sábado, dezembro 11, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 2
Por Zé Rito

Antes de entrar na época dos "Estúdios Trine" não queria deixar passar em claro a época do Fernão Lopes.

Durante a chamada instrução primária fomos "instruidos", e muito bem, diga-se, pela D. Aninhas durante quatro curtos anos.

Tínhamos como sala de aula o primeiro andar do edifício do Colégio com acesso exterior pelo recreio, em frente ao ginásio, através de dois lanços de escada.

Era nessa sala de aulas que aprendi muito do que ainda hoje sei, como se diz "de cor e salteado". Rios e afluentes, Serras ou linhas de caminho de ferro.

Era no recreio que jogávamos, sobretudo, à bola e em que eu, habituei-me a ir para a baliza talvez porque, para mim, dominar o esférico não era grande atributo.
Passei de seguida para o domínio do Dr. Armando. E o que deveria ser cinco risonhos anos tornaram-se, para mim, sete anos muito compridos.

Em termos de aproveitamento escolar fui um aluno q.b.. O pior era a voz autoritária, a mão pesada e a presença intimidatória do Dr. Armamdo.

Foi um excelente professor. Com ele, como professor de história, parecia que vivíamos os acontecimentos. Estou a ver o Gungunhana não querendo ajoelhar-se argumentando que o chão estava sujo ...

Passei por outros excelentes professores como a D. Nazaré, professora de matemática, alta, magra, sempre de bata branca, que lhe valeu o nome de "pau de giz". Em dada altura ela saiu por, alegadamente, problemas de vencimento. Sei que, manifestámos a nossa vontade em que ela voltasse. E apesar da rigidez do sistema os alunos acabaram por vencer. No ano seguinte voltava a ser a nossa professora. Penso que quem, na altura, a substituiu foi o Dr. Preto.

Passei também por um professor que só sei o none porque ficou conhecido. Veio de Àfrica e ensinava português. Vivia na Avenida, junto do Melo. Era o "Zebú". Para começar uma frase tinha que usar a expressão "Da..da..."

Em relação a ele lembro-me de quando chamou o Amílcar ao quadro e lhe disse "Da...da..., Amílcar escreve aí" . E o Amílcar escreveu "Da...da... Amílcar escreve aí!.

Também há que contar que era um excelente ... fotógrafo. Só que não vimos qualquer fotografia. Tirava, com a sua máquina fotografias a toda a gente. Em grupo ou separado. E quando pedíamos para ver essas fotografias,respondia invariavelmente. "Da... da perdi as chaves da gaveta onde as meti."

Quero lembrar, sem menosprezo para os outros alunos, o Barroso. Talvez porque quando chegava ia logo à sua procura. Talvez porque era o meu colega de carteira. Lembra-me que adivinhava sempre a altura exacta em que o Sr. Nunes tocava a campainha para sairmos. Talvez porque nunca mais o vi. Já lá vão quarenta anos.

Quero recordar ainda a Sâozinha Nunes. Por um facto que entristeceu a sua família. Decorria uma aula, na sala do lado do recreio, quando a sirene tocou. Passado algum tempo o Sr. Nunes bateu à porta solicitando a saida da Sãozinha. Viemos a saber que a avó tinha morrido carbonizada. Vivia numa casa entre os armazéns dos Pereira e a casa do Dr. Amândio.

Em acontecimentos elejo uma situação que se passou comigo e o meu irmão. Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio. Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia originou o inevitável. Começou a arder. Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo. Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela. Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.

Rio Torto, Gouveia 2004-12-11
José Manuel Rito

sexta-feira, dezembro 10, 2004

O PE em (mais ou menos) 2000 caracteres por semana (mais ou menos) - Dez I
Por Sérgio Ribeiro

Se desde que estou no Parlamento, neste regresso, me “tenho dedicado à pesca”, a semana que termina veio justificá-lo. Pelo trabalho que me deu.

Na verdade, a Comissão – aquele órgão institucional que é presidido por um português que foi 1º ministro de Portugal – anunciou, depois de ter pré-anunciado, a TAC e as quotas de 2005 para Portugal.

Um desastre. Passagem de 28 dias de trabalho por mês para 20 dias e reduções de quotas de pescado autorizado em muitas espécies – lagostim, linguado, sarda, carapau – e em condições que até impedem a pesca nalgumas zonas com consequências muito graves para quem, neste País, ainda vive da pesca.

Não que os meios laboral e empresarial ligados à pesca contrariem a necessidade de salvaguardar os recursos dada a sua exiguidade e risco de desaparecimento mas o facto é que as actividades atingidas são precisamente as menos predadoras, e as que mais impacto social e regional têm, enquanto as de dimensão industrial aproveitam todas as abertas… nos nossos mares e é um “ver se te avias”.

O que esses meios laborais e empresariais não aceitam é a dureza das medidas proposta, a que chama drásticas. E é contra estas medidas que me bato na convicção de que defendo interesses nacionais, de trabalhadores e populações que vivem da pesca e de actividades que têm, ao longo dos tempos, conseguido o equilíbrio entre o aproveitamento dos recursos e a sua salvaguarda e do ambiente marinho.

O que é espantoso é que Portugal, tendo a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia, por efeito das “mares” açoreano e madeirense e da longa linha de costa continental, tem visto perder essa vantagem comparativa e riqueza potencial.
Porquê?

Por ausência de capacidade e de força negociais, sendo o percurso da “construção europeia” um processo de negociação permanente. Estou na expectativa de ver como é que o Governo, no Conselho de Ministros da UE, se vai comportar face a estas propostas da Comissão. Partindo elas de tão drásticas medidas ainda se virá, decerto, vangloriar, como é costume, de que ganhou por perder menos do que seria desastroso e foi proposto pela Comissão Barroso.

Pelo meu lado, no Parlamento, faço o que me é possível com a força que tenho.

Voltar atrás
Parafraseando A grande Fauna, às vezes, é preciso voltar atrás... e, como os meus amigos calcularão, isso não me custa nada, aliás ao menor pretexto, aí vou.
Vem isto a propósito de uma recordação musical datada dos finais de setenta. Os seus executantes chamavam-se Spriguns, ela Mandy Morton. E a minha estupefacção é de tal ordem que, nesta maravilhosa sociedade de consumo, não consigo encontrar a sua obra, designadamente, o magnífico Time Will Pass.
Mas a paixão tem coisas maravilhosas. Um admirador da Mandy e dos ditos legou-nos esta magnífica página a eles dedicada na qual encontramos, inclusivamente, excertos das canções.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

... e enquanto o Vitorino pensa e redige o programa, recordemos algo que o seu homónimo em boa hora nos deixou...


