas do desencanto de assistir, impotentes, à destruição da terra que conheciam. Para não o verem, recusam-se a aparecer...

domingo, fevereiro 11, 2007

Nada de novo no concelho de Ourém

Com uma abstenção na ordem dos 48%, e votos expressos de 34,4% no SIM e 65,5% no NÃO, o concelho de Ourém mostrou-se na sua tradicional linha de contrariar as grandes tendências nacionais.
A nível de freguesia, os resultados não são mais do que os esperados. Vitórias do SIM em Alburitel, Seiça e Nossa Senhora da Piedade; vitórias do NÃO, em todos os outros com um máximo de 84,4% na Ribeira do Farrio e outros resultados esmagadores na Freixianda (80%) e Fátima (72%).
Os resultados podem ser vistos aqui.
Pois eu creio que é vinculativo

Já ouvi comentaristas a desvalorizar a vitória do SIM argumentando com o valor da abstenção.
Na sua perspectiva, o resultado seria vinculativo se fosse >= a 50% e ganharia a opção que tivesse mais de 50%.
No entanto, uma abstenção de 44% e um SIM de 61%, resultados considerados de acordo com a previsão da Católica, significam que mais de 27% dos eleitores votaram no SIM, valor superior ao produto dos dois valores mínimos anteriores. Por outro lado, isto significa que, mesmo que tivessem votado 50% dos eleitores e os votos que faltam para chegar aos mesmo fossem para o NÃO, este não conseguiria ganhar.
Portanto, o que há a fazer é respeitar os resultados e actuar de acordo com eles: despenalizar, não vexar, assistir...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

SIM

Pelo não à penalização, ao vexame, ao negócio clandestino, à hipocrisia, ao cinismo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Marca #5: Sérgio Ribeiro

Talvez não haja oureense por quem eu tenha sentido mais admiração durante tanto tempo como o Sérgio. A estima, essa, é bem mais recente pois só o conheci pessoalmente há três ou quatro anos durante uma sessão na Som da Tinta sobre blogs.
O Sérgio influenciou a minha formação e desenvolvimento. Quando estudei, os seus textos estavam lá, quando as porta da prisão se abriram com Abril, ele saiu por elas, depois continuei a seguir sempre o seu percurso.
No início do OUREM, muitas vezes, postava alguma coisa de que ele discordava e logo surgia, com aquela bondade que o caracteriza, mas com firmeza, uma observação dele do tipo "temos de falar". Há alguns textos dele cuja única publicação é do nosso blog.
Sei que o Sérgio anda às voltas com um troglodita anónimo. Eles bem sabem a quem hão-de chatear, por alguma razão não vêm a este inofensivo blog. Mas o Sérgio tratará dele com toda a sua capacidade.
Tudo isto para vos deixar com a marca deixada para este nosso amigo que dividi em duas para melhor consulta, dedicando uma por inteiro ao Parlamento Europeu.
Nota: com quase toda a certeza, ainda não me foi possível indexar tudo o que diz respeito ao Sérgio no OUREM, mas isso será feito com o tempo.
O trabalho das câmaras

Aproxima-se o início de novo semestre e tenho de reatar o trabalho das câmaras que tanto me motivou o ano passado.
Já me disseram que há alunos tão desejosos da disciplina que estudam antecipadamente a matéria. Não acreditam, pois não? A mim também me custa um pouco.
Pelo meu lado, já fiz algumas coisas para lhes facilitar a vida. Por exemplo, tentei diminuir o esforço deles já que, o ano passado, abusei no segundo trabalho. Vou organizá-los de modo diferente para não haver passagem de elementos de um ano para o outro. Vou alargar as funcionalidades procuradas. Vou, finalmente, fazer uma abordagem às regiões digitais.
E lancei, de novo, um inquérito às câmaras em que pretendo conhecê-las melhor. Chamei-lhe "Inquérito aos Municípios de Portugal". Fui educado na abordagem. Usei o símbolo da escola, para mostrar que estava suportado em entidade com idoneidade. Já fiz duas tentativas. Não calculam a quantidade de endereços de email que não servem para nada. Mas, das mensagens que passaram para o lado de lá, apesar de tudo, muitas, poucas respostas ainda tive: apenas 43. Sei que é melhor que o ano passado, mas é uma pena que o espírito de colaboração dos nossos autarcas se mantenhas nestes moldes. Com atitudes deste género, bem merecem a lei que o nosso magnífico presidente ontem promulgou.
Nem sei se meta uma cunha para a nossa câmara. O problema é que, se ela responder, fico com menos razões para dizer mal dela.
Talvez a WindRose pudesse dar uma ajuda e apertar com eles... uns malvados que não sabem apoiar uns humildes estudantes de Economia.
Aparição...

... é só para dizer que o gatinho branco e preto já reapareceu.
Mal o Sol aqueceu o ambiente, apareceu-me aqui à frente, no muro que separa a estrada do jardim, rebolando-se e aproveitando para lavar as patitas.
Enfim, o dia vai melhorando...
Que manhã!

Quando as coisas começam a dar para o torto, é sinal certo que não vão ficar por aí.
Tal como esperava, o partido socialista já deu sinais que vai inviabilizar a proposta do BE e do PCP relativamente ao subsídio de desemprego para docentes do ensino superior. Não me interessa aqui a fundamentação da recusa. A verdade é que já há pessoas nessas condições, sem qualquer apoio, o que é indigno de um partido que se diz socialista. Eu já sabia do seu insatisfatório socialismo, mas não calculava que chegasse tão longe, possivelmente será para dar razão às declarações do ministro Pinho, na China, logo seguidas da correcção de Sócrates que afirmou que a pauperização não se referia à mão-de-obra desqualificada, mas a gestores, engenhores e outros quadros. Na verdade, assim constituirão facilmente um exército qualificado de reserva para o empresário chinês utilizar...
Mas não foi só isso.
Pelas seis e pouco, fui abrir o esquentador e nada: o diabo da chama não se aguentava à frente do pavio. Meus amigos, para estar aqui convosco e poder algo postar tive de tomar banhoca gelada. Podem crer que, para um velhadas com quase sessenta, não é lá muito agradável.
Chegado à rua, é esta tempestade que se vê. Todo tapado, vim por aí acima, água a entrar pelos miseráveis sapatos e a empapar as calças e as meias. Quem paga este sacrifício, quem é? Para cúmulo, o gatinho branco e preto não estava na árvore do costume. Pobrezinho, deve estar todo molhado nalgum buraco a ver se as condições melhoram...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Marca #4: o Avião

Do grande Dicionário Castelaico-Oureense retirámos a seguinte definição:

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Mas o Avião não foi apenas isso. No final dos anos 60, início de 70, dedicou-se com o Zé Alberto e a colaboração de outros excelsos oureenses à criação e utilização dos Estúdios Trine, aproveitando o espaço propiciado por uma relação próxima com a direcção do Notícias de Ourém.
Mais recentemente, o Avião, pés devidamente assentes na Terra, contribuiu decisivamente para a construção do OUREM, trazendo-nos as suas memórias em vários capítulos e ajudando a suportar a manutenção do blog por várias semanas. Foi assim, a par do Sérgio, do Zé Quim, do Julito e de alguns outros, um dos nossos obreiros. Os seus textos, após modificação de formato, foram incluídos na nossa primeira publicação: o VOL I do Ourém em Estórias e Memórias.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Crónica da rejeição anunciada

Parece que amanhã a Assembleia vai, de novo, discutir a matéria “Subsídio de desemprego para docentes do ensino superior” a partir de proposta ou propostas do PC e do BE.
Num momento em que muitos reitores parecem estar dispostos a utilizar a arma do despedimento para equilibrar o orçamento (há rumores relativamente ao Minho e ao Algarve), esta iniciativa não deixa de ser de saudar embora se anteveja a sua fácil rejeição pelo partido que apoia o governo – o tal que se auto-intitula de socialista.
É pena que, num país onde tanto se fala em igualdade de direitos, quando essa igualdade se traduz em dar algum apoio aos que vão atravessar um mau momento, a atitude do partido dito socialista seja a arrogância da rejeição disfarçada em quiméricas promessas de bolseiros de investigação. Possivelmente, para não haver privilegiados, qualquer dia corta o dito subsídio a todos os outros.
Marca #3: Gatos