O Maltês

Poema de Manuel da Fonseca

I


Em Cerro Maior nasci

Depois, quando as forças deram
para andar, desci ao largo.
Depois, tomei os caminhos
que havia e mais outros que
depois desses eu sabia.

E tanto já me afastei
dos caminhos que fizeram,
que de vós todos perdido
vou descobrindo esses outros
caminhos que só eu sei.

II

Veio a guarda com a lei no cano das carabinas.

Cercaram-me num montado;
puseram joelho em terra;
gritaram que me rendesse
à lei dos caminhos feitos.
Mas eu olhei-os de longe,
tão distante e tão de longe,
o rosto apenas virado,
que só vi em meu redor
dez pobres ajoelhados
perante mim, seu senhor .

III

Gente chegou às janelas,
saíram homens à rua:
- as mães chamaram os filhos,
bateram portas fechada!

E eu, o desconhecido,
o vagabundo rasgado,
entrei o largo da vila
entre dez guardas armados;
- mais temido e mais amado
Que o deus a que todo rezam.

IV

...E vendo que eu lhes fugia
assim de altiva maneira
à sua lei decorada,
lá,
longe do sol e da vida,
no fundo duma cadeia,
cheios de raiva me bateram.

Inanimado,
tombei por fim a um canto.

E enquanto eles redobravam
sobre o meu corpo tombado,
adormecido
eu descansava
de tão longa caminhada! ...
Eles não percebem...
... por que razão o Presidente os despediu.
Isto é, além de broncos e incompetentes, armam-se em anjinhos.
Mas não acreditem no seu ar compungido ou na sua fraqueza. Acabam de colocar pessoal da sua confiança no SIS.
Estranha ausência
Começa a ser longa a ausência relativa às crónicas do Sérgio.
Apesar de, por vezes, ele surgir num tímido comentário, sentimos a falta daquele texto bem construído sobre as causas ou os problemas do nosso povo ou da nossa terra.
A propósito, gostei do artigo que ele publicou no NO sobre a "praça dos carros" o qual, ou parte do qual, ficaria aqui muito bem se ele mo enviasse.
E também gostaria que ele nos brindasse com alguma nota sobre as próximas eleições.
Isto já permitiria que eu descansasse um bocado perante as dificuldades de manutenção deste espaço...

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Voto útil
Confesso que embirrei sempre com esta ideia. Entendo que as pessoas devem votar nas organizações com quem mais se sentem em sintonia. O voto útil é o primeiro passo para o desencanto, pois a política prosseguida nunca será de acordo com o que se deseja, mas um mal menor.
Votando em sintonia, mesmo que se perca, e é o mais certo, há sempre a convicção de que à próxima será melhor. Isso não quer dizer que não se flutue: neste momento, ainda não faço a menor ideia de qual a organização a quem vou atribuir a minha confiança, mas mantenho aquela ideia de que seria interessante poder repartir o voto por várias organizações de tal modo que as proporções somadas atingissem a unidade.
Mais eficazes que Saddam
98000 civis mortos...
É o número impressionante (apurado por uma organização conceituada) desde que começou a agressão ao povo iraquiano.
Imagine-se que não iam com objectivos de libertação.
Saudosismo
Na primeira das suas crónicas no Ourem, o Zé Rito, o nosso venerado "Avião", diz-nos que não pretende despertar saudosismos.
Mas será o saudosismo uma coisa assim tão má, tão negativa?
Pessoalmente, não me importo nada de olhar para trás e afirmar quanto apreciei uma dada vivência, que inclusivamente gostaria de a repetir ou voltar a ela.
Por exemplo, o dia de hoje...
Foi, quase sempre, para mim o dia da mãe.
Vivi-o até àquele dia em que parece que tudo acaba por desaparecer quem nos dá a sensação de nos segurar a este universo. Apesar das mudanças burocráticas que o transferiram para a zona de Maio nunca deixei de o sentir nos mesmos moldes que os primeiros anos me ensinaram. E lá vem a saudade, o pessimismo quanto ao presente, ... enfim, é melhor estar calado...

terça-feira, dezembro 07, 2004

Um amigo tranquilo

 A partir de certa altura, em Ourém, quando as férias terminavam, tornava-se difícil arranjar companhia para partilhar a passagem, porque muitos amigos iam estudar para outras terras.
Era aí que ganhavam importância aqueles que, obstinadamente, encontravam na sua terra, a razão de viver.
Um deles acompanhou-me naquelas noites frias pela ruas de Ourém dias sem conta. Jogávamos bilhar no Central, depois passávamos ao Grémio do Comércio.
Era uma pessoa muito tranquila com a qual de tudo se podia falar, pois sabia ouvir e sabia dar a sua opinião.
Um dia, deixei de o ter por companhia. Quando passava direito à casa da Rua de Santa Teresinha, via-o num escritório mais ou menos frente ao sítio onde era o café Parreirinha. Lá estava a aprender a viver, a fazer algo de útil, a fazer aquilo a que hoje chamaríamos, indignados, trabalho infantil, enquanto muitos de nós andávamos por ali a passar tempo.
Voltei a encontrá-lo muitas vezes e, também, no último Poço. Sei que vem muitas vezes ver este espaço e que conhece alguns posts pelo nome. Falámos sobre tudo isto e sobre a minha fixação no passado. De um modo tranquilo... mas com imenso gosto por recordarmos anos de uma saudável amizade que parece reforçada à medida que o tempo vai passando.
Especiarias na Som da Tinta


Na hora da despedida: elogio dos sem-vergonha
Por sua excelência, o Ministro do bago

Aprender com a prática
Aprendi muito com a elaboração e discussão na praça pública deste Orçamento.

Tem que vir sempre o autoelogio
Percebi como é um privilégio arriscar ser violentamente criticado apenas porque se decide, se opta e se escolhe com convicções, com rigor e com esperança.

É dos livros: mal chegam ao poder, o seu interesse é universal
Senti, como nunca, como é que certas pessoas fazem, de um modo falso e quase angélico, o discurso do interesse geral, para tentar ganhar nos interesses corporativos ou mesmo particularistas.

Mas a um ministro pede-se mais que capacidades aritméticas
Senti como alguns arautos da consolidação tentam contrariar as mais elementares regras de aritmética orçamental. Isto é, exigindo mais nas parcelas (entenda-se despesa), ao mesmo tempo criticando o ministro das Finanças por a soma não ser inferior.

E viva a bagunça que assim não dão por mim...
Senti por que é que alguns interesses parecem preferir a instabilidade e a indisciplina para que melhor medrem os respectivos proveitos.

Seria o sr. Ministro tão ingénuo?
Senti como alguns se servem da discussão pública do Orçamento como palco para dissimular as suas incapacidades, despeitos e pequenas «vendettas».

Nomes, por favor, nomes...
Senti como é coerente a incoerência de tantos paladinos do rigor que, por certo, já se esqueceram do que não fizeram ou do que deixaram fazer, por acção ou opmissão, em cargos e ocasiões passados.

Repito: nomes... senão quem se licha é o mexilhão...
Senti como é fácil para certas mentes enunciar princípios de aceitação universal, como a luta contra a evasão e fuga fiscais, desde que não passe disso mesmo: mero enunciado de intenções.

Se calhar, nem ler sabem
Percebi que é «dispensável» a leitura do Orçamento para sobre ele se dissertar eloquentemente.

Vá, seja mais explícito. Quem o tramou?
Percebi que o medo também orienta a crítica.

(in Expresso de 3.12.2004)


segunda-feira, dezembro 06, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS
Por Zé Rito

As minhas memórias são escassas e têm um tempo definido.
Para além do Fernão Lopes o que poderei contar são episódios vividos até ao ano de 1969, altura em que a minha vida profissional me retirou do Poço e de outros locais, como o Café Avenida onde pontuava o Ezequiel e o Fernando Forte.
Passei, sobretudo, depois da fase escolar com a D. Aninhas, como professora, em que eu me deslocava Rua da Castela acima, Rua da Castela abaixo, na tal motorizada virtual, que até tinha marcha atrás, e que me valeu, na altura, o cognome de "Zé Avião", e depois, na fase seguinte, com o Dr. Armando, o Zebú, a Pau de Giz, a Botija e outros, não esquecendo o Sr. Nunes. Passei, dizia, pelos "Estúdios Trine", o conjunto "Os Escaravelhos", a fase jornalística, em que utilizava o pseudónimo de Ego Cauny, entre outras.
Este espaço não tem mais do que dar um, ainda que pequeno, contributo para que todos que o visitem relembrarem tempos vividos em determinada época sem, espero eu, despertar saudosismos.
Contar por contar.
Despertar outros a fazerem o mesmo.
Contribuir para, no fim, juntar as peças e constituir uma história que será a história das nossas vidas em Ourém.
Dado que os "Estúdios Trine" foram vividos de forma particular, na companhia do Zé Alberto, na segunda metade da década de 60, vou a partir dos estúdios recordar "as minhas memórias".
Até lá..

Mais uma colaboração para o Ourém
Iniciamos hoja a publicação das crónicas do Zé Rito acerca da nossa Ourém. É um momento particularmente feliz pela pessoa que é e por representar uma aderência num círculo onde o recrutamento é difícil.
Continuamos assim a escrever "Ourém em estórias e memórias". Em momento oportuno, quando o número o justificar, abriremos novo blog, uma aba do Ourém, onde reuniremos todo o trabalho do Zé dando-lhe o relevo que ele merece e não o deixando perdido na confusão que este espaço já é.
Obrigado, meu caro Zé Rito, agora já não podes parar...

sábado, dezembro 04, 2004

As novas fronteiras

Pelo contrário, o PS já vai encarando o acto eleitoral de uma forma positiva.

É curioso ver o comportamento dos partidos que, tradicionalmente, são candidatos à vitória. O que sente que vai ganhar preocupa-se com o programa a apresentar, com ideias novas, com a situação concreta do país. O outro tem uma atitude arruaceira.

Do PS soubemos, entretanto, que vai continuar a contenção orçamental (iniciada pelo seu rival), mas que apoiará o investimento na sociedade da informação e na inovação. Esperamos mais concretização desta ideia. Mas é preciso dizer ao PS que não basta um choque tecnológico, é preciso mudar o social. Será que são capazes de tocar nestas fronteiras?

O insolente

Estalou o verniz a PSL.

Depois de durante quatro meses ter ostentado total incapacidade de coordenação do governo, parece agora preferir o insulto camuflado à meritória tarefa de preparar o programa eleitoral. É só ouvi-lo: "Com todo o respeito, acho que o senhor Presidente foi um irresponsável. Ele que explique as razões...".

É claro que Sampaio vai explicar as razões. Quando entender. Não quando PSL mandar.

Esta necessidade de atacar pessoas e insultar mostra claramente o desespero do PSD quanto às eleições que sente que vai perder e que, possivelmente, está a tentar transformar em batalha campal. Mas o povo já os conhece...

O leitão de Ourém chegou à Parede
Esta manhã, pasmava pela terra do dever.
De repente, dei por algo familiar: uma carrinha do Quim dos leitões. Que estaria a fazer por ali tão longe da nossa terra?
Aproximando-me do mercado, qual não foi o meu espanto quando vi uma bela banca, antes ocupada por pessoas que vendiam fruta, agora na posse dos nossos conterrâneos.
Claro que fiz honras ao nosso leitão que, segundo apurei, ali chega todos os dias após confecção.
Lá estive à conversa com um descendente do Quim. Admiro esta gente que arrisca para além do burgo e acaba por nos trazer produtos que nos sabem sempre melhor por serem da nossa terra.
Vão ter enorme concorrência, mas, se servirem sempre com qualidade, com certeza ultrapassarão as dificuldades.
Aqui ficam os meus desejos que tudo lhes corra bem.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

O alerta de Alegre
Alegre é um dos símbolos vivos de Abril.
Ligado ao PS, aí se constitui como uma reserva disponível em momentos críticos. Votaria com muito mais gosto nele para a presidência da República do que num Guterres. Recentemente, vimo-lo enfrentar Sócrates na disputa da liderança do partido.
Agora, traz-nos um importantíssimo alerta: cuidado com a procura de entidades providenciais como Cavaco, pode vir novo 28 de Maio.
Creio que tem razão.
Se é óbvio que Cavaco não é um fascista, também o é que se pode conciliar perfeitamente com os dessa espécie. Para ele, a discussão política é algo abstruso que contraria o rigor dos números e o que os mesmos ditam. Por isso pode servir qualquer ideário desde que se sinta reclamado.
Mas há que ter mais qualquer coisa em conta: se as pessoas se lembram de uma entidade providencial que pode abrir as portas ao pior, isso acontece porque quem tem que fazer a diferença não se tem portado à altura. Reivindique-se do socialismo ou da social-democracia.
Por isso, o melhor combate a esses receios pode vir de um programa mobilizador, capaz de unir aqueles para quem Alegre é um símbolo e que têm em comum a noção de que a luta de classes nos planos político, económico e ideológico é que faz andar a história.
O diagnóstico da nossa sociedade está feito: temos um capitalismo que produz as maiores aberrações a todos os níveis. Agora precisamos de um programa para, em liberdade, progressivamente, o irmos destruindo...
Fim do Cumplicidades?