Os últimos dias têm sido dedicados à vigilância de exames e a algumas correcções. Uma actividade muito consumidora de tempo, aborrecida, cansativa, irritante (pelos disparates que não conseguimos evitar em devido tempo).
Há pouco, vinha por aí acima, apreciando uma manhã agradável, talvez um pouco fresquinha, e pensava no que haveria de postar para manter o blog com algum movimento. Estava difícil, mas...
... a certa altura, em cima de uma árvore, não empoleirado nos ramos, mas numa saliência que mais parecia construída por mão humana, dei com ele...
... um magnífico gato, branco e preto, tal como os adoro desde pequeno, dormitava, descansava, alheio a todo o movimento que já havia à volta, talvez protegido pelo muro que rodeia este jardim.
Recordei então que, desde pequeno, tenho enorme paixão por esta bicharada e resolvi criar mais uma marca para alguns posts dedicados a estes amigos. Não está completo, sei que não consegui identificar todos aqueles em que me dediquei ao tema. Mas consultem-nos...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

O voto do OUREM

Dirão os meus amigos que nada tenho a ver com o voto no interior do PSD. Quero lá saber, o que vai acontecer será decerto importante para Ourém e, nessas condições, mereço uma opinião.
Este homem é fotogénico.
Nota-se que sabe do que fala.
Cumprimenta as pessoas.
Não se furta à resolução de questões que envolvem pessoas de partidos diferentes.
Não é, com certeza, violento.
Tem o apoio do capital religioso.
Tem o seu quê que faz pensar que gosta do sexo oposto.

Por isso, no embate que vai travar-se, o OUREM está por Frazão.
Viva Vitor Frazão!
O verdadeiro garanhão da Serra d'Aire

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Marca #2: Café Central

O Café Central foi o café da minha infância e, na adolescência, partilhou essa qualidade com o Avenida.
Foi-o também para muitos oureenses que, à quinta-feira, lá para os finais da década de quarenta, deparavam com um Mundo de Aventuras em formato antes nunca visto e faziam bicha à espera da sua chegada com a distribuição do correio.
Para mim, foi o café de muitas partidas de bilhar, onde ia buscar o Cavaleiro Andante e outra BD sempre cuidadosamente expostos. Foi o café onde vi o Benfica dar difícil lição ao Barcelona na final da taça dos campeões.
Também lá, um dia, o Dr. Armando me pediu desculpa (!) de uma (injusta) sova que me tinha pregado.
O café do cantinho dos doutores e do nosso ar comprometido quando passávamos à frente deles. O café de pessoas magníficas como o Joaquim Espada, o Manuel, o Adelino e o Vicente... (e possivelmente outros que não recordo)
À frente, os taxis dispunham-se ordenadamente em torno da praça do tal jardim...
Por tudo o que foi para nós justifica plenamente um marcador para algumas passagens aqui do OUREM.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Sem pio

Parece que anda para aqui uma série de blogs cuja consulta termina em erro de código bX-vjhbsj: este, o anónimo, o albergue, o elvira...
é sabotagem, com certeza encomendada pelo Orelhas Moucas... valha-nos o Miradouro para nos revermos.
Voltar a bons tempos