A Maria suspendeu o Cumplicidades.

Termina assim uma das páginas mais bonitas que podiamos desfrutar na Internet. Ela promete que continuará a visitar-nos e que talvez um dia regresse. Aqui fica o desejo de que isso aconteça.

Mas é engraçado o mundo dos blogs.

Vamos falando, conhecendo e estimando pessoas que, fisicamente, nunca tínhamos visto nem sonhávamos que existissem. Parece um encontro de bons espíritos. Maria, Bin-Tex, Suplementador, 1bigonobalcao, Skywatcher (por onde andará este estimado oureense?), Fred, Santa Cita,... permitiram-nos concluir que vale a pena estar por aqui.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

E Ourém?
Meus amigos, hoje não há mesmo tema.
A dissolução da Assembleia da República ofuscou tudo o que pudessemos dizer sobre Ourém.
Mas ela continuará sob a nossa atenção.
Com efeito, de que valerá mudar o governo do país, se em Ourém tudo permanecer na mesma e a nossa terra se vier a transformar num nicho de descontentes relativamente ao novo poder?
Não podemos dar tréguas. Ourém tem de mudar.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Cavaco?
Pacheco diz que a solução está no PSD, mais propriamente em Cavaco. Para ele, Sócrates e Santana são as duas faces da mesma moeda... que não presta.
Mas Cavaco já teve a sua oportunidade. Esteve lá dez anos e ninguém tem saudades da sua política. Teve a sorte de receber o governo em período de vacas gordas e deixou algum obra. Mas era tão autoritário que os próprios barões do PSD não descansaram enquanto não correram com ele.
Por isso, deixem o povo escolher. Façam programas, colaborem em programas, proponham o melhor possível, critiquem o adversário... mas deixem escolher. Se não prestar, voltará a cair e surgirá nova oportunidade.
Calculismo de Presidente?
Ferro não lhe agradava. Estava demasiado perto do BE, lembrava excessivamente o revolucionarismo do MES.
A coligação não estava queimada, apenas tinha sofrido o desgaste da governação em tempo de crise com a consequente derrota nas europeias.
A austeridade de Manuela era aprovada pelo insuspeito Constâncio como a única política viável.
Permitiu-lhes que formassem governo, apesar de impor algumas condições. Deixou-os governar.
Entretanto, o PS fez chegar à direcção uma figura mais do seu agrado. Durante três meses não se deu por este partido.
Potenciais aliados de Ferro voltaram à solidão, um deles fez novo congresso e redefiniu o seu posicionamento.
O governo da coligação, esse, foi de disparate em disparate. Não me consigo lembrar de alguma coisa positiva que tenha feito. Aquela de quem esperava alguma coisa, Graça de seu nome, quedou-se em mais esquecimento da situação dos docentes universitários.
Soaram gritos de aviso. Na comunicação, no Banco de Portugal, de anteriores ministros que deviam apoiar a coligação.
O Presidente entendeu que tinha chegado o momento e, legitimamente, resolveu dissolver a Assembleia e convocar eleições.
Tudo bem. A haver instabilidade será durante mais dois três meses, não durante mais de um ano.
Os partidos podem rever os seus programas e apresentar propostas ao povo.
Obviamente que gostaria que existisse uma boa proposta da esquerda e que ganhasse, que o povo a apoiasse. Algo contra a exploração capitalista, contra a corrupção, contra o parasitarismo e que tivesse bem presente as liberdades, a solidariedade, a diminuição progressiva das desigualdades, Algo que não gerasse mais pobreza sob a aparência de estar a distribuir melhor, algo que as organizações que se reveem nos valores da esquerda pudessem apoiar, mantendo a sua caracterização de base e não abdicando por isso do seu espírito crítico.
Será que o Presidente pensou tudo isto? Será que em Julho já antevia o que iria fazer no final do ano e preferiu enfrentar algum desencanto dos portugueses para não o acusarem de não ter deixado governar quem tinha legitimidade?
As eleições aí estão, esperemos que os programas sejam dignos dos princípios em que os partidos se apoiam Uma garantia temos: a da liberdade para criticar aquilo de que não gostarmos e dessa não queremos abdicar. É o nosso activo mais valioso.

terça-feira, novembro 30, 2004

Jorge, estás perdoado!
E, no fundo, o que são quatro meses de atraso na lenta caminhada para o socialismo?
Agora é preciso ganhar as eleições.
À primeira vista, não parece difícil. A incompetência evidenciada pelo governo que fazia e desfazia, a fragilização da direcção do PSD e a manifesta crise resultado da sua acção com certeza serão uma ajuda.
Se tal acontecer, é preciso que o PS não se esqueça de que é esquerda (eu tinha mais confiança no Ferro, mas fica o benefício da dúvida...), como tanta vez tem feito, e é preciso a ajuda crítica da rapaziada da CDU e do BE. Tudo unido por reformas revolucionárias, mas sem se despirem da capacidade crítica...
Com sempre temos referido, este espaço estará aberto à defesa e crítica, numa perspectiva de melhoria e unidade na diversidade, das posições das organizações de esquerda.


O artigo pode ser lido no Buraco da Fechadura.
Nem sempre se consegue o que se pretende, aquilo por que se luta, mas se a luta é por boas causas, e disso estamos convictos, só há que continuar a luta


Sérgio Ribeiro

EM DEFESA DA PESCA PORTUGUESA
Comunicado do Gabinete de Imprensa
dos deputados do PCP ao Parlamento Europeu


Realizou-se ontem, na Comissão da Pescas do Parlamento Europeu, a votação do relatório do deputado do PCP, Sérgio Ribeiro, relativo à "protecção dos recifes de coral nos "mares" dos Açores, Madeira e Canárias ".

Das 6 propostas apresentadas pelo relator, 4 foram aprovadas e as restantes rejeitadas. No entanto, as propostas rejeitadas continham algumas propostas essenciais, tais como:

· reservas sobre a competência exclusiva da União Europeia no domínio marítimo previstas no novo Tratado Constitucional;

· a inclusão de referência às jurisdições nacionais (Espanha e Portugal) a exemplo do que relatório similar fazia para os Darwin Mounts com referência explícita à jurisdição do Reino Unido;

· a proibição de artes de pesca, para além da de arrasto de fundo, também danosas para os recifes de coral (e outras formações), como acontecia até ao final de 2003, quando a responsabilidade da protecção era das autoridades nacionais e regionais no limite das 200 milhas da ZEE;

· a não aceitação da substituição do critério de delimitação, em milhas e ZEE, por graus de latitude e longitude, delimitando zonas sem qualquer vínculo às jurisdições nacionais.


Significativo é que tal resultado (por escassíssima margem de votos) só tenha sido possível graças à forte mobilização de deputados espanhóis (do PSE e do PPE).
Assim se comprova que interesses se julgam atingidos, com as propostas que estavam contidas no relatório do deputado Sérgio Ribeiro, que pretendia a proibição de pescar com determinadas artes, como até recentemente o fizeram autoridades regionais e nacionais, particularmente no caso dos "mares dos Açores", em que mais de 10 % da população vive de pesca não industrial e sempre soube promover e exigir dessas autoridades o indispensável equilíbrio entre a exploração dos recursos e a sua preservação.

O relator tudo fará para, em plenário, repor e ver aprovadas as propostas que foram rejeitadas.


Bruxelas, 25 de Novembro de 2004

Para mais informações:
Sandra Pimenta - 0032 475980226

segunda-feira, novembro 29, 2004

Terapia contra a arrogância
Por Bin_Tex

Faz parte da estratégia socialista a não existência de unidade a nível autárquico em Ourém. Acha-se que seria contraproducente uma "aliança" de esquerda neste concelho. Porque o eleitorado é eminentemente de centro direita. Então para se ganhar eleições em Ourém, o PS tem de meter na gaveta os seus princípios políticos de base, ou seja, esconder as suas raízes políticas.

Quanto a mim, ou se assume verdadeiramente as raízes políticas de esquerda ou não se assume. Agora andar com estes joguinhos de cintura... não leva a lado nenhum. Alguns militantes/dirigentes do PS olham para o Sérgio Ribeiro com desconfiança e até arrogância, desvalorizando a sua experiência política e humana. Chamava-lhes um amigo meu há uns anos, uns pardalitos esfomeados...

É lamentável, que se olhe para as pessoas com as quais muito temos a aprender desta forma. Lamentável é que, à excepção de algumas pessoas, o PS Ourém esteja cheio de gente do "aparelho" e não de gente das bases. É lamentável, que ao longo dos anos se tenham queimado pessoas injustamente, se tenha desprezado contributos válidos. Em nome de quê? de jogos de bastidores, de coisas pouco claras...

Acredito numa revolução em Ourém. Sempre acreditei, mas, penso que as pessoas e os partidos se devem assumir como são, sem jogos de cintura. Serem verdadeiros, humildes e sérios, só desta forma o povo do concelho votará na diferença. A grande unidade de que falo, é essa, uma congregação de valores, de desejos e de projectos válidos para uma terra que parece que parou no tempo.

Penso que faz falta a algumas pessoas passarem algum tempo em África, para entenderem bem o significado da palavra solidariedade e fraternidade. Talvez também para perderem o olhar no infinito da paisagem, percebendo que são apenas um grão de areia no meio do mundo. Talvez assim olhassem para a vida e para as pessoas de outra forma. Uma espécie de terapia contra a arrogância.
E que tem o velho assim de tão mau?
Especialmente se o novo, como V. tão bem denuncia, não presta, caro Albergue dos Danados?
Eu secundo a mensagem de Álvaro Cunhal ao congresso, talvez dita da seguinta forma que aponta para algo ainda mais velho, apesar de reconhecer a necessidade de ser revisitado e revisto à luz dos problemas da sociedade actual:
Viva o Marxismo-leninismo!

domingo, novembro 28, 2004

Suplemento de alma
Estou um pouco confuso.
Há tempos, surgiu-me um comentário assinado por Alma que, eu próprio, reproduzi como post. Como o comentário apontava para um blog, fui vê-lo e pareceu-me que os textos também estavam assinados por Alma. Gostei do seu conteúdo.
Os textos que vi assinados por Alma aparecem-me agora assinados por Suplementador, estou seguro.
Entretanto, no Ourém e seu Concelho, muitos artigos de João Heitor são submetidos a um título geral que coincide com o deste post. João Heitor aparece-me como uma figura do Partido Socialista ligada ao ensino que me merece toda a simpatia e respeito. Tenho acompanhado os seus comentários no Castelo em que se assina como jh com os quais em geral concordo e onde se bate por uma maior eficácia das acções dos órgão autárquicos e respectivos serviços.
Mas, recentemente, o Suplemento de Alma mudou de formato e passou a ser assinado por um Suplementador. Isto não tem nada de especial mas cria-me uma certa confusão. Alma, João Heitor e Suplementador são uma e a mesma pessoa? Ele é oureense ou teve efémera passagem por Ourém?
Reforma ou Revolução?
O post Fumo Branco recordou-me um livro em que Rosa Luxemburgo desancava nas teses de Bernstein de acordo com aa quais se poderia caminhar para o socialismo através de reformas, discussão que já tem mais de um século.
A autora apresenta três fundamentos da nova sociedade: a anarquia da produção capitalista, o carácter cada vez mas social da produção e a tomada de consciência pelo proletariado do seu papel revolucionário.
O mundo não mudou tanto assim. Os dois primeiros fundamentos mantêm-se, o processo de tomada de consciência parece que tarda. Na China, mesmo uma revolução cultural, conseguiu muito pouco.
É por isso que a existência de um partido forte que lute contra o capital e sistematicamente reveja as suas origens, a qual se pode traduzir em passos importantes para uma sociedade mais justa, pode ajudar a essa tomada de consciência. As reformas conseguidas nesse processo, cujos contornos e dinâmica já foram referidos, podem assim ser consideradas reformas revolucionárias (e tão presentes que estiveram no Portugal de Abril!), eliminando assim a aparente contradição reflectida no texto mencionado.
Fumo branco
Já se vê e vem dos lados de Almada.
O novo grande timoneiro chama-se Jerónimo e, tal como o lendário guerreiro e chefe dos apaches, promete muita luta. Luta contra a exploração capitalista e luta por uma certa pureza ideológica. Apesar de distanciado deste partido, estou de acordo com estes dois aspectos.