A utilização de blogs e algumas destas funcionalidades fazem-me lembrar aquela informática por onde passei há uns anos e que tenha piada tremenda.
Comecei com o cartão perfurado e com máquinas de que já nem sei o nome: leitora, perfuradora, intercaladora, separadora,... relativamente ao computador propriamente dito, um Univac 1005, tinha de ter em papel um desenho de ocupação da memória e fazer uma gestão rigorosa da mesma para um simples programa. Foi a fase mais engraçada da vida profissional.
Depois, passei às máquinas com discos e bandas magnéticas e utilização de terminais. Fiz centenas de transacções: pequenos programas do tipo lê um - despeja no ecran - recebe altaração - confirma - altera - ou insere um...
Um programa para ficar feito tinha de ser sujeito a um processo de compilação, uma espécie de chamada de rotinas e tradução de "símbolos mais perto de nós" para "simbolos da máquina". Ora, a compilação faz-me lembrar, nos blogs, a publicação.
Mas, reparem, com o tempo foi possível criar indices sobre os ficheiros: estes, inicialmente apenas sequenciais, passaram também a poder ser directos (ir directamente para um registo identificado por exemplo por um número), sequenciais indexados (posicionamento num registo de acordo com o indice e leitura em sequência...). Já repararam na semelhança com as nossas marcas? Eu crio a "marca" sobre vários registos, quando faço acesso a ela, vejo todos os registos (todos não é bem assim: parece que o Blogger só mostra os últimos 20). É formidável...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Marca #1: Luís Nuno

A primeira marca que aqui deixamos é dedicada ao nosso querido amigo Luís Nuno, desaparecido já há alguns anos.
O Luís nasceu e brincou no Largo de Castela. Durante mais de uma dezena de anos tive o prazer da sua companhia quase diária o que nos tornou como que uma espécie de irmãos. Recordá-lo aqui, no blog, é sempre algo que me comove bastante, mas que me dá a sensação de ele estar connosco.
Haveria muito a dizer sobre o Luís. Um dia, a Teresa prometeu fazê-lo, mas eu acredito que lhe seja especialmente difícil. Mas não duvido que, um dia, teremos esse texto.
Para já contentem-se com este marcador que aponta para páginas algo desorganizadas mas que, agora, estão mais longe de se perder.
A moda do “marca, marca”

Vem o novo Blogger com outras funcionalidades a que, pouco a pouco, me vou habituando e tentando explorar.
Há muito que andava a sentir necessidade de pôr alguma ordem no OUREM. Esta tornou-se tanto mais premente quanto a inspiração e a motivação foram desaparecendo. Sou sempre o último a alinhar nas modernices: actualizei o blog para a nova versão há dois ou três dias porque a isso fui obrigado pelo generoso acolhedor, telemóvel não uso, cartão de multibanco também foi difícil. Por outras palavras, resisto à mudança... mas uma vez lá, ponho-me a explorar coisas.
Claro que esta funcionalidade do Blogger já a encontrámos no Castelo há muito tempo com as suas categorias. Mas eu estou deliciado com a possibilidade de ir rever os posts todos e poder aplicar-lhes marcadores. Já estou a ouvir aquela engraçada e loirinha oxigenada cantadeira: “ele olha para o post e marca, marca... ele publica o post e consulta a marca...”.
Desta já peço desculpa aos utilizadores do Miradouro: ainda vai ser pior que o bombardeamento da Elvira há dois dias (segunda-feira, 29), quando publicou o livro de receitas todo, pois são quase 2500 posts. Mas eu prometo ir pouco a pouco todos os dias...
As marcas, essas, serão muitas e variadas: Sérgio Ribeiro, o largo de Castela, o 25 de Abril, Café Central, Autárquicas 2005, presidente David...
Depois, acho que vou mudar o formato do blog. Aquela cauda, ultracomprida quando nada há para dizer, ali à direita, anda-me a irritar. Vou susbstituí-la pelos marcadores, deixando uma ou duas coisas e os apontadores para outros blogs...
Mas isto é tarefa para muito tempo e, como tal, irá sendo acompanhada por um descritivo quase diário e pelas ocorrências normais. Portanto, o OUREM arranjou matéria para subsistir mais uns tempos...