Consideremos o primeiro.
Os detentores de capital e os seus agentes no aparelho de estado não se têm portado nada bem. Tráfico de pessoas, tráfico de droga, especulação em grau elevado, desmantelamento do aparelho produtivo, tentativa de controlo da comunicação social, despedimentos em massa são algumas das suas últimas realizações. Operários, trabalhadores dos serviços, intelectuais e professores são algumas das suas vítimas. Neste formidável ataque às forças produtivas, os representantes do capital detentores do aparelho repressivo nem olham à formação daqueles sobre quem exercem a sua acção. Pessoas com mestrado e doutoramento são enviadas para a inutilidade do desemprego, depois de anos a fio a acumularem conhecimento e a prepararem-se para cooperar na produção social. Assim, os actuais detentores dos meios de produção mostram claramente que não conseguem fazer desenvolver a sociedade. Isso manifesta-se, por exemplo, na monumental fraqueza do crescimento quando comparado com a União Europeia.e nas próprias previsões que eles mesmos elaboram.

Por outro lado, muitos comentadores têm falado num regresso à pureza ideológica como se mais um fundamentalismo se tratasse, procurando com base nisso contribuir para uma má imagem. Penso que estão enganados. Não devem confundir as coisas. Ninguém vai pôr granadas à cintura e fazer-se explodir num centro comercial ou num autocarro com criancinhas. Se alguma vez isso acontecer será no terreno do inimigo, no quartel, em campo de luta.

O retorno a uma certa pureza do marxismo, ao seu repensar, considerando as grandes lições provenientes dos erros associados às realizações concretas, só pode ser positivo. Significa que a contribuição de Marx e Engels para o desenvolvimento da sociedade permanece válida e que a de Lenine tem muito de positivo e há que reter as suas notas sobre o imperialismo e a crítica da doença infantil. Daí para a frente há que ter cuidado e analisar pela negativa: aquilo não se pode repetir. O próprio Marx tinha referido que a construção do socialismo começaria pelas sociedades mais desenvolvidas.

É preciso uma grande aliança para acabar com a corrupção e o tráfico ilegal, fenómenos que acompanham o desenvolvimento e crise do capitalismo, para garantir as liberdades e a segurança, para continuar a desenvolver a riqueza do país, para conseguir mais solidariedade com menos Estado. É preciso um não absoluto à violência, ao desrespeito pelo adversário, é preciso o respeito pela legalidade instituída e a colaboração em amplo programa de reformas que nos vá aproximando da tal sociedade...

sábado, novembro 27, 2004

Presunção e água benta...

"Sou a grande cabeça do futebol em Portugal e na Europa".
Nem sei o que me daria mais gozo: levarem uma abada do Porto ou darem uma lição ao execrável Pinto da Costa e respectivos muchachos...
Coabitação difícil
Imaginem que Cavaco Silva ganha as eleições para a presidência da República...
O homem está definitivamente portador de mensagem salvadora. Já diz que o país está na senda da desgraça: qualquer dia até os albaneses nos ultrapassam. Já diz que os políticos competentes têm que despedir os incompetentes. Enfim, os santanetes já devem estar com as orelhas quentes. Como é óbvio, ele é que é o árbitro e quem define os critérios de competência.
Mas para além de tudo isso, surge-me uma interrogação inquietante: quem se atreverá a ser primeiro-ministro com tal personagem ou a ocupar uma pasta de Economia?
Mais estórias de Ourém
A Teresa sugere:
Seria tempo de recolher algumas dessas "estórias" para constituirem parte do acervo "arqueológico" da vida do moinho... que passará a olhar as estrelas!
Tem todo o meu acordo.
Mas quem está em condições de nos trazer essas estórias?
No último Poço, o pessoal deu força, recordou aqueles dias; tenho promessas, mas parece que está tudo a voltar à tradicional concha.
Pus neste blog o que me recordo de Ourém. Há outras coisas, mas falta um fio condutor que as transforme em estórias.
Lembro-me, por exemplo, que o Vítor e o Humberto eram dos principais dinamizadores de escaladas direito ao moinho, reproduzindo, por vezes, o ataque dos apaches ao forte dos soldados que ocupavam a sua terra, eles que beberam os fundamentos dessa flosofia de vida nos mesmos livros que eu, para além de terem tido paciência para completar a infindável História do Oeste.
Recordo que o Manel foi um dos responsáveis por um dia uma das mós estar apontada para o Fernão Lopes e só não o atingiu por um declive traiçoeiro a ter detido antes de chegar ao alvo.
Sei que o Zé Domingos é um dos maiores conhecedores de estórias da nossa terra, ele que acompanhou tantas vezes o Nené, ele que conviveu, em lugar privilegiado, com tantas gerações.
Já tenho uma promessa do Zé Rito sobre os Estúdios Trini.
Apesar disso tudo, este blog continua a ser profundamente egocêntrico: é Ourém, mas uma Ourém vista por um só que, ainda por cima, a abandonou num momento determinante.
E como vai ser possível alargar isto, Teresa?