terça-feira, janeiro 30, 2007

Tributo ao presidente David

Afiam-se as facas, contam-se as tropas. O esperado abandono por parte do famoso autarca já faz delinear estratégias entre algumas das figuras mais conhecidas do panorama político oureense. Quem irá continuar a maldição de Orelhas Moucas? Vitor Frazão? João Moura? Luís Albuquerque?
O resultado do embate não parece pacífico, mas uma coisa é certa: Ourém pode rejubilar por esta figura se afastar, já que nunca alguém fez tão mal pela nossa terra, embora não se possa esperar grande coisa dos vindouros.
A passagem de David por Ourém não deve ser esquecida. Por isso, seria interessante pessoas como Sérgio Faria, Sérgio Ribeiro, Rosa do Ventos, Frederico Marques, Marco Jacinto e outros analisassem a sua prática ao longo destes anos e comentassem a sua política de urbanismo, o apoio à cultura e ao desporto, a relação com a oposição, o seu pragamatismo, a política de ambiente e, sei lá, tantas outras áreas em que foi fértil a discordância com ele.
Ou será que, mesmo numa perspectiva de "como não fazer", ainda é dar-lhe excessiva importância?

segunda-feira, janeiro 29, 2007

As publicações do OUREM


Ao longo de dois anos produzimos quatro elementos de um projecto que designámos por "Ourém em estórias e memórias". Façamos aqui um pequeno inventário e uma referência aos mesmos:

Ourém em estórias e memórias - VOL I
Trata-se da publicação de um conjunto de textos que retratam aspectos da juventude oureense dos anos 60 e do sabor amargo que resulta da visão de uma Ourém progressivamente maltratada pelo poder local, em degradação e destruição.
Tiragem: 50 exemplares.
Situação: esgotado


Ourém em estórias e memórias - As canções
Recuperámos do vinil, procurámos na Internet e, nos casos mais fáceis, retirámos de produções actuais 25 canções que nos acompanharam e que muitos teimam em não esquecer. Posso garantir que não existe edição comercial de algumas delas no nosso país. Podem encontrar aqui o guia de audição.
Tiragem: 40 exemplares.
Situação: esgotado.

A história triste de Branca Flor
É uma incursão no campo da ficção: povoámos Ourém de pessoas, algumas com singular semelhança às que já conhecemos, e resolvemos escrever um disparate.
Branca Flor era uma menina, linda e bricalhona, nascida em Ourém na década de quarenta que foi violada, açoitada e abusada por algumas das figuras mais importantes da vida política, económica e cultural do seu tempo. Ela dá-nos uma resposta para a razão da maldição Orelhas Moucas que tem vindo a caracterizar o poder em Ourém. Encontrou o amor da sua vida, mas foi tarde demais: apareceu morta, com uma faca espetada no coração, num banco da praça frente ao Café Central. As causas da sua morte nunca foram esclarecidas e este livro procura dar uma contribuição para a sua descoberta.
Tiragem: 50 exemplares.
Situação: em análise pela comissão de ética e bons costumes. Prevendo a sua apreensão, alguns exemplares já foram distribuídos a figuras chave da nossa terra.

Poemas entrelaçados com estórias da nossa Ourém
Andava a prometer o segundo volume do "Ourém em estórias e memórias", mas não conseguia gostar do resultado. Lembrei-me então que tinha andado a reunir alguns poemas, alguns já publicados outros não. Colocá-los no final do livro não ficou bem. Resolvi então utilizá-los como introdução a um conjunto de textos e achei piada ao resultado.. que aqui está.
Tiragem: 5o exemplares.
Situação: em distribuição.

E agora... que mais enccontraremos para fazer em Ourém?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Guia da produção viável

Sedento de dar a conhecer ao mundo os meus escritos, dirigi-me às editoras. Mas a resposta não foi satisfatória: “os seus livros não têm interesse literário nem comercial”.
Que havia de fazer, ao menos para ter a ilusão de que algo produzia? Pensei na produção por conta própria, mas o seu preço era proibitivo: apesar do avanço tecnológico, só é economicamente interessante a partir dos mil exemplares e havia que contar desembolsar mais de 2000 euros. Para quê tantos, se não há quem os distribua, se não interessam a ninguém?
Veio então a ideia: Literatura de Agrafo...
Desde que o livro não seja muito gordo e que, numa A4, se consigam pôr duas páginas (O Word pode...), é possível produzir através da fotocópia. Reparem, um livro com 80 páginas, nessas condições, fica reduzido a 20 folhas. E como imprimi-lo? A página 1 deve casar com a 80, a 2 com a 79, e assim por diante... fazer a impressão das páginas duas a duas de forma que a sua numeração dê o total de páginas mais um. Depois, é fotocopiar, frente e verso, juntar, pôr a capa em cartolina, dobrar, agrafar e acertar as pontas...
... pronto, não tem aquela lombada bonita com o nome, mas o aspecto é excelente...
No total, um livro com 80 páginas, transforma-se em 40 fotocópias mais uma. Se quiser 50 exemplares, chego às 2050 fotocópias que a 3 cêntimos me garantem um custo um pouco acima dos 60 euros. Se juntar mais um euro por exemplar para as actividades finais, tenho um orçamento que me viabiliza a produção. Com a vantagem de, se precisar de mais alguns, o custo é totalmente variável...
Olho embevecido o livrinho de título “Poemas entrelaçados...”. Já tenho mais uma coisa para torturar os meus amigos...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Poemas entrelaçados..., 16
Porta #14: Tudo o que nasce morre e renasce sob outra forma

É altura de fechar, a referência já vai longa, há que saber mudar para continuar. Escolhi, para terminar o livrinho, um texto relacionado com uma passagem da infância, cuja primeira forma está aqui. Depois, introduzi-lhe pequena mudança que tem a ver com aquele subtítulo e que nos deixa questões não só sobre o nosso destino mas também sobre a nossa terra: haverá possibilidade de ela renascer das cinzas em que anda a ser transformada?
Confesso que não sei, por isso é altura de vos deixar esta "Torre de Névoa".


Torre de Névoa
Subi ao alto, à minha Torre esguia,
Feita de fumo, névoas, e luar,
E pus-me, comovida, a conversar
Com os poetas mortos, todo dia.
Contei-lhes os meus sonhos, a alegria
Dos versos que são meus, do meu sonhar,
E todos os poetas, a chorar,
Responderam-me então: "Que fantasia,
Criança doida e crente! Nós também
Tivemos ilusões, como ninguém,
E tudo nos fugiu, tudo morreu!..."
Calaram-se os poetas, tristemente...
E é desde então que eu choro amargamente
Na minha Torre esguia junto ao céu!...

Florbela Espanca

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Poemas entrelaçados..., 15
Porta #13: O tempo ajuda a curar feridas do passado

Como é que algo que no nosso tempo encarámos de uma forma extremamente negativa, sabendo que representava um período desagradável, nos pode surgir de uma forma brejeira, risonha, passados quase quarenta anos?
É o que me acontece com esta ida às sortes devidamente captada em verso e fotografias. Apreciem os grandes heróis da nossa terra lá para o ano de 196?... São capazes de os reconhecer? Eu penso que, se passar por alguns, me será extremamente difícil.
Passemos então uma esponja pelo desagradável da época. Celebremos com mais um poema...
Esquecimento
Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei… tacteio sombras… que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro…
A sombra dos meus olhos, a escurecer…
Veste de roxo e negro os crisântemos…

E desse que era eu meu já me não lembro…
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos…!

Florbela Espanca - Charneca em Flor

terça-feira, janeiro 23, 2007

Poemas entrelaçados..., 14
Porta #12: Tudo é contingente


Há uma lição que podemos retirar da nossa passagem por este efémero lugar: "No fundo, tudo é contingente", possivelmente, também o é esta afirmação. Sem dúvida que o foram a passagem por Ourém, os bailaricos no Castelo e os intermináveis verões com a Nazaré entre as magras opções. Também o são a prepotência dos governantes quer os vejamos a um nível local, nacional ou mundial embora, naturalmente, venham a ser substituídos por outros que farão igual ou pior... ou talvez não...
Estes merecem uma lápide para recordar as suas más práticas, não obstante em Ourém já restem poucos lugares para a podermos colocar.
No fundo, uma lápide é um marco que deixamos sobre tudo o que nos impressionou na passagem. Como a que decorre deste poema de Torga


Lápide
Quando eu morrer e tu ficares sozinha,
longe do bafo quente do meu corpo,
tu, a quem eu amei, sei lá por vingança
de Deus,
nessa hora,
olha serenamente a nossa história inútil
e chora...