sexta-feira, novembro 26, 2004

Chama-lhe Ameaça
Extensão da área florestal, muito sujeita à ocorrência de incêndios.
(in Orçamento 2005 da Câmara Municipal de Ourém)
Deve ter sido por causa desta ameaça (extensão da área florestal) que cortaram todas as árvores da Praça dos carros.
Chama-lhe Ponto Fraco
Elevado número de escolas do 1º ciclo com reduzido número de alunos, gerando situações pedagógicas e económicas indesejáveis;
(in Orçamento 2005 da Câmara Municipal de Ourém)
Pobres Putos!
O que ele lhes está a preparar é capaz de não ser nada agradável...
Um abraço para o Sérgio
Ele deve estar em grande actividade no meio daqueles congressistas todos.
Mas não me admiraria se tirasse um bocadinho para vir ver os blogs de que tanto gosta.
Nessa eventualidade, aqui fica um abraço!
Interactividade com o cidadão
Consideramos o documento apresentado muito frágil em termos do que se propõe relativamente à interactividade com o cidadão.
Com efeito, não existe nenhuma explicitação que formule a necessidade de tal objectivo. Há uma referência a Leiria Digital, há referências a aquisição de equipamento e software informático, mas nada nos leva a acreditar que a Câmara viabilize um sistema em que possa existir a discussão em linha de projectos, ou o comentário às suas posições, ou a oferta e procura de emprego suportada em base de dados. Mais longe deve estar ainda a possibilidade de digitalizar toda a informação constante dos arquivos camarários e que hoje em dia é de difícil consulta: em Julho, a situação chegou a ser caricata com as consultas suspensas por o funcionário ir de férias.
A corroborar esta nota sobre a ausência de diálogo com o cidadão, pensamos que o próprio texto que na página da Câmara anuncia este documento mostra uma posição assaz autoritária própria de Estados que praticavam a planificação imperativa:
A Câmara Municipal de Ourém deliberou no passado dia 22 de Novembro remeter à Assembleia Municipal o Orçamento para 2005 e as Grandes Opções do Plano para o período 2005/2008. Consulte aqui o documento (comprimido em formato RAR - 4,4MB ) que comandará os destinos do concelho no futuro próximo.
Por aqui se vê a consideração em que têm a iniciativa privada e o papel que lhe atribuem na formulação dos destinos do concelho.
O solar do palhete
O magnífico vinho da nossa terra não podia ser esquecido na Grandes Opções.
Com uma participação de 60% de fundos comunitários, vamos ter um solar para o Medieval, avaliado em cerca de 109500 euros e pronto a funcionar em 2006.
Esperemos que os organizadores do Poço de 2006 tenham em atenção tão gratificante acontecimento.
Obviamente que para a mentalidade vaidosa das gongóricas criaturas que nos governam aquilo vai ser o Solar do "Vinho Medieval de Ourém".
Mas palhete é sempre palhete, seja qual for o local de apreciação. Esperemos que deixem um bocadinho para os pobres e que nos permitam mesmo uma humilde visita guiada.
Ai, Agroal...
tão maltratado que tens sido...
--- e se calhar continuarás a ser...


A requalificação do Agroal vai utilizar a módica quantia de 1,5 milhões de euros da qual a parte de leão (1,17 milhões) se destina a requalificação de espaços verdes.
Uma surpresa é que nesta atenção dada ao Agoal para este período de 2005/2008, consta mais um comboio turístico avaliado em 49000 euros.
Apesar dos 68000 euros (!) previstos para estudos e projectos, há que questionar se esta requalificação não vai ter efeitos perversos sobre esta descrição roubada a João Pedro Bernardes e Paulo Fonseca:

(Nascente do Agroal) - seguindo o curso das ribeiras de Seiça e Caxarias desembocamos no rio Nabão. Aqui os vales férteis ribeirinhos encontram o meio cársico agreste que os faz minguar até à nascente do Agroal, um dos locais mais pitorescos de toda esta região. A Nascente do Agroal, uma exsurgência de onde brota uma parte significativa do caudal do Nabão, é um lugar de lazer e de banhos públicos na piscina ali improvisada. Região de natureza selvagem com grandes escarpas talhadas pelas águas ao longo dos milénios, apresenta-se como um meio ecológico rico e variado, resultante da peculiaridade do meio cársico ser rasgado por um rio que, congregando a força de várias ribeiras, vai ignorando obstáculos, teimando em prosseguir o seu percurso.

quinta-feira, novembro 25, 2004

O núcleo de astronomia
Será que o meu moinho, sim, aquele que existia no cima da encosta por trás da casa do largo de Castela, vai ser recuperado? Será mesmo esse? Lembro-me que quase nunca tinha a parte superior e que ostentava um tronco onde já não existia vela. Lembro-me da monumental mó no seu interior e da vista de Ourém a partir da sua pequena janela. Há uns trinta anos, escrevi um péssimo artigo sobre ele e os seus pares no Ourém e seu Concelho. Não me dei ao trabalho de o digitar.
Hoje, esse moinho voltou às minhas memórias graças às opções do plano da Câmara.
E a boa notícia é que (será esse?) vai ser recuperado (60000 euros repartidos por 2006 e 2007) e vai lá ser instalado um núcleo de astronomia.
...
Deixem-me ser um desses astrónomos...
Sentir aquela vegetação...
Ver aquela paisagem...
Ser levado naquele vento...
Voltar àquele tempo...
A protecção civil em 2005/2008
Uma verba de 720600 euros está prevista para o período referido em termos de acções relacionadas com a protecção civil. Desta, mais de metade, destina-se a limpeza de matas e é financiada em 80% por fundos comunitários.
Regista-se a previsão de realização de uma campanha de sensibilização, pena é que a mesma termine em 2005.
Prevê-se ainda aquisição de software, realização de estudos e projectos, uma página na Web em valores que chegam perto dos 150000 euros.
Estou de acordo com todas estas acções, penso é que devem ser muito bem controladas para que respondam mesmo àquilo para que forma planeadas.
Mas talvez se pudesse ir mais longe nesta área. Vigilância florestal eventualmente suportada em sistemas de informação e comunicação, obrigatoriedade de cultivo de terras em torno de zonas florestais e substituição dos particulares quando não assumam essa obrigação deveriam ser implementados no concelho.
Assim, o que está previsto em termos de protecção civil peca por defeito. Tem que se fazer mais e ser exigente perante a população por mais que isso desagrade em termos eleitorais.
A Câmara e o Santuário
As grandes opções do Plano (2005/2008), título estranho para uma descrição de acções, contemplam uma generosa dotação de cerca de 10 milhões de euros para requalificação da zona envolvente à nova basílica de Fátima, onde 75% do financiamento provém de fundos comunitários.
Contrariamente ao que os meus amigos possam pensar não estou contra a nova basílica, não considero que os gastos nela sejam um monumental desperdício numa obra megalómana.
Um dos principais benefícios é que os fiéis, por vezes bem maltratados em Fátima, passarão a ser melhor recebidos.
Mas esse não é o único.
Com este gasto, uma fracção da monumental riqueza acumulada pelo Santuário, em vez de continuar sem proveito nos cofres do mesmo ou de ir alimentar a cínica corte romana que em séculos pariu a inquisição, o ostracismo dos que não acreditam, o fuzilamento de infiéis e só raras vezes teve uma mensagem de libertação para os oprimidos e, faça-se-lhe justiça, de paz, manifestando por vezes um profundo alheamento da realidade e dos princípios que a deviam nortear, será distribuída a operários e a empresários na forma de salários e lucros contribuindo assim para dinamizar o consumo e o investimento.
Esperemos é que esta requalificação não se transforme na destruição das árvores daquela magnífica e bem antiga avenida que liga as duas rotundas. Haja fé!