Rega de pura mágoa a flor do «nunca mais»
(sequer ao menos a flor do «nunca mais»)
e depois morde o chão seivado e semeado
do místico perfume do meu sexo
sepultado...

Miguel Torga

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Ai que saudades deste tempo


O Padre Tarcísio Alves ameaçou de excomunhão todos os cristãos que votarem SIM no referendo de dia 11 de Fevereiro.
Para o cónego de Castelo de Vide os que votarem SIM «não podem casar, baptizar-se nem ter um funeral religioso». E avisou que no dia do referendo «até as irmãs vão sair dos conventos porque senão também incorrem num pecado de omissão».
O Padre Tarcísio fazia cá muita falta...
Poemas entrelaçados..., 13
Porta #11: A força dos sentimentos

E será que as materialista criaturas, ao menos por momentos, não conseguem acreditar naquela força dita espiritual que parece conduzir e transformar a matéria? Que nos leva a ter comportamentos dos mais estranhos? Que nos leva a afrontar a lei por amor?
Alguns, como aquela associação sindical de gente fria, dirão e sugerirão que tudo é metodicamente preparado e aproveitado para, aproveitando a fragilidade de outros, atingirmos os nossos fins. Eu não vou nessa...
Deixo a dúvida...
Se calhar, há sentimento, como passou a existir quando subi aquela escada ou como aquele para o qual a nossa Espanca estava sempre disponível.
Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Fez-se justiça!



Os vencimentos deles triplicaram...
Não, não é a inveja que me faz falar.
É a convicção de que vamos ter empréstimos, portes postais, viagens de avião e água mais baratos...
Sou utópico?
Bom, então fico-me por acreditar em menores bichas na CGD e nos CTT, melhor atendimento nos aeroportos e melhores condutas na água...
Mesmo assim, estou a exagerar?
Que raio! O que é que eles vão para lá fazer?
Poemas entrelaçados..., 12
Porta #10: O destino marca a hora

Que, mal nascemos, temos o destino marcado é verdade, não tenham dúvidas. Senão, porquê todos os sinais que recebemos antes da concretização?
Quando o Domingos veio ter comigo e com o Jó a perguntar se queríamos ir com ele a Leiria, no bólide negro, levar um pneu, nenhum de nós sonhou com a importância que aquela terra iria ter na minha vida. Também, não imaginámos a sórdida partida que a roda nos iria pregar...
Antes, esse destino já tinha sido anunciado com aquela expressão “Perdi-me”, em momento de exames, que um dos “pastores” tratou imediatamente de parodiar.
Depois, estadias e viagens tornaram-se constantes: a pé, de camioneta, à boleia...
O que existiria por lá para tantas vezes ser chamado?


Olhos cor de mel

Na minha terra houve uma batalha
Para lá fui no meu corcel
Levava o amor que me agasalha
Olhos cor de mel

Era um apelo irresistível
Queriam destruir o meu passado
Mas sou combatente temível
Ninguém me traça negro fado

E eis que ela me adoece
De tanta luta e labuta
E enquanto do martírio padece
As minhas palavras escuta

Lutei contra ricos e poderosos
Contra corruptos e mentecaptos
Denunciei autarcas horrorosos
Que só para a podridão são aptos

Chamei amigos à causa
Seus corações ficaram frios
Cheguei ao fim sem uma pausa
Todos voltaram aos seus navios

Ourém está igual ao que era
Mas tem estórias e memórias
Queria contá-las, quem me dera
Traíram-me por outras glórias

Derrotado, o meu corcel
Trouxe-me de volta à outra terra
Sem os olhos cor de mel
Ficaram no sítio da guerra

Mas lá voltei tantos dias
Triste da minha solidão
E as suas palavras macias
Deram-me de novo razão

Trouxe-a no meu corcel
Para a casa que ainda é nossa
Já tenho os olhos cor de mel
nada mais me fará mossa

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Poemas entrelaçados..., 11
Porta #9: Matar a sede com água salgada

Não tenho palavras para apresentar este poema. Ele é porta para um conjunto de posts que tinham a ver com o ambiente nas aulas na escola em Ourém. Tantas vezes eu afirmo que gostava de lá voltar, rever aqueles livros, pensando até em repetir testes para ter melhores resultados e agora avanço com esta súplica que, apesar de tudo, partilho.
Não há dúvida, o ser humano é pleno de contradições.

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Poemas entrelaçados..., 10
Porta #8: As cartas que eu escrevi!

Diz Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas. Mas, no colégio, não tive oportunidade de o ler.
Talvez por isso, também tive as minhas cartas... além de outras.
Foram as cartas da cidade do desterro para a cidade da moura encantada.
Foram os bilhetinhos com que bombardeava as coleguinhas...
Foram as cartas em tempo de guerra...
Foram as cartas de homem mau...
... já não falando naquelas missivas curriculares com que, paciente mas infrutiferamente alimentava as bases de dados dos garimpadores de emprego no Expresso...
Mas estão os meus amigos descansados. Todos esses textos terão tido o seu suporte reciclado ou destruído pelo fogo e pela erosão. Não há viabilidade de publicação.

Todas as cartas de amor são ridículas…
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
D'essas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

terça-feira, janeiro 16, 2007

Poemas entrelaçados..., 9
Porta #7: Voltar lá

Durante muito tempo pensamos: será que um dia lá conseguiremos voltar e reviver aqueles dias saudosos? Pouco a pouco a esperança vai-se perdendo. A esperança que não a recordação... que nos surge mais difusa, mas que nos assegura que estivemos presentes...
Recordo-vos uma aula de ginástica que não houve e, a partir da qual, cometi o atrevimento de jogar futebol com as sapatilhas brancas. Mas será que acreditam que havia alguns que também teimavam em voar... ou em fazer rebolar pedras na direcção do colégio a partir de uma encosta que tantas vezes era cenário de jogos de batota e um dia teve um parceiro inesperado.
Esta porta tem elementos em número excessivo, diz-se que quando alguém começa a recordar, muitas coisas aparecem em catadupa... como por exemplo o prato voador que procurou o director ou a bala traiçoeira.
É todo um ambiente que este poema de Tolentino de Mendonça nos traz à memória: também nós tivemos um Pico Ruivo...


Pico Ruivo
Todo o verão amontoei pedras e as dispersei
vigiava nuvens e sombras pelas fajãs
a mesma solidão perigosamente
transcrita naquele cinzento avermelhado
sob as escamas do céu
urzes sobrevivendo à dura estação
duas ou três cabras, uma tenda

túneis, atalhos, águas geladas
por aí nos conduz a travessia
a folha e a flor pertencem ao vento
um olhar (ainda o meu?) persegue-as entretido
na grande subida

mais abaixo, quando principiava a vereda
manchas de líquenes cobriam de igual modo
o nome dos lugares onde iremos
e dos lugares onde não chegaremos

Tolentino de Mendonça

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Flexinsegurança

Amigo oureense
Para quê uma vida devotada ao trabalho duro? Para quê ocupar uma vaga no mercado de trabalho? Para quê continuar a contribuir para a riqueza do patronato?
Se quer ser feliz e ver crescer a riqueza do país, deixe-se despedir. Contribua para a felicidade do Governo e do Presidente! Verá a maravilha que a segurança social tem para lhe oferecer.
Viva a globalização!!!
Poemas entrelaçados..., 8
Porta #6: Tudo perder...


E que dizer de tudo que ao longo destes anos temos vindo a ser desapossados na nossa terra? O processo começou muito cedo. Primeiro, foi o afastamento, uma espécie de emigração. Isso traduziu-se na perda dos espaços frequentados durante anos e anos. Espaços, onde também tivemos desilusões, verdades que abruptas caiam em cima da nossa ingenuidade. Mas que possibilitavam um ambiente magnífico... E que dizer da bondade dos mais velhos que nos transportavam, na fiel viatura, para todo o lado, ajudando a abrir os nossos olhos para um mundo diferente onde ainda não havia este sentimento de perda?
É altura de chamarmos mais um poema de Pessoa:

Mágoa
Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.

Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

Fernando Pessoa, 3-9-1924.

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