quarta-feira, novembro 24, 2004

Um orçamento sem alma
Não digo que seja um mau orçamento.
Não digo que não sirva os interesses das gentes de Ourém.
Não digo que não responda a alguns grandes problemas.
Não digo que não vá apoiar o desenvolvimento.
Não digo que não seja rigoroso.
Alguns posts sobre esses aspectos ficarão para amanhã ou depois.
Digo, sim, que é um orçamento sem alma. Sem orientação estratégica. De um lado, umas palavras do presidente, uma análise da conjuntura internacional e nacional e uma análise Swot. Do outro um conjunto de rubricas e uns números.
O que é que liga essas rubricas e esses números às oportunidades, às ameaças, às fraquezas? Nem uma palavra sobre o assunto.
Isto indica que este orçamento parece ter tido um grupo que tratou do paleio e outro que tratou da parte mais operacional. A interactividade entre estes dois níveis terá sido muito baixa. Possivelmente, o orçamento é igual ao do ano passado com mais qualquer coisa.
A grande ausência da definição estratégica é com certeza um óbice potente à sua eficácia: gasta-se (muito) por gastar...
Temos orçamento
É verdade, a Câmara acaba de publicar, na sua página, o orçamento para 2005 e um plano para 2005/2008.
Nada mais, nada menos do que 4,4 megabytes de palavras e projectos para o concelho.
O documento pareceu-nos muito bem estruturado o que não altera substancialmente o seu conteúdo, mas pode torná-lo muito mais interessante em termos de leitura.
Há forças e fraquezas, há oportunidades e ameaças.
Há também lamentações em torno da informação estatística relativamente ao concelho. Cremos que esta era uma área onde a Câmara poderia ter visto uma oportunidade: não existindo no Sistema Estatístico Nacional o reflexo ideal do que se passa no concelho, porque não cobre ela essa lacuna, alguns aspectos da qual estão na sua página (directório de empresas)?
Vamos olhar para o documento e dizer alguma coisa, se houver alguma coisa a dizer...

terça-feira, novembro 23, 2004

A mudança alternante
É curioso.
Vejo alguns dos meus amigos receosos com a alternância.
É o caso do Sérgio:
Parece-me, no entanto, que a arrogância não mora só no "poder actual". Também existe, e muito, em forças e pessoas que querem alternar com o poder actual.
O respeito pelos outros, a sua não instrumentalização é uma chave imprescindível para abrir algumas portas. E a unidade faz-se entre diferentes e não absorvendo os que diferentes são.
É também o caso de bin_tex, de A Grande Fauna:
Pois é..O Sérgio fala e muito bem na arrogância dos que querem ser alternativa.
Bem a conheço por dentro. Infelizmente é assim que alguns partidos da oposição camarária funcionam, acham-se os detentores da alternativa democrática.
Conheci grandes e verdadeiros socialistas em Ourém. Recordo-os com saudações e comoção alguns deles. Se fossem vivos ficavam escandalizados com o PS dos dias de hoje. A falta de solidariedade, de fraternidade, quase me atrevia a dizer a falta de socialismo..
Gente que pensa no poder pelo poder...
Estarão as hostes socialistas de Ourém tão inquinadas quanto estes comentários sugerem?
São tão arrogantes como os que dominam Ourém? Querem poder pelo poder?
Apesar de ter muitos amigos entre socialistas, reconheço que não conheço qualquer dos seus representantes em Ourém. Por isso, olho mais para o partido através da sua luta pelas liberdades e pela solidariedade do que através da prática dessas pessoas.
Mas dou-lhes o benefício da dúvida. Se tiverem a alegar algo em sua defesa, concedo-lhes o espaço necessário neste humilde blog.
Amigos socialistas, mostrem que o Sérgio e o bin_tex não têm razão. Convençam-me a dar-vos o meu voto em Ourém...

segunda-feira, novembro 22, 2004

Despedir o governador
Ou muito me engano ou as baterias de fogo pesado da coligação vão apontar na direcção de Vitor Constâncio.
Reconheço que ao longo destes anos da santa aliança de direita ele me surpreendeu pela isenção manifestada. Num primeiro momento justificando e apoiando a política de contenção e de controlo do défice de DB/MFL, recentemente atacando o populismo e a demagogia da dupla PSL/BF.
Não me admira, portanto, que esta voz do rigor, da contenção, do não facilitismo, no quadro da sociedade em que vivemos, seja sujeita a curto prazo a uma operação de silenciamento.

domingo, novembro 21, 2004

O Pombo do Metro

Voa um pombo aflito
Na estação de metro perdido
Vem ao meu encontro assustado
Continuo o caminho, passo apressado

Não me quero recordar
Do cinzento a contrastar
Com o seu ar ternurento,
Do seu medo, do seu lamento

Pobre bichinho
Por quem sinto carinho
Cúmplice na procura dum caminho

Mas quase loucos, sem parar,
Esvoaçamos, caminhamos,
continuando no mesmo lugar...


Ana Prata
Tantas vezes me lembrei de fazer o mesmo...
De acordo com o Expresso de 20.11.2004, um jovem foi entregue à unidade de psiquiatria do hospital de Leiria depois de ter interrompido uma missa no santuário aos gritos: "eu sou Cristo" e "tenho o poder de Deus".
A aldeia submersa
Qualquer dia, da nossa Ourém, nada teremos submersa que estará na destruição que o dia a dia nos revela.
Mas há testemunhos do que as pessoas sentem não muito longe de nós. Na aldeia da Luz, há maior conforto nas habitações, alguns dos moradores tiveram até, e pela primeira vez, acesso a instalações sanitárias. "Mas deixámos de ter os campos cheios de árvores e de lindas flores, para ter apenas um espelho de água a perder de vista", contrapõe Regina Guerra, 28 anos, dando conta que as pessoas da aldeia "vão-se adaptando" à nova realidade "à custa de deixar de falar da outra vida".
Vão inclusivamente de barco até ao sítio onde pensam que as suas antigas casas estão.
O testemunho é do Público de hoje.
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